NOVA MORADA!
A Culatra cansou-se das limitações desta urbe e voltou ao bom velho campo. Acompanhem agora as críticas no novinho aculatra.com.
Até já.
"I'm Dorothy Gale from Kansas"
Monterey Bay Aquarium
I'd rather be in outer space 🛸
h

tannertan36
dirt enthusiast
PUT YOUR BEARD IN MY MOUTH
Not today Justin
cherry valley forever

ellievsbear
let's talk about Bridgerton tea, my ask is open

祝日 / Permanent Vacation
noise dept.
$LAYYYTER

Kiana Khansmith

❣ Chile in a Photography ❣
will byers stan first human second
i don't do bad sauce passes

PR's Tumblrdome
Keni

seen from Singapore

seen from United States
seen from United Kingdom

seen from United States
seen from Malaysia

seen from United States
seen from India

seen from Philippines

seen from United States
seen from United States

seen from Canada

seen from United States
seen from United States

seen from Netherlands

seen from Singapore
seen from Switzerland

seen from United States
seen from Italy
seen from United States
seen from Mexico
@aculatra
NOVA MORADA!
A Culatra cansou-se das limitações desta urbe e voltou ao bom velho campo. Acompanhem agora as críticas no novinho aculatra.com.
Até já.
Apanhado de críticas #2
MGMT, por Davide Pinheiro (Disco Digital)
Artigo Original
MGMT - Cool Song No.2
Juro que não é perseguição. Davide Pinheiro já foi alvo de um especial relativamente agressivo aqui na casa e (SPOILER) esta review não vai ser muito positiva, mas não pretendo com a insistência do seu nome aqui no blogue fazer por ignorar o cuidado geral de todas as suas críticas, evidente no uso inteligente da linguagem, forte mas acessível, e em especial o esforço por tentar cobrir um espetro razoavelmente alargado da oferta sonora disponível em Portugal. Posto isto, a sua crítica ao recente homónimo dos norte-americanos MGMT prova no mínimo que tudo aquilo que me motivou um especial continua a definir a sua abordagem (10 pontos pela consistência), e no máximo que a coisa até parece ter piorado um bocadinho (menos 15 pontos por me irritar num dia tão bom).
Não vamos perder muito tempo com isto que ele também não: Sobre o último dos MGMT, Davide escreveu três parágrafos inteiros sem praticamente referir a música que motivou o dito álbum para além duma utilização muito livre da palavra "experimental". Como é pelo menos frequente, a música passa para segundo lugar e a única coisa que importa é o seu contexto: assim, o que aquando do lançamento de Congratulations era uma novidade notável (falo da recusa da banda em seguir a mesma fórmula ácida mas orelhuda e estruturada não muito fora dos moldes habituais da pop), agora parece simplesmente continuar a sê-lo, sob a forma de "confirmação". Arrisco que a próxima aventura do duo será para Davide a confirmação da confirmação, ao jeito de todas as piadas do Big Bang Theory depois da sinopse do episódio piloto - já percebemos, eles sabem palavras complicadas e ela é loira, sigam em frente.
E assim se revê um álbum, procurando nele faixas cujos refrões pareçam com alguma boa vontade atestar as nossas teorias - Davide prefere o termo autorretrato - e sugerir de fininho uma vontade de exploração, que ficamos sem saber para onde. Se MGMT é um álbum pouco aconselhado a quem procura outra Kids ou Time to Pretend, frase repetida à exaustão em metade das reviews a Congratulations, a quem é MGMT aconselhado agora? A que soa? O que traz de novo? Não estamos a sugerir que Davide não o sabe, porque afinal deu uma pontuação 3/5 ao álbum. Só não percebemos porquê.
?/5
*******************************************************
Beasts Of The Southern Wild por Margarida Riscado (Crítico Musical, ou Crítico)
Artigo Original
Trailer
O blogue Crítico Musical é quase uma curiosidade, que exige uma apresentação prévia antes de prosseguirmos. Aparentemente regido por Henrique Silveira e Margarida Riscado (ele dedicado essencialmente à análise de concertos de música clássica e ela à de filmes) tem a particularidade logo à partida de ser um blogue intitulado Crítico Musical que faz críticas de cinema. Pressupomos rapidamente não só que o blogue terá «evoluído» com o tempo para propósitos diferentes dos iniciais, mas também que estaremos a entrar num mundo... especial.
Mas como esta secção não se pretende a análise de sites inteiros, vou limitar-me a uma amostra das contribuições de Margarida Riscado (MR).
A entrega da escriba tem imediatamente a seu favor um entusiasmo admirável. MR não se limita à cobertura de estreias em sala, isso é para aprendizes, mas abre a seleção também de saídas em vídeo, ou assim suponho pelas datas de publicação versus datas de estreias. Dito de outra forma, a Margarida não faz críticas de filmes em cartaz mas de FILMES, no geral, uma opção que expõe as orientações «artesanais» do blogue mas que não deixa de ser interessante como contraste à obsessão pela novidade da maioria dos sites que costumam passar por aqui.
Adiante. Entre muitas escolhi a crítica a Beasts of The Southern Wild, assinada por Margarida Riscado em Agosto passado, que é uma amostra estranha: Margarida justifica primeiro a suposta mediocridade da narrativa com o facto de Hushpuppy ser a única personagem passível de nos transmitir emoção e de seguida o falhanço na transmissão do «simbolismo» político-social do filme por ela não o ter entendido. Estes são, juro, os seus dois únicos argumentos para justificar a sua incompreensão explícita pelas quatro nomeações do filme aos Óscars 2013.
Margarida Riscado ficou então perplexa face a um filme cujo protagonista é o veículo principal das emoções que se pretendem transmitir, e acrescentou não entender como um filme assim pôde ter semelhante aceitação. Talvez não se tenha identificado com a luta dos personagens e por extensão com a da pequena heroína, cujo trajeto foi desenhado no livro e argumento à volta do modelo da Demanda clássica. Uma breve passagem por textos seus anteriores estabelece o padrão que se adivinha: na sua análise de Silver Linings Playbook, «um filme simpático e divertido, apenas isso», MR volta a confessar não conseguir entender o deslumbramento à volta do filme que viria a ganhar esse ano o Óscar de melhor atriz, atribuição que considerou um sacrilégio face à concorrência de peso de Emmanuelle Riva por Amour, transformando automaticamente a crítica cinematográfica na religião menos exigente do mundo por criar dogmas de seis em seis meses. Por constrangimentos desta secção e porque já é um pouco tarde, fico por aqui de exemplos e sublinho o essencial: quando MR não entende porque tanta gente abraça um filme, a sua pesquisa em busca dessa informação de dramático fácil acesso resume-se a fingir que não existe.
É este o único grande pecado da Margarida Riscado, apesar da escrita simples mas vazia, apesar do excesso de adjetivos e certezas que insistem em pontuar o final dos textos com «absolutamente extraordinário!», «absolutamente excecional!» ou «impossível não gostar». O pecado é insistir em escrever numa bolha, assumir que a construção da opinião começa e acaba na sala de cinema (ou de estar) e que tudo o que foi escrito sobre o filme, caso não vá ao encontro da impressão que a obra lhe deixou, não passa de ruído. Um espetador não é obrigado a fazer pesquisa alguma para validar a sua impressão de um filme, como é evidente, mas espera-se dum crítico musical que escreve sobre filmes um mínimo.
Tenho plena noção da dimensão da coisa: Crítico Musical (ou Crítico?) é um blogue amador e sem pretensões de maior para além de publicar uns textos no Jornal Diabo (ele) e meter cá para fora o que as amigas não a deixaram dizer na sala (ela). No entanto a injustiça da certeza vã com que são abordadas as obras, aliada a uma estranha e espetacular(!!) escolha de tons e palavras transformaram este pequeno canto no meu novo blogue de crítica favorito. É a-do-rá-vel.
1/5
- Reles
As Mais Bonitas #9, especial António Guerreiro
De todos os géneros artísticos, aquele que agrega um maior número de críticos intelectuais é, sem dúvida, a literatura. Aparentemente, saber ler é razão para se ser o mais formal e complexo possível. Felizmente, tudo isto é extremamente ridicularizável. Vamos ao boss, o supra-sumo lexical que permite ao Ípsilon publicar alguns do seus textos, enquanto gargalha no alto da sua montanha e goza com a nossa mortalidade. António Guerreiro, claro.
"quanto ao resto o que este romance nos fornece são histórias em que as representações e a tonalidade da escrita estão inteiramente do lado de uma narrativa em primeiro grau, aderindo sem distância ao pathos existencial das personagens" (Debaixo de Algum Céu)
"embora exija o discurso do romance polifónico, já que são muitas as “vozes”, o tom mantém-se tão uniforme como num romance com narrador omnisciente, na terceira pessoa." (Debaixo de Algum Céu)
"A sua atitude camp é naïve e não deliberada. E este livro só impropriamente pode ser chamado um livro de memórias" ( Um Rapaz a Arder)
"Este romance é, pura e simplesmente, uma anedota prolongada. E uma anedota que se estende deste modo perde as qualidades necessárias para divertir: torna-se entediante e destituída de graça." (Despaís)
