- But we’re still standing, right? - Oh yeah, we are. Me and you. - Me and you.
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he wasn't even looking at me and he found me
let's talk about Bridgerton tea, my ask is open
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@thurkellr
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once upon a time, there was a man and a woman, and her smile was a question he wanted to spend his whole life answering @thokum
Um ano. Nunca em sua vida as coisas haviam mudado tanto dentro daquele período de tempo como agora. Nunca em sua vida ele iria imaginar que dentro de um ano ele estaria sentado em uma pequena cafeteria trouxa no centro de Londres, em frente a mulher mais linda que ele já vira em toda a sua vida, planejando pequenos detalhes do seu casamento. Aliás, casamento. Quando decidira a mão Grace Hookum, não podia negar que seu coração batera completamente descompassado e suas mãos tremiam segurando a pequena caixinha de veludo que continha o anel mais bonito que encontrara (e que mesmo assim não fazia jus à beleza da mulher que era, definitivamente, o amor da sua vida). Mas enquanto conversavam sobre as melhores flores que poderiam ficar dispostas na festa de casamento, tudo parecia tão natural para Ronan que era como se desde o início dos tempos os dois estivessem destinados a estarem ali naquele momento. Ele bebendo café preto sem açúcar e ela com um chá a sua frente, nem mesmo prestando atenção na xícara enquanto folheava algumas revistas e apontava para Ronan o que mais gostava. Ronan só conseguia sorrir e concordar, seus olhos não se desviando do rosto animado de Grace nem sequer por um segundo, nem sequer enquanto levava sua própria xícara aos lábios e tomava um gole do líquido forte. Não conseguia não prestar total atenção nela, que com certeza ficava ainda mais linda com aquele sorriso intenso, as bochechas meio coradas combinando com os fios de cabelo, fazendo com que Ronan sentisse vontade de passar as pontas de seus dedos ali, apenas para senti-la mais próxima.
E foi exatamente o que ele fez. Estendeu sua mão por cima da mesa e acariciou o rosto de Grace, que de tão empolgada em sua fala acabou por se assustar um pouco com a reação dele. Ronan sorriu, afastando uma mecha do cabelo dela para trás de sua orelha. “Eu tenho certeza que essas flores aqui vão ficar perfeitas. Acho até que elas combinam com o seu cabelo, não concorda? Mas é claro, nada nem ninguém vai ser tão bonito como você, em nenhum dia.” Era incrível como Ronan sentia a imensa necessidade de estar sempre demonstrando ou dizendo a Grace o quanto a achava maravilhosa, o quanto ela era perfeita aos seus olhos. Nunca havia se sentido assim com nenhuma pessoa no mundo, então era mesmo óbvio que a mulher a sua frente era a mais especial em sua vida. Só um tolo não enxergaria isso. “Aliás, sobre aquele jantar entre as nossas famílias, você já falou com o seu pai?”
just a few questions. avramoska and thurkell (small para)
avramoskalek:
Aquela era uma verdade universal: Aleksander Avramoska era o visitante mais assíduo do Hospital St. Mungus para Doenças e Acidentes Mágicos. Para qualquer pessoa, aquele parecia um título normal, sobretudo se levado sob a ótica de um paciente de alguma doença terminal ou que lhe impedisse de passar mais do que algumas horas fora do ambiente hospitalar onde teria atendimento emergencial ao menor sinal de problema. A questão era que, no caso de Alek, aquela ótica não se aplicava exatamente. Doença terminal? Não mesmo. A menos que o código universal de doenças bruxas considerasse licantropia como uma doença altamente contagiosa em dias distantes da lua-cheia. Como varíola de dragão.
O que fazia, então, com que Aleksander passasse tantas horas de seu tempo vital em um hospital, o último lugar onde pessoas saudáveis (em dias distantes da lua cheia) gostariam de estar, era o fato de que toda sua rede de amigos se concentrava ali. E, também, o fato de que ser um escritor de livros significava que Avramoska não tinha muito o que fazer na maior parte dos dias. Para deixar de eufemismos, ele literalmente não tinha nada para fazer além de correr sua pena pelo papel.
