Next time you wanna go on and leave I should just let you go on and do it
Hesley conhecia muitíssimo bem todo aquele show. Tanto por sua parte, quanto pela parte dele. Sobressaltou-se, sim, quando ele socou a lataria do trailer, mas não por medo ou surpresa; só por causa do som estridente mesmo. Virando o rosto, ela procurava fazer aquilo justamente para recobrar parte de sua paciência, coisa que parecia ser impossível de acontecer naquele instante. Enquanto a respiração de Flack era audível, a sua permanecia normal, ainda que estivesse visivelmente nervosa, estressada, com os lábios entreabertos e o rosto ficando cada vez mais vermelho, por causa do sangue quente que começava a correr mais rapidamente por seu corpo.
— Talvez eu seja mesmo, porque me dou ao trabalho de aguentar um filho da puta como você. — Retrucou, ainda com o rosto virado. Quando a faca lhe foi arrancada das mãos, numa falsa calma, a loira ergueu as mãos até a altura dos ombros do mais velho, enfiando as unhas por cima do tecido mesmo. Poderia não machucar, mas ele sentiria parte da pressão que ela aplicava na área, o que significava, muitíssimo bem, que ela também estava tentando não perder o resto de seu juízo. — Se vai me ameaçar, Flack, tenha a decência de cumprir com o que diz. E eu já disse para me soltar, porra. Eu não estou brincando. — Mesmo sentindo a ponta da faca abaixo de seu queixo, ela virou o rosto, afim de encará-lo mais uma vez. Sentia agora o filete de sangue escorrendo, mas, realmente, estava pouco se fodendo para aquilo. A dor de se cortar era muito menor do que a de cair em mais uma briga com Julliard, por coisas tão bobas e aleatórias quanto aquela de agora.
Dessa vez, ele estava mesmo disposto a cumprir a ameaça de acabar de uma vez por todas com Hesley. Estava seriamente disposto, só que com as próprias mãos. A faca caiu das mãos de Flack aos pés de Hesley e as mãos dele envolveram o pescoço da mulher. Empurrou-a contra a lataria do trailer com toda a força que tinha e começou a apertar o pescoço dela.
Dessa vez não era uma dessas coisas que ele ameaçava e desistia. Ele estava disposto a terminar tudo aquilo, já que ela não lhe respeitava. Dava mesmo para ver o ódio palpável que tinha ali dentro daqueles olhos esbugalhados, mas não era, nem de longe, de todo ódio dela. Era ódio de ter que tocar as coisas sem Guerreiro, ódio de Gemma e de tantas e tantas outras coisas.
O que fez o mais velho soltar a francesa foi a imagem da filha Gretel em sua mente. Enquanto batia na esposa da última vez, Gretel testemunhou. Se fosse para que sua filha viesse morar com ele algum dia, seus impulsos teriam que ser controlados. Deixar o assassinato de Hesley "pela metade" era um bom teste.
Aos poucos ele a soltou. A respiração ainda estava descompassada, audível. Os lábios de Flack estavam entreabertos e o ar parecia ter dificuldades para invadir o corpo do golpista. Andou de volta pro quarto, sem falar nada.












