[Apenas acho que vocês deveriam se oferecer para plotar loucamente comigo, galere. Apenas acho.]
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[Apenas acho que vocês deveriam se oferecer para plotar loucamente comigo, galere. Apenas acho.]
Here we go again {LupinxPotter} [FLASHBACK]
“Não fale besteiras, eu não iria bater uma com um pedaço de cabelo. Tinha que ter algo melhor, por isso tem uma foto na minha gaveta de cuecas.” Sorriu de canto com toda a falsa inocência que conseguiu reunir. Realmente tinha uma foto, mas não usava para aquele tipo de coisa… Pelo menos não o tempo todo. Tinha que estar na privacidade e coisas do tipo, era nojento fazer aquele tipo de coisa com seus melhores amigos dormindo, ou não, nas camas ao lado. Por mais estranho que parecesse James não ficou muito surpreso pela dedução pervertida de Moony, já era comum que desenvolvesse tais tipos de comentários, depois de tantos anos. Aquilo apenas afirmava que estavam o treinando bem. Os comentários já saíam por dedução própria e sua imaginação completamente marota. James sorriu com a ideia de Remus começar a agir como Sirius, ou até pior.
As estantes estavam repletas de livros empoeirados, provavelmente com mais idade do que Potter. A sala não parecia ser muito visitada pelos elfos domésticos – Claro ela permanece trancada – pensou consigo mesmo enquanto analisava a segunda estante, do lado oposto do cômodo. A mesma era alta e um pouco desorganizada, mas apesar dos livros, avistou uma caixa ali. Uma caixa um pouco grande demais. Grande o suficiente para as peças de um telescópio dobrável. Ele abaixou-se perto da mesma e passou a mão pelo tampo liso e azul perolado. Ia correndo os dedos apressados para o fecho, antes de avisar o amigo. Quando ouviu o barulho da porta, atrás de si, ser fechada, e, muito provavelmente, trancada. Fechou os olhos por um par de segundos antes de se levantar, levando a caixa junto consigo. “Droga Moony, acabei de achar o que acho ser o telescópio” Franziu os lábios e olhou para a porta, realmente fechada. “O que você fez, idiota? Ela não pode ter se trancado sozinha. E creio que você não é burro para ter nos trancado aqui dentro” revirou os olhos e colocou a caixa aos seus pés. James andou até a porta, com um mínimo de esperança, e colocou a mão destra sobre a maçaneta fria. Tentou girá-la, mas nada ocorreu. Estavam trancados.
"Urgh" Fora a única resposta emitida sobre o comentário, incapaz de dizer algo melhor, ou até de dizer algo, tendo imagens nada decentes de Lily ainda em sua cabeça "Meu cérebro está sangrando" Gemeu, massageando as têmporas. O trauma psicológico seria o menor dos traumas se Lily um dia soubesse o teor daquela conversa. Inesperadamente, o pensamento o fez sorrir, James odiaria que alguém roubasse a atenção de Lily, mesmo que essa viesse em forma de dolorosos ataques.
Felizmente - ou nem tanto, dependendo de como se observasse a situação - teve seus pensamentos desviados do assunto anterior pelo som da porta batendo. Observou em silêncio o amigo passar diante de si e se dirigir até a porta, incapaz de abri-la "Só para constar, eu não fiz nada. Apenas peguei esse livro aqui e puf, a porta fechou" O sorriso amarelo revelava a culpa que havia obrigado a voz a omitir "Você sabe que eu não resisto a um bom livro, né...?'' Abanou o livro, deixando visível a lua estampada na capa "Acho que seria uma boa hora para sugerir o bombarda, não?"
fiu fiu gatinho
animal errado, caro amigo cinzento
Here we go again {LupinxPotter
James contentou-se em dar de ombros e segurar o riso. Não daria o gostinho para Lupin, saber que ele admitia o próprio erro. Um erro bem bobo de bruxos que convivem ou conviveram com trouxas, esquecer por segundos a magia que percorria suas veias. Conjurar as coisas era tão simples como respirar, é claro, depois que já tivesse praticado até empapar pelo menos cinco camisas. Mas como os garotos já estavam no sexto ano, o ato já não era novidade, vira e mexe viam pessoas conjurando coisas do ar, do nada a sua volta, realmente um ato incrível de ser observado por trouxas. “Ela não anda com presilhas, por isso cortei um pedaço do cabelo dela no meu terceiro ano e mantenho em baixo do meu travesseiro para dormir em paz.” Ok aquilo não era verdade, mas soar como um maníaco era a intenção. Por um momento, James imaginou-se cortando um pedaço do cabelo ruivo de Lily enquanto a mesma dormia. Realmente, coisa de maníaco obsessivo, e James possuía um ponto nessa escala. “Rei? Nah, obrigado.” Revirou os olhos observando o trabalho de Moony.
Era demorado, tão demorado que James desistiu de apoiar-se em seus pés e sentou-se no chão de pedra fria enquanto roía o que restava do que um dia foi suas unhas. Era uma mania adquirida quando o mesmo esperava algo importante. Do mesmo jeito que ficar nervoso o fazia mexer insistentemente no cabelo. Quando James arrancava um pedacinho de pele de seu dedo anular, um click foi ouvido vindo da porta. Conseguiram. Finalmente conseguiram. Um olhar travesso atravessou os olhos de James quando o mesmo olhou para seu comparsa em sinal de vitória pela frente. “Ok rei Moony, sua ideia foi bela. Agora seu cavalheiro irá degustar um pouco do tesouro que encontraremos aqui.” Mandando uma piscadela para o amigo, Potter girou a maçaneta dando espaço para outra saleta pequena como a de Madam Pomfrey, a curandeira. “Próximo desafio: Achar o telescópio aqui” Suspirou em alto som enquanto passava pelas estantes altas da sala retangular.
"Imagino que tipo de... Coisas não devem estar grudadas nesse cacho de cabelo" A expressão no rosto do lupino não poderia ter sido mais expressiva, deixando claro o quão perturbador o pensamento era "Acho que nunca mais conseguirei olhar a Lily sem imaginar algo em seus cabelos" Continuou em resignação, deixando um suspiro cansado escapar "Obrigada por impregnar a imagem de uma Lily coberta com porra em minha mente, Prongs" A bem da verdade, a dedução havia partido de si mesmo. Em momento algum o amigo havia citado algum uso que poderia ter sido definido como pervertido ou perturbador... Talvez tantos anos de convivência estivessem, finalmente, afetando-o ou, e mais provavelmente, apenas estava tomando a si mesmo como exemplo, inconscientemente assumindo o que faria se obtivesse algo com o cheiro... Bem, o cheiro dele.