A maioria dos escritores escolhiam cafeterias, parques ao ar livre, ou mesmo algum estabelecimento propícito para trabalhar em suas histórias. Mas Alek gostava do Hospital. Desde que se mudara para Londres, aquele havia sido seu primeiro refúgio para lidar com seu probleminha mensal, e desde então, a despeito do quão negativa fosse a atmosfera de um lugar onde se vai para curar doenças, o romeno ainda segurava algum afeto pelo prédio e as inspirações que ele trazia. Era ali que o centro de suas interações residia: Ronan Thurkell, seu melhor amigo. Grace Hookum, sua melhor amiga, prima e irmã. Raizel Wasser, a razão pela qual ainda acreditava em coisas boas na vida, e Bernie Smethwyck, a razão pela qual estava confortavelmente ajeitado em uma mesa afastada do refeitório, saboreando o que sobrara das sobremesas reservadas para a ala infantil.
Bernard era o mais novo de seus amigos do hospital, mas a personalidade divertida do rapaz e o costume criado com Alek de dividirem toda a comida que era feita no St. Mungus acabavam por criar uma relação única e bastante confidencial. Portanto, quando Ronan decidiu basicamente aparatar em seu canto secreto, e ainda indagar-lhe sobre suas atividades no pulo do lobo, Avramoska só pudera sobressaltar-se ao ponto do choque anafilático. Ou algo parecido.
– Ronan! – Assim que a voz do melhor amigo soou aquela pergunta, Alek virou imediatamente, no meio de finalizar outro bolinho de abóbora. A tosse fora imediata e os olhos verdes marejaram, o que fez o romeno atrasar-se alguns segundos antes de conseguir finalmente enxergar o amigo à sua frente. – Are you honestly trying to get me killed? – A pergunta viera rápida e até poderia ser ríspida, mas a culpa ainda era maior que a tentativa de fingir que aquilo não era nada demais. Sobretudo diante do julgamento no olhar de Thurkell. – I can explain. – Com um suspiro, Aleksander ajeitou sua postura novamente, casualmente limpando os lábios com um guardanapo de papel antes de encostar os punhos sobre a mesa e prosseguir. – Bernie brought these, they were about to throw them away, so… You know how much I care for this place, I would never let them throw away food. I’m just… Doing my job. – Na melhor personificação de calma e senso de responsabilidade, Alek fez seu discurso, alcançando a xícara de chá para um curto gole como quem finaliza um simples argumento, antes de abaixá-la e acrescentar em um tom mais não tão certo agora. – Só… Você sabe. Não conte para a Raizel.
Ronan havia mantido apenas uma amizade de sua época em Hogwarts, e era com Katherine, uma de suas colegas healers do hospital, então não seria exagero dizer que sua vida social, além da vida profissional, giravam em torno do St. Mungus. Passava tanto tempo trabalhando, que era como se seus colegas fossem sua família, e por mais que muitos pudessem dizer que aquilo não era algo saudável, o homem gostava daquela forma. Sentia-se bem naquele ambiente, fazendo o que mais gostava, podendo ajudar quem precisava e estando perto de pessoas que admirava como profissionais e como bons amigos. E, é claro, havia o bônus incrível de ter conhecido Grace, o que, particularmente, agradava muito o Thurkell.
Mas, apesar de ter suas relações baseadas no hospital onde trabalhava, também não poderia dizer que sua vida era apenas aquilo. Havia sua família, e também a família de Katherine, que o conhecia há tantos anos que o consideravam praticamente como um filho. E havia Aleksander, um de seus melhores amigos, e a quem, obviamente, Ronan havia conhecido no St. Mungus. E alguém que ele também encontrava com mais frequência no hospital do que em qualquer outro lugar. Thurkell não tinha mesmo como fugir do seu local de trabalho, já que tudo em sua vida girava em torno dele.
