Abrindo a cabeça :) <3
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@julianasabbag
Abrindo a cabeça :) <3
"Tenho a impressão de que o inferno é o paraíso visto do outro lado". Aqui vai a nossa homenagem ao escritor italiano HUMBERTO ECO, autor de O Nome da Rosa, romance de 1980 que virou filme nas mãos de Jean-Jacques Annaud, com Sean Connery fazendo o frade franciscano em memorável atuação. #riphumbertoeco #humbertoeco #onomedarosa #thenameoftherose #seanconnery #jeanjacquesannaud #christianslater #literatura #cinema #homenagem #cinemanamesa #dernamederrose #ilnomedellarosa #lenomdelarose #valealeitura #escritoritaliano #frades #franciscanos #monges #mosteiros #romance
Começou ontem a Mostra do cineasta François Ozon, na Caixa Belas Artes. Programa imperdível pra quem é fã do mestre (eu sou muito 🙋🏻). Diretor dos inesquecíveis Swimming Pool, 5X2, Potiche, 8 Mulheres (foto com Catherine Deneuve), Dentro de Casa, Jovem e Bela, Uma nova amiga, só pra citar alguns, Ozon é considerado um dos mais jovens realizadores da chamada New Wave do cinema francês. Se você conhece pouco desse diretor, não perca a mostra e corra pra assistir seus filmes, sempre sensuais, com doses corretas de ironia e crítica à burguesia francesa, algum suspense e muita sutileza, Ozon é responsável por boa parte dos filmes mais humanos dos últimos tempos. #Ozon #francoisozon #8mulheres #angel #ricky #swimmingpool #umanovaamiga #cinemafrancês #mostra #caixabelasartes #cinemanamesa #cultmovies #cool
<3 :)
Carol (2015) dir. Todd Haynes
Sobre “Deus da Carnificina” de Roman Polanski
The first image of Alicia Vikander and Christoph Waltz in Tulip Fever.
Sobre “O Homem Irracional” de Woody Allen
Woody Allen repete uma fórmula de filmes anteriores com temáticas bem parecidas (humor negro, ironia, melancolia, tragédia moral), sendo que neste último, adiciona muita filosofia às questões humanas. Recomendo todos eles.
“É incrível como o Woody Allen consegue falar de coisas tão terríveis, de personagens tão vilões, de uma maneira tão leve”.
Da mesma forma que Woody Allen “faz o mesmo filme” todos os anos (esse é o 46o filme da sua carreira) ele também chama sempre os mesmos atores quando descobre algum talento, como fez com Emma Stone, que trabalhou em Magia ao Luar e agora em Homem Irracional. Aliás, ela é uma atriz que consegue atuar na comicidade e dramaticidade, com a mesma força.
Forte referência à Crime e Castigo, do Dostoievski. Mesmo dilema moral. O personagem do livro, Raskolnikov também decide matar uma pessoa que não faz nenhum bem a humanidade e aqui também ele mata a testemunha do crime. A diferença do livro e filme é que no livro, o personagem tem culpa, ao passo que no filme, ela não o atinge.
Outras referências filosóficas e que dizem respeito à moral, ao bem x mal e às questões da existência, estão citadas no filme, dentre outros, por estes autores: KANT, HEIDEGGER, KIERKEGAARD, HANNAH ARENDT, SIMONE DE BEAUVOIR, BERTRAND RUSSEL.
Caldo - as reflexões
Reflexão sobre o Acaso e a simbologia da lanterna. Até que ponto nossa vida é regida por um destino pré desenhado e nossas escolhas podem ou não alterá-lo. Temos livre arbítrio, somos donos da nossa própria vida? Quais são as crenças nas quais nos apoiamos e que nos dão sentido à vida? Quantos universos existem?
Falamos da adrenalina de romper a barreira moral que devolveu ao personagem a vitalidade, o prazer de viver. Mais que fazer a justiça com as próprias mãos, a ideia do crime perfeito (sair ileso e ficar em paz) tornou-se a razão da sua existência.
