A respiração estava ofegante, não pelas passadas largas até chegar ao meio do salão e nem pelo empurrão, mas pela raiva que se arrastava pela corrente sanguínea no príncipe; Seus olhos estavam vidrados no rosto do vermelho e ele sentia a pele adotar um tom azulado perto da nuca e todos aqueles sinais fisícos eram indicativos de apenas uma coisa: Jesse Gruzinsky era uma bomba. Uma bomba prestes a explodir e levar tudo pelos ares. Um príncipe era uma figura política, alguém capaz de manipular interesses em prol do seu país e do povo, alguém que entendia de políticas públicas, economia, história, geografia, estratégia e, claro, batalhas. Jesse se esforçava em ser tudo o que um príncipe precisava ser, aos olhos da nação ele não falhava em sequer uma das habilidades requeridas para o cargo, alguém que poderia resolver qualquer conflito sem arrastar o povo para uma guerra desnecessário, no entanto, se o vissem daquela forma, eles mudariam de ideia rapidamente. Ele poderia ter se afastado, ter resolvido as coisas com a namorada quando não estivesse de cabeça quente ou bêbado, mas ele não raciocinou direito quando avançou em direção ao casal. As coisas já eram ruins o suficiente quando Andras decidiu comprar aquela briga. Ao afastar a mão de Jesse de seu peito e ao enfrentá-lo a reação do georgiano não foi nada diplomática: Sem nem ao menos exitar, ele desferiu um soco na boca do irlandês, o empurrando para o chão, e fazer isso não era sequer difícil, desferir os socos então, era fácil, como respirar e ele não sentia os punhos doendo ou sequer dor nos músculos ao canalizar toda a sua força em um soco atrás do outro no rosto do vermelho bastardo que ousara tocar em sua namorada.
Alguém deveria tê-lo avisado quanto a não provocar o Gruzinsky, porém, era óbvio que o bastardo estava ciente de que desencadearia aquela reação, em se tratando dele. Devia ser portador de algum desejo masoquista, mas o fato é que, no momento em que Jesse partiu para cima, Andras não pode deixar de pensar em como aquilo seria revigorante. Além do mais, deixar que o príncipe iniciasse publicamente a agressão o colocaria como o errado da história, o ofensor, e tudo o que o irlandês fizesse na sequência não passaria de estratégia de defesa – sem mencionar que com a pouca influência que tinha em Hyacinthum, atacar um príncipe herdeiro só lhe traria problemas, mesmo quando alguns deles mereciam uma boa surra. Pelos vasos sanguíneos dilatados no pescoço do mais alto, que deixavam-no parecendo uma berinjela, o Cronin podia ver que o príncipe estava além de puto. Não conseguiu se desviar a tempo do primeiro soco, tropeçando nos próprios pés ao ser empurrado para trás, vindo a cair no chão como se estivesse com os tornozelos amarrados – tão somente lembrando-se de dobrar os cotovelos antes de colidir com o solo. A dor vinha amortecida pela adrenalina e mesmo quando o moreno achou que seus dentes já estivessem quebrados pela série de socos potentes do georgiano, não havia tanta dor a experimentar. A reação aos golpes foi quase tardia, mas eventualmente lembrou-se do que costumava fazer em situação como aquela, erguendo os antebraços para bloquear a maior parte dos socos, aproveitando a tomada de fôlego para acertar o nariz do oponente com o cotovelo - uma, duas, três vezes, ao menos até que tivesse folga para rolar para fora de seu jugo e se colocar de pé novamente, ainda que cambaleante. A poucos metros, remexeu a cabeça para retomar o prumo, sabendo que sua percepção já estava comprometida. Uma cusparada de sangue azul voou de sua boca, para que então limpasse o canto dos lábios com as costas das mãos. ‘ Filho da puta ’ resmungou, antes de correr novamente na direção do adversário, não mais preocupado com uma luta limpa — não chegaria a lugar algum se não jogasse sujo. Tomou impulso para mirar a voadora não no peito, mas no osso da perna do mais alto, visando quebrar. Depois, com os punhos, voltou os socos para o pescoço alheio e o estômago, considerando que com Jesse, bem maior, tinha de se valer da ofensa às áreas de pressão para que tivesse alguma chance.