Por isso não se surpreendeu ao ver Avramoska sentado no refeitório, tão habituado com o local que era quase como se trabalhasse ali. A pergunta que havia feito ao se sentar ao lado do amigo não era um confronto, era uma brincadeira, apesar do tom de voz sério. Se divertia com a expressão assustada no rosto do amigo, achando que poderia estar com problemas. Thurkell riu enquanto balançava sua cabeça, tomando mais um gole do café antes de responder Alek. “Não, porque se você morresse, eu não poderia rir da sua expressão de pânico ao me ver chegando.” E emendou, baixando a sua voz para que qualquer pessoa ao redor não pudesse lhe ouvir. “...Para um lobisomem, você não é muito corajoso, Avramoska.” Dessa vez sua voz estava totalmente impregnada de diversão, e o amigo com certeza saberia que ele estava brincando, então não precisava se explicar. Era bom que entre eles não havia qualquer problema de entendimento em razão das brincadeiras que faziam.
“Ah, então isso tudo é apenas uma boa ação, é isso mesmo?” Questionou, recostando-se na cadeira, mas ainda observando Alek enquanto bebia mais um gole de seu café, porque estava mesmo precisando de cafeína naquele dia. “Muito bem, Alek, estou orgulhoso de você, evitando que a comida vá fora. Mas ainda não entendo como gosta tanto de ficar aqui no hospital ao invés de ficar em casa escrevendo.” Deu de ombros, porque aquela era mesmo uma questão que Ronan nunca entendera direito. Apesar de ser suspeito para falar, porque ele próprio adorava o hospital, então não poderia julgar o amigo. “Mas espera, por que não posso contar a Raizel? Não me diga que tem medo dela...”
mattfortescue:
Eu não acho, eu tenho certeza. Os boatos correm, Thurkell, mas ninguém está aqui para julgar. Se você dá uns amassos com alguma enfermeira ou alguma das healers, ai pelos armários, quem sou eu para falar disso? Só olhe melhor quando for sair deles, tem muita gente que olha.
Está como instrutor? Não sei se sinto pena deles ou de você. Como estão se saindo? Alguma desistência nessas últimas semanas?
Boatos? Que boatos? Eu não ouvi nada sobre isso, não. Aliás, com uma determinada pessoa ainda me evitando, não teria como eu estar me ocupando nos armários desse hospital. Alguma das hea- Espera, eu não estou de amassos com nenhuma healer, ou enfermeira. Pensei mesmo que você estava brincando... Existem esses boatos mesmo?
Sim, me colocaram mais uma vez como instrutor, acho que pensam que eu fiz um bom trabalho de última vez. Mas preciso dizer, estes não são ruins. Vejo bastante potencial em alguns. Você ainda não teve contato com eles? Só uns três ou quatro não conseguiram se manter firmes no programa.
Achei que você tinha se perdido pelo hospital, mate. A única explicação para o seu sumiço são os armários, mas não perguntarei sobre isso.
For Merlin’s sake, Fortescue, mais respeito. Acha mesmo que eu ando pelos armários por aí?
...Não, não mesmo. Eu estive ocupado com nossos pequenos zumbis, digo, nossos novos healers.
[Flashback] And when you least expect it | Thokum
gracehookum:
A timidez de Grace era coisa antiga, arriscava dizer que podia até ser algo que tinha desde que nascera. Era bastante contraditório, se parasse para pensar. Ela gostava de pessoas. Gostava de interagir com elas, gostava muito de conversar e principalmente de ouvi-las, escutar seus desabafos e até mesmo arriscar alguns conselhos quando sentia que devia ou que sabia o que dizer. Era muito observadora e também bastante sincera, então sabia como tirar conclusões e soluções para as coisas juntando fatos e também como dizer as coisas que precisavam ser ditas sem magoar a outra pessoa, e sentia prazer ao fazê-lo Sempre tivera uma grande paixão por ajudar as pessoas no que fosse, mas a timidez sempre a impedia de se mover um centímetro que fosse para colocar isso em ação. Na escola não era raro vê-la sentada em um canto distante e isolada, apenas observando as outras pessoas andando e interagindo e, no fundo, ela sentia inveja delas por serem mais sociais e por terem umas as outras, mas havia algo que sempre a impedira de tentar iniciar uma conversa com quem quer que fosse. Se alguém fosse até ela iniciar uma conversa – o que na verdade raramente acontecia – tudo bem, ela sabia conversar e se tornava uma pessoa até bastante falante. Mas se ela precisasse tomar a iniciativa de iniciar uma conversa, simplesmente ficava paralisada. Era quase como um bloqueio físico que a mantinha presa no lugar como uma estátua, e nas poucas tentativas que fizera de tentar dirigir a palavra a uma pessoa que não tivesse o sobrenome Hookum ou não fosse algum professor/zelador/qualquer figura de autoridade durante todo o seu período em Hogwarts, nada mais que sons ininteligíveis saíram por sua boca, a tornando ainda mais alvo de zombaria por parte dos alunos.