Discutimos, na ótica da filosofia, a questão das ideias x as ações. Em que medida querer mudar o mundo e nunca conseguir pode fazer com que você comece a considerar ideias que nunca tinha pensado em fazer antes? Como matar alguém pra se fazer justiça. O filme coloca essa questão de que o mundo está farto de tanta ideia e tanta filosofia (masturbação mental, como diz o professor no inicio do filme). É hora de partir para ação, segundo os princípios do personagem. “a impotência do mundo das ideias – a superficialidade da verborragia- chega de ideias”
Nesse sentido, debatemos muito o ato em si. Moralmente errado, um equívoco, como dissemos, ainda que possa trazer felicidade, ainda que possa eliminar um ser odioso do planeta. Não temos o direito de fazer justiça com as próprias mãos. Mais ainda, o que temos, é o dever de agir de acordo com a moral e a ética (na linha de Kant). Perguntamo-nos, várias vezes, se valeria a pena tirar a vida de alguém se tivéssemos um bom motivo para isso. A ideia de justiça, a construção de um ato como justo.
E o personagem, será que ele estava realmente tentando fazer o bem? Suas ações eram irracionais ou extremamente racionais? Também filosofamos sobre a neurose e a perversidade humana e onde se encaixava o professor. “ele passa o filme todo sendo um não filósofo”.
Discutimos a questão do imediatismo, do julgamento prévio. Não havia garantia de que o bem seria feito àquela mãe. Ou seja, matar pode não resolver, pode não haver resultado prático na ação. E nesse contexto emendamos para falar da utilidade banal da filosofia como fundamento de imediatismos políticos.
Aqui outras falas sobre o tema, invocando a ambiguidade (ou não?) da moral e sua natureza alienante x natureza consciente.
“a gente deve fazer com outro o que todo mundo faria com todo mundo- a moral universal, o consenso ético coletivo” “o indivíduo e a experiência individual sobrepondo a moral coletiva, a máxima kantiana”.
“um ato criativo” “de repente é como se ela virasse o que quebra a lógica perfeita dele. Ela é o Kant”.
Falamos, por fim, sobre confundir autor com obra. A vida de Kant, por exemplo, e suas críticas. Será que o repertório do autor levou sua teoria para um caminho ou outro? O seu entendimento da moral é restrito à sua experiência de vida e, portanto, não pode ser analisada em um contexto maior? O mesmo pode-se dizer de Woody Allen e suas personagens que traem seus companheiros, que se relacionam com homens muito mais velhos. A arte imita a vida?
Para concluir o que não se dá pra concluir sobre a filosofia e a nossa existência, transcrevo o trecho do livro do rabino e escritor Nilton Bonder que se tornou uma peça teatral, aclamada pelo público por onde passou: A Alma Imoral
“Há um olhar que sabe discernir o certo do errado e o errado do certo. Há um olhar que enxerga quando a obediência significa desrespeito e a desobediência representa respeito. Há um olhar que reconhece os curtos caminhos longos e os longos caminhos curtos. Há um olhar que desnuda, que não hesita em afirmar que existem fidelidades perversas e traições de grande lealdade. Este olhar é o da alma.”
Espero que tenham gostado!
Ju
“Todos temos problemas, Estela. É que a gente só repara nos nossos.”
Sobre Califórnia, de Marina Person
Este é o primeiro filme de ficção da diretora. Antes, em 2007, ela havia feito o documentário “Person” sobre seu pai, o cineasta Luis Sergio Person, conhecido por “São Paulo S.A”, filme de 1965.
Marina Person foi VJ na MTV por muitos anos e hoje atua como entrevistadora no programa Metrópolis da TV Cultura. Sempre rodeada de cultura e muita música, fez do seu filme uma homenagem a estes símbolos. Seja no papel do tio Carlos (Caio Blat), que vive um repórter musical, como no do amigo dark, que quer trabalhar com música, ou mesmo na participação de Paulo Miklos no elenco (músico cuja banda foi cultuada pela sua geração), Marina nos oferece as referências de sua história.
Por ser um filme de baixo orçamento e com poucos recursos, Marina optou por usar imagens de arquivo da época no lugar de reconstituir as cenas. Pode parecer mais artificial e pouco verossímil (como a cena do fusca isolado no Viaduto do Chá, que citamos no encontro), mas era o que foi possível fazer. Marina priorizou investir em direitos autorais das músicas escolhidas para a trilha (impecável, aliás) do que recriar com absoluta autenticidade as cenas externas da cidade, por exemplo.
Califórnia levou o prêmio de ator coadjuvante (Caio Horowiks, o JM) no Festival do Rio e o prêmio da Juventude na Mostra de SP.
