Eu não descubro quem são meus amigos pela cor, classe social ou religião. Também não os escolho pelo olhar, como disse alguém famoso.
Eu sei quem são meus amigos pelos xingamentos.
As minhas qualidades eu tento mostrar para todo mundo. Mas os meus defeitos, ah, prefiro deixá-los guardados e só mostrar para quem merece. Sim, é preciso merecer o meu pior lado. Porque aí você vai poder falar mal à vontade.
Podem ser aqueles xingamentos de verdade. “Você é egoísta”, “você tenta fazer tudo e acaba não fazendo nada”, “você se preocupa demais”. Esses eu vou remoer, guardar lá no fundo. E tentar mudar. São coisas que você nunca vai perceber sozinho e é preciso que alguém que te conheça – e saiba até os seus defeitos – te machuque um pouquinho.
Mas podem ser também aquele outro tipo de xingamento. O tipo que é gostoso ouvir. “Você é feia”, “uma puta”, “não vale nada”. São, na verdade, o contrário. Ou só pra te irritar. Garantem uma falsa indignação, uma simulação de clima tenso e boas gargalhadas.
Aos meus amigos, não me tratem com palavras doces. Se eu as quisesse, procuraria pela aeromoça mais próxima.