Leva mais de quatro décadas dando lições, tanto no âmbito universitário como o do instituto. Uma experiência que serviu de espoleta para suas investigações sobre a arte de ensinar.
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Leva mais de quatro décadas dando lições, tanto no âmbito universitário como o do instituto. Uma experiência que serviu de espoleta para suas investigações sobre a arte de ensinar.
O mundo ocidental está acordando.
O porco nosso de cada dia
(Foto do acervo de Francisco de C. D. de Andrade. Década de 1930. Paraibuna, SP). Grande foi a importância dos rebanhos suínos para História e desenvolvimento regional, sobretudo para Cunha. Nosso município durante o século XIX foi o maior produtor de toucinho da Província de São Paulo (com produção em torno de 9 mil arrobas em 1836/1837). A carne de porco junto com a quirera de milho, que para nós de Cunha é uma iguaria, foi de fundamental importância para alimentação das populações do centro-sul brasileiro, antes do advento do século XX e suas modernidades.
Mais do que isso, a suinocultura possibilitou: - o comércio inter-regional, integrando cidade menores às maiores, produtores rurais aos consumidores urbanos, as zonas auríferas de Minas às zonas cerealíferas da Alta Mantiqueira e Serra do Mar; - uma alternativa econômica para as zonas em decadência, após o surto do café (no caso da nossa região). E também durante o seu apogeu; - a utilização da banha do porco, tanto na gastronomia cotidiana quanto como conservante para alimentos; - o processamento da carne de porco em toucinho, facilitando a conservação do alimento, que, com vencimento adiado, tinha sua zona de abastecimento ampliada, integrando cada vez mais cidades e vilas às atividades comerciais; - a comercialização e escoamento da safra de milho de forma mais rápida e fácil, já que este cereal era usado quase que em sua totalidade na engorda dos rebanhos. Conforme percebe SCHMIDT, "o porco é o milho que anda"; - a contratação de mão de obra (após a abolição da escravidão) para transportar as varas de porcos pelas serras e caminhos afora.
Em Cunha, bem como em todo Alto Vale do Paraíba, tinha mais porco do que gente. Antes da expansão da fronteira agrícola brasileira para o Centro-Oeste, consumindo o Cerrado, boa parte dos gêneros alimentícios que provia nossas cidades vinha de regiões montanhosas e isoladas, similares ao nosso Alto Vale do Paraíba. E o transporte de varas pelos antigos caminhos do Ouro com destino aos mercados regionais (Guaratinguetá, Taubaté e Lorena) era bastante comum, tal como ilustra a foto. E assim foi até o início do século XX.
Já nas primeiras décadas do século XX começaram a se fixar em nossa região famílias mineiras, que foram introduzindo, pouco a pouco, a pecuária de leite e corte, de método extensivo (pastagens), a fabricação do queijo, etc. Por outro lado, a suinocultura comercial, as exigências sanitárias, o automóvel e as estradas modernas puseram fim a essa época. O que era Economia virou História. Mas a deliciosa quirera com carne de porco resistiu ao tempo. Ainda bem.
Referências: ANDRADE, F. de C. D. A presença dos moinhos hidráulicos no Brasil. Anais do Museu Paulista: História e Cultura Material. Vol. 23. n.1. São Paulo, Jan./June 2015. SCHMIDT, C. B. O milho e o monjolo: aspectos da civilização do milho, técnicas, utensílios e maquinaria tradicionais. Rio de Janeiro: Ministério da Agricultura, Serviço de Informação Agrícola, 1967. VELOSO, J. J. de O. História de Cunha: Freguesia do Facão, A Rota de Exploração das Minhas e Abastecimento de Tropas. Cunha (SP): Centro de Cultura e Tradição de Cunha, 2010.
Dizem que somos a capital do Fusca. E, sendo daqui, como poderei questionar tal dado que me salta aos olhos?
Cunha está no mapa
(Mapa das Minas, anônimo, 1745?) Interessante notar que no século XVIII, época em que a exploração do ouro e diamante em Minas Gerais atingiu seu apogeu, surge a necessidade de cartografar o Vale do Paraíba e Minas, para incentivar e orientar aventureiros e exploradores a chegar na região que atingiu tão grande fama e onde podia-se fazer fortuna.
Da gana de paulistas faz-se Entradas e Bandeiras. Os limites do território português começam a ser dilatados por gente comum. Há grande mestiçagem, pois o encontro cultural começava na língua e acabava na cama (redes). E do Velho Continente e de outras regiões da Colônia novas levas humanas não paravam de chegar. Vilas, freguesias, pousos e capelas começam a aparecer ao longo das trilhas e caminhos.
E é a partir daí que Cunha começa a aparecer nos mapas. Não como Cunha, topônimo adotado após nossa emancipação em 1.785, para homenagear o governador Capitão Francisco da Cunha e Meneses (1.747 —1812), que nos concedeu a independência política de Guaratinguetá; mas como “Facan”, “Facão”, “Bôca do Sertão”, “Jacuhy”, “Boqueirão do Inferno”... De sertão desconhecido, palmeada apenas por índios, passa a ponto estratégico, pouso obrigatório para aqueles que se embrenhavam pelos rincões desconhecidos da colônia portuguesa em busca do “Eldorado”.