Caldo - Nossas Reflexões
Nossa discussão pautou-se, em linhas gerais, pelo debate sobre a adolescência e suas questões, tanto nos anos 80 como nos anos 2000. Conforme recordávamos (maioria do grupo foi adolescente nos 80) do que nos motivava e nos inspirava, íamos levantando algumas reflexões acerca dos valores e dos sonhos de cada época. E nessa linha fomos pensando juntos quais que permaneceram e quais que perderam seu significado, transformando-se em outra coisa.
Não existe melhor ou pior. São apenas diferentes. Ainda que a nostalgia tenha nos envolvido na discussão, inclinando para comparações do tipo “no meu tempo era assim...” não deixamos nos pautar pelo saudosismo cego de “os jovens de hoje...”. Apontamos as diferenças sim, mas com o exercício da crítica pensada e elaborada, incluindo a questão do abismo tecnológico entre as gerações (a atriz protagonista não sabia nem lidar com a fita cassete nas filmagens, imagina?), que faz toda diferença.
Para muitos, o que mais chamou atenção no filme foi notar como as relações familiares eram diferentes. Como isso mudou. Havia uma distância muito clara entre pais e filhos. Não se dialogava. Os pais não eram tão abertos, mal sabiam o que se passava na cabeça dos filhos e os filhos tinham medo dos pais. A distância imperava. Os pais pareciam muito mais velhos. Hoje, a distância é menor. A convivência e a dinâmica das famílias é mais orgânica.
Comentamos sobre o tempo das coisas. Como a tecnologia e a velocidade da informação vieram para encurtar o tempo. Nos anos 80, esperávamos o telefonema e a resposta vinha no tempo que deveria ser, no tempo real, cronológico. Enviávamos a carta, esperávamos chegar para ter a resposta de quem a recebeu, que por sua vez nos devolvia, tempos depois. E esse era o tempo real.
Nesse sentido, o filme é muito feliz em sua edição e montagem. Porque respeita o tempo das coisas acontecerem. As ações acontecem no tempo que devem durar e fazem jus ao argumento do roteiro. Se estamos nos anos 80, não cabe à protagonista se comunicar com o tio em uma velocidade fora daquela realidade. Assim, vemos na tela a garota gravar sua fala, colocar a fita no envelope e despachar para o tio. Algum tempo depois, ela recebe outro envelope, com a gravação do tio, respondendo às suas questões. Tudo em seu tempo. Às vezes essa opção pode entediar os mais afoitos, acostumados com filmes mais ágeis. Mas a estratégia é certeira, porque dialoga com a época que se quer mostrar.
Falamos sobre amadurecimento, sobre o rito de passagem que acomete os adolescentes em qualquer tempo. Os dramas, os anseios, os desejos, os medos, a dor e as alegrias, dentre outros, fazem parte do universo desse momento de vida, seja a época em que for. É um período da vida onde existe um turbilhão de emoções que toma conta da gente e que cada um enfrenta como pode. Única coisa que podemos dizer sobre esse momento (e falo no papel de pais) é que devemos estar atentos. Levar a sério e dar a devida importância e significado. Porque não é fácil. A construção de identidade nessa fase é uma das coisas mais importantes para o jovem e eles precisam contar com a gente, com nossa presença, cuidado, amor.
Sobre esse tema, indico o ótimo filme da cineasta Laís Bodansky “As Melhores Coisas do Mundo” que trata dessa geração em tempos atuais. Assistam! Vocês vão notar que muita coisa mudou, mas muita coisa ainda está lá, no mais íntimo coração adolescente.
Este filme da Laís, apesar de ser realizado por uma mulher, tem como protagonista um homem. Ao contrário de Califórnia, que parte do ponto de vista da garota e que é recheado de elementos autobiográficos, o que justifica seu aspecto feminino, como foi observado no encontro.
Discutimos a efemeridade das coisas nos tempos de agora. Como o adolescente de hoje não tem mais um ídolo e quando tem, sua permanência é menor - “Meus heróis morreram de overdose” – e logo em seguida encontram outro e outro e outro. A geração atual passeia em todas as tribos. Nada é tão preto no branco - são 50 tons de cinza, aliás.
Não existe mais a figura do popular, da galinha, do esquisitão, do CDF ou do gay. Existe uma infinidade de combinações possíveis, inclusive no campo da identidade de gênero e da orientação sexual, que nem mesmo sabemos definir e que, de verdade, não importa. Porque estes eram rótulos de um passado mais conservador, que não cabe mais em nossos dias. O que não significa o fim do preconceito (estamos melhor, mas ainda longe), mas sim o fim de rótulos absolutos.