Juntando o pouco de sanidade que lhe restava, tratou de expurgar pensamentos daquela natureza de sua mente. Ter James Potter como expectador de um de seus episódios não era, nem de longe, um desejo seu. E de alguma maldita forma, episódios sempre acabavam sendo réplicas naturais ao pensar em Sirius. Meneou a cabeça, obrigando sua mente a não divagar sobre nada que estivesse fora do alcance de seus olhos. O sorriso travesso alargando-se ao decifrar a expressão que o Cervo ostentava "O rei concede permissão para que o faça" Entoou em tom formal, assumindo uma postura um tanto mais ereta (e outro tanto mais parecida com a do amigo) "Ah, o rei também lhe concede a honra de ir na frente" Gracejou, seguindo-o. Obviamente, Lupin e Potter não possuíam as mesmas prioridades e, por mais que espiar através de paredes lhe fosse tentador, todos os livros naquelas estantes lhe eram irresistíveis. Não demorou para que um em especial lhe chamasse a atenção, e assim que tirou-o do lugar, um soar ao longe pode ser ouvido, coincidindo com o barulho que a porta atrás de ambos fez ao se fechar "James, não olhe agora, mas acho que estamos meio que presos aqui".
Here we go... Again {LupinxPotter
Um simples feitiço não parecia abrir a porta que provavelmente teria algo, que os dois marotos esperavam ser o tal telescópio especial. James passou a mão nos cabelos e umedeceu os lábios enquanto segurava a varinha com as duas mãos, esperando uma melhor ideia de Remus, que provavelmente daria. Moony sempre teve as melhores ideias da turma, não muito para marotagens, mas em questão de lógica no geral. Pelo menos era isso que James pensava sobre o amigo, e que não revelaria em palavras tão facilmente pelo “orgulho” de melhor amigo. Havia muitas coisas que provavelmente só iriam ser ditas em momentos especiais.
Não encontrariam a chave da porta no chão da torre, ou em uma mesa. Claro que ela provavelmente estaria com a professora, nem adiantaria procurar. A maioria das portas de Hogwarts era destrancada facilmente, como portas de salas de aula e dormitórios. Mas a sala dos professores, e onde eles guardavam seus pertences, eram um pouco mais complicadas. James já havia perdido a conta de quantas vezes já invadirá a sala do zelador a procura de artefatos novos, perguntava-se se isso o fazia um ladrão quando moony tornou a falar. Potter virou-se para o amigo, observando sua expressão depois da ideia do feitiço que provavelmente explodiria a porta, parede e o que havia do outro lado dela. Esperava um sinal de outra ideia, e isso veio em forma de sorriso. Um sorriso torto típico de marotos em plena marotagem, uma espécie de marca não verbalizada. “Hm, ok. Você tem uma presilha?” Por um momento James esqueceu-se completamente que poderia conjurar aquele tipo de coisa, mas a pergunta havia sido feita e o outro provavelmente tiraria uma com a sua cara. “Eu não ando com essas coisas nos bolsos ou algo do tipo”.
''Por que diabos eu teria uma presilha?" Retrucou prontamente, esforçando-se para não revirar os olhos outros outra vez. Sem verbalizar suas intenções, conjurou o objeto com maestria, segurando-se para não esfregar seu feito, literalmente, na cara do amigo "Mas sabe, sendo sua obsessão tão grave, eu achei que você andasse com umas presilhas roubadas da Lily por aí..." Gracejou com trivialidade, enquanto tentava moldar a presilha ao formato da fechadura. Foram longos minutos na tentativa, que resultaram em arranhões nos dedos pálidos do lupino, mas acabou conseguindo "Você pode me chamar de rei de agora em diante" Exclamou em tom baixo, mexendo as sobrancelhas de maneira sugestiva.
Por mais que tivesse sido bem sucedido na criação de sua lockpick, não esperava que fosse obter sucesso ao utilizá-la. Com a sorte que possuía, já consideraria-se vitorioso se não fosse atingindo por nenhum feitiço de segurança. Ainda assim, introduziu sua presilha na fechadura, girando-a e empurrando-a para um lado e para o outro. Era obviamente doloroso, para qualquer um que observasse, que o lupino não tinha a menor ideia do que estava fazendo. Na verdade, estava prestes a desistir quando ouviu o sonoro click da fechadura. Sem ousar se mexer bruscamente, virou minimamente o rosto para que pudesse encarar o amigo, e mesmo estando incapaz de pronunciar o que queria, a pergunta ficou estampada em suas orbes; Eu realmente fiz o que acho que fiz?
after the midnight hour @wolfstar
Haviam mais de mil perguntas subindo ralas pela garganta de Sirius, e mesmo que não fosse conhecido como aquele que sofreia seus desejos e ímpetos, ao assistir Remus transbordar e se render à cólera de forma tão aparente, tão palpável, obrigou-se a absorver a sua própria. Resignou-se a observá-lo minunciosamente, com a primazia de quem observa uma obra absurda. Cada palavra que saía da boca de Remus - essa mesmo que, pelos infernos, parecia mais saliente e apetecedora do que nunca; Sirius tinha certeza de que era mais uma piada do universo para ironiza-lo - lhe parecia, mesmo, um punhal. Facilmente sua mente incumbiu uma lacuna. Convencia-se de que não era merecedor da ira que o lupino apresentava, e se convencendo, percebia que embora o tom fosse ríspido, áspero, próprio da fúria silenciosa e do secreto desespero permanente em Remus, as palavras não condiziam. Não condiziam e Sirius era, comprovadoramente, demasiado obtuso para compreender, era isso tudo muito maior do que a visão de um apoquentado cãozinho pode alcançar. Tapou suas tormentas como sempre faz. E com queixumes dignos do lobo à sua frente, Sirius observou o lupino murchar, e incomensurável fora a sua profusão de sentimentos que pendera mais para satisfação até quando tivera a mão bruscamente afastada.
Sua expressão transcendeu novamente e, agora, era estoica, austera. Vez de Sirius de usar daquela noite para exibição de raridades. Deixou que o silêncio os deflagrasse por completo, embora as palavras fossem fogo em sua língua. Não é como se precisassem fazer isso? Não é como se precisassem? O moreno balançou negativamente a cabeça como resposta e como desprezo - pela obtusidade alheia, dessa vez. Engoliu em seco e procurou todas as interpretações possíveis daquela frase lacônica.
