Sim, eu mesmo. Nada contra, a Grace tem bom gosto. Vai ver é por isso que ela namora comigo.
E você é…?
Melhor seria se ela estivesse namorando a Marie. Principalmente se eu pudesse assistir.
E sou Key, Key Slater.
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Sim, eu mesmo. Nada contra, a Grace tem bom gosto. Vai ver é por isso que ela namora comigo.
E você é…?
Melhor seria se ela estivesse namorando a Marie. Principalmente se eu pudesse assistir.
E sou Key, Key Slater.
Depende do ponto de vista. Talvez fosse mais fácil voltar para a matemática.
De qualquer maneira, eu sou Edward.
Edward, Edward Brooks? Acho que sua namorada não concorda muito com a sua opinião na minha aparência.
Tecnicamente, você precisa de um diploma para trabalhar lá. Melhor arranjar uma segunda opção. Ou aprender logaritmos.
Ou eu posso montar uma boyband. Só preciso ser bonito, certo? Nisso sou muito bom.
Matemática é inútil, cara. Nunca vamos usar logaritmos de qualquer maneira mesmo.
Nisso você está certo, mas eu não quero acabar trabalhando no McDonald's por não ter um diploma do ensino médio, sabe.
I'll be there for you @Slown
Era evidente que ambos estavam enlouquecendo. Os dois estavam ali, frente ao que mais queriam e pareciam cada vez mais empenhados em convencer a si próprio que não passava de um mal entendido. Eram jovens e jovens tem todo o direito de cometerem erros. A questão é que aquilo parecia ser o erro mais certo que poderiam viver. Um a espera do outro em um ciclo incansável. Ignorando a guerra civil que guardava por dentro, Mich encolheu-se, rindo baixinho da reclamação manhosa de Keegan. Parecia um garotinho que queria se mostrar independente. "Sei bem que não precisa, você já é um homenzinho." Retrucou dando-lhe uma tirada que nem ao menos sabia poder fazer. As coisas mudavam com o tempo mesmo. "Mas isso não quer dizer que eu não queira cuidar de você." Apertou o nariz dele entre os dedos e riu novamente. Divertindo-se com a possibilidade de tratá-lo como criança por alguns segundos. Foi ali que sentiu a curiosidade de ter visto Key criança, deveria ter sido um pequenino muito sapeca. Provavelmente fazendo sucesso entre as primas e tornando-se expert em pregar peças na irmã. Claramente o oposto de Michelle e que apesar de todas as diferenças lhe parecia tão perfeito.
Quando a testa ardente dele tocou a sua, um choque percorreu seu corpo. Uma de suas mãos encaixou-se perfeitamente no ângulo da mandíbula dele e com o polegar seguiu ali em um vai e volta ,que se parecia com algum tipo de carinho. Deixou que ele continuasse sua fala, tentando parecer forte e autossuficiente mesmo enfermo. "Estou bem, gosto de não seguir com meus planos vez ou outra." Ao contrário dele, permaneceu com os olhos abertos, atenta a todos os seus detalhes. Gostava de olhar para ele, só olhar. “É bom ser espontânea.” Complementou, ainda com aquele ar brincalhão que cresceu dentro dela assim que atravessou a porta do dormitório masculino. Poderia parecer que estava sendo apenas cordial, a verdade era que se sentia feliz por estar ali com ele. Ainda mais agora que poderia brincar com a cara dele e com seus protestos infantis. Com a ponta dos dedos afastou os cabelos que ele tinha grudado na testa e por fim embrenhou os dedos por dentro dos fios bagunçados, penteando-os. Pela primeira vez via Keegan de um jeito diferente, sem toda aquela pose e gostou do que viu. "Se eu ficar doente você quem vai cuidar de mim. Portanto…" Deu de ombros, mesmo ele não podendo lhe ver. E apesar de estar novamente brincando, existia uma parte sua que gritava por ele concordar com o que dissera.
O problema era que apesar de estar tão perto dele, ainda não havia encarado aquilo com a seriedade que precisava. Entretida demais com o estado de sua saúde e com a sua temperatura para analisar o fato de ele estar próximo demais. Em um descuido e seus lábios poderiam se encostar. Céus! Por que pensar nisso? Agora precisava de um esforço enorme para desviar a atenção da boca do garoto e para que seu coração se conformasse que ela não iria diminuir o espaço quase inexistente. Daria tudo para sentir a textura dos lábios dele como no dia em que se conheceram. Entretanto, não deveria, aquele não era um momento para isso. "Trouxe sopa pra você. Precisa se alimentar." Acariciou a bochecha dele com o polegar e sorriu inocente por poder fazê-lo. Não queria sair dali, estava tão bom ali, praticamente aninhada a ele. E pela primeira vez, cedeu ao peso de seus olhos e deixou que estes se fechassem. Aquela áurea de calmaria se apoderou dela e era como o começo. "Barth…" Sussurrou o seu apelido preferido e suas próprias palavras ressoaram em sua mente. "É bom ser espontânea." Por que não? E no segundo seguinte estava onde queria estar. Seus lábios se encontraram com os dele, não sabia nem se poderia chamar aquele simples toque de beijo, mas seu coração e todo o seu corpo pareciam a reagir como se fosse.