Ainda sobre nossos heróis, o filme destaca os ídolos musicais e como lidávamos com estes símbolos. Eles protagonizavam as ideias. O rock era nossa voz política (que perdeu-se por completo nos anos 90 - década de enorme silêncio cultural). Hoje todos podem ser seus próprios ídolos. As bandas foram substituídas pela blogueira fitness ou pelo guru lá na Índia ou pelo filósofo engajado, ou pelo amigo que posta fotos incríveis das viagens que faz ou pelo político engajado em questões ambientais. Seja como for, tudo é mais líquido.
E porque liquido, fluído e sem permanência, estas referências se tornam mais superficiais? Em que medida pode-se afirmar que sim? E se pensarmos diferente? Ou seja: que por conta dessa natureza mutante, que possibilita a flexibilidade e a infinidade de opções, esse jovem de hoje não estaria mais próximo de fazer escolhas que lhe dão mais sentido e suas chances de viver conectado com aquilo que se é não se tornariam maiores? Nesse sentido, ao contrário da superficialidade, não seriam mais profundos? Ao passo que naquele outro jovem, dos anos 80, apesar da dedicação, do mergulho nas referências e na permanência das coisas, o resultado era mais idealizado e, assim, mais distante de quem se é.
Vale a reflexão, não é mesmo?
Retomando o filme, levantamos um aspecto interessante dos personagens e que diz respeito ao luto. O luto da garota com relação ao tio e à sua viagem para a Califórnia. O luto da rejeição do rapaz da escola. O luto do JM com relação aos seus pais e o abandono (será que esta sensibilidade e este amadurecimento podem ter vindo da complexidade destas relações familiares?), representado nos desenhos que fazia no papel e nas fitas cassetes como forma de elaboração desse luto. O rito de passagem não deixa de ser um luto que fazemos a fim de amadurecer para entrar na vida adulta, não é mesmo? E como a ausência da mãe interfere nisso tudo, não?
Lembramos também dos livros apresentados no filme. Feliz Ano Velho do Marcelo Rubens Paiva, um ícone da nossa geração. E O Estrangeiro do Albert Camus, cujo texto serviu de base para o The Cure compor a música Killing an Arab, tocada na trilha sonora. Soube, após o nosso encontro, que a diretora colocou o livro no filme justamente para sublinhar essa referência da música, pois segundo consta, ela é sempre usada para fins racistas e violentos e por conta disso a banda não queria negociar os direitos autorais. O uso do livro no filme foi a solução encontrada. Olha que interessante né!
Comentamos alguns detalhes do filme que poderiam ser melhor explorados como o movimento das Diretas Já e a redemocratização do país, que passou quase despercebido. Por outro lado, lembramos que o jovem daquela época não era politizado, não se envolvia nas questões políticas e portanto não havia porque o filme aprofundar nisso.
Outro aspecto que poderia ter tido mais força e atenção foi a Aids e a relação do tio com a sobrinha. A Aids era tabu, assunto velado na época e alvo de muito preconceito. Isso é colocado de forma bem coerente no filme, simbolizado pelo silêncio em torno da doença. Até aí, tudo certo, pois é vista pelos olhos da menina.
Um parênteses: Hoje mais de 30 milhões de pessoas no mundo convivem com o vírus HIV, sendo no Brasil por volta de 600 mil. O vírus atinge, em sua maioria, jovens de 15 a 24 anos e tem levado à morte uma média de 15 mil pessoas por ano.
Mas retomando, o personagem do tio foi muito pouco explorado. Ele era a principal razão da vida da sobrinha. Ela trocou a festa de 15 anos (unanimidade na época) por uma viagem a Califórnia para se encontrar com o tio libertário, sua maior referência. A relação deles no início era total, mas foi se perdendo ao longo do filme, culminando na cena do cemitério onde a visita do amigo JM passou a ser mais importante do que a morte e o luto por esse tio tão amado. Enfim, o grupo sentiu falta dessa dor, dessa separação.
Outro ponto que tocamos foi sobre a linguagem. O uso do termo “pão” para designar um cara bonito, não era exatamente o que usávamos nos anos 80. Talvez os nossos pais ou até mesmo nossos avós. Outro termo foi “tipo”, gíria de hoje (que veio do “like”, usado nas séries americanas) e não daquela época e naquele contexto. Também foi citado o uso de “rolou”, um verbo que não era falado naqueles tempos.