A arte da cartografia chegava, enfim, ao sertão. Se o “Mapa das Minas” é um primor do ponto de vista artístico, peca geograficamente, apresentando uma série de enganos de localização, orientação, direção e tamanho dos elementos geográficos. O equívoco que chama mais atenção é o paralelismo entre as serras do Mar e da Mantiqueira e o sumiço do vale entre elas, que mais parece um desnível intransitável e desabitado, o que é absolutamente falso. Outro detalhe interessante que São Paulo de Piratininga perde a centralidade e ganha destaque as cidades mineiras de Vila Rica, Sabará, Catas Altas, Caeté, Santa Bárbara. E também é destacada a Vila de Nossa Senhora do Ribeirão do Carmo (Mariana), que havia se transformado em cidade porque “a 6 de dezembro de 1745 tornou-se sede do bispado das Minas. E, como os bispos eram equiparados aos nobres, não poderiam residir em vilas”.
Deixando de lado as questões cartográficas, não se pode negar a sua importância histórica, sobretudo para Cunha e para se rechaçar a ideia que nossa cidade foi fundada em 20 de abril de 1.858. Penso que essa fonte documental de uma época, que se relaciona diretamente com o surgimento de tantas cidades, vem corroborar a tese que o município de Cunha começou na Boa Vista. Foi ali o núcleo fundador, o estabelecimento da primeira família com objetivo de povoamento, embora o prof. João Veloso, em seu livro, demonstre que nos fins do século XVII já havia sesmarias doadas no bairro da Catioca. Esse mapa é década de 40 do século XVIII e nele o bairro da Boa Vista é mais importante (pelo menos mais lembrado) que o povoado do Facão.
Não tem como negar a importância histórica da Boa Vista para Cunha. Boa Vista é o berço de Cunha. Quase todas as famílias de Cunha têm algum grau de parentesco ou relação com a Família Silva Porto. Portanto, nada mais justo e correto do ponto de vista histórico Cunha celebrar o seu aniversário em 19 de março de 1.724.
O que eu li: Mapas Históricos Brasileiros, da enciclopédia Grandes Personagens da Nossa História, ed. Abril Cultural, São Paulo/SP, 1969. Reprodução do fac-simile da mapoteca do Ministério das Relações Exteriores, situada no Rio de Janeiro, no então estado da Guanabara. Mapa digitalizado: http://www.novomilenio.inf.br/santos/mapa81g.htm
Dilatação dos confins: caminhos, vilas e cidades na formação da Capitania de São Paulo (1532-1822), trabalho da urbanista Beatriz Piccolotto Siqueira Bueno, da FAU, para os Anais do Museu Paulista.
A História de Cunha, do prof. João J. de O. Veloso.
Entre as recordações de um filme, sempre guardo a musical. Sempre recordo as cenas e o filme escutando o soundtrack novamente.
A senator, who became famous for killing a notorious outlaw, returns for the funeral of an old friend and tells the truth...
O filme. Meu predileto do gênero western.
Aqui é o Oeste, senhor. Quando a lenda é maior que o fato, publique-se a lenda.
Uma crítica bem feita sobre aquele filme que você respeita.
Se hoje nos orgulhamos de banhos acima da média mundial, os hábitos de higiene dos brasileiros já foram ext
Para que ninguém mais empurre a sujeira (nossa) para debaixo do pano.
Pequeno vídeo de divulgação que fiz para a página do Facebook Cunha, São Paulo, Brasil. Adotei o formato 1:1, que é o modelo adotado dos vídeos virais (não é o caso do meu, ok? Haha) do PlayGround e me parece ser o mais palatável nas redes sociais que estão na moda.
This is the West, sir. When the legend becomes fact...print the legend.
Old man take a look at my life I'm a lot like you I need someone to love me the whole day through Ah, one look in my eyes and you can tell that's true
Helpless, helpless, helpless, helpless Babe, can you hear me now? The chains are locked and tied across the door Baby, sing with me somehow Blue, blue windows behind the stars Yellow moon on the rise Big birds flying across the sky Throwing shadows on our eyes
“ Helpless”, 1969, Neil Young
Um dos melhores filmes anti-guerra que já vi. Baseado no drama real e familiar de Vera Mary Brittain, autora do best-seller Testament of Youth, de 1.933, sobre a nefasta Primeira Guerra Mundial.
Fui para os bosques para viver deliberadamente, para sugar todo o tutano da vida. Para aniquilar tudo o que não era vida, e, para quando morrer, não descobrir que não vivi.
Henry Thoreau, in Five Centuries of Verse
Pedra da Macela desde Cunha.
Evolution of the Alphabet
Mapa Turístico da Estância Climática de Cunha. Fonte: Secretaria de Turismo e Cultura de Cunha, 2019.