Foi dia 7.set de 2022, simbolicamente no bicentenário de uma suposta independência do Brasil que esse coletivo saiu para olhar internamente, em silêncio, enquanto peregrinava pelas ruas de Porto Alegre. Quanta potência tem no “apenas caminhar” hein! Grato a cada um é cada uma pela entrega, inclusive à @isamaricatto e à @daggidornelles, que não estavam na caminhada, mas que fizeram parte desse tecer e da inspiração! A andança fez parte da série de atos pela @amazoniadepe_ e é uma iniciativa do A.U.M. e do @zenpeacemakers Brasil, cujos princípios são “não saber, estar presente e agir”. Que muitos se beneficiem! Que o Brasil possa sorrir de novo! (em Porto Alegre, Rio Grande do Sul) https://www.instagram.com/p/CiOp6YqObFE/?igshid=NGJjMDIxMWI=
No dia 7.set vamos “apenas caminhar” inspirads pelo mestre vietnamita Thich Nhat Hanh, que em meio à guerra do seu país, convidava seus alunos a se engajar. Também inspirados no “apenas sentar” (shikantaza) do Mestre Dogen, fundador do Zen, partiremos da sede do @cebbpoa, caminharemos pela Redenção, em direção ao Centro. Passaremos pela Esquina Democrática e finalizaremos na Usina do Gasômetro.
A sugestão é permanecermos em total silêncio durante todo o percurso, apenas contemplando/escutando o ambiente e mantendo a atenção plena à própria mente, ao corpo e à respiração. Sempre que algo surgir, agradável ou desagradável, simplesmente nos mantemos presentes e observamos. Vamos reservar um tempo ao final para conversarmos sobre a experiência.
O encontro será às 10h, na rua Garibaldi, 1368, bairro Bom Fim.
A sugestão é ir com roupas confortáveis, de preferência claras, se possível brancas. Pedimos que não haja manifestações partidárias de nenhum tipo - embora sejam importantes, não será a ocasião para tal. Esse evento está vinculado ao @amazoniadepe_
Importante: levar água e filtro solar.
Convidem quem quiserem.
Dúvidas e sugestões: chamar inbox.
Uma alegria estarmos junts! Que seja de benefício!
Fazia tempo que a gente queria agir. Faz tempo que a gente quer sair. Mas não dá... Então a gente arrumou um jeito de estar aí, presente, escutando, agindo, performando... Teve que ser online, mas a gente confia que será (ou foi?) muito bom! Cola com a gente?
Será dia 14 de novembro, sábado, véspera das eleições municipais no Brasil.
Horário: das 8h às 20h (sim, vamos experimentar deixar a câmera ligada esse tempo todo, não sabemos ainda se o dispositivo ou o YouTube vão aguentar hehe)
Link para compartilhar tua história, teus medos e desejos, tuas alegrias e expectativas. Conta pra gente que a gente vai lembrar dessa história (anonimamente) no dia 14: https://rb.gy/ujaf55
Link para ativar o lembrete e assistir no dia: https://youtu.be/7m0iehUtkpA
Dia 14.06.19 foi dia de paralisação geral no Brasil. Nós resolvemos "paralisar" o corpo para observar nossos impulsos e emoções internas. Necessário, desafiador e sereno. ... Silêncio... :: A.U.M. :: Ação Urbana Meditativa acaourbanameditativa.tumblr.com #14J #meditacao #intervencaourbana (em Porto Alegre, Rio Grande do Sul) https://www.instagram.com/p/Byv4cK3Awbd/?igshid=fpotksmef26n
Nesta quinta, dia 30 de agosto os e as performers Cleyce Collins, Ítalo Cassará, José Benetti, Filipe Silveira, Lolita Goldschmidt, Luiz André Cancian, Márcia Mariano, Patrícia Ragazzon, Rossendo Rodrigues e Saul Sigaran estiveram presentes e abriram um espaço de escuta, silêncio e prática no meio da Praça da Alfândega.