Em compensação, “dar um gelo” e “chocante” são verdadeiros achados. Assim como a memória do primeiro Valisére; o boneco E.T; o pôster dos irmãos Cohen; a viagem à praia escondida dos pais; o primeiro absorvente OB que a amiga nos empurra para usar; o lenço embebido no lança-perfume; o irmão mais novo que escuta conversa na linha telefônica; o carro sem cinto de segurança e a viagem de vidro aberto; os desenhos nas fitas cassetes e o melhor...as músicas...aahh, as músicas!
Elas merecem um Caldo especial só com elas. Que seleção!
Finalizo aqui com os clipes (falávamos clipes...rs) das principais músicas tocadas e, com elas, a certeza de que Marina Person fez, para além deste filme, uma linda declaração de amor aos anos 80 e à cena musical que permeou a sua (nossa) adolescência.
The Cure - Caterpillar
David Bowie - Five years
Joy Division - Love will tear us apart
No Metro - Beat Acelerado
Kid Abelha - Como eu quero
Obrigada gente por este ano tão especial que fizemos juntos. 2016 tem mais !!
“A vida é o que acontece enquanto você está ocupado fazendo outros planos” (John Lennon)
Com carinho,
Juliana
Sobre "A Caça”
A Caça foi premiado como melhor filme e ator (Mads Mikkelsen) no festival de cinema europeu. Ganhou melhor filme estrangeiro no Globo de Ouro e concorreu na mesma categoria no Oscar de 2013, perdendo para o filme A Grande Beleza.
Seu diretor, Thomas Vinterberg é o principal nome, junto a Lars Von Trier, do movimento chamado “Dogma 95″, criado por diretores dinamarqueses, como um manifesto a um cinema mais realista e menos comercial.
Outros filmes importantes desse mesmo diretor: - Festa em Familia, de 1998- filme marco do movimento Dogma, cujo roteiro é de Lars Von Trier. - Dogma do Amor, de 2003- filme com Joaquin Phoenix e Claire Daines, cultuado pela bela fotografia e trilha sonora. - Querida Wendy, de 2005- filme manifesto contra o uso de armas.
O Caldo - Nossas Reflexões Sobre o Filme
Nesse grande caldo que foi o cinema na mesa, destaco as principais questões que abordamos no encontro e que podem nos servir para reflexões futuras sobre a vida na sociedade moderna.
Fizemos um paralelo com o caso da Escola Base, que há quase 20 anos, em São Paulo, cujos diretores foram condenados injustamente por abuso sexual.
Questionamos a idealização da infância, no sentido da criança sempre dizer a verdade e sobre quais perspectivas. Até onde o adulto deve acreditar no relato de uma criança? O que é da ordem da fantasia e da ordem da realidade? Apontamos a histeria coletiva, como símbolo da sociedade moderna. Tema esse, bastante universal, que nos acomete diariamente.
Nesse sentido, da histeria, conversamos também sobre a natureza humana e como todos nós sempre estamos querendo encontrar algum culpado para as mazelas da sociedade.
Debatemos a cultura nórdica e até que ponto a apatia do personagem principal era resultado desse universo, tão distante de nós, e ao mesmo tempo tão próximo de nós em suas questões mais humanas.
Questionamos o sistema judicial, suas formas, suas possibilidades, suas necessidades. Na mesma linha combatemos o papel do psicólogo e da diretora da escola, em suas linhas de abordagem junto à criança. A falta do senso crítico, de um exercício do pensar.
Colocamo-nos no lugar dos personagens e ensaiamos algumas ideias e saídas para a sociedade em que vivemos, marcada sob tantas verdades absolutas que tomamos pra si. Lamentamos as injustiças, a desordem no mundo, o desconforto causado pelo filme.
Conversamos sobre o final do filme, identificando a Caça como um título de duplo sentido, onde o personagem, no fim é a caça, a presa de uma sociedade e dela dificilmente se livrará e a caça, como o verbo, no sentido da ação, do caçar. Essa necessidade do ser humano de apontar o outro e se eximir de suas próprias responsabilidades.
Sugiro, por fim, que quem se interessar um pouco mais sobre o tema do pensar e do senso crítico sobre as coisas, assistam ao filme Hanna Arendt, sobre o julgamento de Eischmann, um dos últimos líderes nazistas, capturado pela Mossad e levado a Jerusalém para ser julgado contra crimes da humanidade. Hanna Arendt vai a Jerusalém, cobrir o julgamento, pela revista New Yorker, e traça um relato sobre a “Banalidade do Mal”, que viria a ser posteriormente, junto com “As origens do Totalitarismo”, um dos grandes livros da filósofa.