Mas não só de crítica vive o senhor, as crónicas que AG escrevia para o Expresso são pérolas, diamantes em bruto, tanto que o autor das mesmas decidiu abandonar o Expresso e atender ao chamamento do Olimpo intelectual (aka Ípsilon), após ser acusado pelos seus antigos empregadores como alguém que "não escreve para o leitor médio" (está tudo aqui). Ora, isto aqui gera dois problemas: a consciencialização assustadora que o Expresso sabe para quem vende os jornais e acha que AG é complicado demais para a percepção dos seus artigos e impulsiona o continuum conceptual de que António Guerreiro é, de facto, um nome forte da elite intelectual portuguesa, oferecendo-lhe uma postura de crítico/ cronista indie, marginal e alternativo; basicamente, o que os leitores do Ípsilon procuram. Alguns exemplos das suas crónicas anteriores:
"A normalização a todos os níveis que o avaliacionismo promove com obstinação serve não tanto para perseguir a incompetência e o mal mas para rasurar o que de bom existe e não cabe nas grelhas da avaliação" (O Paradigma Criminológico)
"A crítica ao jornalismo teve quase sempre origem num pensamento reacionário (seja ele o de Balzac, o de Kierkegaard ou, numa dimensão militante, o de Karl Kraus). Mas ele também se tornou num alvo fácil quando passou a alienar a sua matriz crítica, quando a oração matinal foi substituída pelo entretenimento e quando passou a servir exclusivamente uma figura que ele próprio construiu: o homem médio." (O Jornalismo e o Homem Médio)
"Será então o sentido de Estado a prova de que o Estado perdeu a sua razão — e anda à procura do seu sentido — e, como uma corista reformada, sobe ao palco de um cabaret decadente e imagina que está no Grande Teatro Nacional?" (Sentido de Estado)
" Mal ganharam liberdades e direitos, as mulheres encheram as universidades, tanto quanto os homens enchem as prisões e os lugares obscuros onde se chega sempre em queda" (A Anatomia Masculina do Crime)
Mas há algo de bastante positivo em António Guerreiro, que é a consciência de sítio; ele sabe quem é (a nível de revelância teórica social), para quem escreve e sabe escrever.
"a elite intelectual é hoje um grupo social que se ocupa preferencialmente de si ou, na melhor das hipóteses, do sector específico a que pertence" (Era Uma Vez os Intelectuais)
Não só "sofre" desta ultra-consciência, como escreveu este artigo sobre José Luis Peixoto (ou a venda da imagem do mesmo).
"Esta boa consciência no tráfico da figura pública do escritor, faz com que o Peixoto e todos os seus companheiros (ansiosos por se verem também em mupis de rua) nada tenha que ver com o que dantes se chamava 'escritor' "
E sobre a trilogia dos coitadinhos (Valter Hugo Mãe, José Luís Peixoto, João Tordo), os escritores em constante sofrimento que vendem e vendem e vendem milhares nas nossas livrarias:
"Depois da infantilização dos leitores, eis chegada a infantilização dos escritores não emancipados de um génio tutelar."
Resumidamente, de facto considero abusivo o nível de escrita, as referências constantes (todos os artigos fazem menção de um nome, Proust, Balzac, Bauman, etc), tornam o texto mais inacessível, pois as citações só são válidas se contextualizadas, e isso não acontece. Há um violento acesso a um pensamento alternativo (não no sentido de putos do Bodyspace, no sentido de ser uma opção ao mainstream) mas, desta vez, acho que não é uma tentativa constante de pertença ou António Guerreiro a assumir um lugar, não é um construtor civil a demonstrar a sua masculinidade adormecida domesticamente recorrendo um excesso de piropos. António Guerreiro é a base, de onde os pequenos vão beber, a crítica em estado puro. E que continue no Olimpo intelectual a rir-se à gargalhada dos leitores, porque de facto eles merecem.
E sim, foi a minha primeira crítica com algum cariz positivo.
- Sr. Antero
Kraftwerk, the Man Machine, por Tiago Gonçalves
(artigo original aqui)
"A história anterior a este The Man Machine leva-nos até 1970"
E assim Tiago Gonçalves desculpa-se de não falar do álbum; reparem, este artigo está na secção de Discos, no Bodyspace, na parte dos anos 70. Se clicarmos lá, aparece uma curta listagem de álbuns dessa década. O que eu, e qualquer outro esperava ao entrar na parte escrita do Man Machine, de Kraftwerk, era alguma coisa sobre o álbum, não uma tradução livre da wikipédia. Em 6 parágrafos, 4 são dedicados ao historial da banda, 1 ao álbum em si e o último às influências posteriormente deixadas.
Da parte histórica não tenho nada a indicar, é uma pequena apresentação feita no quinto ano: "Eu gosto de Kraftwerk. Os Kraftwerk faziam um género e depois começaram com outro. Kraftwerk são da Alemanha". Se não têm nada a dizer de novo, algo que possa diferenciar ou inovar, mais vale poupar o esforço. Um parágrafo biográfico/ histórico seria suficiente.
Quanto ao álbum em si:
"As canções electrónicas passavam agora a ter uma identidade pop (com as devidas distâncias, obviamente), que não se verificava até então."
Tiago Gonçalves não explica, obviamente, o que quer dizer com isto; foram as músicas que tiveram uma identidade pop ou foi o público que lhes atribuiu esse estatuto? Seguindo esta frase, "Canções entre os cinco e os seis minutos (apenas isto as distância do formato pop)", os Kraftwerk estavam a fazer (aparentemente) música pop, e não foi um título atribuído exteriormente. Mas vamos por partes:
1) O que o autor indica como sendo o que os distancia do pop é, possivelmente, uma das causas mais óbvias do que levou a banda às massas; anterior a Man Machine, as músicas de álbuns como Autobahn ou Trans-Europe Express variavam entre nove minutos, treze minutos, ou a longa Autobahn que vai aos vinte minutos. Portanto não, não é por aí, Man Machine tem um formato de longevidade mais apto ao consumo das massas que os álbuns anteriores (exceptuando talvez o Radio-Activity, mas esse era mais noise e experimental).
2) Se estamos a falar da atribuição do adjectivo pop, podemos aprofundar um pouco mais a questão da duração das músicas. Uma linha lógica para analisar a cultura pop é ver os singles, ou seja, as faixas que, comercialmente, são mais divulgadas, uma espécie de cabeça de cartaz do álbum; os singles de Man Machine foram The Model (3.38) e The Robots (4.20), com pequenas e insignificantes oscilações entre a versão inglesa e a alemã. Portanto, sim, os singles do álbum são de duração "acessível" (segundo os parâmetros comerciais etc. etc. ), porque se vamos atribuir um cariz pop ao disco é preciso ter em conta os singles, e se a duração se enquadra nos padrões pop da altura, então a duração é pop, os singles são pop. Corrigindo Tiago Gonçalves: a longevidade da música não os afasta do formato pop.
3) Termino a questão da longevidade relembrando que falamos de uma época pós-progressiva (por momentos desceu-se-me o Bodyspace e comecei a catalogar com expressões reducionistas, mas já passou) onde os Pink Floyd, por exemplo, atingiram um sucesso estrondoso sem limitarem a sua estrutura musical a questões de duração, o público não estava assim tão distante e impaciente como hoje em dia estamos, com esta vontade de consumir quantidades de músicas da maneira mais rápida possível.
4) não é só isso que afasta Man Machine do pop; a quase inexistência de refrões (exceptuando em The Robots que, se querem realmente ser dessas pessoas, assemelha-se a um refrão com a frase "we are the robots" que é repetida várias vezes). Ao dar uma vista de olhos nesta página da wikipedia há um tópico interessante quando se propõem a definir alguns parâmetros da música pop, sendo um deles.
"an emphasis on recording, production, and technology, over live performance"
Que é algo afastado de Kraftwerk, conhecidos pelos concertos "coloridos" (sim, foi o melhor que arranjei), com muita tecnologia, fluorescências e projecções frequentemente associadas a robótica ou temáticas nucleares.
5) "Apenas isto as distancia", seria o correcto.
Continuando com a apresentação do álbum por Tiago Gonçalves:
"Entre instrumentais e canções com voz"
Bem, não. São seis músicas e só uma delas, Spacelab, é que é totalmente instrumental. Portanto, não.
"The Model e Neon Lights, ambos cantados e que são talvez de todos, aqueles em que o formato pop é mais notado"
E o formato pop é exactamente o quê? Tiago gonçalves termina a review com a seguinte frase:
"Gary Numan e uma série de projectos britânicos tiveram uma grande importância, que foi agora retomada com o fenómeno electroklash."
Electroklash, com "K", para nos certificar que, se existia alguma credibilidade nisto que Tiago Gonçalves escreveu, desaparece por completo. Elektroclash. Música kountry. Música Klássica. Pois, é feio.
- Sr. Antero
«Sharknado» por Nuno Miguel Pereira (c7nema)
Artigo original
Terá sido uma missão ingrata embora bem-intencionada a que levou Nuno Miguel Pereira (NMP) a cobrir, através do modelo crítica, a sessão única e especial de Sharknado no ecrã do El Corte Inglês. O telefilme do canal SyFy, que por ser tão manhoso motivou até o Buzzfeed a suspender as suas listas sobre gatos durante quase três minutos para lhe dedicar artigos, tornou-se famoso não por ser um típico filme com boas intenções que saíram goradas de forma hilariante devido a um conjunto risível de razões mas por ter sido pensado, escrito e produzido com esse propósito, o de pertencer ao glorioso subgénero do tão-mau-que-é-bom (TMQEB). Este objetivo poderá parecer pouco ambicioso a quem, por exemplo, nunca tenha assistido a mais de uma hora do canal SyFy, aquele canto do cabo cujo conteúdo diário pode ser equiparado a uma versão com répteis de um qualquer reality-show sobre misses de bairro pobre brasileiro a lutar pelo prémio de Melhor Bunda: é tosco, não faz qualquer sentido mas consegue agarrar-te por um estranho efeito hipnotizante.