No início do momento meditação, quando me vi no corredor onde normalmente os transeuntes passam, mas com uma disposição interna diferente da que teria se estivesse aí também como transeunte, ou seja, eu não estava com pressa, não ia a lugar algum, e por mais que o ato em si fosse o ‘meu trabalho’, não tinha a sensação de estar fazendo nada em especial, mostrando nada. Era um caminhar lento e nada mais. Ainda assim, por haver a proposição de ser uma cena, pelos combinados todos já feitos, porque esse deslocar-se não cotidiano atrai olhares, o ‘simples’ caminhar lento é um caminhar cênico e essa dupla realidade me parece conectar com um estado de presença, não me arriscaria a dizer Presença, mas um estado de jogo, de atenção, de equilíbrio, que não acessaria se não tivesse tido um treinamento prévio e não estivesse disposto a estar aí cenicamente. Toda essa configuração já fez com que aquele mesmo lugar, pelo qual transito em outros momentos, se transformasse em palco – e também em outras formas – apenas pelo fato de que me coloquei a disposição interna e a atitude externa de fazê-lo.
Na sequência, os vários mundos que surgiram aos meus olhos foram divertidos e inusitados. Pessoas comentando que não era pra me desconcentrar, pessoas quase esbarrando em mim, pessoas comentando a respeito do Rossendo sentado em meditação na margem da passarela – ouvi “Meditação!” dito de forma bem articulada. Então, passados 15 minutos, danço a cidade, movimento-me como se bailasse com ela, vejo as árvores de baixo para cima, vejo o céu, sinto o vento, as folhas de outono, um sol de fim de tarde banhando a praça, vou ao chão, quase beijo o chão, quase me deito, o corpo faz curvas lentas, o olhar permanece ‘para dentro’, as movimentações me lembram um pouco as aulas com a Daggi, e também há uma inspiração no movimento suave do Butoh, lembro das instruções do ator Yoshi Oida de que os movimentos partem do dedo mindinho e isso torna a movimentação ainda mais suave, leve. Vou ao chão, assumo a postura de seiza, ou seja, sentado sobre os calcanhares, olho à frente. Sei, pelo canto do olho, que formo um ângulo reto com Rossendo, que agora está sentado em lótus, na margem da passarela, eu virado para uma ponta da passarela, ele virado para mim. O sol nos banha. Mais 15 minutos de silêncio.
É isso!
Levanto-me outro, já nasci e renasci diferente. Volto a dançar e tomo o outro rumo, caminho lentamente na direção de onde parti. Mais 15 minutos. Paro e encaro o busto de uma figura eminente, que outrora eu nem tomara conhecimento de sua existência. Sim, estar aí nesse estado não só nos fazer ver as mesmas coisas com outros olhos, mas também nos faz ver coisas que não víamos. Estou parado. Agora sou só eu e esse busto.
Então vem o terceiro momento, ou seja, a oferta. A essa altura, conforme combinado Luiz já se foi. Rossendo escolheu ficar de braços abertos e oferecer o abraço sem palavras. Eu escolhi me dirigir com a fala, pedindo licença e perguntando se a pessoa quer um abraço. Novamente, a coemergência age. Isso porque notei que minha mente estava realmente com muito poucos pressupostos e o nível de preferências era muito baixo. Isso me deu mais liberdade para oferecer o abraço a toda e qualquer pessoa, mesmo àquelas que eu imaginaria, em outros momentos, com a mente mais fechada, que não o aceitariam. Essa liberdade – e provavelmente minha disponibilidade interna refletida em uma aparência convidativa – me possibilitou gratas surpresas. O resultado foi que, tanto Rossendo quanto eu comentamos como foi importante esse momento, e como era gostoso receber e oferecer esses abraços. A grande maioria das pessoas topou a brincadeira, mesmo que algumas dessem um abraço meio de lado.
Esse momento de encontro, portanto, coemergindo com o meu olhar, foi um importante momento de fechamento, como o encerramento de um ritual, de uma celebração, que sem os abraços talvez ficasse em falta. Era como se estivesse agradecendo e celebrando com cada pessoa pela oportunidade de realizar a prática aí.
A ação começou já no meu prédio, onde resgatei um passarinho que se chocou contra a vidraça. O vento que entrava por suas penas enquanto ele repousava sobre minha mão, de pé, me deram esperanças de que se recuperaria logo e eu o deixei dentro de um vaso de folhagens, pois meu amigo Luiz André Cancian, bailarino que topara a aventura de estar na rua comigo, estava me esperando e eu já estava atrasado.
Fase 1: escolhemos uma região de intenso trânsito de pessoas, em frente a uma imensa loja de magazine. Sentei em uma cadeira, diante de outra vazia. Luiz segurava o quadro, que convidava O que é ser livre? Conte-nos uma história de liberdade. Após diversos olhares de estranhamento, de encantamento e de interesse e de duas pessoas terem falado que não podiam contar nada, pois que se encontravam presas, uma menina sentou.