Ainda sobre a “banalidade do mal”, sobre fascismo, nazismo e ditaduras, não deixem de assistir ao filme A Onda, baseado em caso real, sobre manipulação e senso comum.
Um forte abraço em todos, No vemos no próximo encontro, – Ju Sabbag
Introspectivo, sensível e delicado, "Beira-Mar" envolve o espectador pelas sutilezas dos gestos e dos olhares entre os protagonistas, especialmente em seu último ato, belíssimo e tocante. Sobre descobertas, desejos e a passagem para a vida adulta. Fique de olho na Mostra SP e nos horários das sessões.
Grace de Mônaco! O filme vale pelo figurino impecável e pela ótima reconstituição de época. Ainda que seja uma cinebiografia pouco profunda e com alguns excessos e clichês, o recorte que o filme traz da vida da princesa está longe de ser um conto de fadas. E isso não é pouco.
Colin Firth, 55 anos !!! Sem maiores legendas...acho que não precisa. #colinfirth #homenagem #cinemanamesa #mammamia #magiaaoluar
O filme "Que Horas Ela Volta?", com direção incrível de Anna Muylaert e estrelando Regina Casé, acaba de ser escolhido para nos representar no próximo Oscar! Estamos na torcida!! :) Veja a notícia no G1 <3
“Não é só a razão, mas também a nossa consciência, que se submetem ao nosso instinto mais forte, ao tirano que habita em nós” - Nietzsche
Sobre Relatos Selvagens
Produzido pelos irmãos Almodóvar, este filme de Damian Szifrón (diretor especializado em séries de TV cômicas e policiais) foi o mais visto na Argentina nos últimos 25 anos. Fez 3 milhões de espectadores lá, enquanto aqui, mais de 250 mil pessoas foram ao cinema conferir o longa mais comentado da temporada.
Comentamos que geralmente um filme que traz várias histórias não consegue se segurar em todas elas. Sempre uma ou outra se sobressai enquanto as demais são fracas ou insignificantes. Em Relatos Selvagens, todas as histórias são brilhantes, além de conseguirmos nos identificar com quase todas elas, e sempre com finais originais e inesperados. O humor negro em sua melhor forma e ainda de quebra, alguns episódios com afinado cunho moral. Esses são os grandes méritos do filme.
Caldo - As Nossas Reflexões
Episódio: PASTERNAK
Quem de nós nunca teve vontade de colocar num avião, numa Kombi, pessoas do nosso desagrado e jogar ladeira abaixo? O episódio flerta com o absurdo, com o fantástico, pra nos dizer o quanto somos capazes como Pasternak de fazer igual.
O final é absolutamente inesperado. O suicida aponta o avião para o jardim da casa de seus pais para não só acabar com todos os passageiros, mas também eliminar de forma brutal aqueles que ele julgava serem os culpados de toda sua angustia, sua desgraça (seu analista deixa isso bem claro na cena final).
Pasternak não queria mais viver e assim resolveu acabar com sua vida, a dos desgraçados que o perturbaram durante toda sua existência, incluindo o pai e a mãe. O episódio é o mais inverossímil de todos? Ou não?
Comentamos sobre uma leitura possível desse episodio que é a de demonstrar um pouco a sensação de ter um passado que volta pra te atormentar. Aquilo que vc fez lá atrás de uma forma ou de outra vem te cobrar a conta, de tirar a paz.
Falamos também de um personagem que não soube lidar com frustrações e como isso pôde repercurtir em sua vida social. Nesse sentido, refletimos as motivações, o que desencadeia em nós o instinto animal.
Destacamos a originalidade em colocar esse episódio, o mais curto de todos, antes do início do filme, quando figuras de animais selvagens se alternam com os créditos iniciais. Reparem que os animais são mostrados com os créditos dos profissionais fazendo referência a cada um deles. A coruja é mostrada com o responsável pela fotografia do filme. A edição de som é mostrada com a hiena. O nome do diretor do filme, com a raposa...Realmente, um começo de filme inesquecível.
Episódio: LAS RATAS
Aqui refletimos sobre a injustiça social e o extremo que nos leva a agir impulsivamente diante de uma pessoa que causou um mal tremendo em nossa família. Há neste episódio a denúncia social, o recalque, a frustração de uma vida fracassada (da senhora) e dilacerada (da moça).