Ora, filmes maus há aos pontapés e isso nunca impediu ninguém de os analisar de forma qualitativa. Aliás, parece-me evidente que o que transforma um qualquer filme num filme mau é primeiro o que a obra oferece - ou falha em oferecer - e em segundo a apreciação que é feita dela, sendo a visão do crítico, nos melhores dos casos, a dum público informado com paciência e falta de uma carreira séria para a querer passar para um papel. Mas assim que o filme alcança o estatuto de TMQEB e todo o culto a ele associado começa a estar menos preocupado com as nuances do argumento e mais com a mosca pousada inadvertidamente na cara do protagonista, será justo fazermos uso das mesmas regras?
Afinal, é por isto que não é contrassenso que filmes realmente maus (falhanços ultra medonhos de gente como a Troma Entertainment, Ed Wood ou João Botelho) sejam acarinhados por gente que se diz cinéfila mesmo sendo péssimos exemplos de bom cinema: se realmente atrozes nas características certas, tornam-se a mais pura fonte de comédia, ou “meta comédia” se quisermos levantar o dedinho quando bebermos cerveja. Se seguirmos a ideia feita de que a comédia é essencialmente a tragédia das outras pessoas, como resistir a um género em que a tragédia começa no próprio filme, em que os protagonistas não são os atores com mais tempo no ecrã mas sim todos os intervenientes que tornaram possível esta cena? Ou esta? TMQEB é um refúgio de pseudonisses em que a crítica deixa de fazer sentido porque o que nos deixa presos à cadeira é exatamente tudo o que é passível de ser criticado. Um amor que se cultiva e, quando genuíno e livro de ironias, consegue despertar o tipo de paixões que torna possível a resistência de fenómenos como Troll 2, Manos The Hands of Fate, The Room, Planet Nine from Outer Space e A Mulher Que Acreditava Ser a Presidente dos Estados Unidos da América. Por todo o mundo continuam a fazer-se encontros regulares em salas de cinema tolerantes para celebrar e existência de obras-primas como as citadas, excetuando a última que não tem nada para celebrar.
Existem, especialmente desde o advento da Internet, inúmeros sites e canais de Youtube que se dedicam ao escrutínio destes monumentos à inépcia, mas todos eles partilham as mesmas características base: a orientação humorística e a aplicação de regras específicas ao género. Um site como genial Redlettermedia por exemplo tem mesmo uma rubrica que denominaram «Best of the Worst» onde são vistos e discutidos três DVD e VHS terríveis para de seguida se decidir qual deles deve ser amarrado às traseiras dum carro em movimento, queimado com gasolina enquanto simula um strip ou simplesmente esmagado por um bloco de cimento atirado dum escadote. Gente que respira cinema a ignorar o cliché de escola em prol duma hora bem passada a gritar com o televisor. Isto é, para mim, a crítica possível de um filme realmente mau. Contrastemos com o texto de Nuno Miguel Pereira.
O texto de NMP é um passo na direção certa seguido dum espalho na lama com direito a triplo salto, nota 10. É positivo logo à partida pois qualquer cobertura deste tipo de (raros) eventos na imprensa especializada portuguesa é de louvar, tendo em conta o quase anonimato das recentes iniciativas de mostrar filmes beras (na tradição das saudosas sessões dedicadas a Ed Wood no Cine 222) que trouxeram The Room ao Nimas e agora Sharknado ao Corte Inglês. É louvável que Nuno Miguel Pereira tenha apreciado a sessão e feito questão de a divulgar, mas discuto aqui a forma que encontrou para o fazer ou que se viu forçado a utilizar.
O texto, embora aguado, sem direção e com muito escassas referências ao ambiente da sala (principal indicador de sucesso deste tipo de iniciativas), tenta sublinhar de forma anormalmente positiva o quão mau o filme é seja pelo plot absurdo, pela representação medonha ou pela Tara Reid. NMP usa a ironia e a palavra "pinguinha" para tentar descrever um tipo de filme radicalmente diferente do típico em sala para no final lhe dar uma pontuação na mesma escala que utilizou para avaliar «Runner Runner» (Jogo de Risco) dias antes, felizmente desta vez sem chamar a um ator e argumentista oscarizado como Ben Affleck de "homenzinho".
Se estamos perante um filme propositadamente mau, projetado numa sessão de pura celebração disso mesmo, o que estamos a avaliar quando damos nota 3/5? Quais foram os critérios de avaliação utilizados? Porquê 3 e não 1, ou mesmo 5? Quem acha que isto é meramente um pormenor não só está absolutamente certo como estará provavelmente perdido na Internet há horas e não conhece o blog onde está. Eu explico: apesar da impossibilidade de avaliar o filme da mesma forma que qualquer outro, comprovada pela falta de especificidade do texto, foram seguidos os mesmos códigos numéricos e de análise, sem falar da mesma temível secção de "o melhor" e "o pior". Ora, isso é injusto para o filme, é injusto para quem o projetou na sala e especialmente injusto para o leitor, que procurou o c7nema para ficar informado.
Fica a ideia falsa de que estamos perante uma comédia ligeira feita para quem se quer simplesmente distrair, quando a realidade mostra um filme francamente mau, terrível, trágico, inábil, foleiro, daninho, funesto, pavoroso, satânico, maligno, e que é bom exatamente por isso. Tivesse o C7nema ignorado os seus códigos por uma vez que seja ou, sei lá, ter feito uma reportagem divertida e informativa sobre essa forma de contracultura em vez duma crítica aguada, mal orientada e potencialmente enganadora, Sharknado e outros maus filmes bem mais interessantes poderiam começar a ter a projeção por cá que merecem. Assim, é difícil deste lado não pensar que isto foi apenas mais uma oportunidade perdida não só de promover o bicho como de inaugurar uma secção de reportagem no C7nema. Crítica é que isto não foi.
- Reles
A Culatra Meets C7ne
(blog aqui)
Antes de desenjoar do excesso de blogs e sites de crítica cinematográfica que brotam no espaço cibernáutico português, onde encontramos desde o intelectual faminto por simbologias que luta paladinescamente contra o monstro de Hollywood até ao quase-grunho pós-adolescente que só vê blockbusters, há lugar para todos. Deste maranhal de críticos, alguns são muito bons, outros mais ou menos e outros são assustadores; o susto vem da falta de integridade e o atrevimento de criar uma página e pensar "isto é que vai ser, vão querer todos ler os meus pontos de vista e finalmente vou ter amigos". Neste caso, quero que seja clara a parte do "vão querer todos ler"; vou-me dedicar a um site, o C7ne, para criticar não só as críticas, como o quase ofensivo uso da escrita. Pessoalmente, como escrevo sem um propósito de crítica artística, mas sim de crítica em segunda mão, tenho algum cuidado óbvio, não sou desleixado. Se o meu objecto fosse de arte, cinema, música, literatura ou jardinagem, se calhar o cuidado era mais apurado, nem que fosse por uma questão de respeito à arte em si que me propus a criticar. Neste caso, isso é inexistente.
O blog é uma pequena resenha de uns quantos filmes, três ou quatro secções inúteis (festivais, estreias e top qualquer-coisa) e uma secção especial, chamada "Encontros Imediatos 7º Grau", que tem a particularidade de ser uma série de fotografias de, como diz o autor do texto,
"Personalidades do Mundo do Cinema que tive o privilégio de conhecer ao longo dos últimos anos, nomeadamente em festivais de cinema ou noutros eventos realizados por este país fora."
Não quero parecer chato, mas o que é que isso interessa realmente para o leitor? A necessidade de afirmação é tão grande que é preciso uma secção com celebridades que teve o privilégio de conhecer? Serei eu o básico por acusar Paulo Saraiva, o fundador do C7ne, de algo tão óbvio ou será óbvia a triste vontade de enaltecimento? A questão prende-se por serem só fotografias, como se eu agora colocasse uma foto de Jack Nicholson e indicasse que o conhecia, sem qualquer espécie de contextualização, ou uma base de veracidade porque vá, nem todos conhecem o Cronenberg. E o nome, 7º Grau? Porque o cinema é a sétima arte? Já não há trocadilhos suficientes feitos com sétima arte, cinema, blogs, e afins? Já não coloquei questões suficientes no mesmo parágrafo?
Mas vamos ao que interessa realmente, as vinte críticas do site. À primeira vista, o mais notório é a margem cronológica; o filme mais "antigo" é de 2001. Mais uma vez, há um prender ao moderno, a constante actualização do novo e inovador, como acontece geralmente em alguns sites que aqui já analisámos, como o C7nema ou o Depois do Cinema, como se não existisse nada antes e as criações fossem analisadas como uma fatia à parte, nunca integrada num contexto global.