Sua febre pareceu desaparecer, substituída por um aumento de temperatura que por ele se espalhou a partir dos pontos em que sua pele estava em contato com a dela. Só tinha Michelle a responsabilizar pelo feito: estar junto a ela era como acordar com o nascer do sol. A escuridão que fazia vez de teto para o seu mundo era substituída pela luz que ela emanava, tingida de laranja e preenchida pelo seu calor, parecendo incendiar-lhe. Era fácil se esquecer de toda e qualquer enfermidade quando o espaço entre ele e o objeto de seu desejo havia se tornado nulo. Ainda sob a coberta, a necessidade que tinha de tocá-la, mesmo que de forma inocente, cresceu ao ponto de não mais conseguir contê-la. Limitou-se a acariciar seu braço levemente, traçando seu contorno com o indicador em um ritmo lento, não de maneira automática, mas com uma delicadeza que indicava intimidade. Queria envolvê-la com ambos os braços, puxá-la de encontro ao seu peito e ali mantê-la, firmemente pressionada contra si, sem outra trilha sonora que não os batimentos cada vez mais acelerados de seu coração. Mesmo pensamentos longe de serem impuros como aquele pareciam aumentar seu ritmo cardíaco quando a estrela de suas fantasias era Mich. E quando se permitia devaneios mais explícitos, ah... Keegan sentia-se um passo mais próximo da total e completa loucura toda vez que o fazia.
Estava prestes a responder tudo aquilo que ela dissera, suas provocações, orientações e sussurros hesitantes, quando seu raciocínio foi interrompido por um murmurar quase silencioso que lembrava muito o som de seu nome do meio. Os olhos de Michelle fecharam-se como que para proteger seus pensamentos. Se tivesse olhado no interior deles, leria por trás do azul gelado suas intenções, mas não pôde, e por isso foi pego de surpresa com o que veio a seguir. O que lhe ocorreu então foram mil impulsos em um só.
Lembrou-se do primeiro beijo que haviam compartilhado, da sua própria hesitação em roubá-lo, e da aceitação muda de Michelle que por alguns segundos lhe havia roubado o chão. Recordava-se com muita clareza da sensação que o havia tomado então, uma necessidade que escritores frequentemente comparavam com fome ou sede, e que para ele significava algo totalmente diferente. Keegan a respirava, e a despeito de sua aparência e intenções inofensivas, Michelle lhe era tóxica. Beijá-la era como acender um cigarro atrás do outro: ela queimava-lhe os pulmões e tornava difícil respirar, mas como fumaça também o preenchia, e ele morreria feliz contanto que ela continuasse fazendo-o sentir-se daquela forma até o último de seus segundos. Mich o fazia desejar tornar-se um fumante compulsivo.
E no momento, não tinha forças para dizer não a si próprio.
Rodeou-a pela cintura com toda a delicadeza do mundo, inclinando-a sobre a cama até que estava por cima dela, sem nunca interromper o beijo que, por mais inocente que fosse, para ele significava um sinal amarelo. A permissão de ir tão longe quanto ela permitisse. Segurou seu rosto com a mão livre, o polegar acariciando-lhe a bochecha conforme aprofundava o beijo. Rapidamente retomou o controle que por direito lhe pertencia após o choque inicial. Provando-a na ponta de sua língua, Key teve a assustadora certeza de que já não tinha desejo de provar nenhum outro par de lábios que não aquele. Ao invés de se retrair como sempre fizera até então, permitiu-se ficar mais um pouco, pressionando-a contra os lençóis com seu peso como forma de dizer que, se ela não o afastasse, não iria a lugar algum.
Estava farto de fugir. Era hora de agir como um homem e aceitar os riscos de suas atitudes. Sabia que, contanto que pudesse senti-la daquela forma uma outra vez, valeriam à pena. Era hora de crescer e aceitar que tudo na vida teria consequências, e que nem sempre o objetivo precisava ser um final de contos de fada. Faria de sua missão ensinar para Michelle que o famoso "e foram felizes para sempre" só fazia sentido em páginas de livro, e que na vida mais valia um "e foram felizes enquanto durou". Só o que não queria fazer era machucá-la, e esse foi o único pensamento ao qual se apegou enquanto afastava os espessos cabelos negros de Mich, mordiscando-lhe o pescoço não com a violência que costumava lhe ser característica, mas com uma subserviência que mais parecia um pedido. "Mich..." Foi só o que sussurrou junto ao ouvido dela, em tom de por favor. Não precisavam de mais palavras que aquilo.