A minha história de liberdade começou há um ano e sete meses. Eu descobri um abscesso no seio. Passei pra cá e pra lá em hospitais. Isso me deu uma sensação de liberdade, porque quando eu saí, comecei o curso de Enfermagem. Já faz dois meses. Fico feliz de poder ajudar outras pessoas. Vou poder entender melhor o que elas vão passar porque também passei pelo sofrimento de hospitais e tudo isso. Essa é a minha história de liberdade.
Em seguida foi Rogério, de pé, a contar sua história. Aliás, esse nome ele diz ser "para a sociedade", pois morrera há 9 anos, quando, com insônia, sem entender o sentido da vida, lera O Evangelho segundo o Espiritismo. Fora policial antes disso.
Eu atirava e batia nas pessoas. E tudo isso pra quê?
Ele deixou espaço para Otto, um senhor que parece viver, ao menos parcialmente, pelas ruas, anda de muleta e fala extremamente baixo. Este sentou e desandou a falar, mas confesso que pouco entendi. Falou das profissões que exerceu, das cidades que morou e de doenças que experimentou. No fim, quis deixar seu telefone, "caso quiséssemos ouvir mais histórias."
Durante as histórias, Luiz dançava o que ia ouvindo e eu, mesmo sem ver, gostava desse corpo se movendo aí, atrás e em volta de nós.
Fase 2: momento mais introspectivo, inspirado na meditação shamata. Luiz dança uma sequência inspirada nas histórias das pessoas, enquanto eu faço a caminhada em linha reta, de forma extremamente lenta. Os movimentos dele afetam os meus, a caminhada não é a mesma de sempre. Em algum momento, sento em lótus no chão. Diante de mim, a árvore de Natal à venda nas Lojas Americanas e, atrás dela, barras de chocolate na promoção. Caminhar para não comprar. Apenas estar. Presente.
Fase 3: dançamos os dois, como um duo e também com as pessoas que passam. Dança expansiva, com largos movimentos. Ser-estar com cada um(a). Movimentos afetados pelos movimentos, peso do corpo, tempo, humor, atenção de cada transeunte.
Foi lindo e necessário estar dançando e caminhando sem caminhar, e vendo o espaço entre os prédios lá no céu, e conversar com o corpo de cada pessoa que por aí passou, justamente neste lugar; um lugar totalmente desenhado e ocupado pelo comércio, por onde transitamos para ir às compras ou trabalhar para vender. Ainda assim, houve os que pararam, que, como disse Rogério, "sentiram-se livres para sentar". Houve a mulher que vendia brinquedos e, sorridente, guardou nossas coisas enquanto dançávamos. Houve a formação de uma comunidade, mesmo que temporária.
Por 1 hora e 30 minutos, houve outras trajetórias e afetos. Houve amor e liberdade.
Ao voltar, o passarinho havia morrido, mas a dedicação de Odair, o porteiro, um homem alto e de jargão militar, ao cavar um buraco com uma colher para enterrá-lo, foi comovente e me fez ter clareza de que a comunidade que acolhe segue operando, mesmo de forma invisível.
Esse dia foi fluido! Esse dia foi mágico! Em dias como esse, a gente descobre que a vida é mágica mesmo.
Não sei por quê, mas saí de roupa social, de gravata. Estaria indo para um escritório? Estaria indo “bater ponto”? Então peguei uma pasta plástica de guardar folhas grandes que tenho, e que tem uma alcinha. Ela fica como uma maletinha. Pronto! Estava pronto para entrar no escritório.
Saí com mais ou menos um roteiro estabelecido. Iria meditar no meu horário de trabalho. E iria oferecer alguns desejos às pessoas em forma de papel, do modo como já foi feito outrora, com o apoio de muitas pessoas, as quais escreveram seus desejos auspiciosos para @s outr@s.
Pensei também que poderia desenhar a cidade. No caminho pensei em desenhar as pessoas que encontrasse na rua, fazendo como que cartas de um jogo de estratégia ou RPG. Ao invés de “Força”, “Destreza”, “Armas”, etc. eu pontuaria qualidades como “Habilidade em atravessar a rua”, “Cuidado com as crianças”, “Persistência”, “Paciência”, etc.
Cheguei e sentei. Na calçada em frente ao Teatro Alziro Azevedo, do Departamento de Arte Dramática, bem na curva em que a Salgado Filho vira João Pessoa (ou vice-versa).