Remus estava se referindo às luas cheias? Porque se fosse, ele era, com certeza, o mais idiota de todo universo. Machuca-lo não era preciso, é claro que não era, se houvesse outro meio, se houvesse alguma outra forma, se ele conseguisse protegê-lo diferentemente, se ele… Mas não havia. E como se Sirius já não sofresse o cilício do fato por si só, lhe vinha o próprio lobo causador das tormentas lhe jogar na cara a sua impotência insuportável. Remus também poderia estar se referindo àquela lua cheia em particular, ou melhor, pós-lua-cheia, e esta também, era extremamente necessária. Talvez não tão necessária como outras possíveis interpretações, mas sim, era. Porque, sim, é de seu total egoísmo estar prostrado na frente de Lupin naquele exato instante, e mesmo assim não deixa de ser extra-sensorial o desejo que lhe baixou de voltar à enfermaria minutos antes. E se Remus estivesse se referindo à discussão, essa também era necessária. E Sirius não sabia por quê e nem sabia como, mas era, porque era Remus irritado com ele, sem motivo direto, mas não deixava de ser. E sendo, sendo… Remus, era necessário e fim. E da parte do lupino dizer que não precisava daquilo, que não lhe era tão essencial quanto era pra Sirius, era uma baixaria tremenda, um desrespeito, um suplício. Depois dos estáticos segundos, os olhos cinzentos voltavam aquilinos aos castanhos e sua voz era veemente, um contraste com a ciciante de Remus:
— Diga por você, Lupin. — Sua expressão, ainda estoica.— Pra mim, isso é extremamente necessário. — Não fez questão de se afastar, mas uniu os dois braços sobre o peito, entrecruzados, um protesto. — Não vou sair daqui.
Queria socar o rosto estoico prostrado diante de si, socá-lo vezes suficiente para que não lhe fosse possível expressar mais nada. Queria pular sobre o outro e desfigurá-lo por completo. Queria também desfigurar a si mesmo, puxar os próprios cabelos, gritar até que não lhe restasse voz alguma e lhe faltasse ar nos pulmões. Queria soltar a fera e resumir a si mesmo e tudo o que o cercava ao único sentimento entendível e desejado quando abria mão do controle, o caos. Porém, em vez disso, suprimiu suas vontades, contendo-se ao ponto de conseguir apenas suspirar em exasperação. Suspirar e dar às costas ao outro.
Era óbvio, e dolorosamente esperado, que Sirius não entenderia. Ele sempre tivera a habilidade de ignorar o essencial - ou o que não lhe fosse conveniente - e com frequência o fazia. Não poderia afirmar, pois mais irritante que fosse, que o fazia de propósito. Tal falha era, provavelmente, uma réplica natural do ego esculpido e engrandecido ao longo dos anos. Ainda assim, o reconhecimento da inocência do outro não lhe trazia nada se não gana. Mesmo que não fosse bravo (ou estúpido) o suficiente para se render à seus instintos bestiais, ainda estava decidido. Cansara-se há muito do modo como vivia, focando-se em criar correntes que iriam suprimi-lo ao ponto de fazê-lo achar que os momentos que lhe deveriam ser mais dolorosos, eram na verdade os mais libertadores. Se não quebrasse as correntes naquele momento, acabaria usando-as como forma de suicídio.
Permitiu-se mais um suspiro antes de voltar a cravar seus olhos sobre o outro. Abstraiu-se. Perscrutou o maldito rosto estoico, emprestando novamente um sorriso do amigo, aquele que o cachorro sempre usava ao lançar um desafio. Iria arremeter sua fúria. Contudo, a mão que levantara segundos antes na intenção de socá-lo, acabou agarrando os cabelos negros e enrolados, puxando o rosto para si. Usou força sim, provavelmente mais do que necessária, porque queria que doesse. Fez com que Sirius ficasse tão próximo que conseguia sentir os braços (ainda cruzados) pressionados contra seu tórax e, numa nova injeção de coragem insana, levou seus lábios aos lábios do outro, roçando-os com certa calidez, contraditória com a força ainda empregada em seu aperto. Um selinho, apenas. Suficiente para deixá-lo em chamas "Ainda quer ficar?" Indagou num fio de voz, dando-se conta de que todo aquele calor não adivinha mais da raiva, esforçou-se para não corar com tal pensamento "É provável que aconteça mais disso se disser sim" Tentara soar ameaçador, apesar de ter total noção do quão inofensivo (talvez repulsivo) soava ao ameaçar seu melhor amigo com... Beijos.
(You make me) wanna be bad @RemusxMarlene
Marlene não sabia o real motivo, mas para ela irritar Lupin era muito melhor do que irritar qualquer outra pessoa. Até mesmo o amigo deles, Sirius Black. A expressão que o maroto fazia ao ouvir seus comentários fazia o risco de ser agredida ou azarada valerem muito a pena, na opinião da loira. No inicio tinha sido sem querer, mas Marlene percebeu que tinha uma habilidade para irritá-lo que nem o próprio James tinha. Era curioso e divertido ao mesmo tempo.
- Entre o amor e o ódio existe uma linha tênue. – Marlene tinha ouvido a frase em um filme trouxa de romance, e repetiu com ar de quem estava filosofando. Marlene sabia que ele não assumiria a mesma coisa duas vezes, conhecia bem o suficiente para achar que faria isso. Lupin só se esquecia que Marlene conhecia bem as artimanhas dos marotos, e sabia que negar era algo que todos eles gostavam muito de fazer. – Eu jogo quadribol, se lembra? – Marls disse rindo, enquanto apertava uma das bochechas do garoto. O esporte que jogava era conhecido como perigoso, e Marlene já tinha ido algumas vezes para a enfermaria por causa de acidentes causados de alturas enormes. – E você não teria coragem. Mesmo que tivesse, me levaria correndo para a enfermaria logo depois. – Ela riu mais ainda, imaginando a cena. Algumas garotas olharam para a mesa novamente, procurando saber porque a loira tanto ria. Marlene apenas acenou para elas, rindo mais ainda.
Marlene fez um bico quando o amigo apertou sua bochecha, passando a mão logo no lugar para evitar que ficasse vermelho. Adorava apertar bochechas alheias, mas chegava a ser irônico o fato de que não gostava que apertassem a sua. – Joga esse pote no caldeirão, Reminho. – Ela apontou para a ponta de uma fila de potes com barbatanas de diversos bichos dentro. Não passou pela cabeça da loira que ele pudesse errar o pote, então não especificou mais. – Foi assustador como um lobo. – Ela disse dando um risinho, Lupin não conseguia ameaçar nem quando queria, então deixou a ironia bem presente em sua voz.