Algum tutor de matemática disponível? O google me explicou o que é logaritmo na teoria, mas na prática continuo uma ameba.
you're so gay and you don't even like boys
Confundiu de endereço, esse aí é o Clark.
Shameless || @Kace
Sentia-se mais do que deslocada por ali, mas um pequeno sentimentozinho não iria lhe abalar. Poderia encontrar um mendigo ali parado que seria ele mesmo o escolhido para conversar com ela. Alguns a chamariam de louca, mas, para si, era uma qualidade. Não fazia acepção de pessoas, para Grace, todos eram iguais, era quase um pensamento socialista, talvez fosse essa a única aula de sociologia a qual realmente prestou atenção e poderia colocar toda e qualquer culpa em seus medicamentos, que como sempre dizia, só serviam para dopá-la. Não era bem assim que funcionavam, apenas deixavam-na mais calma para poder prestar atenção nas coisas que lhe eram de interesse, ou melhor, eram do interesse de sua mãe, como por exemplo, aulas. A garota fazia de tudo para ser a melhor e mesmo não conseguindo, pelo menos sabia que tentava, mas na maior parte do tempo estava desistindo de uma ideia mirabolante que formou em sua cabeça, talvez porque fosse mirabolante demais. Desistia de pequenas coisas, assim como projetos que só seriam possíveis em sua mente, mas coisas com importância máxima, nunca seria capaz de erguer a bandeira branca.
Logo depois de um tempo ali parada, sozinha, procurando por alguém para conversar, trocar ideias e algum dia tornar uma de suas melhores amigas, percebeu um garoto ainda um tanto quanto longe. Olhou bem nos seus traços, bonito, mas com uma beleza nada tradicional. Nesses momentos a cabeça da menina ia do céu ao inferno em questão de segundos. Seus olhos enchiam-se ao observar tamanha beleza, mas ao mesmo tempo lembrava de Ed, que no começo era um tanto ciumento demais, mas ultimamente não percebera qualquer sinal de ciúme de sua parte. Poderia olhar o mais novo garoto por horas e ao mesmo tempo lembrar que tinha o namorado mais perfeito que alguém pudesse imaginar, o que levava-lhe a loucura. Aparência era alguma coisa que importava para ela, não era hipócrita ao ponto de dizer que poderia gostar de uma pessoa apenas pelo seu caráter, sempre tinha que ter um toque de beleza. Poderia também considerar que beleza sem caráter não era alguma coisa agradável ao seu ponto de vista. Por mais social que fosse, na hora de escolher um para si, era um tanto quanto exigente.
Depois de um tempo ali observando sem qualquer discrição, percebeu que o garoto veio em sua direção. Em seus primeiros passos tentou disfarçar colocando uma das mãos sobre o rosto e desviando o olhar. Sua expressão logo denunciava que estava fitando-o há um bom tempo, mas preferia fingir que não sabia de nada e estava ali apenas observando a paisagem que não existia.
Seu disfarce fora nada além de mal sucedido. O garoto apoiou-se na fileira de armários que permanecia ao seu lado e começou a conversar. A sua primeira reação involuntária foi um sorriso, o qual era nada verdadeiro, mas sim, um tanto quanto desesperado. Não sabia como reagir, não era comum as pessoas virem até ela, mas sim o contrário e, quando isso acontecia, tinha de se virar. — E aí. — Disse ao fazer um jóia com o dedão, franzindo as sobrancelhas num tom quase que como o de um hippie. Logo o sorriso voltou a estampar a sua face, colando seus braços de volta ao corpo como estava antes dele chegar. — Muito obrigada, parece que vocês aqui são bem acolhedores. — Se fosse contar todos os “bem-vindas” que recebera desde que adentrou ao colégio, passaria noites em claro, mesmo assim gostava daquilo. Recebeu alguns até de garotas, que eram novatas assim como ela, não dava para entender, mas apenas aceitava e continuava o seu rumo, vai que em Hampshire as pessoas consideram dois dias o suficiente para tornar-se uma veterana. Achou um tanto estranho o tom do garoto ao gritar-lhe boas vindas, mas preferiu não comentar sobre, já que esquisitices eram o seu forte. Key Slater, um nome… legal. Grace tinha uma teoria de que você não poderia ser legal sem um nome legal, tudo bem que nem ela mesma encaixava-se nessa categoria, sinal de que precisava aprimorar a sua pesquisa. — Grace Hemmings. Ou Gracie, talvez só Grace mesmo. Você quem sabe. — Apresentações não era o que sabia fazer melhor, sempre se confundia, não tinha certeza se devia falar o nome e sobrenome, apenas o nome ou acrescentar um apelido para facilitar.