E era mais ou menos aquele mesmo bloqueio que a prendia ali, com as costas coladas naquela porta. Quando terminara Hogwarts ela prometera que mudaria aquela característica. Até mesmo saíra naquelas férias com Daisy para passear em algumas praças trouxas, para que ela pudesse treinar falar com pessoas estranhas sem travar ou ficar a beira de um desmaio. Ela até mesmo fizera amizade com Willa quando precisou passar no Ministério, algo que jamais teria conseguido antes. Julgou estar totalmente curada na noite anterior, quando conversara com vários dos healers que estavam iniciando o treinamento junto com ela e poderia até mesmo dizer que iniciara uma amizade com dois deles, Kath e Bernie. Mas é claro que ela não estava curada, e ali naquele momento ela quase podia sentir a Grace dos tempos de Hogwarts voltando ao ter o ponto alto de sua noite se transformando no seu pesadelo do dia seguinte. Estava tão envergonhada que quase podia sentir os enormes óculos dos quais ela tão alegremente se livrara voltando para os seus olhos, mas aquilo não era verdade. Ela havia crescido. Deixara tudo aquilo para trás e precisava provar aquilo para si mesma, então com coragem ela se endireitou e foi na direção da porta, mas antes que pudesse abri-la outra pessoa o fez e ela acabou esbarrando com ele diretamente de frente, derrubando o prontuário que ainda estava em sua mão. Com o rosto queimando se abaixou para recolhê-lo, mas ele já a havia visto e não tinha mais volta, então apenas gaguejou rapidamente sem jamais olhar o rosto do homem, nem ela mesmo compreendia exatamente o que estava falando. – D-desculp-pe eu preci-ciso… Quero di-dizer… Estou procurando pelo… Meu… É… Pelo meu chefe… Bem… Você não o viu, v-viu? É… Dr. R. Thurkell, d-diz aqui. E-eu preciso achá-lo, é urgente e… Bem, preciso ir. – disse, já virando as costas, ansiosa para dar o fora dali o mais rápido possível.
No momento em que Ronan, despreocupado, abriu a porta, sentiu algo se chocando contra seu corpo. Em um impulso, afastou-se, confuso com a situação toda que se seguia, uma jovem de cabelos ruivos abaixando-se a sua frente para pegar o prontuário que havia caído no chão. No mesmo instante, ele a reconheceu, e o choque anterior dos dois se esbarrando não foi nada comparado ao que Ronan sentiu quando a viu. O rosto da mulher estava vermelho, quase da cor de seus cabelos, e ela não o olhava nos olhos, o que deixou o homem ainda mais confuso. O que estava acontecendo ali? Ele nem ao menos sabia o nome dela para poder interrompê-la enquanto ela gaguejava algo quase que totalmente incompreensível. A única coisa que conseguiu entender foi seu sobrenome sendo pronunciado, e então a sua ficha caiu. Antes que ela pudesse virar-se e ir embora, Ronan agarrou seu braço, não com muita força, apenas para impedi-la e poder ter sua total atenção. "Ei, vá com calma...” Disse, enquanto a puxava um pouco para que pudessem sair da frente da porta do refeitório. Também não queria causar nenhum transtorno que chamasse ainda mais a atenção para os dois. “Você não vai achá-lo naquela direção, acredite em mim.” Sabia que não deveria brincar daquela forma, afinal, ela já estava bastante nervosa, mas Ronan não podia se impedir, ele tinha um excesso de bom humor que era incomum ver por ali. “Eu sou o Dr. Thurkell. Ronan Thurkell.”
E então ele sabia que havia se metido em uma grande confusão.