Por mais graciosa que a loira conseguisse ser, era impossível não relacioná-la à uma irritante hiena, rindo sobre tudo o que ele fazia. Sentia-se ridiculamente exposto sob os olhares da amiga, e o conhecimento de tal fraqueza apenas fazia-o sentir-se estúpido também "Não, não há. Existe uma Muralha tipo a da China entre ambos, com soldados armados à cada metro, assegurando-se de que ninguém será capaz de passar" Fora a vez do lupino citar um personagem trouxa qualquer, enquanto uma postura amuada tomava conta de si "Mesmo assim, valerá a pena vê-la cair" O contentamento e a resignação estavam tão pateticamente misturadas a tal afirmação que mal eram distinguíveis. Lupin era incapaz de machucar quando se encontrava em juízo perfeito. Ostentava, orgulhosamente, a alcunha de pacifista. Contudo, a maldita companheira de casa tinha a habilidade para fazê-lo perder as estribeiras... com certa frequência.
Dificilmente entregava-se totalmente às poções, acreditava piamente na existência de um demoniozinho designado a tentá-lo durante os períodos daquela disciplinada. Era isso, ou acreditar que seu cérebro, juntamente com toda sua capacidade de aprender, eram sugados por um buraco negro. E certamente, ter Marlene e grande parte da classe rindo de si não ajudava. A classe, inesperadamente, era mais fácil de se ignorar do que a irritante hiena. Uma veia latejava dolorosamente em suas têmporas, e esperadamente, ele não ouviu com precisão tais instruções (que por si só, já não eram tão precisas). Por puro instinto, pegou o pote mais próximo de si, despejando-o com descuido sobre o liquido fervente. A poção, que deveria assumir tons rosados, sibilou em puro escarlate, anuviando, aos poucos, o ar em frente aos dois "Marlene" Chamou em tom baixo, sibilante, sentindo a pele ganhar o mesmo tom que a poção, com discrição, indicou com a cabeça o caldeirão à frente de ambos "Conserte isso, antes que... Antes que..." Gostaria de ter dito um alto e claro "antes que explodisse'', mas era demais, mesmo para seu mísero orgulho. Infelizmente, tal orgulho não impediria aquilo de estourar.
Clockwork psychos. Tilden x Remus
Tilden observava atentamente o relógio do Salão Principal. Desde sua conversa com Remus Lupin sobre relógios e agentes espaciais e conspirações em massa, aquela estranha máquina deixava cada vez mais de ser um ingênuo instrumento de marcar horas para se tornar um símbolo de alienação. Sentado ali, com os braços debruçados sobre a mesa da Lufa-Lufa, o garoto quebrava sua mente, repassando toda a teoria que pensaram. Bom, primeiramente, era claro que a aparição dos agentes estava diretamente relacionada com o fenômeno das horas iguais. Algo acontecia quando os quatro números tornavam-se simétricos de alguma forma. Talvez pudesse acontecer algo quando os números tomassem uma ordem cronológica. Talvez todos os movimentos do relógio significassem algo. Talvez, quando o tempo fosse parado nas horas iguais, os agentes recolocassem os horários normais. Mas alguns esqueciam, e por isso, alguns relógios eram atrasados em relações aos outros. Talvez alguém fosse contratado para cuidar desses pequenos deslizes, mas convenhamos! Muitos relógios ao redor do mundo. Nem Papai Noel conseguiria.
Bom, independente do que estivesse certo e do que estivesse errado, era claro que não podia seguir sozinho com suas investigações. Tinha urgentemente que comunicar-se novamente com o grifinório! A dominação aparentemente eminente e ele ali, esperando pelo jantar, como um bom menino? Nada disso.
Estava quase na hora da refeição e todos os habitantes do castelo, ou grande parte deles, se reuniriam ali para cearem juntos. Isso significava privacidade para que pudessem seguir com qualquer plano prático que bolassem. Não seriam atrapalhados, se tudo ocorresse bem. A ideia de que talvez o governo implantasse um vigia para vigiar os relógios logo se fez presente, mas considerou que era hora de comer, e quem ignoraria as lindas iguarias distribuídas nas mesas? Isso mesmo, ninguém. O vigia provavelmente seria apenas um bonde expiatório, visto que ninguém se quer suspeitava que suspeitassem de toda conspiração.
A possibilidade de ambos serem os líderes da conspiração, camuflados como dois adolescentes, ainda estava na mesa. Talvez tivesse sido mantido escondido dentro de suas mentes, mas algo, alguém, reviveu seus incríveis destinos. Lordes do tempo, seri
E ainda tinha que considerar o fato de que talvez tudo aquilo fosse só uma invenção da cabeça dos dois. Mas não resolveu levar essa teoria muito adiante.
Tomando coragem, levantou-se da mesa que estivera mofando por mais de meia hora, e se pôs a esperar na porta do Salão. Assim que o outro chegasse, o abordaria. Tirariam essa história a limpo.
Remus Lupin aprendera a ser supersticioso desde cedo. Uma pequena parte fora herdada da mãe (que nunca passava embaixo de uma escada sequer), mas a maioria veio do fatídico acidente que sofreu aos oito anos de idade. Era um tanto difícil não acreditar em superstições quando se fazia, de certa forma, parte dela. Ainda assim, era um cara centrado demais para se permitir surtar por toda e qualquer coisa que lhe parecesse suspeita.
O problema era que, ultimamente, tudo lhe parecia deveras suspeito.
A potencialização de sua paranoia era advinda de sua última conversa com certo lufano. Lufano este que o havia ajudado a criar toda uma teoria gritantemente absurda, e ainda assim - e provavelmente apenas na mente deturpada de ambos, possível. Desde aquela noite o lupino havia tornado-se incapaz de conter um arrepio ao presenciar o soar de uma badalada. Pegava-se, ora ou outra, encarando seu próprio relógio de pulso, temendo que este pudesse se rebelar e matá-lo com algum método maluco. Conseguia acalmar-se apenas quando focava-se na última parte, aquela que dizia que Tilden e ele eram os senhores de toda aquela conspiração. Ironicamente, o pensamento não lhe era tão prazeroso assim, a alcunha de líder de conspiração mundial não lhe era almejada, principalmente já possuindo a de lobisomem.
De qualquer forma, lá estava o monitor, no que ele esperava que fosse uma noite comum, seguindo para o Salão Principal almejando apenas um bom prato de comida e um pouco do papo furado de seus amigos. Almejava descanso, distração, mas é claro que tudo isso fora varrido de seus pensamentos quando reconheceu o garoto com vestes lufanas parado à entrada. Como num filme de ação qualquer, Remus checou os dois lados antes de se aproximar, carregando uma expressão de contido interesse no rosto "Noite, Tilden" Cumprimentou em tom baixo, apontando para o relógio que jazia em seu pulso com discrição. Marcavam 21:21 no visor.