Numa perspectiva mais macro, a escrita é horrível. Aproveito para indicar um pormenor, de um comentário que recebemos sobre a minha insistência da degradação da escrita em português; tenho plena consciência que não estou a lidar com profissionais mas isso não os / vos desculpa de não saberem escrever. Não precisam de ser um Saramago ou um Lobo Antunes, mas caírem constantemente em lugares-comuns, repetirem conceitos, errarem frequentemente a pontuação e não saberem onde colocar um raio de um acento revela pouco profissionalismo (obviamente) e falta de vontade em apresentá-lo, uma apetência para o eterno amadorismo e a fuga vincada à real crítica, sobrando apenas uma triste compilação de palavras provenientes de um crescido adolescente com falta de leitura e informação. Quão grave é isto? A meu ver, muito. Torna-se um descrédito total de conteúdo e quando criticam a minha crítica às críticas (ou "quando dizem cenas do que escrevo", para simplificar) indicando que não têm obrigação de escrever melhor, é ofensivo para qualquer utilizador da língua portuguesa, preferem o erro, optam pela não-evolução, afundam-se num loop ignorante.
No C7ne é algo extremamente frequente, principalmente com a virgulação, mas o problema é o "sem sal" (tomem lá, Les Bons Vivants) das supostas críticas, a falta constante de justificação para a opinião. "Eu não gosto de X" é a linha condutora do blog, não se sabe nada da justificação daquilo em que o "crítico" acredita.
"O argumento deixa muito a desejar, com diversas falhas na sua construção, onde entre outras coisas não nos dá resposta a algumas situações que se passam no filme, e sem falar do seu final, que quase deita por terra todo o conceito deste." (Next) "Com um argumento muito original, o filme consegue nunca cair em exagero, o que facilmente poderia ter acontecido." (Tucker and Dale Vs. Evil) "Em resumo não é um filme perfeito, mas esteve lá perto, cometeu alguns erros que poderiam ter sido evitados se tivessem seguido outra abordagem" (The Hunger Games) "Não é o melhor filme da saga mas também não é inferior aos demais" (American Reunion)
Outro ponto forte do C7ne é a relação de auto-ajuda que o autor tem com os filmes; em cada um deles, consegue retirar uma lição de vida, cumprindo o que nos é indicado na página introdutória do site ("O cinema constrói-nos o mundo e a identidade, molda-nos os gestos, as expressões, as expectativas e visões do mundo.").
"Beasts of the Southern procura mostrar que não se precisa de muito para se ser feliz e que a solução para ultrapassar todos os problemas reside no Amor, no Amor que nutrimos uns pelos outros e na capacidade que temos de nunca baixar os braços perante as adversidades" (Beasts of the Southern Wild) "é uma história simples, inspiradora e que nos faz ter um olhar positivo sobre a vida e sobre as mais variadas circunstâncias que nos atingem, mas principalmente, tem o mérito de nos fazer sair da sala de cinema com um sorriso de esperança no rosto." (Intouchables) "No essencial é um filme que nos conta uma tocante e interessante história sobre a aceitação social e a capacidade de superar os desafios que a vida nos coloca." (The Muppets)
Por último, encontra-se uma falta de lógica nestas críticas; o autor indica frequentemente falhas nas produções americanas, utilizando a velha história da máquina de blockbusters, o exagero comercial blablabla. Mas, agora pensando um pouco, e pedindo eu ao leitor para fazer o mesmo, para quê limitar então o espectro cinematográfico ao que já se espera que não seja satisfatório? É uma espécie de masoquismo, ou então simples falta de informação. O C7ne insiste sempre nos mesmos argumentos, as críticas são todas extremamente semelhantes e mal construídas.
"Uma vez mais Hollywood mostra a sua ausência de ideias e decide fazer um novo remake/continuação de um dos "teenage movies" com maior sucesso de bilheteira nos anos 90." (American Reunion) "Afirmo que este é um bom exemplo do que as produtoras fazem nos dias de hoje para conseguiram facturar mais nas bilheteiras, sem benefício algum para o espectador que paga o bilhete." (Dredd 3D) "o filme é tudo aquilo que se pode esperar de um Blockbuster, é aquele bombom reluzente que nos deixa de água na boca, muito chamativo visualmente mas ao fim de contas é azedo como tudo, tornamo-nos indiferentes e esperamos não voltar a comer do mesmo." (Immortals)
(Bombom reluzente?)
"Com nuances de cinema independente, este é um filme que cada vez mais escasseia no cinema Americano, uma fórmula que devia de ser seguida mais vezes e que tristemente vai desaparecendo." (The Descendants)
Este C7ne, criado há um ano e pouco, prevê-se com uma ascensão rápida, facilmente terá centenas de seguidores nas redes sociais, sequenciados pela sua fácil leitura e fácil acesso, uma espécie de fast food de diminuta qualidade, semelhante a um hamburguer comido numa roulotte às cinco da manhã, com direito a doenças e tudo e merecedor de pouco mais que uma comparação gastronómica reles, uma prova que é óptimo a internet deixar qualquer um escrever e opinar e uma prova que é uma péssima ideia a internet deixar qualquer um escrever e opinar.
- Sr. Antero
Predator por Sandro Cantante
(texto original aqui)
" É praticamente impossível alguém nascido na década de 80 não ter visto dezenas de vezes filmes como The Terminator ou Rambo na televisão."
Claro que é, Sandro, claro que é. Eu percebo isso, da invasão do cinema de acção americano, mas queres mesmo começar a crítica com tanta certeza, com "praticamente impossível", para comprovares a tua teoria e teres um parágrafo introdutório sobre o cinema dos anos 80? Isto, por norma, não augura nada de bom, principalmente vindo do Arte-Factos.net. Esta crítica é sobre o filme Predator, escrita por Sandro Cantante, que farei questão de repetir várias vezes o seu nome.
Ora Sandro Cantante, logo no segundo parágrafo, altura em que o leitor ainda tem alguma paciência para leituras relativamente longas, lembra-se de nos contar o final do filme; "No final, Schwarzenegger", inicia ele o spoiler, tudo em prol de provar um ponto, que Predator "Não é nada complexo, nem original".
Bem, quanto à complexidade, deveria mesmo ser? Sandro começa o texto a referir Schwarznegger e Stallone, dois ícones do cinema de acção da altura, cujo título deriva das diversas produções em que participaram, com explosões, carros a destruírem parcelas da cidade, extraterrestres, russos, etc. Há uma razão para eles, passado alguns anos, ainda serem recordados (não só pela óbvia nostalgia), mas por simbolizarem o filme de acção que é o que é, não precisa de dramas ou enredos complexos, é uma manifestação violenta, dinâmica e testosterónica. Claro que não é complexo, não é suposto, tal como não é suposto o Titanic ter zombies. Nem vou explorar a questão do spoiler, A Culatra já manifestou várias vezes o desagrado quanto a esta promiscuidade crítica.
"A falta de argumento e a objectividade do filme é o seu ponto forte."
Não, não, Sandro Cantante, não. A falta de argumento não é avaliável como um ponto forte, primeiro porque o filme tem, de facto, um argumento próprio e, indiscutivelmente, datado (no sentido em que manifesta claramente os protótipos do herói americano e a supremacia sobre o inimigo, independentemente qual seja ele). É suposto o argumento ser o que é, e não estar em "falta", isso é uma perspectiva limitativa comparativa; mais tarde, Sandro Cantante refere :
"Na era dos filmes intelectualmente complexos é difícil imaginar que algo tão simples fizesse tanto furor"
Os filmes intelectualmente complexos não podem ser comparados, em termos críticos, com o Predator, que em nada pretende ser "intelectualmente complexo"; é um problema comum, isto de olhar para a prateleira e, já que os filmes estão juntos, então podem ser analisados conjuntamente, como um todo. Predator não quer passar uma mensagem política, nem uma crítica social, nem simboliza as folhas de Outono em Badajoz. É o Predator, um extraterrestre violento que treina a sua arte de caçador com humanos.
O preconceito em nome do argumento continua, Sandro Cantante indica "verdades" absolutas só para justificar os seus argumentos:
"Predator é dos últimos filmes a conseguir criar algo que desde então não se vê: uma personagem icónica."
Como assim? Não percebo o que é que isto quer dizer; o meu conselho é isto, um site mainstream que faz inúmeras listagens. E sim, um conselho, porque aparentemente fazer pesquisas não é o ponto forte de Sandro (aliás, parece um mal comum ao arte-factos.net). Este resultado surgiu-me, segundo o Google, com a seguinte estatística: About 65,400,000 results (0.19 seconds). Sandro prefere levar a sua opinião como garantida e indiscutível, absoluto senhor da razão e, de peito cheio, escreve que não há personagens icónicas desde o Predator.
"É talvez um tipo de filmes que tenha desaparecido quase por completo, estes que apresentam uma criatura sobrenatural e incompreensível que tem como passatempo caçar o Homem."
Não não, não. Não. Aqui vai mais uma lista
Sandro Cantante aproxima-se do final da crítica com:
"Não deixa de ser estranho que um filme que comecei por classificar por pouco original tenha feito algo que nas décadas que se seguiram não tenha sido reproduzido."
Pois, de facto é estranho ter sido escrito um texto incongruente, disléxico, pueril, e tudo tão errado que o próprio Sandro Cantante admira-se com a sua dualidade e incapacidade lógica. Mais uma vez, quando se escreve para o público, o público vai ler, não são só os amigos, as críticas não são, ou pelo menos não deviam ser, só para ocupar espaço textual.
- Sr. Antero
A Culatra meets Les Bons Vivants