Key levou uma mão até a nuca, entrelaçando os dedos em seus cabelos escuros em sua tradicional postura despreocupada. Permitiu-se sorrir enquanto a fitava, processando o pequeno turbilhão de informações que Grace havia atirado em sua direção e tentando decifrar o tipo de personalidade que a garota tinha a partir de sua fala, para decidir-se a respeito de sua primeira impressão. Pelo que podia perceber até agora, ela era o tipo tradicional de socially awkward, com gestos desajeitados e expressões teatralmente cômicas, assim como uma necessidade quase física de atropelar a si mesma nas palavras em uma busca incessante pela capacidade de falar mais rápido que a velocidade da luz. Keegan gostava daquele tipo de pessoa, pois detestava silêncios desconfortáveis, e preferia cercar-se de indivíduos capazes de preenchê-los com uma variedade de assuntos aleatórios e convenientemente interessantes. Era verdade que raramente se envolvia com meninas daquele tipo, por na maior parte do tempo só saberem falar de si mesmas, mas tinha neurônios o suficiente para saber admitir que mulheres serviam também para outros propósitos, como o da amizade. Grace parecia uma garota legal, que ainda não tinha contato com muitas pessoas na nova escola e que o lembrava dele próprio quando chegara ao Kings, sentindo-se um peixe fora d'água. Surpreendeu a si próprio ao decidir que gostava dela.
Grace parecia não se esforçar realmente para parecer descolada, o que era um alívio. Percebera que muitas das novas alunas eram o tipo que gostava de parecer legal a qualquer custo, e que o deixavam ligeiramente desconfortável por passarem a impressão de que cada um de seus passos era calculado para emanar uma aura de superioridade que o dava indigestão. Tudo bem, Key podia ser estupidamente arrogante e se achava o último biscoito do pacote, mas gostava de pessoas genuínas e capazes de o fazer rir, não de meninas com bons pares de peitos e que erguiam o nariz mais alto que o Everest. Foi a simplicidade com que a garota o respondeu que o convenceu de que aproximar-se dela e tentar puxar assunto não havia sido de todo uma má ideia afinal. Tirando Michelle e Claire, com quem flagrava-se almejando ir além da amizade, só tinha Marie e Patrick para chamar de amigos. Queria expandir a lista ao acrescentar também o nome de Grace, mesmo sabendo que não se incomodaria exatamente em colorir um pouco aquele vínculo que planejava forjar entre eles.
Ainda sorria quando dignou-se a respondê-la, com a sensação de que um minuto havia se espremido no espaço de alguns segundos. "Então, Gracie, já conhece alguém na escola?" Questionou enquanto ocupava sua mão livre ao enfiá-la no bolso de seus jeans e pescar um pacote de chicletes de sabor menta. Estava sempre preocupado em manter o hálito fresco, pois por experiência própria havia aprendido que não sabia quando este seria necessário. Não era exatamente o tipo que planejava enfiar a língua na garganta de uma garota, a ocasião simplesmente se apresentava, e ele era por demais guiado por seus instintos para recusá-la. Por exemplo, se Grace, que mal acabara de dizer-lhe o seu nome instantes atrás, decidisse convidá-lo para uma sessão de amassos, não teria forças de dizer não, mesmo tendo plena consciência de que a voz de Michelle o repreenderia mentalmente durante todo o processo, assombrando-o como se fosse um fantasma. O que poderia fazer para contrariar sua natureza? Garotas bonitas eram seu fraco, mas diferente de alguns de seus colegas, sabia como respeitá-las e tratá-las com a dignidade que mereciam. E era discreto o suficiente para só encarar seus seios quando tinha certeza de que não estavam olhando.
"Você estava parecendo meio perdida ainda agora." Explicou sua pergunta anterior, dando de ombros. Sabia que tal afirmação passava a ideia de que a estivera observando antes mesmo que ela o notasse, e não se importava nem um pouco. Keegan nunca se envergonhara em admitir que estava de olho em alguém, mesmo que aquilo significasse declarar nas entrelinhas que achava a aparência da pessoa agradável. A única coisa que aprendera nas aulas, entre um cochilo e outro, era que o que era bonito devia ser apreciado. "Eu estava indo almoçar, se quiser vir comigo." Convidou, oferecendo-lhe a mão em um gesto cavalheiresco.
