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Vamos à lua?
Os lábios dela eram cheios, vermelhos como uma maçã madura; com toda certeza garotos e garotas já imaginaram-se colhendo aquela fruta com os dentes. Aquele rapaz sentado com ela à mesa era só mais um que mantinha secretamente esse desejo em sua imaginação. Observei que ela sorria esporadicamente, enquanto ajeitava uma mexa teimosa que insistia em lhe cobrir o rosto. Ele, por sua vez, tentava impressiona-la com as histórias de sua vida, enquanto a bela moça apenas se esforçava para ser gentil. Percebi que ela estava entediada e que também havia afastado a mão do sujeito algumas vezes, impedindo assim que ele não a tomasse ou entrelaçasse os seus dedos aos dela. A moça movia-se com frequência sobre a cadeira, como se estivesse incomodada ou desconfortável. O garçom servia mais uma bebida e o pobre galã mal percebia que ela revirava os olhos enquanto levava o copo com aquele líquido escuro à boca. Não contive o riso ao ver aquela cena. Sempre fui um bom observador e cheguei a conclusão de que aquela moça não queria estar ali. Então, por não mais aguentar ser apenas um espectador, apaguei o meu cigarro e dirigi-me até a mesa do ‘casal’. -Com licença - disse, educadamente - Não sou seu príncipe encantado, nem seu anjo da guarda, fada madrinha ou algo do tipo; mas essa noite eu posso lhe salvar dessa imensa roubada - completei confiante, fitando a moça nos olhos e enfiando as mãos nos bolsos da calça. -Desculpe-me, mas a moça está acompanhada - reclamou o conquistador desajeitado. -Creio que a moça só está aqui concedendo-lhe alguns minutos de seu tempo pela bebida e/ou falta de algo melhor para fazer - falei com uma pitada de sarcasmo e sutileza, sorrindo apenas por dentro. A moça me olhava com um misto de curiosidade e medo. Para não estender o diálogo, fui direto ao ponto, estendi minha mão e disse a ela “quer ir à lua comigo?” Após alguns segundos de agonia, ela disse: -De fato, a bebida estava ótima. Obrigada por isso. Até mais - falou, dirigindo-se ao fracassado galã. Em seguida, segurou minha mão e eu a tirei daquele bar, enquanto o homem praguejava e irritado gritava por nós. Com ela na garupa da minha moto, rumei seguindo a lua acima de nossas cabeças.
sou tão tua quanto as estrelas são do céu.
não somos mais que uma gota de luz uma estrela que cai uma fagulha tão só na idade do céu
não somos o que queríamos ser somos um breve pulsar em um silêncio antigo com a idade do céu
Sobre gênero
Hora me sinto homem, Hora sou mulher, Agora sou os dois, Depois nenhum.
Sou de lua, E meu gênero, também.
Auto identificação é complicado, Se a gente muda tanto, porque Ser só um?
Sou tudo dentro de mim.
Querido, Júpiter.
Lamento te informar, já não te vejo mais, passei dias tentando, procurando no céu o que um dia foi você, mas tudo que vejo é a sombra de quem um dia tu foi, e mesmo que olhes para mim, nunca iremos nos ver outra vez, não da mesma maneira que antes.
Star
gênese II
no princípio era o verbo uma vaga voz sem dono vagando pela via láctea.
depois veio o sujeito e junto com ele todos os erros de concordância.
Gregório Duvivier, ligue os pontos.
Peyto Lake