(site aqui)
"Somos um casal apaixonado não só um pelo outro, mas também pela comida, pela aventura da descoberta, pela terra e pelas gentes."
Este blog surgiu-me como sugestão no facebook e fui ver o que se passava por lá. Esta introdução simpática é enganosa, falamos de um casal viajante que anda de restaurante em restaurante a elaborar críticas amadoras e perigosas; a última coisa que os funcionários e proprietários precisam é de dois caramelos (sim, caramelos, lidem com isso) a exigirem atenção e mimo. Claro que quando se vai a um restaurante o atendimento é bastante importante, mas por aqui, nota-se um irritante snobismo e necessidade de afirmação.
"Assim que entrámos no Tanite perguntei ao empregado: “diga-me uma coisa, estas são só as melhores francesinhas de Lisboa, ou também são as melhores do país?” (Tanite)
Imagino a cara do empregado a olhar para o casal de nabos (vá, não é muito agressivo e é uma referência gastronómica), a recordar o seu ordenado e a chorar por dentro.
"A resposta, seca, rude e antipática não tardou: «normalmente o chíli é picante» - dito com o maior ar de desprezo e superioridade do mundo, como se fossemos dois imbecis." (Great American Disaster)
Depois pedimos duas coca-colas, com o devido «se faz favor». Qual foi a resposta? «Pepsi». Assim, sem mais nem menos, sem um «não temos Coca-cola, pode ser Pepsi?». (Great American Disaster)
De facto, o empregado esqueceu-se de ler o livro "Como Atender Snobs".
"Por fim, resta o atendimento, que pode ser classificado de suficiente. Nem mais, nem menos." (Sushi Café)
"O atendimento podia ser melhor, não pela falta de simpatia ou eficácia, mas pelas demoras em noites de casa cheia (o espaço é pequeno, pelo que facilmente enche)." (Artis)
Portanto, mais pessoas, mais trabalho, menos tempo possível para disponibilizar carinhos ao casal. Isto nem sequer é uma crítica, é simplesmente uma constatação de factos lógicos com tom negativo, um pouco como "demorei mais tempo na fila porque estavam muitas pessoas também à espera"
"O atendimento é simpático e nada demorado, caindo um pouco na informalidade e à vontade, que parecem estar na moda em locais do género." (Taverna do Palaio)
"Fica apenas a recomendação de colocarem repelente, se lá forem à noite, porque em dias de menos vento, as melgas também gostam do restaurante!" (Pézinhos n'Areia)
Desnecessário e fácil demais para fazer piadas.
"A cereja no topo deste bolo foi a perfeita indiferença que a nossa presença causou nos empregados, pelo que após dez minutos sem que nos fosse sequer entregue uma ementa, fez com que nos levantássemos e fossemos embora." (Solar Moinho de Vento)
O excesso de visionamento de programas de televisão e leituras de blogs sobre comida infectaram a escrita no blog, limitando-a a uma série de lugares comuns repetitivos (sim, pleonasmo). Nota-se pouco cuidado em procurar alternativas ao adjectivar e, em análise mais profunda, uma escrita preguiçosa. Em quase trinta críticas, acontece isto: A palavra pequeno/a é repetida 18 vezes (com um "polvos muito pequeninos à mistura) e simpático/a é repetida 16 vezes. Dando algum desconto, porque supostamente o alvo é a comida e a sua definição, "sabor" é repetido 21 vezes. Vá, paladar também era aceitável, são sinónimos, nem que fosse para as críticas não parecerem todas iguais.
Há um maneirismo condescendente constante e, aliado a isso, uma fuga frequente para o corriqueiro pueril.
"Estão a um passo de serem muito bons e memoráveis, o que torna tudo mais frustrante. 'Falta-lhes um bocadinho assim...' "
"Começámos por pedir coelho em conserva, nada de especial, demasiado oleoso, praticamente não deixando sentir o sabor do coelho (à Raquel soube-lhe a bacalhau...)!"
É mesmo isto que queremos numa análise de um restaurante, alguém que come coelho e sabe-lhe a bacalhau.
"The Great American Disaster: o nome deste restaurante não podia ser mais certeiro... um desastre, dos grandes."
"Já foi leiloado um atum por um preço mais alto que um Ferrari...!"
"De seguida comemos uma carne de porco com enchidos, que era macia (o João achou seca, mas eu como sou pouco dada a gorduras, achei óptima)"
ó João, cresce lá um bocadinho vá. "Ah a minha carninha é seca", a sério? Aparentemente o casal está maravilhosamente bem estruturado, são ambos queixosos e projectam o tédio do seu relacionamento na comida. "Remember, they're just food; they're not love", dizia um personagem do Friends.
Claramente baixei o meu nível porque uma coisa é a crítica gastronómica, onde o objecto observado é avaliado consoante uma série de factores. Neste caso é um pouco mais macro-analítico, o casal banana (é a última, prometo) observa também o restaurante e o seu funcionamento; tudo fica, na verdade, muito aquém, é uma série de infrutuosas afirmações de "ah a conjugação do prato" e "ah a minha carninha não está tenra" e depois o espaço "ah que isto não combina" ou os empregados "ah que não me fizeram uma massagem". Todo este tom queixoso é dispensável, mas presente e constante.
Depois há a outra perspectiva, a exterior, a que acha que, na verdade, o Les Bons Vivants fazem um agradável trabalho e até têm alguma razão no que escrevem, e identificam-se com um "ah isto também me aconteceu uma vez". Se assim for, não leiam A Culatra, por favor, estou a julgar as críticas e conteúdos, não a generalizar a situação da restauração em Portugal, nem a apelar à vossa empatia. Tirando estes pormenores da secção da crítica, devo admitir não ser um mau blog no resto, a parte do receituário está bem construída e lê-se bem. De resto, haja alguma consciência do que se escreve, e alguma modéstia não faria certamente mal.
- Sr. Antero
Alien Quadrilogy no Portal Cinema
(imagem retirada daqui)
Dos poucos sites que sigo no Facebook, o Portal Cinema é um deles, pela simples razão de ser actualizado com frequência e, sem consultar página alguma, tenho acesso no meu mural a novidades de blockbusters; sigo também outras páginas, como a C7nema ou Cinecartaz, que são um pouco mais abrangentes. A diferença é que, de vez em quando, leio-os, ao invés que o Portal Cinema é só giro, quase indiferente.
Isto até à altura que decidi ler algumas das críticas; todas são superficiais e passageiras, com pouco conteúdo útil a não ser uma ou outra trivialidade que qualquer curioso descobriria em poucos segundos numa pesquisa no google / imdb. Vou-me fixar na quadrilogia de Alien, cujas críticas estão presentes no site.
Alien
"Todos nós conhecemos este clássico que celebrizou Sigourney Weaver e Ridley Scott"
Começa assim, e mal. O autor, António Sousa, parte do pressuposto que todos já viram o filme. Todos mesmo, tanto que não há uma única indicação da história ou enredo durante o texto, apenas referências a duas ou três cenas que recorda nostalgicamente, como "quem não ficou incomodado quando viu pela primeira vez a cena do nascimento do pequeno alien?" E agora perguntamo-nos sobre o quão necessário é, para uma crítica, ter uma pequena súmula sobre o filme em questão. Pessoalmente, acho imprescindível neste caso específico. O que se faz aqui é uma análise histórica do Alien, o autor fala das inovações estéticas e técnicas, da influência que ainda hoje a obra tem e até de pormenores como a edição de Director's Cut. Isso não é uma crítica, é uma resenha multidisciplinar maioritariamente histórica.
"Numa época onde o gore e violência gráfica impera, convém lembrar que o verdadeiro terror não está naquilo que vemos mas sim na nossa imaginação"
1) "Numa época onde o gore e a violência gráfica imperam"
2) Discordo, são tipos de terror diferentes; um vinga pela apresentação visual extrema, o outro pela sugestão. Este artigo (clicar para seguir o link) explica bem a diferença entre ambos os universos.
3) É um pouco contraditório (mas não totalmente) pois frases antes o autor referiu a cena do alien sair de dentro da barriga do outro senhor como uma das cenas mais memoráveis; essa cena é clara e gratuitamente gore, não tem assim grande coisa de psicológico ou que venha da "nossa imaginação".
Aliens
"Aliens deixa de ser um filme de terror, para passar a ser um filme de acção"
Isto é extremamente discutível e, em última análise, é errado; implica que toda a questão de "terror" tenha desaparecido e tenha ficado apenas a parte de acção. Na verdade, penso que Aliens humanóides que utilizam o corpo dos humanos para o alojamento temporário dos futuros membros da sua raça, destruindo o invólucro carnal aps o nascimento, é algo muito próximo do terror: medo, nojo, gore, fragilidade feminina Vs. suprahumanidade, tudo elementos comuns ao terror.
Aliás, no comentário audio, presente na edição especial do filme, encontra-se o seguinte: " a worthy combat sequel focusing 'more on terror, less on horror' " É irónico eu ir buscar esta referência pois António Sousa recorre diversas vezes aos extras e complementos das edições de DVD como algo importante na crítica/ avaliação de uma obra. O autor volta a enfatizar a sua ideia de não-terror ao terminar o texto com "não deixa de ser um dos melhores filmes de acção de ficção científica". O problema aqui é as etiquetagens e catalogações, poderia ele defender-se com um "ah mas para mim isto não é terror", algo que é completamente irrelevante; se temos uma consciência da base do cinema de terror, se sabemos quais os parâmetros definidos para determinado conceito, é inútil discordar ou levantar confusão.