I'll be there for you @Slown
“Hazel Grace – ele disse –, você está linda.” Era a terceira vez que relia A Culpa é das Estrelas. Sentia-se Hazel defronte sua própria aflição imperial, tirando a parte é do câncer e do romance tão avidamente negado e tão incrivelmente nítido e vívido. Sabia bem o que iria acontecer no fim e poderiam se passar mil vezes de sua releitura e sempre que chegasse perto Michelle voltaria a enrolar com os capítulos, rezando intimamente para que em um passe de mágica o fim fosse diferente. As pessoas poderiam acreditar que ela era uma louca por sua crença na mudança quase sobrenatural do desfecho daquela narrativa, mas somente ela poderia entender. Cada vez mais absorta à sua leitura, estava a ponto de fechar o livro e o abraçar com a angústia crescente. Algo fora mais rápido que seu próprio desespero, entretanto. Sentiu um tipo de cócegas em suas costas, se aquela sensação fosse prolongada daria uma bela massagem. Para a sua tristeza, a vibração logo parou e ergueu as costas do colchão, tateando o espaço em busca da origem de suas cócegas anteriores. Em poucos segundos, seus olhos se espelharam contra a tela escura do celular e ela sorriu ao identificar quem era o remetente da mensagem que acabara de chegar.
Prontificou-se a ler a mensagem e ao chegar na metade dessa, a respiração ficou presa em sua garganta. E tão logo Hazel Grace e Augustus Waters não eram mais de seu interesse. Keegan dizia em seu texto eletrônico que estava de cama, culpa de uma gripe, mas que logo estaria bem. Conhecendo Slater como conhecia tinha a plena certeza que ele não cuidaria corretamente dessa gripe e não querendo ser pessimista, era provável que ele acabasse na enfermaria por causa desse descuido. Por essa razão – e somente por essa – é que em um pulo saiu da cama e calçou seus chinelos, saindo em disparada do quarto levando consigo apenas o celular, para ficar atenta ao estado de Key. Ao mesmo tempo em que digitava com destreza uma resposta à sms do amigo, seus pés a guiava em direção a cozinha. Ele precisava se alimentar bem e não comer aquelas porcarias que ele e seus colegas de quarto se empanturravam. Em poucos minutos já estava cruzava as portas do refeitório, buscando as cozinheiras atrás do balcão. As cumprimentou e com sua habitual gentileza pediu que preparassem algo saudável que fosse ajudar na constipação de Keegan.
“Você tem uma nova mensagem!” Essa era o alerta que piscava na tela de seu celular e não conteve um novo sorriso ao notar que se repetia o nome do contato. Mal ele sabia que já estava tão perto. Encarou a porta do dormitório por alguns instantes, tendo a consciência que estaria quebrando os regulamentos do Kings por estar ali. Seu coração parecia estar recém-terminado uma maratona atlética de tão eufórico que se encontrava dentro de seu peito. O motivo de tudo isso era o fato de estar quebrando regras, coisa que nunca fora à favor. E é somente por isso, retificou mentalmente. Em uma das mensagens anteriores, Keegan deixara claro que assim que ela chegasse poderia entrar. Talvez ele não estivesse nem ao menos em condições de levantar da cama e ir atender sua chamada na porta, só de cogitar algo assim um nó se formou em sua garganta. Impulsionada pela carta branca dada por Keegan – e pela angústia de imaginá-lo sofrendo – sem maiores complicações, Mich entrou no quarto do rapaz, é claro que não sem antes verificar o corredor.
Assim que fechou a porta atrás de si, correu os olhos pelo cômodo a procura da figura masculina que a fizera ir até ali. Deparando-se com uma montanha de roupas – pelo menos era o que achava ser – amontoadas em um canto, meias e o que parecia ser cuecas largadas pelo chão. Definitivamente era um quarto de garotos, riu-se ela com o próprio pensamento. Seu olhar parou em um monte de cobertas e travesseiros em cima de uma das camas e o que pareciam um par de olhos lhe encarando na entrada, escondido debaixo daqueles panos. – Então é aqui que você se esconde? – Brincou com um sorriso divertido nos lábios e diminuindo aos poucos a distância que havia entre ela e a cama. Sentou-se a beirada da cama e deixou a maleta térmica repousar sobre seu colo, cobrindo a pele que o shorts que usava não fazia. – Deveria procurar um covil menos óbvio, meu rapaz! – Completou sua brincadeira, esticando um braço para livrar aquele rosto da proteção de suas ataduras. Ao tocar Keegan, não soube dizer se a quentura vinha dele por seu padecimento ou dela por estar ali com ele. Abaixou o rosto, fitando as alças prateadas da maleta e então a tirou de seu colo, colocando-a em cima do criado mudo.