Little Remus and little Blair, dancing together on one of Blair’s birthday parties.
Taken by Blair’s mom who thought the scene was adorable.
Ok, Remus é tão passivo que eu sou praticamente hétero
Todo mundo sabe que nada é tão hétero quanto você passivando pra mim, Pads.
Overcast day …Or Almost || Dorcas x Remus
Dorcas o observou por algum tempo, e ouviu o mesmo proferir algo, antes de sentar ao seu lado, sem ao menos pedir se podia. Sorriu fraco, antes de lhe responder com um “Não teve graça, estava tão bom o sol, e você foi e tipo meio que tirou ele de mim, não gostei nadinha.” O que ele fazia ali nos jardins àquela hora? Não era normal isso. Sempre ficavam com seu seus amigos, meio malucos, e que davam como os melhores, mas não naquele momento, talvez os garotos tivessem fazendo algo diferente naquele dia, e ele também decidira aproveitar. Notou quando o mesmo começou a observar seus papéis de algumas anotações que a mesma tinha feito sobre as suas histórias e seus personagens, mas apenas se assustou quando ele lhe fez uma perguntar sobre o que era aquilo, afinal, ela nunca havia falado a ninguém sobre isto, e nem mesmo as suas amigas lhe perguntavam, talvez achassem que fosse um diário dela, e fosse de sua privacidade, mas nem as mesmas tocavam no assunto, mas ele não, ele perguntou-lhe e Dorcas não sabia o que responder… Não podia dizer que eram “contos e histórias, aquelas tipo os trouxas fazem, mas com história do mundo bruxo no meio, onde fala sobre a vida de Annie, sua personagem favorita, a qual tinha inúmeras personalidades em ela mesma, e que alguns capítulos passavam ali mesmo, em Hogwarts.” A loira pensou muito antes de falar, não gostaria de contar-lhe, era como se fosse algo apenas seu, e de seu interesse, talvez algum dia publicasse, ou não, nunca pensara nisso. Olhou para o céu e logo fitou as folhas logo as recolhendo para que nada ficasse espelhado, apenas esqueceu-se de uma, mas não ligou muito, logo disse algo como “Ah não é nada, mesmo, apenas algumas anotações minhas sem real importância, bobagens, como minha mãe costuma dizer.” Sorriu, e esperou que ao menos ele acreditasse, pois não estava muito afim que descobrissem que ela, Dorcas Meadowes, escrevia, pois esse era um passatempo seu, apenas seu.
O lupino não conseguiu conter um leve sorriso em resposta às reações da garota "Não seja tão choramingas, Doe" Repreendeu com trivialidade, dando indícios de que não falava sério. Se fosse do tipo que falasse de seus sentimentos, diria que toda aquela delicadeza era uma das coisas que mais gostava na amiga, para ele, era impossível não relacioná-la à uma boneca ao vê-la. Permitiu-se relaxar, recostando-se num ponto estratégico do tronco, onde poderia observar os efeitos que a luz solar causava na paisagem que os cercava, sem ser atingido por ela. O astro rei sempre havia exercido tanto fascínio nele quanto sua vil carrasca noturna, gostava de observá-lo, mas não de senti-lo, de alguma forma, era incapaz de acostumar-se a permanecer sob a luz durante muito tempo. Sentia-se desconfortável, perfeitamente ciente de que nem mesmo o Sol seria capaz de aquecer o monstro que ressonava dentro de si. Era um condenado. Uma criatura da noite, e assim seria, até os fins dos tempos.
Contudo, os pensamentos sombrios não permaneceram muito, obrigou-se a dissipá-los, focando-se na agradável companhia que dispunha. As orbes âmbares encararam as esverdeadas por pouco mais do que um par de segundos, as sobrancelhas arquearam-se num desafio divertido antes de voltar o olhar para a folha que jazia em seu colo, correndo-o por ela. Apesar da pouca concentração que devotara ao conteúdo, foi capaz de perceber do que se tratava ou, de achar que percebera, antes de aprofundar-se na leitura, perscrutou o ambiente à sua volta, decidindo-se a juntar as páginas seguintes e anteriores, para que aquilo pudesse vir a fazer alguma lógica. A ideia de que talvez aquilo fosse pessoal só veio a lhe ocorrer quando mais de uma dúzia jazia junto da primeira que recolhera, com uma súbita timidez (proveniente da, tão súbita quanto, compreensão da situação), ergueu os olhos, deixando que o sorriso mais Sirius (sorriso esse que dava a impressão de arrependimento pelos atos causados por sua extrema cara de pau) estampasse seu rosto "Tenho a leve impressão de que não se trata de bobagens, e apesar de ter certeza de que minha alma vai ser corroída pela curiosidade, não vou mexer outra vez s for isso que desejar" Estava gracejando, obviamente. Não tinha a mínima intenção de se meter nos segredos alheios, principalmente por ter por conta própria os seus.
Here we go... Again {LupinxPotter
Os resmungos de Moony provavelmente poderiam ser ouvidos do corredor. Mas não tinha importância, já que, Filch poderia resmungar da mesmíssima forma, e até mais alto. Remus estava quase imitando o zelador, e isso fez com que James risse com vontade. Ignorou quando o amigo socou seu ombro, mesmo que estivesse doendo um pouco. “Isso mesmo, meu caro. Meu eterno amor por garotas.“ James levantou e abaixou as sobrancelhas rapidamente com um sorriso malicioso nos lábios. Só não ultrapassava Sirius no quesito de malícia na prática. Seu histórico com garotas não era muito grande, namorou uma, ficou com diversas outras e transou pelo menos três vezes na vida, sem contar o threesome que mal se lembrava. Só tinha a vaga ideia do que havia acontecido por ter acordado com uma estranha dor nas partes, em uma cama de dossel alto na sala precisa entre Alecto e Tilden. Preferiu esquecer e não contar para ninguém o que havia acontecido, nem seus melhores amigos sabiam do dia.
James revirou os olhos e andou na frente de Remus em direção ao baú no outro extremo da sala, onde a luz do luar não fazia efeito pelas paredes de pedra erguidas. A varinha de Moony ajudou um pouco, mas James ainda puxou a sua e sussurrou um feitiço de iluminação para que não tropeçasse em mais nada, já haviam dado sorte de ninguém ter aparecido ainda. Agachou-se perto do baú e por um instante olhou para Remus antes de tentar abrir a tampa. Fechado, claro. Falou um simples alohomora, mas o baú não abria. “Tente você agora.” disse à Lupin
Lupin pouco fez além de revirar os olhos em resignação e divertimento. James Potter era um caso perdido, e ele havia se acostumado com isso. Ainda assim, seguiu o amigo em direção ao artefato, circulando-o e perscrutando-o com a ajuda da luz advinda de sua varinha, procurava por falhas, talvez uma chave perdida por ali, o que, obviamente, não achou.