Aliens é um filme de terror e acção, participa de ambas as definições; o que deveria estar escrito é que houve uma tentativa de dinamizar a obra com pormenores de acção. Assim, é só errado.
A personagem de Newt não é "a único colono sobrevivente" mas sim "a única colona sobrevivente". Sim, soa mal, mas antes isso do que errar na concordância frásica de género e sujeito.
Aqui já temos ideia de uma síntese, mas fica a meio. António Sousa fala-nos do mais superficial do filme, faltam uns colonos e os militares foram lá ver o que se passa, mas sem integrar Ripley (a personagem principal) na história; mais uma vez, nem todos viram o filme, não se pode partir de pressupostos tão absolutos como "este site é para quem gosta de cinema e obviamente para quem já viu tudo o que faz parte da minha noção de obrigatório".
Alien 3
Jean Pierre Jeunet não foi lançado pelo Alien 3, anteriormente já tinha o Delicatessen e o La Cité des Enfants Pérdus, tal como James Cameron tinha se já afirmado como um importante realizador do género (sci-fi, acção), portanto o franchise do Alien ser uma 'rampa de lançamento' é, tal como todas as ideias em que António Sousa acredita e afirma-as como verdades absolutas, um erro.
Aliás, na crítica de Aliens, é-nos informado que James Cameron "vinha embalado pelo sucesso de Terminator", portanto vá, já chega de perseguir ideias incompletas.
"Imaginemos por exemplo se Newt tivesse contaminada com um alien, qual seria o impacto e dilema no interior de Ripley?"
Imaginemos que Ripley morre no primeiro filme da série, qual seria o impacto e dilema no interior do alien? Imaginemos que, em Casablanca, Rick Blaine era um cyborg, qual seria o impacto e o dilema no interior de Ilsa?
Ah, e "tivesse contaminada", verbo estar, e não ter.
Quanto ao "contaminada", aquilo não era bem uma doença ou infecção, mas sim um ser alojado no interior de outro, é mais para o parasitismo do que para o contágio, digo eu. E não há qualquer tipo de sinopse, as referências ao filme propriamente dito são inexistentes, a não ser quando refere que há uma versão do filme que não é um cão mas sim um touro. Eu, pessoa que hipoteticamente não viu o filme, não faço ideia ao que ele se refere. Cães e touros?
Alien 4 - Resurrection
Surpreendentemente, esta crítica está relativamente completa; António Sousa dividiu o texto em dois parágrafos, sendo o primeiro a sinopse e o segundo a crítica propriamente dita. O grande problema está na falta de revisão, que notoriamente não foi feita, a acentuação em palavras como "referência" ou "crítica" é confusa, bem como "acido". A agradecer o spoiler final, em que António Sousa fala do "alien de segunda geração", um pormenor importante do filme que é revelado, com o autor mais uma vez a partir do pressuposto que todos os filmes que ele viu já o foram pelos leitores.
Em contrapartida, e esquecendo enganos provocados por falta de atenção, o texto está elaborado, houve trabalho de pesquisa para justificar as suas afirmações; O Portal Cinema não é um mau site, é simplesmente mal trabalhado, a quantidade substitui a qualidade.
O que realmente chateia no site é a protecção legal. Porque é que alguém iria colocar protecção legal nos textos que escreve sobre cinema? Medo de ser copiado? Isso é assustador, não só por existir a possibilidade de alguém o fazer, como acreditarem que isso seria viável; falamos de críticas curtas, com conteúdo disperso, reuniões de conceitos disponíveis em qualquer lado da internet, não é exactamente uma criação artística, mas sim um fraco exercício escrito, com algum mau português. Isto é o auge da crítica gratuita sem fins lucrativos, é um "eu posso escrever o que quiser e quem tentar copiar ou criticar, terá a lei à perna", uma cobardia cibernáutica lamentável, acompanhada por um "as vossas opiniões e críticas são bem-vindas mas mediante uma filtragem e uma apreciação anterior". Obviamente que os comentários que encontrei são de teor positivo, encontrei um ou dois mais negativos mas nada de especial. Para quem costuma frequentar sites com possibilidade de comentar, imaginemos um Público por exemplo, sabemos que as coisas não funcionam assim, os comentários descambam rapidamente, há muitas perspectivas negativas a serem expostas; o Portal Cinema é ilusório, filtrado e tendencioso.
Quanto às questões legais, segundo o artigo 75º do Código de direitos de Autor :
2 - São lícitas, sem o consentimento do autor, as seguintes utilizações da obra:
b) A reprodução e a colocação à disposição do público, pelos meios de comunicação social, para fins de informação, de discursos, alocuções e conferências pronunciadas em público que não entrem nas categorias previstas no artigo 7.º, por extracto ou em forma de resumo;
Não esqueçamos que A Culatra é, em última análise, um meio de comunicação social. Aproveito para agradecer aos leitores que, sendo que os texto estão alojados no Tumblr que não permite comentários exteriores, continuam a recorrer a outros locais na internet para darem a sua opinião. Recordo apenas que poderão também fazê-lo no nosso Facebook ou via o email [email protected].
- Sr. Antero
desconcertado (particípio de desconcertar) adj. 1. Aquele que aborrece. adj. 2. Que se aborreceu. 3. Que causa tédio ou aborrecimento. = MAÇADOR 4. Que está contrariado ou maldisposto. = ARRELIADO, ZANGADO
Tales of a Grass Widow, por Rafael F. Vieira
(Artigo original aqui)
Algures nos meus tempos de secundário, escrevi umas quadras, umas quantas linhas de rimas forçadas sobre solidão e outras coisas adolescentemente irritantes. A minha colega de carteira leu-os, sem querer, e comentou "devias era investir na matemática". E foi a minha experiência com quadras, nunca mais tentei escrevê-las porque, após ouvir uma opinião agressiva mas sincera, reli os poemas e, verdade seja dita, eram horríveis. Penso que na altura, se tivesse mostrado o mesmo trabalho aos meus amigos, seriam mais brandos, ou até omitiriam a verdade, para conservarem a simpatia inerente a uma amizade juvenil, com receio da minha possível reacção negativa.
Isto para fazer a ponte lógica com as críticas actuais que passam aqui n' A Culatra; penso que haja um caminho "socialmente correcto" que se arrastou desde a nossa vivência interpessoal até às redes sociais, uma série de maneirismos inconscientes que reproduzimos online. O problema disto é a falta de noção do que se escreve, e como se escreve; blogs como o Depois do Cinema, alimentado pelas correlações sociais arrastadas para ambientes como o facebook, impulsionam a sua expansão cibernáutica, sem qualquer espécie de critério qualitativo. Portanto, não é só o querer escrever sobre algo que se gosta, é saber escrever sobre algo que se gosta (não falo apenas de gramáticas e léxicos); é notório, quando se lê um texto, o pouco à-vontade que o escritor tem com o tema. Vamos ver a crítica do último álbum de Cocorosie pela Punch.pt e como o autor, Rafael F. Vieira, consegue escrever uma percentagem abusiva de inutilidades.
"Não se trata de um par de músicos mas sim de artistas"
E eu aqui a pensar que a música seria, já por si, uma manifestação artística, felizmente existe a Punch.pt para me elucidar e para me permitir escrever comentários com desdém e ironia.
"Uma das grandes particularidades é a voz de boneca com a garganta arranhada de Bianca, fazendo ronronar de prazer os ouvidos e alimentando nutritivamente a voz lírica de Sierra."
Volto a uma antiga questão d' A Culatra, a necessidade de florear textos, atribuindo-lhes um cariz amador e pouco cuidado. O que se pensa que torna uma crítica mais elaborada,como isto do "fazendo ronronar de prazer os ouvidos", é só uma maneira de tentar encarecer sem necessidade, disfarçando a dificuldade de expressão escrita. Os ouvidos ronronarem de prazer? O que é que um texto crítico (supostamente mais próximo de tecnicismos e vocabulários específicos e não de prosa lírica) ganha com isto?
"A partir de The Adventures of Ghosthorse and Stillborn, de 2007, foram introduzidas batidas dançáveis, vozes a rappar e psicadelismo pop"
"Psicadelismo pop": seria por esta altura que eu, caso não tivesse que escrever este texto, pararia de ler. Primeiro porque estes rótulos musicais são só desculpas para não pormenorizar e especificar os recursos musicais utilizados, uma muleta dos procrastinadores. Eu também posso fazer isso.
"Ah isto é indie electro metal"
Agora lidem com isso, tentem descobrir o que é indie electro metal ou passem o conceito à frente, atribuindo ao texto a faceta transmitida na crítica em questão do que realmente é, um desperdício de palavras, tão pouco importantes que podem ser passadas à frente. Mas isso é algo que não fazemos por aqui:
"Psychedelic pop is a psychedelic musical style inspired by the sounds of psychedelic folk and psychedelic rock, but applied to a pop music setting. It reached its peak during the late 1960s, declining rapidly in the early 1970s."
Confio mais na wikipedia que no autor, RFV.
Quanto ao resto, não foi nesse álbum que foram introduzidas "batidas dançáveis", é ouvir a by your side do primeiro álbum ou a noah's ark do segundo, onde também já apareciam "vozes a rappar", em bisonours.
"Chegar ao fim desse álbum era como não desistir de nadar num mar que sabemos ser cinzento desde o areal."