Foi comentado também sobre o papel da personagem da cozinheira. Seria ela a representação do monstro que carregamos dentro de nós? O lado selvagem da moça estava na figura da cozinheira? Era ela o lado sombrio da outra?
Cozinheira essa, sem nada a perder. A quem a justiça com as próprias mãos dava o sentido de sua vida. Mesmo que pudesse morrer numa prisão. Não importa. A vingança ali, não era um prato que se comia cru. Ao menos para aquela senhora.
Episódio: EL MÁS FUERTE
Neste episódio, comentamos o quanto somos parecidos com os personagens do conto. Como o tema é universal. Quem de nós nunca se invocou no trânsito da grande cidade? E até que ponto chegamos, quando uma pessoa nos irrita ao extremo?
Discutimos também a luta de classes. Este episódio é bem emblemático, pois constrói os personagens bem estereotipados. Não tem mocinho nem bandido. Ambos são responsáveis pelo que aconteceu no desenrolar da história. Quem começou, quem fez o que, quem tem mais razão que o outro. Um conto sem concessões. Pois o absurdo é tamanho que já não interessa qual ou quem foi o estopim da briga. O pavio curto acomete todos nós.
Falamos de como isso perpassa nosso cotidiano e a toda hora. Cada um sempre defende que aquilo que fez foi menos pior do que aquilo que o outro fez. Que um só fez aquilo porque o outro começou...Nunca tem fim. Ou melhor, neste caso, um fim tragicômico, com duas caveiras abraçadas, indicando, ironicamente, ter havido naquela estrada, um crime passional.
Comentamos que esse era um episódio bem masculino, refletimos a virilidade. Foi questionado inclusive se a vingança (quando o personagem volta pra enfrentar o outro) era determinada por seu aspecto viril ou porque o cara estava se borrando de medo de ser morto pelo outro. O que exatamente o levou a agir dessa forma?
Questiono se o lado selvagem do ser humano é intrínseco ou são os ambientes e as situações que provocam esse lado em nós. O que determina? Qualquer um pode perder o controle ou depende da cultura, sociedade, ambiente, pessoas?
Lembramos a excelente trilha sonora do filme, especialmente neste episódio, onde as cenas eram compostas com músicas do Flashdance, filme ícone dos anos 80.
Episódio: BOMBITA
Talvez o episódio com o qual mais nos identificamos. Porque fala de um sistema opressor, porque fala da impotência como cidadãos, porque fala de um sistema corrupto e burocrático, porque elege a indústria de multas pra mostrar a violência e a brutalidade do dia a dia e especialmente porque fala de como estamos sós enquanto cidadãos. Não há um intermediário, como bem apontamos na discussão. Não temos pra onde correr. Ninguém nos representa diante dessa situação, não há interlocução.
Falamos do abuso de poder e como somos menosprezados como cidadãos (o que nos leva ao desespero) e como poderíamos ser ouvidos numa situação coo esta. Qual seria a sistema ideal e como deveria ser em outros países.
Discutimos as prioridades na vida daquele cidadão. A necessidade de resolver aquela situação naquele momento versus a necessidade de levar o bolo de aniversário pra casa e as implicações que cada uma traz.
Comentamos sobre a esposa, seu papel, a relação dos dois, a cena deles em frente ao juiz na separação e até a cena final com o bolo sendo levado na prisão. Aonde levam nossas escolhas e o que determina a relação.
Adoramos a Bombita !! O gozo final de uma vingança, que é a de todos nós. Lembramos que aqui temos o juizado de pequenas causas, falamos das operadoras de serviços de telefonia e outros, comentamos sobre a paciência de cada um e os nossos limites. Os que correm atrás e os que preferem calar- se e como poderíamos melhorar a sociedade se todos buscassem as pequenas causas e não simplesmente aceitassem a violência diária de todos estes serviços. Enfim, uma longa e importantíssima reflexão e que se faz mais do que oportuna em tempos atuais.
Aqui, também envio o link da incrível música tema do episódio: Aire Libre
Episódio: LA PROPUESTA
Episódio mais polêmico do filme foi o que mais gerou discussão. Alguns até entenderam que este conto era o mais fora do tema geral do filme. De fato o tom desse episódio é outro, mas lá no fundo, a raíz é semelhante aos demais.