Agachou-se ao lado do amigo, observando-o falhar em sua tentativa. Se fosse sincero, admitiria que não sabia o que fazer, nunca havia perdido tanto tempo assim em feitiços de destrancamento de portas. Mas talvez devesse, visto que suas marotagens agora incluíam invadir lugares e roubar coisas. O cenho do lupino franziu-se ao perceber o fato, perguntando-se se agora ele e James poderiam ser considerados ladrões também "Poderíamos arrombar isso, literalmente falando, com um bombarda, mas acho que isso provavelmente danificaria o que queremos" Enquanto encarava a fechadura na parte frontal do baú, uma ideia inesperada lhe o ocorreu, fazendo-o sorrir de canto, naquela típica maneira que significava que aprontariam algo "E se fizéssemos como nos filmes trouxas?" Perguntou num sussurro animado, encarando o amigo com as sobrancelhas arqueadas "Podemos tentar destrancar com uma presilha".
after the midnight hour @wolfstar
starsshadows:
O riso do maroto praticamente congelou ao observar as feições e voz de Remus se transmutarem tão repentinamente. Retesou-se na janela, encarando o outro. Quando Remus usava aquele tom de voz parecia estar sendo dublado. Sirius tinha total conhecimento do quão raras eram as vezes em que o lupino perdia-se a ponto de soltar um par de jargões e usar a voz tão calma pra dar uma ou duas facadas. E ele também conhecia perfeitamente as condições à qual aquele tom normalmente era usado. Justamente por isso se sentiu tão perdido, como se de repente fosse recortado e colado em uma paisagem à qual não pertence. Mas Remus estava falando sério, olhando nos seus olhos e apunhalando como se ele tivesse feito algo realmente ruim, e o que fizera dessa vez? O que fizera? Perguntou-se se havia dito algo de errado, mas focou-se na ideia de só prestar atenção no que o castanho dizia. Arrependeu-se, talvez ter ficado em seus devaneios tivesse sido muito melhor.
Seu rosto transmitia tudo, devia ser mesmo um dos mais expressivos: seu cenho estava franzido e seus olhos arregalados, olhos estes que só conseguiam transmitir a tamanha confusão e injustiça que sentia por aquelas palavras, seus lábios estavam estreitos e quando não o estavam se entreabriam a espera de uma pausa para contra-atacar. Sirius desceu da janela e quando foi atacado diretamente no ego afogou as palavras de Remus, estas que mostravam o lupino voltando à sua inofensibilidade, para dar espaço à um túrbido:
— O… O quê? — O Remus inofensivo voltava a olhá-lo e não houvera ganhado nenhum esclarecimento. — É, Remus. É… É exatamente o que eu estou dizendo. Por quê? Preferia que eu estivesse dando uma boa fodida agora, do que estar aqui com você? — De alguma forma aquelas perguntas todas o perturbaram, na verdade, o deixaram tão irritado quanto Remus. Talvez para o anômalo, o fato de Sirius ter abandonado uma das suas boas noites era uma história muito mal contada, imaginem então para o cão, que era o próprio feitor de tal mal contada história, e nem ao menos tinha uma explicação plausível para a tal. — Talvez eu devesse, não é? — Seus olhos percorreram furtivamente o rosto do castanho, e recaíram com todas as forças no chão. Balançou a cabeça como se procurasse no mármore algum motivo para a irritação de ambos, mas só encontrou uma vontade extrassensorial de voltar a olhar o lupino. Respirou fundo erguendo levemente a cabeça para voltar a falar.
— E eu não sei desde quando o lobisomem depressivo se tornou tão interessante, caramba! Eu… Eu não sei. Acho… — Sirius raramente tem noção do que fala ou faz, Sirius raramente tem juízo, e não era aquela a primeira vez em que pensava antes de despejar uma frase que, na verdade, era vazia. — Eu senti pena de você, Moony. — Os olhos cinzas recuaram rapidamente dos castanhos, desceram até o braço de Remus. Sirius não tinha escutado o que ele mesmo dissera. — A noite passada foi dura, e… Será que você tem noção de quantas vezes nós tivemos que lutar? Olha só pra isso. — Ele dançou o olhar sobre uma ferida em cicatrização na parte externa do antebraço do amigo e puxou o braço com mansuetude no intuito de fazer o mesmo enxergar a própria lesão. Lesão que Sirius causara. — Merda. Até mesmo quando Sirius Black tenta fazer a coisa certa ele está errado. — Não soltou o braço alheio, e sim, deu a encarar por alguns instantes a chaga. Só então voltou a subir lentamente o olhar sem esperar o que encontrara.
Arrependera-se das palavras que saíram de sua boca no momento em que ainda as proferia, mas não havia conseguido conter-se, calar-se. E mesmo depois, ao trivializar sobre algo banal e fora do contexto, não desejara amenizar o clima, havia sido apenas algo mecânico, imposto por sua parte que apenas almejava manter a sanidade. Contudo, sanidade era o últimos dos sentimentos em destaque dentro do tornado que havia se formado em seus pensamentos. Não havia sanidade no caos em que se colocara ao iniciar aquele assunto, e tão pouco as orbes acinzentadas o ajudavam a mantê-la ao arregalarem-se daquele jeito. Conhecia-o bem demais para não ser capaz de distinguir a revolta que por elas transbordavam, a auto afirmação de inocência. Naquele momento foi capaz de reconhecer a similaridade que existia entre o lobo e o maroto, e num misto de confusão e resignação, regozijou-se em silêncio. Pois, sem ela, jamais teria sido capaz de quebrar as correntes que o auto-controle havia posto ao redor de suas vontades.
E a única vontade que tinha naquele momento resumia-se ao garoto prostrado diante de si.
"Eu realmente preciso responder a essa pergunta, Sirius?" Sussurrou, incapaz de fazer-se soar mais alto, a raiva que instantaneamente havia se dissipado voltava com a mesma rapidez com que havia ido, incapacitando-o de fazer algo além de tremer. Tremer e sussurrar "Não é um tanto óbvio que você pouco faria além de ficar comigo se dependesse de mim? Seria você tão obtuso a ponto de não enxergar isso?" A coragem, advinda da raiva, corria em suas veias, tal qual um droga, tentadora demais para se resistir. As orbes acastanhadas chocaram-se outra vez com as cinzentas, e não houve hesitação ou arrependimento - provavelmente por ser tão incapaz de processar tudo o que dizia quanto julgava o outro. Mas a sensação de invencibilidade esvaiu-se mais rápido do que deveria, do que desejara. Assim que fora atingido pelas palavras do outro, murchou, tal qual uma flor que recebe cuidados excessivos, desnecessários. Se Sirius intencionara extinguir sua raiva, havia conseguido. E ainda mais, resolvera também o nó em seus pensamentos. A pena era resposta para tudo.