Peço um momento de releitura para esta frase. Como assim? A Culatra tem tido lugar para este tipo de frases, normalmente em formato de imagem com texto, mas isto roça o ofensivo para o leitor; é suposto nós sabermos como é isto de nadar num mar que sabemos ser cinzento blablabla? Certamente poderemos imaginar, mas isso é um exercício para poesias e afins, ou para as minhas quadras escritas no secundário. E isto porque o álbum se chama Grey Oceans, daí a piada. "Piada".
"e também no tema 'Poison', a terminar o disco, com as vozes, por vezes em coro, a entoarem um refrão que se destaca perante sonoridades delicadamente venenosas"
Viram o que aconteceu? "Delicado" está associado a algo frágil, nunca juntariam a um concei.. ah RFV, seu malandro, juntar conceitos antagónicos gratuita e desnecessariamente. "Delicademente venenosas", parabéns.
"Eis as CocoRosie, e ei-las assim no single “Gravediggress”, composto por sons electrónicos disparados em vários sentidos, com uma quebra para as vozes e o piano reflectirem em que universo pretendem habitar, porém retornando ao ponto de partida."
vago
16. O que há de indeterminado, de indeciso em alguma coisa.
17. Falta de clareza; incerteza.
Esta frase consegue, impressionantemente, não só participar da ideia de "vago" como de todos os seus sinónimos.
"São amigas loucas com quem nos conseguimos divertir e deprimir como não fazemos com mais ninguém."
Então RFV, e esforçares-te um pouco para escrever algo com pés e cabeça? Como por exemplo, não afirmares que as Cocorosie são "amigas loucas", porque não só não sabemos ao que te referes, que tipo de "amigas loucas" são essas, como é estranho e desconfortável para o leitor.
Tal como eu desisti das quadras como opção de escrita, pela consciência da falta de qualidade das mesmas, às vezes o melhor é mesmo recuarmos e deixarmos a escrita para quem sabe. "Fazer ronronar de prazer os ouvidos".
- Sr. Antero
Esta e outras na nova secção de pequenas resenhas, na Culatra. Esta semana The Mortal Instruments: City of Bones» por Hugo Gomes; Pain & Gain» por Nuno Miguel Pereira e Colleen Green – Sock It To Me, por Emanuel Graça. Já online.
http://aculatra.tumblr.com/post/59231328750/apanhado-de-criticas-1
Apanhado de críticas #1
Inauguramos esta semana o Apanhado de Críticas, uma coleção de pequenas resenhas mais ou menos recentes que motivaram um comentário mas não justificaram a nossa tão amada forma do testamento. Esta semana apanhamos dois filmes e um disco.
«The Mortal Instruments: City of Bones» (Os Instrumentos Mortais: Cidade dos Ossos) por Hugo Gomes
Artigo aqui.
É prática comum do site C7nema pontuar as suas críticas com duas curtas frases ilustrativas do "melhor" e "pior" do filme, uma forma eficaz como qualquer outra de dar ao leitor mais preguiçoso um apanhado do essencial da crítica, garantindo o click na página mesmo que o texto não seja lido. Mas tem os seus revezes. Ora, há uma razão por que até a própria Culatra abandonou cedo essa prática, e reside no risco de poder não só falhar em captar o essencial do texto, seu propósito principal, como o deturpar pura e simplesmente.
Exemplo típico é o ultimo texto de Hugo Gomes, perfeitamente competente na análise dum filme que não tem muito por onde se analisar. Mas enquanto no texto se discorre que as personagens são algo “anoréticas” e que a trama sofre duma simplicidade que poderá comprometer o desfrutar do filme por alguém a quem nunca tenha ocorrido escolher entre Edward e Jacob, na frase final o rigor perde-se em prol duma perspetiva algo injusta, não só para o seu objeto como para o texto que pretende resumir.
O melhor - Os cenários góticos e exuberantes O pior - é cinema adolescente, desenvolvimento de trama e personagens é algo que praticamente não existe
Não sei o que é “cinema adolescente”, o que representa e quais são as suas características tipo. Pretende-se falar de filmes para adolescentes? A Pixar também os faz, assim como qualquer produtora que ainda seja milionária, e qualquer blockbuster tem os adolescentes como parte essencial (quando não principal) do público-alvo. Ou pretende-se fazer referência a filmes de temática adolescente? Tais como Mean Girls,The Breakfast Club, Juno, Dazed and Confused, Rushmore, Superbad, Get Real, …? Estou aberto à discussão, mas levem-me já preso caso seja lei que estes filmes devam ser vistos como qualquer coisa diferente de muito bons.
Acabamos por ficar sem saber o que é o cinema adolescente, uma pena, assim como a relevância desta discussão não só para a cinefilia em geral como para a leitura da crítica do Hugo Gomes. "O filme é mau, eis as razões por que é mau" não seria suficiente? É necessário ultra-generalizar com o uso de estereótipos, como se o leitor fosse um boi doente que só responde aos estímulos mais básicos? Fica esta dúvida mas também a certeza que isto das frases finais devia ter finado com a PREMIERE...
3/5
**************************************************************************************
«Pain & Gain» (Dá & Leva) por Nuno Miguel Pereira
Artigo original.
A história (baseada em factos reais) conta a odisseia de 3 culturistas (interpetados por Dwayne Johnson, Anthony Mackie e Mark Wahlberg) que, por diferentes razões ( que variam deste a cocaína, a poder e a injeções nos genitais), querem mais dinheiro. Para isso, decidem raptar multimilionários, torturá-los e obriga-los a assinar papéis a ceder-lhes toda a sua fortuna. Obviamente que este plano tem muita coisa para correr mal.
Existe na crítica de Nuno Miguel Pereira uma leve defesa de Michael Bay, pelo menos por ter oferecido uma primeira parte (antes do intervalo?) divertida. São referidos carisma das personagens, sex symbols, carradas de ação e ainda uma menção especial ao papelão de Tony Shalhoub, como “multimilionário execrável”. Basicamente, os típicos elementos que fazem dos filmes de Michael Bay filmes de Michael Bay.
Tudo bem. Mas tendo em conta que o filme, segundo o escriba, tem como protagonistas gente que "rapta pessoas para lhes extorquir dinheiro sob tortura" – também conhecidos em alguns ciclos mais conservadores como “a escória da terra”-, temo não ter ficado elucidado quanto ao que tornará este filme tão divertido, de todo. Conseguir que um filme com uma premissa destas se torne num momento bem passado na sala de cinema parece-me um feito notável, para Bay ou para quem for, e não apenas um pequeno fait-diver informativo para enriquecer um texto de análise.
Na falta de explicação adicional e tendo em conta que as únicos pontos apresentados a favor do filme fazem todos parte do manual de sobrevivência de Bay desde Bad Boys(1995), é possível que a defesa do realizador que é feita aqui seja um momento de revelação mais para o crítico que para o leitor: cresce assim forte suspeita de que Nuno Miguel Pereira aprecia pura e simplesmente o cinema de Michael Bay, com tudo o que o identifica. Estou completamente solidário com o gosto, mas o momento seria menos embaraçoso se o mesmo fosse mais assumido.
2/5
*****************************************************************************
Colleen Green – Sock It To Me, por Emanuel Graça
Artigo original. Artigo.
É praticamente lugar-comum começar a escrita duma critica por um qualquer assunto secundário, que logo à segunda frase ou parágrafo se revela pertinente com maior ou menor sucesso consoante a força da dita pertinência. Para além de revelar abertura de espírito, é por vezes a única maneira de começar um texto que não quer arrancar, e é por isso que o estou a fazer agora mesmo. Emanuel Graça também começou assim a sua resenha positiva ao bem agradável Sock It To Me da jovem Colleen Green, mas carregado de maus fígados, na forma de insulto ao trabalho – circa anos 90 – dos hoje clássicos Blink 182. O texto da Pitchfork, possível guia principal para este texto do escriba português, já revelava a influência das malhas dos rapazes de ontem na composição das canções da jovem de hoje, mas aquele que poderia ser apenas um pormenor tornou-se o alicerce de todo o texto.
Parece-me excessivo: perder tanto tempo a apelidar de ”merda” a música dos Blink 182 e ao mesmo tempo agradecer aos céus o seu papel na escrita de Sock It To Me parece-me juvenil e revelador de vistas curtas. Afinal, existe uma razão por que o texto original da Pitchfork não tece demasiadas considerações sobre os pop-punk-rockers da Califórnia, apesar e talvez exatamente devido ao facilitismo que isso revela. É aliás pouco motivante que quase todo o texto do Emanuel Graça se dedique aos sons anteriores em pelo menos 10 anos de Sock It To Me, pois para além dos Blink que o original Pitchfork refere apenas em passagem versus o festival de ódio encabeçado por Emanuel, é dedicado também um parágrafo à importância dos grupos femininos da década de 60 para o som de Colleen, embora de forma menos completa e ao mesmo tempo mais palavrosa que no original da Pitchfork. O resto das linhas são preenchidas com pequenos nadas como
“Em suma, não é fácil abordar um disco como Sock It To Me; não é uma coisa totalmente inovadora, e tudo o que aqui foi feito já o tinha sido anteriormente. É uma pop alternativa.”