Nunca havia visto a mulher pelos corredores do St. Mungus antes, ou então certamente saberia quem ela era quando a encontrou naquele pub na noite anterior (era difícil não reparar nela), e pela forma como se portava, o lembrava muito dos novatos com quem ele frequentemente trabalhava. Deveria ser seu primeiro dia ali, e Ronan com certeza estava complicando tudo para ela, mas era outra coisa que ele também não poderia evitar. Era seu chefe, e os dois tinham de fazer o seu trabalho. Ele não iria virar as costas e ir embora e deixá-la parada ali só para evitar o constrangimento. Tinha de ensiná-la, aquele era seu dever. “Que coincidência, não acha? Não acredito muito em destino, mas acho que ele está tramando algo, afinal, deve ter a ver com o fato de você ter saído correndo da minha cama hoje pela manhã.” Falou a última parte mais baixo, aproximando-se da mulher com um sorriso malicioso em seu rosto. Mas logo em seguida estendeu sua mão a frente, esperando que ela lhe entregasse o prontuário que carregava para que Ronan pudesse analisar o caso que teriam naquela tarde. Seria uma tarde longa, ele poderia sentir isso. “Aliás, você ainda não me disse o seu nome. Parece familiar para mim. Quer dizer, fora a familiaridade da noite passada, é claro.” Ronan com certeza merecia um tapa por estar parecendo uma criança, e Katherine provavelmente faria isso quando ele lhe contasse o que havia acontecido, mas no momento, diante da mulher a sua frente, ele não estava se importando muito.
[Flashback] And when you least expect it | Thokum
gracehookum:
Enquanto encarava o hall de entrada do St. Mungus, Grace não podia deixar de pensar em como tudo aquilo parecia certo, correto, como se ela tivesse nascido para isso. Algumas pessoas na vida da jovem acreditavam que ela decidira se tornar healer apenas porque seu pai o era, porém a verdade era que ela não conseguia se ver fazendo outra coisa, e nunca conseguira. Desde pequena sabia que era aquela a profissão que viria a seguir e nunca chegou a sequer considerar mudar d ideia, mesmo quando passava tanto tempo estudando para os N.I.E.M.s que ficava com a sua cabeça doendo de forma incessante. Ela tinha um objetivo, e até então acreditava que o melhor momento de sua vida era aquele em que a carta de sua aprovação chegara. Porém aquilo, pisar pela primeira vez no hospital não como paciente ou visitante, e sim como uma healer que trabalhava ali, era mil vezes melhor. Com toda a euforia do momento ela quase se permitia esquecer os acontecimentos da noite anterior, movendo-os para um canto distante de sua mente para serem analisados apenas mais tarde.
Sabia que se quisesse sobreviver àquele serviço teria de conviver com as pessoas, por isso aceitara ir até aquele pub com alguns dos healers que estavam iniciando o treinamento junto com ela. Com sorte ela não bebera tanto a ponto de estar sofrendo com uma ressaca, pois tinha plena consciência de que o dia seguinte seria longo, porém bebera o suficiente para a sua resistência baixa a bebidas levá-la a fazer coisas que não costumava fazer. Tentou ao máximo não pensar no belo moreno que conhecera e com quem tivera a sua primeira vez, porém ele continuava a voltar à sua memória nos momentos menos oportunos e ela novamente tinha de movê-lo para o fundo da mente. Só sabia seu primeiro nome, Ronan, e esperava que não tivesse causado uma má impressão saindo tão rapidamente da casa do homem como fizera ao acordar e se dar conta do que acontecera. Ela realmente tinha gostado, porém além de estar completamente embaraçada para conseguir puxar qualquer assunto, ainda havia percebido que estava se atrasando para o seu primeiro dia. Correra em casa para trocar de roupa e ficara satisfeita ao perceber que os pais ainda dormiam e os irmãos já haviam saído para o trabalho, pois aquilo evitava questionamentos sobre onde estivera, já que ela era uma péssima mentirosa e não sabia se conseguiria lhes contar a verdade, principalmente sabendo que Harold provavelmente teria um infarto se soubesse. Era melhor manter tudo aquilo em segredo por enquanto.
