sinto como se tivesse perdido o último ônibus pra casa às 23h48min de uma quarta-feira.
abandonada até por mim mesma, sentada no meio-fio, observando as ondas distantes do oceano atlântico quebrarem preguiçosamente na baía de todos os santos.
sem um tostão no bolso e um pouco bêbada, decidindo se fumar um cigarro vai me fazer parecer menos ou mais perdida, escaneio os arredores e foco minha atenção em uma corredora de rabo de cavalo.
ela parece tão segura de si mesma, correndo quase à meia noite na orla deserta. provavelmente está fingindo como todo mundo.
todos os dias essa sensação de não ter controle sobre minha própria trajetória me deixa sentada no meio-fio observando a farsa das vidas alheias.

