e restantes esforços por complexificar a degustação de um conjunto de canções ostensivamente simples e diretas. O texto original do Pitchfork decidiu começar por este assunto secundário, o de que a música mais direta tem tanta validade como a que pretende outros horizontes mais densos e complexos. Já o Emanuel decidiu dedicar as primeiras linhas ao “legado de merda” dos Blink 182, e creio que por lá ficou.
2/5 - Reles
The Hobbit, por Carlos Natálio
(artigo original aqui)
Numa recente conversa com o meu colega daqui d'A Culatra, o Reles, abordámos a temática da "ofensa", no sentido em que ele indicou que, às vezes, o que escrevo possa ser interpretado como ofensivo. Penso que posso partilhar a minha posição quanto a isso; existe aqui o que eu defino como reencaminhamento de causas. Um crítico, amador ou profissional, seja qual for a temática que decide abordar, olha para o objecto escolhido e elabora as suas opiniões baseadas no seu gosto, conhecimento, etc. Depois, transforma as suas conclusões em texto e deixa-os pela internet, à espera que o leiam; esse texto, aparente produto final do exercício crítico, fica susceptível à apreciação do leitor, como aconteceu com o objecto artístico inicial e o crítico. Ou seja, o que nós fazemos a criticar críticas é fruto da análise feita nos mesmos parâmetros pelos criadores desses textos. Temos um objecto, observamos e analisamos, escrevemos umas linhas. Se alguma ofensa foi levada como tal, é porque a própria génese da crítica é ofensiva; um campo que temos insistido mais é no cinema e nos seus seguidores acérrimos e assustadoramente tendenciosos, os seus pesadelos nocturnos com a máquina de Hollywood e, como pude observar em posts escritos anteriormente, são ofensivos. Voltando a insistir no assunto em modo de exemplo, Luís Miguel Oliveira oferece o seu desdém e quase-nojo ao cinema mainstream de super-heróis, escreveu uns quantos artigos sobre isso e, se tudo corresse bem, ficava por aí. Mas entra o reencaminhamento de causas e, já que LMO esbanja o seu português em ofensas, porque não haver uma continuidade? Não tem que parar ali, o crítico não escreve verdades absolutas e uma das funções d'A Culatra é lembrar isso, não somos leitores passivos, temos a nossa opinião e queremos expressá-la e, se roçar a ofensa, é porque ela já foi introduzida no processo crítico.
Peço aos leitores que contemplem a seguinte frase escrita por Carlos Natálio:
"Quando damos um jantar em nossa casa o mais provável é que no almoço seguinte tenhamos restos. Não me levem a mal, eu até gosto de restos – a comida requentada tem até um certo je-ne-sais-quoi. Mas nunca tem o mesmo sabor da do dia anterior. Ora, é a mesma coisa com The Hobbit: an Unexpected Journey"
Restos de um dia para o outro, é o The Hobbit. Terminando esta parte inicial, proponho uma análise mais aprofundada desta crítica, presente no site À Pala de Walsh; este texto é um simples ataque à maligna engrenagem capitalista americana, até quando o autor se propõe a fazer uma sinopse comenta "Bom, é tempo para uma sinopse, embora ela não interesse assim tanto", que é um exemplo perfeito da forma frívola e burguesa utilizada para referir os filmes blockbusters.
No caso específico do The Hobbit, Carlos Natálio implica, além do blablabla os americanos isto e aquilo, com o facto de o filme, originário de um livro apenas, é a primeira parte de uma trilogia, encadeando o argumento para a acusação da "máquina dos dólares". De facto, não existem parâmetros definidos quanto a adaptações cinematográficas de obras literárias; há livros com várias sequelas e apenas uma adaptação (Dune), livros que têm apenas uma sequela mas originaram uma quadrilogia (Jurassic Park) ou livros que já tiveram diversas representações no cinema (Romeo and Juliet). Não há regras ou leis proibitivas, o que penso ser positivo, oferece maior liberdade aos realizadores e quem gostar, vai ver. Os outros podem ser colaboradores no À Pala de Walsh. "há que distribuir o 'mal narrativo pelas aldeias' ", escreve CN ainda sobre o livro se transformar numa trilogia.
"Depois a aventura do 'hobbit e os treze anões' é de um certo conservadorismo narrativo que justapõe episódios de batalha, coragem e testosterona"
É uma boa maneira de reduzir um filme de quase três horas, informativo e explicativo, principalmente a parte do "conservadorismo narrativo" que eu interpreto como uma das manifestações constantes dos "cinéfilos", eles também conservadores. Antes de avançar, quero só relembrar que cinefilia é:
"Forte interesse ou entusiasmo pelo cinema."
e não:
"Forte interesse por géneros específicos ou entusiasmo controlado reflectido apenas numa parcela da indústria cinematográfica"
Acharia eu, após a conversa já referida com o Reles, que aqui seria uma das alturas que estaria simplesmente a ser ofensivo, acusando CN de ser elitista. Na verdade, posso usar o mesmo reducionismo que ele próprio utilizou para falar sobre The Hobbit. Porquê? Porque, tal criança que se tornou agressiva com o amigo que o fez tropeçar, aponto-lhe o dedo e digo "foi ele que começou". CN tem, na sua listagem de críticas, um diversificado espólio cinematográfico, onde encontramos filmes japoneses, espanhóis, coreanos, etc. Em quarenta e nove críticas, apenas oito posso contar como "blockbusters" (o meu critério aqui foi seleccionar realizadores de origem americana cujos filmes já feitos tenham apresentado resultados de venda superiores aos 50 milhões, ou que façam parte do grupo de realizadores contemporâneos mais conhecidos e mainstream, como Tarantino ou Tim Burton). Em todas elas, CN não dispensa insistir na sua postura de desdém perante Hollywood.
"Cai-se assim na armadilha favorita do formalismo autoritário: um vácuo labiríntico entre a estimulação sensorial e a estimulação emocional. E nesse vazio, o espectador aborrece-se." (Only God Forgives)
"Tudo isto faz com que, apesar do menção especial do júri que recebeu em Cannes o ano passado, se sucedessem os avisos para vermos este Promised Land (Terra Prometida, 2012) com um olho aberto e outro fechado." (Promise Land)
"Como se o cinema andasse a “cheirar” o fim de algo, que não é separável de um gigantesco sentimento de culpa que procura exorcizar as próprias e impensadas acções de manipulação sobre a técnica." (Pacific Rim)
"Extraordinário não por mérito de Zemeckis (pelo contrário há uma neutralidade aborrecida na forma como dirige o filme, e depois, decide-se a trabalhar a redenção das suas personagens com subtileza de grau zero)" (Flight)
" tudo isto parece rodear o filme de uma prosápia que me convida a criar uma expressão igualmente fanfarrona para desmontar a sua eficácia. Ei-la: Cloud Atlas parece um 'irrequieto monólito de superficialidade'." (Cloud Atlas)
"Este olhar permite ver o novo filme de Tim Burton como uma tentativa de se auto-extrair de um processo de catalogação e repetição que o colocava numa infernal máquina de fantasia esvaziada" (Frankenweenie)
As outras duas são o The Hobbit, que é o objecto deste meu post, e Django Unchained, que se escapa das tendências óbvias do crítico. O descurar constante das produções mainstream ocidentais, a acusação de falta de originalidade ou inovação, o aborrecimento inerente a estes filmes; não se trata de má escrita, trata-se de conservadorismo cognitivo, CN caminha lado a lado com os jovens americanos que vêem Transformers e comem junk food, só muda o preconceito.
Sendo que me afastei um pouco do propósito original, serei sucinto.
The Hobbit é o alvo perfeito para este crítico: é comercial, rende milhões nas bilheteiras, o realizador é dos mais conhecidos a nível mundial e é da Warner Bros, esse mostrengo que está a arruinar o cinema, diz-se por aí.
"Mas por outro lado, e também para compensar esta rarefação dramática, as 'montanhas russas' do 3D, desta feita em vertiginosos 48 fotogramas por segundo (a cópia que a imprensa viu era em 24, contudo) que servirão para adensar a experiência sensorial."
Ou seja, Peter Jackson, com um argumento incapaz, opta por tecnologias sonoras e visuais para compensar essa falta, segundo CN. A trilogia anterior também optou pelas tecnologias mais avançadas disponíveis na altura e, como existe toda uma postura a defender,
" a maior parte das vezes é mesmo preciso que o inesperado nos seja lembrado (como o “unexpected” do título), pois ele é, de facto, inexistente."
Os senhores da crítica que se aborrecem no cinema continuam a ser um enigma. Portanto, sai o The Hobbit, CN olha para o seu exemplar do Público e vê as duas estrelas de Jorge Mourinha, absorve o conceito utilizado jocosamente de "inesperado" ("de inesperado não há aqui nada" - Jorge Mourinha) para o roubar posteriormente e, ainda assim, sabendo que possivelmente não vai gostar do filme, lá vai ele, de testa franzida aos cartazes coloridos do filme e a desejar estar na Cinemateca e possivelmente já a pensar como é que iria atacar a máquina americana desta vez, não fossem os membros da sua tribo de críticos intelectuais duvidar dele, eles que compram os livros certos e os filmes certos e vão às exposições certas ao domingo porque segunda é disso que se fala, conhecimento é poder mas conhecimento QB, ofensas aceitam-se porque não é cinema a sério porque eu é que sei, eu é que escrevo para o À Pala de Walsh e temos uma missão um propósito um objectivo e nada irá incluir o cinema de Hollywood muito menos Hobbits dragões Tolkiens deixemos isso para os incultos.
- Sr. Antero