Quase 1 hora e 30 minutos de Shamata. Um chapéu na frente, com a boca para cima. Algumas moedas chegaram. Contei 8,25 no final. Algumas fotos foram tiradas. Alguns comentários. Crianças - sempre elas, doces, curiosas, interessadas, puras - aproximando-se.
Acho que com 1 hora e 15 minutos, parei e comecei a fazer os papeizinhos.
“Que você seja feliz." “Que você seja sempre generos@." “Que você tenha sempre amigos." “Que você não tenha nada a temer." “Que você possa verdadeiramente ajudar outras pessoas." “Que você encontre no amor uma forma de caminho." “Que você possa sempre manifestar sabedoria." “Que você supere todas as complicações."
Hoje já não lembro quais foram os outros desejos, mas devem ter sido uns 30 papeizinhos. Todos dobrados e colocados dentro do chapéu.
Levantei-me e passei a oferecê-los às pessoas. Alguns - poucos - recusaram, talvez assustados (como o medo ainda é a primeira emoção, né?), talvez receosos de que eu cobraria algo. A primeira foi uma criança, que, assustada negou e foi acompanhada pelas duas adultas que estavam com ela. Negaram. Sorri.
Foi lindo ver a receptividade da maioria! Senti-me acolhido e recompensado. E também fiquei feliz de ver que, mesmo diante dos que negavam, a alegria permanecia, a quietude e paz da meditação permaneciam.
Confesso ter notado em mim uma vontade do reconhecimento, do acolhimento, um pouco de carência, mas lembro até agora (duas semanas depois) que a sensação predominante era de paz, de conexão, de amor mesmo.
E mais amigos surgiram nessa teia. Uma senhora, na porta de um prédio, pegou um papel. Saí distribuindo para outr@s. Aí ela aparece de novo, agora acompanhada de uma senhora mais velha, que ela provavelmente cuida, levando para passear, e essa outra senhora também quis pegar um papel. O desejo para a primeira era sobre o amor - “um sinal pra ti!”, disse a mais velha - e o da segunda era sobre a generosidade. “Mas isso eu sou. Adoro ajudar as pessoas. Estou indo na casa de uma amiga, que pra mim é como uma irmã. Quando eu estive mal, ela sempre me ajudou. Agora estou indo lá levar essa torta, que é aniversário dela."
Elas chegaram enquanto eu falava com dois homens, um que pegou o desejo sobre os amigos (“Isso não me falta! Tenho muitos amigos.”) e outro, que parecia mais abatido e desconfiado, cujo papel eu não lembro.
Uma outra mulher pegou o papel do “não ter nada a temer”. Aí disse ela: “Não consigo. E o nosso presidente?"
Eu só ri.
“Não tinha pensado nisso”, disse.
“Que tod@s vivam em paz."
Agradeço a oportunidade desse encontro! Agradeço também a foto de Daniel Farias, mais um amigo que surgiu agora, tirando a foto e postando no seu Facebook. Um amigo em comum, Arthur Ozelame, nos conectou. Teia infinita de afetos essa. ;D
Após encontro determinante e cafezante com o amigo Luiz Cancian, com quem estarei trocando para este trabalho, e que me convidou generosa e amorosamente para pensarmos juntos em algo que possa tomar o palco também, fui para a praça.
1ª etapa: MOTIVAÇÃO. ESCUTA. O mundo que o outro vê é um espelho da sua mente.
Caminho. Lentamente. Sensação de uma ave que voa alto e que observa tudo, lá de cima. Gostoso isso. Quero perguntar como as pessoas estão se sentindo e logo localizo as (micro)expressões de uma menina, apoiada sobre sua própria mochila, passando os dedos num celular, sentada num banco. Vejo tristeza? Raiva? Angústia? Sento no banco ao lado do dela. Não sabia que iria abordá-la. Podia ser qualquer outr_ Tod_s interessam. Tod_s sentem. Mas de algum modo, aquela expressão de angústia, tristeza ou sei-lá seguiu me chamando, aí do lado. Cheguei devagar na ponta do meu banco para não assustá-la e falei que estava fazendo uma pesquisa para um trabalho e que me interessava saber o que as pessoas estavam sentindo. Como ela me pareceu triste, quis saber. Então, imediatamente, as lágrimas que ainda estavam guardadas nas pálpebras, rolaram. E a expressão dela mudou. “É raiva mesmo!”, ela disse “Vontade de dar um soco na cara dele!” Ela fora demitida, há poucas horas, talvez, poucos minutos, quem sabe.