Voltou a olhar para o garoto, ou aquela múmia fervente que estava acamada. Chutou os chinelos para longe de seus pés e deslizou com delicadeza na mar de lençóis que ele havia feito em cima do cama. Parou deitada de frente para ele, com as mãos bem juntinhas e acomodadas embaixo da própria cabeça. – Deveria também se cuidar, Keegan. – Em outra situação até riria depois de tal repreensão, mas ela estava realmente preocupada com a saúde dele e isso alarmava seu coração, deixando qualquer bom humor abalado. – Não será sempre que haverá uma Mich para cuidar de ti! – Nenhuma outra frase doera tanto nela quanto aquela, mas era verdade. Não queria que existisse uma possibilidade de não fazer parte da vida dele, entretanto, nunca se sabia o futuro. E por mais que os dois quisessem a presença um do outro, sempre existiria o fim. Saber se ele estava próximo ou distante era a questão. – E mesmo que apareça outra solícita quanto eu, nenhuma cuidará tão bem. – Apesar da pitada de comédia, advinda do teatral narcisismo, também sabia que era mais uma incontestável verdade. Ninguém se preocuparia tanto com ele quanto ela, estava ligada à aquele garoto como jamais pensou ser possível. – Ela não vai querer deixar os agentes da S.H.I.E.L.D esperando só porque você se resfriou. – Relembrou de seus planos para aquela tarde e em como atacaria um pote de sorvete assistindo sua maratona de Marvel Agents Of S.H.I.E.L.D, mas ao contrário de todos suas possíveis previsões, estar ali, no quarto de Keegan, cuidando dele era a última delas. Porém, sabia que nada a faria mais feliz.
A sensação térmica em seu quarto, mesmo enfiado sob um cobertor que o ocultava até o nariz, era de que o Sol havia congelado e, mesmo assim, o termômetro insistia em dizer-lhe que estava com febre. Não fazia sentido algum. Estava era com hipotermia. Aquilo não era uma gripe, era o karma vingando-se nele por ter roubado a mulher alheia não uma, mas várias vezes. Se fosse outro pensaria que Deus o estava castigando. Seu estado, porém, mais parecia com uma obra de Satanás, ou com um trabalho particularmente eficiente de macumba. Revisou mentalmente a lista de pessoas que tinham algum motivo para sentir raiva dele, lista essa que era basicamente composta de rapazes cornos e moças que se ressentiam por sua aversão à monogamia, e decidiu de chegar a alguma conclusão por volta do septuagésimo nome. Seu processo de raciocínio foi interrompido pela vibração de seu celular sob sua bunda, que o assustou o suficiente para fazer seu coração acelerar. Pescou o aparelho e percebeu que Michelle havia respondido a mensagem que enviara mais cedo, e apesar da dor e do mal estar, flagrou-se sorrindo. Ela limitava-se a dizer que estava a caminho, e teria duvidado caso se tratasse de qualquer outra, mas Mich não sabia o que era mentir, e tampouco o faria para criar-lhe falsas esperanças. Devia saber como se sentia ao seu respeito, e era incapaz de magoar as pessoas conscientemente.
Era uma melhor pessoa do que Key jamais seria, e tinha vezes que a odiava por isso. A odiava por ser tão estupidamente bonita, por sempre ter uma palavra de apoio a oferecer, por sua personalidade dócil e altruísta, e pela forma como seus olhos pareciam ler através dele como a um outdoor com letras particularmente grandes. A odiava, principalmente, por ser boa demais para ele. Sua raiva momentânea nada mais era do que uma falha tentativa de enganar a si próprio, porém. O amor e o ódio são emoções muito próximas, e Keegan oscilava entre elas com mais frequência do que um psiquiatra acharia adequado. Michelle o estava enlouquecendo, e não da maneira sexual como desejava. Cada segundo que insistia em proibir a si próprio de aproximar-se dela para não ferir seus sentimentos era uma nova tortura. A forma com que se sentia sufocado, preso em seus próprios pensamentos e condenado a uma existência em que detestava a si mesmo por ser incapaz de detestá-la, o lembrava vagamente de uma música do Linkin Park. Conforme esperava pela chegada da garota, um só verso repetiu-se em sua cabeça de novo de novo e de novo, até que o memorizou como uma tatuagem em suas pálpebras, da qual era incapaz de fugir quando fechava os olhos.
Put me out of my misery.