Como era seu primeiro dia, Grace e mais um grupo de iniciantes tiveram de seguir uma mulher baixa que ela simplesmente não conseguia se lembrar o nome pelo hospital e todas as suas alas, aprendendo onde cada coisa ficava. A Hookum repetia para si mesma cada andar e suas alas várias vezes, determinada a decorar tudo e nunca se perder enquanto ali trabalhasse, visto que já era suficientemente desajeitada sem mais isso para lhe atrapalhar. Ao fim do tour, cada um recebeu um prontuário de um paciente e instruções para procurar seu respectivo orientador. Grace leu as informações do seu rapidamente, Doutor R. Thurkell, chefe do Departamento de Danos Causados por Magia, e essas informações fizeram um arrepio de excitação subir pela sua espinha. Estava acontecendo, ela realmente estava ali, e aquela era uma das especializações que ela ambicionava. Precisava se esforçar, dar seu máximo não apenas no trabalho, como também em agradar o Dr. Thurkell. Precisava fazer aquele homem amá-la, pois ele provavelmente era sua melhor chance de se tornar respeitada no St. Mungus. Perguntou para uma healer que passava se ela o havia visto, e foi informada que ele estava no refeitório em seu horário de almoço, e com o coração acelerado ela foi na direção do lugar. Porém, ao adentrá-lo, levou um susto tão grande que a fez derrubar o prontuário em suas mãos, pegando-o rapidamente e voltando a sair do refeitório sem olhar para cima, se escondendo atrás da porta e esperando que ele não a tivesse visto. Ronan. O cara que conhecera no bar. Se ela tinha esperanças de voltar a vê-lo? Sim, mas não bem no seu horário de serviço. Porém, para encontrar se chefe Dr. Thurkell ela precisava entrar no restaurante, apesar de aquela ideia não agradá-la muito. Ah, ela estava tão ferrada.
A conversa com Smith e Turner, seus dois colegas de trabalho acabara se arrastando pelo horário de almoço deles, e enquanto comiam, continuavam trocando ideias sobre novos tratamentos, novas doenças sendo descobertas recentemente, e até entraram no assunto sobre a medicina trouxa, algo em que Ronan, em suas muitas viagens nos anos anteriores, havia se interessado particularmente. No entanto, nunca havia tido a oportunidade de se aprofundar naqueles estudos, o que acabava por lhe deixar bastante curioso a respeito de como as coisas eram feitas sem magia. Não que ele fosse um amante da cultura trouxa, era verdade, afinal, Ronan não conseguia se imaginar vivendo sem magia, mas também não desprezava nada que viesse do mundo trouxa, nunca desprezava nada por ser diferente, pelo contrário, coisas diferentes sempre lhe despertaram certo interesse. O assunto se estendera tanto que o mais jovem entre os três healers sentados a mesa se esquecera totalmente de sua ideia inicial, que seria a de visitar Raizel na ala infantil.
De qualquer forma, não se preocupou. A jovem provavelmente acharia que Ronan havia se comprometido com algum trabalho de última hora, e não haviam marcado um compromisso exato, o que lhe dava a brecha naquele dia. No entanto, fez uma nota mental de recompensar a mais nova no dia seguinte, já que haviam criado o hábito de se encontrarem para conversar naquele intervalo junto com um grande copo de café.
Quando decidiu que era a hora de retornar ao trabalho e conferir se seus healers estagiários haviam feito tudo da forma como havia lhes dito mais cedo, seus colegas com quem compartilhara o horário de almoço também já estavam se retirando. Todos ali tinham um horário bastante parecido, com a diferença de alguns minutos para uns e para outros, e contando com o fato de o dia no St. Mungus não estar muito complicado quanto costumava estar a maior parte dos dias, eles conseguiam aproveitar alguns minutos a mais de descanso antes de voltarem para suas atividades de rotina. Ronan achou que era a hora de encontrar Katherine e lhe prestar uma consulta que havia ficado lhe devendo desde as primeiras horas da manhã, então cumprimentou Turner e Smith, animado pela conversa que havia lhe rendido boas informações e por poder passar um tempo mais tranquilo entre amigos, e seguiu para fora do refeitório, ouvindo atrás de si uma brincadeira por parte de Turner envolvendo sua irmã, Thea, e o fato do nome dela não combinar tanto com Thurkell como combinaria com Turner. Ronan estava mais do que acostumado com aquelas brincadeiras. Seus colegas de trabalho quando percebiam que Ronan tinha o mesmo sobrenome que a famosa jogadora de Quadribol, Thea Thurkell, passavam a achar que Ronan poderia ser o responsável por um autógrafo, por um encontro com Thea, por algo a mais do que isso, mas ele nunca levava aquelas brincadeiras a sério, afinal, ele não seria louco nem nada de realmente apresentar sua irmã a homens desesperados como aqueles.