E aí me contou que era numa agência de empréstimos, falou da dor que é(ra) trabalhar num lugar onde as pessoas estão se afundando em dívidas de como ela e os colegas da agência de certa forma ajudam a se afundarem mais ainda. Mas também falou da senhora que confessou a ela que “isso de pedir empréstimo vicia”. Uau!
Eu fui escutando e tentando ir mais fundo, ver o que estava por trás, quais sentimentos e necessidades pairavam aí. Foi interessante! Me senti profundamente conectado com ela. Falou que era de outra área – enfermagem – e que sabia que logo arrumaria outro trabalho. Talvez desabafar tenha ajudado a se acalmar. Parecia não sentir mais raiva. Não falou mais disso. Parecia um pouco renovada.
Não tardou e chegou seu namorado, que logo soube por ela que eu conhecia a cidade de onde os dois eram e para onde estavam indo naquele momento. Uma cidade do interior, Butiá (mais uma fruta silvestre, como as amoras da outra semana). Uma cidade tão gostosa e aconchegante que dá vontade de voltar lá, sim. Aproveitei e busquei saber dele o que ele, o namorado, estava sentindo. ?Respondeu que tranquilo e feliz, realizado por terem vencido uma licitação na empresa de engenharia onde trabalhava. “Não é sempre que o cara se sente assim, né!”
Haha! Ele até pegou meu Facebook e os dois me convidaram a passar na casa deles quando eu for a Butiá.
Senti aprofundar a conexão com os dois e feliz com a generosidade e alegria deles.
Pronto! Estava pronto para a etapa seguinte.
2ª parte: MEDITAÇÃO. Deixar que tudo se vá, para que o espelho fique limpo, que é mais fácil dito do que feito.
Parei logo abaixo da estátua de algum general sobre um cavalo que tem ali. A intenção inicial era ficar só parado. Mas me ocorreu que um movimento num ritmo diferente do usual poderia ser mais interessante – tanto para mim quanto para quem visse.
E foi o que fiz: procurei acionar todos os músculos e produzir os movimentos de uma caminhada natural, mas em um ritmo extremamente lento. Devo ter percorrido 5 metros em 40 minutos. Ao final, pela tensão nos braços, parecia que eu havia levantado 40 quilos.
Pessoas – especialmente crianças – ficavam curiosas com aquela figura aí. Um rapaz até tirou uma foto com seu celular, dizendo “tá, vou tirar uma foto tua”. Adolescentes riam.
A observação interna, tanto da mente, quanto dos micro-movimentos do corpo me permitiu ter uma consciência bem apurada de todo ele, bem como acalmar a mente e pacificar os pensamentos discursivos e obsessivos.
Ao final, realmente havia uma paz instalada.
Era como se aquela praça fosse minha casa.
Era como se tod_s fossem felizes!!
3ª AMOR UNIVERSAL. Os vários espelhos se encontram.
Foi com o coração cheio que ofereci a cada um(a) um abraço, tomando cuidado para me aproximar. Alguns se animavam e aceitavam. Outros, muito assustados ou só receosos, negavam, olhavam estranho, riam (talvez como defesa).
Não tenho dúvidas: eu realmente amei cada uma daquelas pessoas, com suas várias caras, suas várias formas, medos, desejos, modos de abraçar.
Para coroar, um “público”, que era um senhor peruano, técnico em enfermagem (era só uma coincidência eu encontrar dois cuidadores por vocação no mesmo dia?) falou que estivera o tempo todo observando, curioso do que eu estaria fazendo, enquanto conversava com um rapaz, que parecia ser morador de rua. Esse rapaz também comentou que me vira e ficara curioso. De repente, ele se levantou para fazer não sei o quê e o peruano demonstrou interesse e preocupação por ele. Disse que sabia que ele usava drogas e andava meio mal, mas que agora “estava bem melhor”.
Sim, as pessoas querem mesmo cuidar umas das outras, basta dar-lhes oportunidade!
1º passo MOTIVAÇÃO: buscando me colocar no lugar do outro e gerar a verdadeira motivação, que é a de fazer as ações para benefício dos outros. Para este dia, escolho fazer uma “escuta”, ou seja, perguntar como elas estão se sentindo e buscar ouvi-las de forma integral.