Obrigou-se a engolir o bolo formado em sua garganta, saboreando algo muito próximo da rejeição. O contato físico emitiu ondas através de todo o seu corpo, e pela primeira vez, percebeu o quão errado aquilo era. O quão errado deveria ter soado ao outro. As palavras passaram através de seus ouvidos como vento, sentindo-as sem realmente ser capaz de segurá-las "Não é como se precisássemos fazer isso. Eu não pedi que fizesse" Levou seus dígitos aos do outro, agarrando-os e forçando-os à soltá-lo, apesar de tal força, sentiu-se fraco, digno de pena "Apenas saia".
ooc: espero que tenha beijo wolfstar U.U
ooc: tenham calma, gafanhotos.
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starsshadows:
Black dava-se um tempo para pensar enquanto subia no parapeito da janela e lá sentava, subindo de forma arisca o olhar por Remus enquanto ouvia suas cobranças. Seria muito mais simples se realmente tivesse fugido de uma das conversas - ou melhor dizendo, pseudo-monólogos - de Prongs sobre Lilly, não seria? Entretanto eram raras as vezes em que podia vangloriar-se de uma coisa de simples entendimento lhe acontecer, e agora se perguntava por que raios havia vindo atrás do tal lobisomem depressivo.
— Bom, não foi difícil de qualquer forma. — Pausou, procurando uma resposta para a ordem que o outro lhe impunha. — Mas, na verdade, vim mesmo aqui por pura e espontânea vontade, devia me dar mais créditos por isso, Moony. — Começava a pensar que estava passando tempo demais com o lupino, tombou levemente a cabeça e espiou por sobre o ombro a lua que se estampava no alto do céu, diminuindo pouco a pouco, para então aumentar e transformar o animalesco à sua frente novamente em lobisomem. A ideia de se afastar, todavia, nem mesmo ameaçou seus pensamentos, voltando o olhar para Remus e observando a cascata de seus cabelos castanhos tinha certeza de que continuar todo o tempo com o outro não era nem de longe mau. — Ah, e contando com isso, mais créditos ainda, afinal eu só invadi sua mina preciosa pra te trazer o chocolate, mas tenho certeza de que Prongs e Wormy estão a devorando agora mesmo. — Em parte era mentira, afinal tinha divido uma barra com Peter antes de pegar a que iria trazer a Remus. Fazia mesmo um bom tempo em que estavam se comportando muito bem em relação ao mais correto dos Marotos, hora de aproveitar ao máximo da sua impotência.
No rosto de Sirius o sorriso continuava desde que entrara na sala, e sua expressão só mudara agora, quando fora pego de surpresa por uma admissão um tanto peculiar de Remus. As órbitas cinzentas pularam rápidas e confusas para as acastanhadas, uma de suas sobrancelhas arqueava-se de forma inquisidora. Deixou que alguns segundou pairassem à espera de alguma ficha que caísse na sua cabeça hora ou outra e assim captasse alguma coisa que havia deixado escapar. Sempre fora o de mais rápido entendimento além de Prongs, mas o que havia captado a fala alheia naquele momento não lhe parecera de nada adequado. Decidira então que devia rir e foi o que fizera, riu, com sua risada suave e o mais harmoniosa possível.
— Você me ama demais, Moony, devia me amar menos. — E apoiou as mãos ao seu lado no peitoril da janela, inclinando-se levemente para frente enquanto arqueava a sobrancelha que estava crisada. — Não acha que meu ego já é suficientemente saudável pra que fique o massageando? — E seu riso voltou a tomar a enfermaria enquanto ansiava pela reação de Remus.
Remus Lupin era um cara acostumado a lidar com arrependimentos, visto que sua vida sempre fora cercada por eles. Arrependimentos que nem sempre lhe pertenciam, mas que caíam sobre si como consequências, tal qual a fatídica discussão que o pai tivera anos atrás... Contudo, se tivesse de escolher o maior de todos, seria a frase proferida por seus lábios segundos atrás. O peso da real denotação da frase só caiu-lhe sobre os ombros ao observar a expressão de Sirius se transformar e então voltar ao normal, contudo, os olhos não foram tão rápidos e o Lupino ainda era capaz de enxergar a dúvida nas orbes cinzentas.
Não era necessário afirmar que a ideia de se explicar ocorreu ao lupino, mas de alguma forma, soube que explicações deixariam apenas tudo mais bagunçado, e tudo o que queria naquele momento era paz e companhia, e talvez seus chocolates, e todas essas coisas já se encontravam ali naquele momento. As orbes castanhas travaram uma pequena e muda batalha com as acinzentadas, entrando num acordo mútuo, decidindo ignorar o que fora dito pelo lobo.
O problema era que o lobo não decidira ignorar o que fora dito pelo cachorro. Dizia a si mesmo que era por revanche, mas a verdade era que não queria se envergonhar sozinho "Então você está dizendo que abandonou por livre e espontânea vontade a agradável companhia de suas tietes, findando a possibilidade dessa noite acabar... Bem, como a maioria das outras noites acabam?" Teve de erguer o rosto para encará-lo, visto a atual posição em que o outro se encontrava, arriscou uma expressão zombeteira, digna do próprio que se encontrava sentado sobre o parapeito da janela "Ou seja, está afirmando que ignorou uma boa foda pra vir me fazer companhia? Quando foi que o lobisomen depressivo se tornou tão interessante?" Não era do feitio do monitor usar aquele tipo de palavras, eram raras, praticamente escassas, as vezes em que proferira algo de baixo calão, mas estava irritado. Irritadíssimo. E mal sabia o porquê "Talvez você devesse me amar menos, Black. Seu amor por mim está conseguindo superar seu ego.
A irritação nos olhos castanhos suavizou-se por um momento, fazendo com que o menor soltasse o ar num suspiro exasperado "Não quero saber dos detalhes até que tenha de lidar com os danos. Meus preciosos, todos perdidos" Resmungou, voltando a soar normalmente, quase tão inofensivo quanto sempre.
