Carta para o meu antigo e único melhor amigo
eu não dei a mínima para você.
que em algum momento eu acabei cedendo.
Você dizia que eu era um anjo
sempre que tentava te consolar
nos seus piores momentos.
Eu adorava quando você ficava vermelho,
e passava a língua no canto da boca
sempre que estava nervoso
ou com ciúmes por algo tão bobo.
Achava graça quando você ficava sem jeito,
inseguro por qualquer coisa,
e então passava o braço pelo meu ombro
e dizia, com aquele seu jeito todo torto:
“Podemos não ser irmãos de sangue,
Isso vale alguma coisa, não vale?”
quando fazia cafuné no seu cabelo
e você dizia que não havia interesse romântico entre nós —
que se ninguém aparecesse em nossas vidas,
mesmo quando você estava distante —
era apenas mais uma prova
de que éramos melhores amigos
e que sempre estaríamos ali
Quando eu estava chateada,
você começava a falar sobre teorias
que para mim não faziam o menor sentido.
você sempre conseguia me fazer rir
com uma facilidade assustadora.
em que discutimos sobre as garotas que você conhecia,
sobre os jogos que você me obrigava a jogar
— que, entre nós, eram insuportáveis —
e sobre tantas outras coisas aleatórias
só me fazem sentir falta.
como estavam as coisas aí onde você estava,
por nunca conseguir te ajudar,
E claro que vai melhorar.”
que você quase nunca perguntava
Não porque não se importava,
mas porque me conhecia bem demais
Você prometeu que viria me ver.
Disse que traria o bloco de neve
que eu sempre achei cafona
que dormia contando os dias
até aquele momento chegar.
não quis que isso acontecesse.
e eu ainda não consegui superar.
Eu comprei o bloco de neve.
E olho para ele todos os dias