Eu existo da na pausa do pulmão Na entrega que tens quando lhe falta fôlego A falta transtorna-se em transbordar Eu materializo como um amante único Não precisas de meu nome Não precisas de minha idade Não precisas de minhas vontades Só precisas de minha alma e corpo Na mesma terra que a morte visita Nasce uma rosa pálida Que a tudo resiste, a tudo contempla Por pura sorte e inventividade A juras são tenebrosas A penumbra do quarto A quentura na carne Que abriga e alimenta O jardim primogênito Era o azar do outono A vitória de Persefone A admiração de outros deuses Me agarro a instantes Com força, pois são tudo que tenho Para lembrar-me de teus gestos gentis Que eram românticos em meu peito O peso e o pesar A distância didática A melancolia impura Afagadas em bebidas amargas O amor cru de vespeiro Celebra-nos nus e suados Exaustos a desejar um o corpo do outro Passeando pelos corpos intermináveis como enguias...
O Desejo Etéreo Que Nasce e Morre Em Tua Boca, Pierrot Ruivo