I miss you || Blair & Lupin
Era como se ela conseguisse prever os movimentos e expressões do amigo, ela começou a rir e sorrir dos comentários que ele fazia “Nada, eu não quero mudar e eu sei que você não quer que eu mude.” disse fazendo graça, igual quando era pequena, ela sabia que isso deixava o garoto louco, mas ela adorava fazer graça, só pra ver a cara de bravo dele que ele fazia.
A ruiva sentiu o moreno lhe dar um beijo na testa, e isso fez com que seus pensamentos voltassem a epoca de infância, onde tudo era mais simples. E aquele beijo fez com que ela se lembrasse principalmente do dia em que ela e Lupin prometeram que iam ser amigos para sempre e que ele sempre a protegeria. Ficou perdida em pensamentos por uns instantes, isso andava acontecendo muito com ela ultimamente, ela notou que ele havia falado algo sobre sua altura, isso era algo que ela não admitia e o garoto sabia disso
-Os meus saltos não são estupidamentes altos, eles são da moda!- disse fazendo pose e rindo da cara que ele fizera -e eu cresci sim! ouviu?!- falou com voz de brava, cruzando os braços e fazendo um bico.
Outrora aquele tipo de atitude o teria irritado. Quando pequenos era normal para ambos discutirem por qualquer coisa, principalmente por causa do gênio da menina, assim como era normal fazerem as pazes sem que ao menos se dessem conta. Suas brigas nunca duraram mais do que dez minutos. Contudo, o maroto estava apenas feliz por vê-la, feliz em reaver uma parte importante de sua vida "Não quero mesmo. Você está ok da maneira que é" Talvez tivesse sido mais galante trocar o curto ok por algo mais grandioso, talvez devesse ter dito que ela era perfeita daquela maneira. Mas já haviam megalomaníacos demais naquele colégio, megalomaníacos que o cercavam. Não levaria a culpa por criar outra. Em questão de vaidade, Sirius, Marlene, Prongs e Blair eram farinha do mesmo saco.
"Em momento algum disse que eram ultrapassados, todos sabemos que o ápice da moda se resume à você, darling" O gracejo fora acompanhado de trejeitos afetados e afeminados, deixando óbvia a zombaria "Ok, ok, vocês cresceu alguns milímetros..." Suspirou, erguendo as mãos em sinal de paz "Agora desfaça esse bico, sim?'' Pediu com jeitinho, fazendo uma expressão de cachorro sem dono muito parecida com a de outro certo maroto.
(You make me) wanna be bad @RemusxMarlene
Marlene não era uma garota envergonhada, nada disso. Então controle e timidez eram palavras que não eram muito usadas em seu vocabulário. A loira não conseguia entender como as pessoas, ou Lupin, conseguiam agir assim.
Ficava satisfeita toda vez que conseguia que o garoto corasse, era como se ganhasse um prêmio. Não sabia bem o porque, mas ele que resistia tão bem aos outros marotos, parecia não resistir a ela. Sempre que a loira falava alguma gracinha, ás vezes se intenção de constrange-lo, o contra ataque do mesmo era débil. Marlene duvidava que com a velocidade que ele contra atacava, conseguisse jogar quadribol bem. Para comparações, Marlene McKinnon sempre foi uma ótima jogadora de quadribol.
Um sorriso imenso surgiu no rosto de Marls quando ouviu o professor dizer que Remus Lupin precisava trocar de parceiro. A ideia veio na hora, mas duvidava que fosse se arrepender, e por mais que não quisesse admitir, podia ajudar o garoto também. Nunca tinha sido ruim em poções. Só não era uma das melhores, porque para a loira, era inimaginável competir com a sua ruiva, Lily ou o Snape, mas conhecido como Seboso. Levantou a mão discretamente, se oferecendo para ser a nova dupla dele e quando o professor assentiu catou todos seus pergaminhos espalhados e penas e foi saltintante sentar no lugar que antes era de Sirius.
“Marlene, eu te amo, você sabe disso, mas se encher meu saco, vou enfiar sua cabeça dentro desse caldeirão fervendo. Entendido?”- Ele ameaçou. Tal atitude fez com que a loira soltasse uma gargalhada estrondosa. A ponto de alguns sonserinos que estavam na mesa ao lado, olhassem curiosos para saber o motivo de tanto riso. – Você me ama? Ouvi bem? Eu quero que repita pra todo mundo ouvir, Lupinho. – Ela tampou a boca, numa tentativa de abafar as risadas que não conseguia controlar. – Quero testemunhas do seu amor, poxa. – Ela olhou para ele de cima a baixo, ainda risonha. – Pare, bobinho. Eu não tenho medo de um caldeirão fervendo. – Ela deu de ombros, sem se importar com a ameaça. Estava ansiosa para o dia que Lupin surtasse. – Tudo bem, não vou falar mais nada. Vamos estudar, pra eu te ajudar. Juro. – Ela levantou as mãos na altura do peito, como se tivesse rendida. Mas dava para perceber um tímido sorriso maroto em seus lábios.
As expectativas de Remus poderiam ter sido resumidas em uma única palavra; estupidez. Não havia outra razão - com exceção da inocência - para se esperar um comportamento diferente vindo de Marlene. Logo ela, a rainha da pilhéria dos gracejos. Queria bater a cabeça contra a mesa até ficar desacordado, livrando-se das horas que viriam a seguir. E cansado como estava, não demoraria muito para que o fizesse. Ou isso, ou surtaria de vez, talvez até tentasse arremessar a amiga pela janela mais próxima.
É, talvez jogá-la por uma janela fosse uma boa ideia.
"Eu falei que te odiava. Você que está tão sedenta por um pouco de amor que está distorcendo o que eu digo" Uma das habilidades requeridas para se tornar um maroto, era a capacidade de negar, mesmo quando se era algo óbvio. Era incrível a quantidade de detenções de que tinham se livrado apenas com isso. Marotos eram negadores natos, contudo, nenhum deles era tão bom naquilo quanto Lupin "E de voar por uma janela, tem?'' Murmurou em tom confidencial, amigável, aproveitando da intimidade que desfrutavam para aproximar-se da figura feminina e colocar um dos braços ao redor dos ombros dela ''Porque vou acabar te jogando por uma qualquer dia'' Dessa vez não tentou usar seu falho tom de ameaça, usou de naturalidade, como se estivesse tentando puxar conversa, usando algo como quadribol como desculpa.
Demorou alguns segundos para que se desse conta do que havia dito. E em consequência, acabou deixando uma risada escapar "Nem você pode negar que fui assustador agora" Afirmou alegremente, quase orgulhoso. Depositou um beliscão numa das bochechas da loira antes de voltar a sua posição inicial, segura, longe o suficiente de qualquer retaliação "Ok, hora de estudar".