-Sabe, Isabel... Eu tava de novo nessa situação de encanto, apaixonada louca desvairada... Ignorava os defeitos que despontavam, achando o beijo dele a melhor coisa do mundo, o sexo incrível e me causava náuseas só o fato de pensar que isso tudo podia acabar em breve.
- Mas não tem que pensar assim. Você acha que essa situação sempre tem fim?
- Mas é claro. A gente gosta mesmo é de novidade.
- Algumas novidades podem durar anos e anos.
- Mas a grande maioria dura no máximo semanas, dias ou até mesmo alguns poucos minutos. Nesse sentido, eu até tava no lucro, porque a nossa já vinha durando alguns meses. Meses com ele fazendo questão de mim, querendo falar comigo no dia-a-dia, me dando bom dia, boa noite, me trazendo presentes, me levando pra viajar, pra jantar e empenhado em me chupar até eu gozar pelo menos 2 vezes...
- 2 vezes?
- Isso só no sexo oral. Mas o complicado disso tudo é que a gente se via 2 vezes na semana e parecia que eram 2 vezes no ano. Eu mal via a hora de encontrar com ele de novo. Ficava ansiosa pro próximo encontro a ponto de mal conseguir me concentrar no trabalho quando ele me mandava mensagens de voz ou nudes.
- E quando isso mudou?
- Não sei. Acho que foi quando eu me dei conta de que eu queria ficar nessa paixão leve pra sempre e ele se imaginava casando comigo, tendo filhos, dividindo as despesas e responsabilidades da casa.
- Mas isso deveria ser algo ruim?
- Ah... Eu não sou mais uma adolescente, Bel. Não tenho mais esse romantismo. Isso me afastou e eu acabei terminando. Há 2 semanas, eu acabei encontrando com ele por acaso na balada e não resisti. Acabamos ficando de novo e pude concluir, que o sexo com ele realmente é incrível, o melhor que já tive, é diferente, sabe?
- Mentira! Foi mesmo? E como foi isso? Foi tipo voltar pra casa depois de um ano sabático? Como se sentiu quando ele foi embora?
- Pois é. Ele saiu bem cedinho pra ir trabalhar. E foi estranho, porque eu não queria que ele fosse embora. Estamos conversando sobre a possibilidade de voltarmos a ficar juntos. A questão é que agora ele, claramente, quer ir com calma, de forma leve, só ficar mesmo, não dá muitos sinais de que quer dispensar todos os contatinhos e esqueminhas dele pra ficar só comigo. O problema é que agora eu queria muito que ele deixasse todas, largasse tudo e viesse dividir comigo os boletos, os cafés da manhã, os jantares, o sofá e a vida toda. Vai entender, né? Agora, que ele não quer mais, eu não vejo a hora de ter filhos com ele.