Quando Michelle finalmente adentrou o cômodo, sem bater como a instruíra a fazer, as palavras que estavam na ponta de sua língua ameaçaram escapar-lhe, mas as conseguiu conter no último segundo. A fitou sob a camada de tecido que o separava do mundo exterior, mesmo sabendo que só seus olhos estavam visíveis. Ao ouvir seu pequeno monólogo sobre como devia cuidar de si mesmo pois não a teria sempre por perto, não conseguiu conter uma risada. Não disse-lhe que a seguiria até o inferno se necessário fosse para ter certeza de que sempre a teria por perto olhando por ele. Não confessou que temia a possibilidade de um dia seguirem caminhos opostos, pois sabia que seu destino então seria sempre olhar sobre o próprio ombro e contemplar o passado saudosamente. Limitou-se à resposta segura, aquela que dele era esperada, e que não causaria maiores complicações. "Não preciso que cuidem de mim." Rebateu como uma criança grande, que se recusa a admitir que é humana e vulnerável tal como todos os outros. "Não devia ter vindo. Não queria atrapalhar seus planos." Adicionou, afastando seu edredom somente o suficiente para descobrir o próprio rosto. "E não devia estar tão perto de mim. Estou altamente contagioso." A censurou, contrariando a própria desaprovação ao apoiar sua testa contra a dela e fechar os olhos. As palavras que antes ruminara voltaram a aparecer, implorando para ser ditas. As ignorou prontamente.
Perguntou-se quanto tempo poderia insistir em fingir que não desejava dar fim à dor que era manter-se longe dela. Talvez se mentisse por tempo suficiente fosse capaz de convencer a si próprio de que não a desejava, e de que aquela estranha necessidade por alguém que nunca antes experimentara não o estava consumindo por dentro. Talvez então fosse capaz de continuar sua vida poligâmica como se nada tivesse acontecido, somente uma fração mínima de si capaz de perceber que as coisas já não eram as mesmas, e que desde que Michelle entrara em sua vida, havia sido como um furacão, e tirara tudo de ordem, deixando-o devastado toda vez que o tocava. Não se surpreendia que tivesse tanta vontade de tê-la. Deste criança, sempre fora estranhamente fascinado com o perigo, e ela tinha sobre ele o poder de ser alegria e destruição conforme desejasse.
Tales of a brotp. @Slaterson
A atração estava lá. Não adiantava negar. Marie podia estar apaixonada por outra pessoa, mas não estava morta. Key era… Atraente. Provavelmente, um dos meninos mais atraentes daquela escola inteira e, apesar de não ter nenhuma pretensão de admitir isso para ele, todo aquele jeito confiante e convencido apenas ajudava a aumentar o seu lady boner. E Marie era humana. Sabia que eventualmente todo aquele flerte disfarçado de zoação entre amigos daria em algum lugar… Bastava ela querer. E, naquele dia em particular, estava precisando de uma distração. Demasiadas coisas na sua cabeça que preferia esquecer. E quem a poderia culpar por escolher um cara gostoso em vez de um livro sobre a segunda guerra mundial? Ela culpava suas hormonas.
Claro que ele aceitar o convite tão rápido fora tão inesperado a fizera não ter qualquer tempo de preparação ou sequer colocar uma roupa mais decente. E isso incluía aquela maldita calcinha. Tinha sido oferecida por sua mãe, como uma piada, já que ela passara uma temporada das suas férias grudada no computador, jogando pokemon no emulador. Certamente, não era que definiria como uma peça de roupa provocante. E isso só se confirmou quando ouviu a risada de Key, mal se dobrara sob sua secretária. A pouca confiança que tinha estava lentamente indo pelo cano, dando lugar a uma ansiedade ligeira, o suficiente para a fazer querer expulsá-lo dali.
Mas depois ele fez aquilo. Enrolou o cabelo dela no seu dedo, como tinha feito dúzias de vezes antes, enquanto conversavam, de todas as vezes que ela tinha confiado nele. Fora o suficiente para acalmar Marie um pouco, um sorriso tímido surgindo aos poucos no seu rosto. Quase se esquecera que era Key. Key, a mesma pessoa que sabia sobre tudo o que acontecera e não contara a ninguém, nem mesmo ao seu melhor amigo. Às vezes, esquecia que nem toda a gente estava tão disposta a traí-la na primeira hipótese, como Clark estivera.
"Esse devia ser seu lema.” Comentou, arqueando uma de suas sobrancelhas, sorrindo debochadamente. Abriu os botões do suéter do outro, o mais devagar, empurrando-o para o chão mal acabara. Seus gestos ainda eram algo hesitantes, não tendo a certeza se aquilo era realmente o melhor para ela naquelas circunstâncias. Mas já era um pouco tarde demais para recuar. "Demasiada roupa. Injusto." Riu baixinho, pousando ambas as mãos no seu peitoral e se inclinando para beijar seu maxilar inocentemente, traçando um caminho até quase chegar aos seus lábios. Mas antes de fazer, se afastou novamente, apenas o suficiente para encontrar o olhar dele. “Esqueci de perguntar como você está. Que rude da minha parte.” Voltou a rir, mordiscando seu lábio inferior, enquanto esperava alguma reação da parte dele.
