Toda poesia serve para abrir e fechar portas e janelas e o poeta está em um corredor mal iluminado e com muitas chaves nas mãos. Não sabe para onde vai, se as fechaduras engolirão a chave ou a porta ou ainda ele mesmo. Porque ele não é mais ele mesmo. Ele é a parede, é o que há de concreto no meio do abstrato. É a essência displicente das coisas que o cercam. O nada. Ele é o nada. O branco do nada nos seus olhos e nos seus pensamentos que enchem o corredor com a sua consunção ágil. Consomem-se. Comem-se. Corrompem-se. Contam-se. Remontam-se. O poeta corre e a porta não abre, pela janela entra muita luz, muita luz. Ele sorri. Toda poesia fica atrás de cada porta, que parou de bater. A chaves sumiram. Ele está sentado. Cochilou.
Theu Souza (via eufemizador)



