Ficou tentado a responder com alguma palavra não muito educada, mas apenas sorriu e deu de ombros, virando-se e deixando seus amigos lá parados. Era bom passar um tempo com eles, mas para tudo havia limites.
katherineivanova:
Agora os tempos mudaram, a sua amiga adquiriu muitas experiências e agora é ela que te dá os conselhos.
Ronan, no dia que você virar um pai você vai descobrir que não basta estar dando apenas 100% de si nisso, é preciso de ser 150% e quando esse momento chegar você vai começar prestar atenção em todos os detalhes para garantir que nada nesse mundo vá machucar aquela coisinha fofa e pequena do qual você é responsável. Então isso foi one night stand? Que inveja da Grace, quero dizer, não que eu queria ter algo com você, mas quando se é uma mãe solteira fica complicado conseguir um one night stand. De fato você é irresistível, mas o meu desespero ainda não é tão grande a esse ponto. Você já considerou que ela pode estar um pouco sem graça com toda essa situação? Veja bem, não são todas as pessoas que lidam bem que o one night stand dela também é o chefe dela, então dê um pouco de espaço para a Grace para que ela consiga se acostumar com tudo isso e aos poucos vá se aproximando.
Isso me deixa apavorado, porque eu vejo só o nível em que cheguei para Katherine Ivanova me dar conselhos, tsc tsc. Daqui a pouco até minha irmã mais nova vai começar com essas ideias.
...Opa, vai com calma, Kath. Nada disso de “quando você virar um pai”, vira essa boca para lá porque eu não estou interessado nisso no momento, e nem sei se seria algo com que conseguiria lidar. Mas entendo o que quer dizer com essas precauções e observações. Quando Ade era mais nova, eu não estava muito presente na vida dela, mas agora, mesmo que esteja crescida e bastante independente, eu ainda a vejo como uma criança que precisa de proteção. Acho que nós estamos ficando velhos, isso sim. Inveja? Ah, eu sabia que você era caidinha por mim desde sempre, só estava esperando você admitir. Demorou muito, hein. Just kidding. Mas isso tudo é por causa da falta de tempo ou...? Porque olha, com todo respeito, posso afirmar que você é uma mulher maravilhosa, Katherine, com isso não tem que se preocupar. Eu sei, ela já deixou bem claro que essa situação é bastante desconfortável. E o mais estranho dessa história toda é eu ter amizade com os dois irmãos dela e o primo também, mas não ter me dado conta de quem ela era na hora. Não que isso tivesse me impedido, mas... Acho que tem razão, talvez eu precise lhe dar um pouco mais de espaço.
katherineivanova:
C’mon nem tente me enrolar com esse papo de que são apenas assuntos de trabalho Ronan, não estamos mais no quinto ano e eu não sou tão ingênua como antes.
Nada escapa desse olhar de mommy bear, mas pode ficar tranquilo que acho que os outros não chegaram a reparar. Então, vocês dois estão juntos? Ou essa é somente uma atração carnal? Não importa qual é a opção, pois de qualquer modo isso é muito emocionante.
Sinto falta da época em que você era ingênua e quem dava os conselhos era eu.
...For Merlin’s sake, você ficou pior depois que virou essa tal de mommy bear. Sem ofensa. Hm, não, nós não estamos juntos. I mean, nós ficamos juntos. Por uma noite. E então descobrimos que eu seria o chefe dela, o que com certeza está contribuindo para que Grace fuja de mim sempre que tem uma oportunidade. Come on, você me disse uma vez que eu era irresistível e que só não me beijava porque me considerava um irmão, qual é o problema da Grace?
katherineivanova:
Um conselho de amiga Ronan: se você quer que todos do hospital percebam que você está de olho na Grace continue olhando para ela desse jeito, pois está fazendo um ótimo trabalho. Mas se esse não for o caso recomendo um pouco de discrição.