Sento ao lado de um senhor em um banco, dizendo que estou fazendo uma pesquisa e que me interessa saber como as pessoas estão se sentindo naquele exato momento. Acho que mencionar uma “pesquisa” não pega bem. Ele pareceu desconfiado. Aceitou que eu sentasse, mas respondeu como monossílabos às perguntas, logo olhou para o relógio e saiu.
Caminhando um pouco mais, um outro senhor, sentado em outro banco, me chama a atenção, especialmente porque ele está segurando, por uma corda, uma cadela, que venho a saber se chamar Doninha. O nome dele é João “alguma-coisa” Filho e ele mora em um carrinho ali na praça mesmo. Me conta que está esperando um cara que prometeu vender a ele um cachorrinho para que a Doninha possa brincar. “Muito danada!”, segundo ele. Não lembro do que conversamos em detalhes. Lembro de ter brincado com sua cadela. Lembro da voz dele, super clara, sugerindo uma lucidez que me encantou. Um ser que compreendia os meandros da vida na rua, ou ao menos que sabia expressar bastante bem como sentia e via, que tinha estratégias para fugir dos ladrões e que dizia ser complicado sempre ter que pagar para alguém ficar cuidando do carrinho enquanto ele ia comprar alguma comida na padaria. Fiquei imaginando e sentindo essa vida na rua, cheia de emoções e riscos. Vida livre pela independência material, mas vida presa, porque ainda cheia de carências, medos, desejos. Fiquei tocado e segui. Ele agradeceu o papo e pediu para eu ir lá “com mais tempo” para conversarmos. Deu uma ponta de dó e de culpa, pois eu não estava deixando de falar com ele porque estava com “pouco tempo”, mas porque determinei na minha mente que era hora de circular.
Aí teve um casal colhendo amoras, com quem também pude conversar e perguntar mais diretamente sobre seus sentimentos e necessidades.
2º passo MEDITAÇÃO. Aí sentei em lótus e meditei.
Por 15 minutos.
Hora que escolhi para voltar para casa, sem as outras etapas do roteiro. Sutilmente transformado.
Hoje foi dia de sentar na ESQUINA DEMOCRÁTICA. Retomando essa investigação, pedalei até lá. Passei pela Redenção: clima de relaxação. Cheguei ao Centro: clima de correria. Era o que eu queria! Observei militantes. Observei policial. Observei o que pude. A vida parece que é só MOVIMENTO. Então tirei os tênis, observei um pouco mais e sentei sobre eles.
. . . é quando tudo se desfaz . . .
medos, apreensões, fixações, identificações, eu sou isso, eu sou aquilo, eu quero isso e aquilo desapareceram, mesmo que por uns momentos fugazes iniciais, mas DESAPARECERAM
30 minutos... o dia vai escurecendo. Uma água quer cair lá de cima. Os passos parecem mais apertados, as vozes mais vorazes. Alguns FORA TEMER daqui e dali. As gotas pingam do céu como se fossem essas vidas que correm pra cá e pra lá. O CÉU, esse permanece intacto.
Melhor (não) ser o céu?
O despertador toca e refaz os votos com A TERRA. Levanto e vou.
Quando retorno do Mercado Público, todo aquele centro da esquina está recheado de gentes, de gotas, de gritos.
Sente-se: Escutamos suas palavras e seu silêncio em Pelotas/RS
Não há nada mais difícil para mim que escutar alguém falando sem poder concordar, discordar, comentar ou dar uma risada. Quando a ação foi feita em Porto Alegre a missão era simples: Sentar e convidar estranhos para conversar. Estranhos a mim por ser em uma cidade que eu residia a pouco. Hoje, nesta ação em Pelotas, vi o quanto pode ser difícil propor algo em sua própria casa. Mas, para minha felicidade e serenidade tive a parceria do Dieizon Rodrigues que já trabalha com ações de escuta a algum tempo.
Combinamos nos encontrar ao meio dia na Praça Coronel Pedro Osório, organizamos as cadeiras, um registra, o outro escuta e vice-versa. Ficamos por um tempo e ninguém sentou. Algumas pessoas passavam rindo, outras curiosas... Decidimos trocar de lugar, então, nos dirigimos a um dos corredores da praça, ali uma ou outra pessoa sentou, conhecidos nossos, mais movidos pela curiosidade de saber o que fazíamos ali .
Passamos mais tempo observando e sendo observados! De repente, percebemos que o local que as pessoas mais gostariam de serem escutadas era em frente a prefeitura. Então, nos colocamos em meio ao transito de pessoas e carros em frente a prefeitura. Antes que qualquer pessoa sentasse para compartilhar suas palavras ou seu silêncio, funcionários da prefeitura se aproximaram para verificar o que fazíamos ali.