Marie sempre parecia pronta a roubar-lhe uma risada, e Key sempre tinha dificuldade em reprimi-las quando a morena decidia diverti-lo. Era verdade que o lema de Pokémon combinava mais com ele, mas nunca fora fã do anime ou dos jogos, então nunca antes pensara em adotá-lo. Saída dos lábios dela, porém, a sugestão fazia perfeito sentido. Tinha a sensação de que Marie o conhecia bem, mesmo que só tivessem tomado conhecimento da existência um do outro no início do ano, e a falta de censura verdadeira em sua voz conforme enunciava a pequena provocação era evidência concreta de que estava correto. Lembrava-se de ter mostrado a ela suas inseguranças e dúvidas a respeito de Michelle, a única garota que realmente o desestabilizara e colocara em perigo sua resolução antimonogâmica. Havia confiado nela o suficiente para mostrar um pequeno relance do lado de sua personalidade que todos desconheciam, e parte de si temia que o que estava prestes a acontecer ali pudesse dinamitar a dinâmica de seu relacionamento permanentemente.
Mas, bem, ele não era exatamente conhecido por ser capaz de reprimir seus impulsos carnais, e seu corpo reagiu ao suave toque de Marie conforme ela desabotoava seu suéter e o deixava pousar no chão silenciosamente. Não era facilmente estimulável, longe disso. O problema era que havia uma garota gostosa vestindo apenas uma calcinha e camisa larga – sem sutiã, sem sutiã, sem sutiã, sua mente fez questão de lembrar-lhe insistentemente – o despindo. Não seria humano se não se deixasse afetar pelo gesto, e teria que ser um cadáver para permitir que ela traçasse uma trilha de beijos em seu maxilar sem se deixar afetar.
Um esgar malicioso acabou por erguer-lhe os cantos dos lábios, e afastou a mão que antes estivera ocupada no cabelo de Marie para pousá-la no cós de sua calça, baixando os olhos para fitá-la por um longo momento antes de articular uma fala. "Como estou? Não nu o suficiente, aparentemente." Comentou em tom sério, somente seus olhos traindo a risada que conseguiu esconder. Desfez o botão de seus jeans com um gesto rápido, o zíper veio logo depois, e então deixou que a peça caísse, revelando sua cueca boxer preta que só ainda não estava inflada como uma tenda por obra divina. Deu uma volta breve e então fez uma pose, observando as reações de Marie atentamente. "Não vou perguntar como você está. Agora vamos empatar o jogo." Disse-lhe, agarrando-a pela barra da camisa novamente e a puxando para si, somente para erguer a peça e a livrar dela, arremessando o pedaço de tecido para longe, preferencialmente onde não pudesse ser encontrado.
(Aviso: Nudez?? Safadezas?? Teletubbies??)
O pessoal do refeitório está tentando me matar.
Confesso que seria bem mais fácil se fizesse. Não como nada verde, então a comida da cantina não é muito uma opção.
Na verdade eu prefiro comprar um hambúrguer na lanchonete.
Hambúrguer, é? Então é das minhas. O único problema de comprar comida na cantina sempre é o orçamento. Minha família não está exatamente nadando em dinheiro.
O pessoal do refeitório está tentando me matar.
Não que eu realmente queira dar pra você, mas, francamente, você é burro ou se finge? “Diâmetro de vagina” isso soa tão virgem quanto você parece ser. Vaginas são adaptáveis.
Quis equiparar a falta de inteligência do que eu falo com o que sai da sua boca. Se você é inexperiente o suficiente pra achar que é o tamanho que conta, achei que seria cavalheiresco se eu respondesse com outro clichê falso. Talvez eu tenha uma lição ou duas pra te ensinar, Emma.
O pessoal do refeitório está tentando me matar.
Isso foi extremamente infantil da sua parte, e acho que você não me comeu exatamente por ser infantil. Sabe né, o que você tem é tão pequeno que me faria rir.
Não acho que o problema seja o tamanho do meu pinto. Talvez seja o diâmetro da sua vagina.
O pessoal do refeitório está tentando me matar.
Acho que seria um pouco antiético servirem arsênio, mas não seria tão diferente. Eu não como de qualquer jeito.
E você vive a base de que? Faz fotossíntese ou algo do tipo?
O pessoal do refeitório está tentando me matar.
Key, você come qualquer coisa, em qualquer sentido.
É claro que não, Em. Eu não como merda. Afinal, não comi você.
O pessoal do refeitório está tentando me matar.
Não há outra explicação plausível pra essa gororoba que estão servindo. Seria mais prático, e provavelmente mais comestível, se só colocassem arsênio no meu prato.