Eu não- Espera, o quê? Não, eu não estou de olho nela. Quer dizer, estou. Mas é porque eu sou o chefe dela, preciso ver como anda seu trabalho, essas coisas.
...Ok, você me pegou. Nada escapa dessa sua observação constante, não é? Que droga. Tudo bem, vou tentar esse negócio de ser mais discreto.
ast-woodwork:
Você não fez isso. Você roubou meu paciente, ou acha que eu não percebi? Dá próxima vez, que não tenha uma, espero que você não interfira no que eu to fazendo, e arranje algo para fazer ao invés de fazer o que você fez hoje. E não, não quero que me pague um café.
For Merlin’s sake, você estava enrolada e eu te ajudei. Não roubei sua paciente, ela é toda sua, continua nos seus cuidados. Mas nesse trabalho ás vezes nós precisamos deixar o ego de lado e aceitar um pouco de ajuda. Nenhum de nós nasceu sabendo tudo sobre o trabalho e é assim que aprendemos. Sinto muito se te ofendeu, não era minha intenção, mas a paciente está bem e é isso que importa.
Ainda vai recusar aquele café? Parece que vai precisar. O turno vai ser longo.
Não seja tão durona, Woodwork, eu apenas apareci no momento certo para te ajudar em um procedimento complicado. Isso em nada desmerece o seu talento como healer. Se eu te pagar um café, promete não ficar zangada comigo?
just a few questions. avramoska and thurkell (small para)
Curar pessoas, ajudá-las, era algo que Ronan adorava fazer. Apesar de ter vindo da Slytherin, uma casa conhecida por suas personalidades mais egoístas, ele sempre tivera vontade de ajudar, de usar sua inteligência para algo além de si mesmo. Era por isso que havia se tornado healer depois de finalmente ter conseguido resolver os problemas que assolavam sua família há tantos anos. Era algo que lhe dava prazer e não se via fazendo outra coisa como profissão. No entanto, algo que ele não poderia negar a ninguém, era que aquele trabalho muitas vezes poderia se tornar absolutamente cansativo, tanto física como emocionalmente. Lidar com as pessoas poderiam esgotar qualquer um mentalmente, e com Ronan não era diferente. Ao final de um turno corrido de 24 horas seguidas, ele só conseguia pensar em um bom café quente e se sentar em uma poltrona para descansar.
Por aquele motivo, seguira diretamente para a cafeteria, onde poderia pegar café e um lanche antes de se recolher a sala dos healers e descansar antes de retomar seu trabalho. Entretanto, quando finalmente alcançou o primeiro andar do St. Mungus e entrou na cafeteria, acabou se deparando Alek Avramoska sentado em uma das mesas mais distantes da entrada. Alek era seu melhor amigo, sem sombra de dúvidas, e se estava no St. Mungus, talvez estivesse precisando de alguma coisa. Mas o homem parecia tranquilo enquanto comia, então Ronan achou que não poderia ser algo muito preocupante. Pegou seu café antes que o amigo pudesse lhe ver e então se aproximou da mesa onde o mesmo estava sentado, puxando uma cadeira e sentando-se de frente para ele. “Tem algo muito errado aqui e eu acho melhor você me contar antes que eu descubra por outros métodos.” Disse, formando uma expressão de desconfiança para o amigo e então tomando um gole de seu café enquanto o esperava responder.
Ah, hey Ronan. E-estou sim, só estou um pouco cansada e resolvi aproveitar o momento de pausa. Por que? Precisa de mim para alguma coisa?
Não, fique tranquila. Eu também aproveitei para descansar um pouco agora que as coisas se acalmaram lá em cima. Pensei que poderia te fazer companhia.
Ei, Grace.
Você está bem? Foi um dia complicado hoje, parece bastante estressada, pensei que gostaria de conversar.