Nesse lugar, algumas pessoas sentaram, grupos de pessoas. No entanto, não conseguimos apenas escutar. As pessoas chegaram eufóricas, fazendo muitas perguntas, sorrindo e foi quase impossível não retribuir com palavras e sorrisos. Mas, nossa missão de apenas escutar não foi cumprida!
Refletindo posteriormente a ação, percebemos que talvez nossa abordagem deva ser mais tranquila, que podemos ocupar um espaço não com cadeiras, mas com tapete, que esse espaço não acolha uma, mas várias pessoas...
Estamos prontos para as próximas ações, é quase viciante a sensação de ouvir e ser ouvido por estranhos!
porto alegre, rs
Iniciei a meditação em casa às 8h20min para poder dar tempo de chegar às 9h30min no centro, como combinado com uma amiga.
Foram 30 minutos de aquietar a mente. Perfeito para iniciar a jornada na rua.
Liguei o gravador às 9h15min e cheguei, atrasado, às 9h45min à Praça da Alfândega.
No caminho, "ouvires" que se desencontravam. Por que nos acostumamos a não ouvir o outro e a só querer ser ouvido?
À minha frente, no ônibus, um rapaz falava com um amigo no telefone. Parecia criticar ou reclamar do comportamento de alguém (sua companheira?). De repente, ele pede licença para atender uma ligação que estava entrando, dizendo que era "ela". Atende e é seu pai. Responde de forma breve e desliga. Volta a ligar para o amigo e diz: "Não era nada. Só pra encher o saco. Era só (imitando a voz dela) "onde tu tá? que tu tá fazendo?" E dá uma risada à resposta do amigo. "Bem brabinha. Bem braba." uma risada que me pareceu mais nervosa por estar mentindo. Por quê?
Na rua, um amigo, que estava no mesmo ônibus, me ajuda a carregar o quadro que usarei na ação. Ele reclama da escola da sua filha. Parece que lá ele não é ouvido nas reuniões de pais, mesmo que a escola promova reuniões para ouvi-los. Segundo ele, eles ouvem, mas seguem fazendo tudo igual. Por quê?
Encontro minha amiga, que já está esperando com as cadeiras dobráveis que usaremos. Despeço-me do amigo, que vai ao trabalho - e que ficou preocupado em me ajudar com o quadro, que estava desmontando - e comento com a amiga, que também é professora de crianças pequenas, sobre a conversa com o amigo. Ela, na posição de professora, diz que não é fácil. Não aprofundo a questão, mas fico me perguntando de novo: por que não é fácil?
No caminho, muitos sons, incluindo os descendentes de indígenas que tocam xilofones de bambu e vendem CDs tocando "Imagine", do John Lennon, e buzinaço de uma passeata (contra o quê ou a favor do quê?)
Após produzir o cartaz com os dizeres
::.. APENAS SENTE: NÓS ESCUTAMOS SUA FALA E SEU SILÊNCIO ..::
Procuramos com cuidado um bom lugar e, ao sentarmos, eram 10h15min mais ou menos. Propomo-nos a ficar até às 12h.
. . . em silêncio completo . . .
Mas também abertos a possíveis questionamentos das pessoas. O ponto não seria gerar aflição nas pessoas, pensava eu.
mesmo com o olho repousado na cadeira vazia à minha frente, em meu campo visual percebia diversos olhares para nós e sempre fico feliz e chocado de ver como um simples parar causa impacto
alguns grupos espalhados em bancos pareciam especialmente interessados e ouvia diversos comentários
de um deles desprenderam-se dois membros que vieram sentar, cada qual em uma das cadeiras, diante de cada um de nós. já nos desafiaram a falar, pois faziam perguntas, queriam entender o que estava acontecendo, se era trabalho de faculdade, se era um "lance religioso" ou se nós estávamos fazendo aquilo apenas "porque as pessoas não se comunicavam mais" ou eram "muito solitárias". Enfim, queriam conversar e o que sentou na minha frente disse que não se sentiria bem de só falar e eu ouvir, que era mais de ouvir, que gostava de falar, mas que gostava de ouvir, mas que não se sentiria confortável em ficar parado como eu, olhando sem falar. Foi embora. "Desisto!" suspirou, diante das minhas respostas curtas e evasivas.
duas mulheres que estavam num grupo de três, sentaram, em silêncio. Foi lindo, mesmo que curto! A que veio até mim disse "ele vai escutar o meu silêncio". ;)
um rapaz fumando maconha sentou, em silêncio, fumando maconha, e assoprou a fumaça da maconha, em silêncio, fumando maconha
vários fotografavam
atrás de nós, o que pareciam dois adolescentes brincavam nos balanços do parquinho (pelo que pude depreender do rangido não azeitado dos brinquedos) e conversavam sobre uma terceira pessoa, mas não lembro o quê e não consegui ouvir na gravação. Também cantavam músicas funk.
