A gente se despede sempre
Mesmo não percebendo estamos. Mesmo com o olhar despercebido diante do outro.
A cada segundo, um respirar a mais para uns, é um respirar a menos para outros.
Há quem nasce hoje e infelizmente também há quem morra hoje.
Cresci brincando em hospitais, vendo sem muito entender a vida e a morte. Fui pressionada a cursar o primeiro curso durante um ano e meio_ passei em primeiro lugar, nunca fiz cursinho mas tb n era federal. Adorava anatomia_ passar o dia por conta da faculdade não era o problema. Hospital sempre foi o problema. Nunca me vi trabalhando em hospital.
Depois de muita resistência minha família aceitou a troca de curso, alívio, cursar o que eu realmente queria.
Brinco com minha vó que já tenho idade para estar aposentada, pois estava muitas vezes no trabalho dela ou com meu avô e minha mãe na loja. Apesar de estar nesses ambientes também pude brincar na rua, subi em árvores, e etcs. Mas muitas vezes presenciei coisas que crianças não deveriam ver, lembro da minha vó me mostrando na infância um paciente que estava morrendo, ela não fez por maldade. Foi um jeito bem fora da curva de dizer que haviam doenças contagiosas que matavam na época.
E tudo para lembrar que todo dia é sim uma despedida.
Um dia que não volta, alguém que não volta para casa por questões de saúde ou por acidente.
Estamos todos cheios de preocupações.
Por vezes vazias. A se soubéssemos viver mais e melhor….
O tempo não pede licença para passar…














