Like WildeFire — Patrônica
De certo modo, as coisas que aconteceram nos momentos seguintes lhe surpreenderam. Patrick, apesar de não ser a pessoa que ela havia pedido para lhe resgatar, sabia muito bem o que fazer. Verônica não pode evitar ficar boquiaberta enquanto ele montava um abrigo – depois de ter lhe carregado – apenas com um monte de tralha que havia encontrado pela trilha. No fim, parece que sua má sorte não havia sido grande. Quer dizer, Scott provavelmente a teria carregado dali, mas as chances dele conhecer a saída também eram pequenas e acabariam mais perdidos do que nunca. Com McKenzie e seu espírito de escoteiro, porém, ela tinha uma chance maior e mais real de conseguir sair daquele lugar sem muitos danos – físicos e emocionais. Não conhecia muito bem o garoto, mas sendo amigo de quem era, ela provavelmente não teria tido tanta fé que ele sabia fazer ao menos um terço daquilo. Estava claramente enganada. Tal ato fez com que Verônica sentisse uma pontada de culpa por ter sido grosseira e vontade de conhecer melhor o loiro — Não se preocupe, já esgotei minha cota de estupidez diária. — ela disse, então, sem nenhum pingo de sarcasmo e soltando uma risada genuína junto do outro garoto.
Foi uma surpresa e tanto quanto ele começou a se despir. Amelie não entendera o motivo a princípio – na verdade ela chegou até a ficar um pouco assustada, uma vez que estava um frio desgraçado e se ele tirou a camisa tinha que ter um bom motivo. Mas, novamente, ficou surpresa quando ele começou a fazer manobras, tentando ajuda-la com seu tornozelo torcido. Soltou um pequeno gemido quando ele terminou aquele torniquete improvisado, causando uma sensação de alivio quase imediato — É, você definitivamente não é só um rostinho bonito. Tem um corpo bonito também. — falou, mordendo os lábios e rindo novamente. Estava tão nervosa que nem mesmo tinha controle das próprias palavras — Mas sério, Obrigada Patrick. Não sei o que faria se não tivesse aparecido. — na verdade, ela sabia sim. Provavelmente choraria por ajuda no primeiro instante; mas depois arrastaria-se pelo chão da floresta em qualquer direção, na esperança de que chegasse mais cedo ou mais tarde na cidade. A situação não era das melhores, mas ela tinha plena consciência que iria melhorar.
Engoliu o seco, segurando a perna contra o próprio peito como ele havia dito e cerrando os lábios devido às fracas pontadas que estava recebendo. A chuva começara a cair. O horizonte, assim como tudo ao seu redor, estava em uma tonalidade cinzenta. Ela não poderia afirmar que horas eram, mas provavelmente estava perto de anoitecer. E ficar perdida no período da noite não era o que ela tinha em mente — Você por acaso não tem um super kit escoteiro com um celular via satélite, tem? — ela perguntou, um pouco esperançosa. Mas duvidava muito que aquilo fosse se concretizar na realidade; até porque ninguém em Sá consciência carrega algo do tipo. Principalmente um adolescente descolado como Patrick. Perguntou-se se alguém sentiria sua falta a ponto de mandar ajuda. Talvez Scott, mas ele dissera que tinha treino de futebol durante todo o dia, então é provável que vá direto para cama do chuveiro. Havia também suas companheiras de quarto, mas aquelas piranhas não estavam se importando nem um pouco com ela — Bem, na pior das hipóteses a gente passa a noite aqui e de manhã cedo vai embora. — tentou soar confiante, mas cada uma daquelas palavras saiu vazia — Sinto muito que você esteja perdido com uma inválida, mas eu realmente estou feliz por você estar aqui comigo. — sentiu necessidade de dizer aquilo, subitamente. Quem sabe um pouco de fé era tudo que os dois precisavam agora.
Patrick corou. Sabia que tinha um corpo legal, e que garotas gostavam, mas uma dizer descaradamente o surpreendeu. E ele não estava acostumado com isso. Patrick era quem as surpreendia, não o contrário. No segundo seguinte estava se odiando por ter sido pego de surpresa por uma garota e odiou mais ainda o fato de ter avermelhado suas bochechas por isso. — De nada. Querendo ou não, estamos juntos nessa — A chuva surgia, assim como o cheiro de terra molhada. A paisagem era refrescante e a brisa que batia em seu peito desnudo reforçava a sensação. Quando conhecesse mais a floresta, viria aqui mais vezes para tirar algumas fotos. Talvez um novo hobby nascesse daí. A pergunta da garota retirou sua mente da imensidão cinza. Fitou Verônica, com uma sobrancelha arqueada. "Ela realmente está perguntando se eu tenho isso?", pensara, mas não a respondeu. Não trouxe seu celular, achara perigoso e desnecessário demais. Em silêncio, escutou o que mais a loira tinha para dizer. — Não é assim como costumo passar as noites quando estou com garotas, mas para tudo se tem uma primeira vez, certo? — Sorriu, um sorriso sincero, que tentava passar o máximo de segurança e otimismo possível. Vendo que o pôr do sol já estava no fim, Patrick tratou de aproveitar a última hora de luz daquele dia e usa-la para montar uma cama confortável para os dois deitarem. Não juntos, claro. Olhou para os lados à procura de recursos, mas a chuva impedia sua visão. Ficou parado, pensativo, mas ao mesmo tempo, afobado, o pensamento de que o tempo estava passando enchia sua mente e tornava complicado concentrar-se. Até que de tanto olhar para o lado, Patrick olhou para cima e achara a solução. — Tá vendo essa árvore? Notou como ela é escamada? É da família da pinha. E é também a nossa salvação. — Com agilidade, escalou um metro e meio da árvore - afinal, quanto mais alta, mais máleavel a árvore-, e mesmo sendo atingindo pela chuva, conseguiu lascar cinco ou seis camadas da árvore. Ao descer, notava-se sua face de esperança. Rapidamente jogou as camadas de árvore no chão, alinhando uma ao lado da outra. — Não é muito confortável, mas ao menos elas têm mais resistência térmica que o chão, então ficaremos quentes. — Patrick soara como se tivesse achado ouro, e para aquela situação, as lascas da árvore pareciam ter o mesmo valor da jóia.
Com cuidado, carregou Verônica para aquela cama improvisada. Sentou-se ao lado, afinal, quanto mais próximo, mais quente, e com a chuva piorando, quanto mais quente, melhor. Retirou um isqueiro do bolso. Patrick sempre andava com um isqueiro, já que a maioria de seus clientes aproveitavam para consumir a droga no momento da compra. Ele nunca ficara tão contente em ter um isqueiro em toda a sua vida. Juntou um pedaço da madeira com alguns gravetos e folhas achados pelo chão, e shazam! Uma fogueira. Deitou-se ao lado de Verônica, e era uma sensação estranha aquela, deitar-se ao lado de um estranho. — Eu também estou feliz que você esteja aqui. — Disse tudo isso tão rápido que nem percebeu que havia segurado o ar enquanto falava. Soltou o fôlego devagar e olhou para a chuva. Não sabia dizer se estava melhorando ou piorando. Tudo já estava escuro. A fogueira era a única coisa que iluminava. Sabia que havia animais ali, mas nenhum que pudesse fazer mal para eles e ao lembrar disso, relaxou. Agora, sua parceira e ele podiam finalmente ter uma conversa de verdade. Mas dessa vez, Patrick esperaria ela fazer o primeiro movimento.