"Vê se ele tem uma caneta. Caneta sempre tem câmera."
Terminamos um pouco antes, 11h45min. Não estávamos cansados, o corpo doeu muito pouco e ambos declararam como o tempo voou e simplesmente nos deixamos levar.
Mesmo com tão poucas pessoas sentando, a experiência foi incrível pela simples meditação que ela proporcionou.
Gratidão!
8:30 - Começo a meditar em casa. primeiro desafio: 30 minutos de meditação - to acostumada a 10 minutos sozinha. Duas tentativas: uma de 11 e outra de 7 minutos, os 12 minutos restantes foram utilizados para ler "Meditação andando" de Thich Nhat Nanh, pois queria fazer a experiência em movimento.
9:05 - Saio de casa e desisto da meditação andando. Opto por ocupar a praça que fica em frente, não costumo dar muita atenção a ela, pode ser muito interessante escutar a ela e as ruas a seu redor. Vou com um caderno, um lápis e um gravador.
Sento em um banco da praça, logo percebo que não estou sozinha, atrás do meu banco tem um cãozinho tentando dormir, parece que consegue. Seu irmão passa pela rua atrás de nós e se deita ao sol - está meio frio agora de manhã - ele fecha os olhos mas parece não querer dormir, movimenta bastante a cabeça.
Barulho de carro ao meu lado, estaciona.
Um menino pega o cãozinho do sol no colo e vai pra porta de uma casa, de dentro do carro sai a dona da casa, ela abre a porta, e ele tenta botar o cãozinho dentro, mas ele quer ficar na rua. O menino entra, mas depois volta. Percebo que a mãe dos filhotes ta deitada no meio da rua, mais atrás do meu banco, também no sol. A mulher da casa da comida aos cachorros mais ao fundo da praça, mas um deles continua dormindo ao meu lado.
(Durante todo o tempo muitos pássaros cantam em diversas árvores da praça, e um grupo de rapazes jogam futebol na quadra em frente. Tem um gatinho que também toma sol e de vez em quando ganha uns afagos do menino)
O menino está sentado num banco perto do meu,a cachorra mãe esta deitada ao seu lado. Duas crianças chegam e vão falar com ele, uma menina de uns 8 anos e um menino de uns 4, que mal consegue segurar uma bicicleta maior que ele! Eles vão embora no mesmo sentido que vieram, escuto o menorzinho falando ao passar por mim: "Vamos guardar a bicicleta e voltar?" A menina não parece muito interessada...
Depois de um tempo o garotinho volta correndo sozinho e se debruça no balanço a minha frente. Só se escuta a voz de sua mãe gritando: "Guilherme! Ô Guilherme! Vem! A maluca vai te pegar! O velho do saco ta bem aí!" Guilherme fingi que não é com ele, brinca um pouco e depois volta pra casa correndo.
Duas crianças chegam de bicicleta, param do meu lado e um deles grita: "Olha o cachorrinho dormindo!!" O menino do inicio corre até a gente e diz "Esse aí é o Soneca, já sabe por que né?!" Começo a ri, ele me olha e eu pergunto se era mesmo o nome dele, ele me confirma. As crianças pedem pra ver o outro cachorrinho, ele leva. Um homem chega de bicicleta, as crianças vão até ele e perguntam se "podem ficar com a fêmea", ele diz que "só se levarem agora porque já tem gente querendo". A menina grita que a avó ta chamando os dois e eles vão embora.
O cachorrinho do meu lado começa a se espreguiçar e enfim acorda, imediatamente todas as crianças voltam! o menino então pega ele no colo, o enche de beijos e diz "até que fim você acordou" e o leva pra comer, as outras crianças o seguem.
Decido voltar pra casa, mas um passarinho branco e preto fica fazendo círculos na minha frente, cantando. Decido fazer-lhe companhia. Ele voa, eu levanto e um carro chega tocando uma musica pop. São 9:40.