Era apenas mais um e mais dois passos havia outro
Caído, nas profundezas de um passado já muito distante
Quem passava olhava para qualquer lugar
Com uma pinga na mão e um cão do lado
Esperancas quase em seu finito
A humilhações passageiras
De narises impinados que nunca dormiram na sargeta
No gueto, depois de vários não
Fedia mais que a lixeira que lhe oferecia
A única coisa para forrar o estômago
E o dono da barbearia lhe espulsa
"Vai caçar de trabalhar, vagabundo!"
Que tinha um emprego na capital
Todo dia lia jornal e hoje dorme em cima de um
O cidadão que vendia o mundo de roupa social
Hoje de bermuda suja e camisa rasgada
Com outros a cuspir em seu orgulho
Quem foi Leonardo José, milionário amado
reverenciado por seus feitos
Quem é café, deitado no meio da calçada tomando chuva
Quase sem esperança de ter uma casa
Problemas mentais e um monte de trauma
E de quem você acha que é a culpa?