Se pegarmos o ponto de vista do marido da mulher grávida atropelada, quando ele esfaqueia o “culpado”, temos na cena a vingança, a justiça com as próprias mãos, a situação limite de falta de controle, o lado selvagem e sombrio. Mesmo do ponto de vista do pai do menino, que surta quando percebe que todos querem extorqui-lo, temos impulsividade, perda de controle, insanidade, raiva, ódio, vingança, que são os temas do filme.
Refletimos muito a moral e o que faríamos numa situação dessas. Quando que é aceitável comprar o jardineiro pra defender seu filho diante da prisão? E diante da morte? O que você faria? Fatalidades acontecem, mas até que ponto você iria pra defender teu filho? Qual o limite? O jardineiro pode enfrentar a prisão, mas o teu filho não? O quanto disso é imoral? Ou amoral?
E o pai do menino? Já tinha toda a negociação em sua cabeça ou foi se moldando conforme a situação se apresentava pra ele? Racional ou emocional?
Comentamos que esse episódio também mostrava a luta de classes, a injustiça social, o poder, a corrupção. E acrescentava ainda elementos novos, como a ganância e a proteção de um filho.
E essa proteção? Calcada no amor de um pai pelo filho? Não parecia. Ao menos o filme não construiu a relação da família desta maneira, com amor. Mais parecia um pai sempre forte e poderoso querendo resolver uma situação desconfortável. Foi uma fatalidade ou uma irresponsabilidade do menino? Também falamos sobre isso.
Discutimos o papel do jardineiro. Teria sido coagido a aceitar a proposta? Estava feliz com a negociação ou não tinha muita saída pra ele? Devoção absoluta ao patrão ou estava sendo beneficiado com a proposta e queria levar o dele?
Enfim, foram muitos pontos nesse episódio, que ficaram abertos e não conseguimos concluir. As opiniões variaram bastante, cada qual com seus argumentos, mas sempre com a dúvida de como seria se fosse com os nossos filhos. Excelente conto para reflexões futuras.
Episódio: HASTA QUE LA MUERTE NOS SEPARE
Ahhhhhh!! O que falar desse que foi o mais delicioso episódio do filme? Fechado com chave de ouro, a noiva (personagem de Erica Diva, excelente) entrou pro rol das cenas mais espetaculares e antológicas do cinema.
Eles se amavam? O noivo voltou mais caliente depois que pegou a noiva com o cozinheiro? Os homens não viram sentido nessa observação. Já as mulheres sim. Ponto interessante da discussão.
O noivo errou. Isso todos concordaram. Não poderia nunca ter chamado a amante para o casório. Ainda que tenha decidido casar-se e sua escolha era a noiva, por que então convidar a amante?
Comentamos também da construção dos personagens. Noivo bonitão, rico, com uma mãe louca, uma amante novinha e linda, uma noiva não exatamente maravilhosa (nem todos pensaram assim) e que depois se transforma e fica mais interessante ainda. Enfim, ótimos, todos.
Refletimos muito o casamento como um teatro. Os papéis muito bem definidos, a cerimônia, os rituais. E o contraponto que o filme faz quando desconstrói tudo isso no papel de uma noiva que enlouquece e que sai totalmente do prumo, questionando o que é ou não verdadeiro em nós. Neste sentido, há um paralelo com a primeira parte do filme Melancolia de Lars Von Trier, que faz um critica às aparências e toda a hipocrisia que ronda a cerimonia de casamento.
Falamos do lado selvagem não apenas do ponto de vista da insanidade, da loucura, mas também e especialmente pelo ângulo do sexo selvagem. E por que não?
Aqui lembramos também a excelente trilha, com a música Titanium, de David Guetta, tocada no início do casamento. O hit, já um clássico, não sairá da tua cabeça por um bom tempo.
Logo abaixo envio o link de uma entrevista que a atriz Erica Riva deu para um canal de TV brasileira e que fala um pouco da sua atuação, do tema do filme e deste aspecto teatral do casamento, discutido por nós.
https://www.youtube.com/watch?v=ACAYgy8blio
Espero que tenham gostado!
Beijos Ju
“Existo onde não penso” - Freud
Livre (Wild) - Jean-Marc Vallée, 2014
Começando os trabalhos da chef @vontadedeque pro encontro de cinema sobre o filme Livre ( Wild ). Já já teremos a roda de reflexão e um menu inspirado na vida selvagem!! #cinemanamesa #debate #livre #reesewhitherspoon #jeanmarcvallee #pacificcoasttrail #filmes #gastronomia