A História Do Movimento Punk Transgênero (60’s - 2017)
Minha amiga Lara, que é mulher trans e punk por natureza, me ajudou a fazer esta matéria então fica o meu agradecimento a essa linda.
Antes de mais nada, como é ser transsexual e punk? A Lara me explicou brevemente: “Sobre ser mulher trans e ser punk, eu enfatizo muito o poder feminino na sociedade, pois as mulheres (cis e trans) ainda sofrem muito com a desigualdade nos dias de hoje.
Pelo que eu tenho em mente, o punk é um movimento no qual as pessoas começaram a expressar mais os seus pensamentos, em roupas, músicas, ou em outras intervenções artísticas como a fotografia, desenhos e esportes como o skate. Eu prezo muito pelo respeito ao próximo, a compreensão da opinião (que seja coerente) alheia.“
Ela completa: “Acho que a essência do punk está aí, no respeito, na compreensão, e em nos preocuparmos mais no que é ser humano racional.
Na entrevista que a galera da Bay Area deu para o Spotify Landmark eu vi que eles falaram muito sobre você ter respeito e não ter preconceitos, meu conceito de punk se junta ao deles: não seja racista, homofóbico, transfóbico. O punk veio para unir pessoas e não separa-las mais do que já são.”
O Punk Rock começou a enraizar-se na música no final dos anos 60, com bandas como Stooges, MC5 e Velvet Underground.
Teve também uma outra banda que foi uma das mais importantes para o surgimento do punk, que foi o New York Dolls onde os integrantes usavam maquiagem, vestidos e sapatos de plataforma (ou seja, eram drag queens basicamente). A banda foi crucial para o surgimento do Glam Rock (de onde você acha que veio a inspiração do marciano Ziggy Stardust?) e o Glam Metal.
O Trans-Punk começa a engatinhar em meados dos anos 70 com a cantora Jayne County, que ainda em sua fase de transição formou a banda Electric Chairs. Além de abrir as portas para as pessoas transgêneros no movimento punk, Jayne se tornou a primeira mulher a se assumir transsexual na história do rock. O Electric Chairs foi parte da primeira leva de bandas punks ao lado dos Ramones, Deadboys, Runaways e etc.
No fim dos anos 80, a cena de Olympia vinha contribuindo para o auge do Punk Revival. Lá surgiu o movimento Riot Grrrl, onde finalmente as mulheres ganhavam um espaço só para elas no Punk. Esse movimento foi muito importante pois agora as mulheres trans estavam sendo apoiadas por grandes vozes de bandas como Bikini Kill. E na Bay Area (San Francisco) temos a lendária Gilman Street, que foi uma casa de shows que contribuiu para o nascimento de bandas como Green Day, Rancid e Offspring. Bem na entrada da Gilman existem algumas regras penduradas numa parede que se não segui-las pode levar a expulsão permanente do indivíduo. Algumas destas regras são a proibição da transfobia, homofobia, machismo e sexismo.
Atualmente, o movimento trans-punk vem ganhando mais força de bandas como Against Me, que aborda temas até desconhecidos por muitos (era até pra mim) como a Disforia. E temos a também uma banda sensacional que é a G.L.O.S.S. (Girls Living Outside Societys Shit) que no ano passado lançou um EP chamado Trans Day Of Revenge que simplesmente conseguiu ser uma das coisas mais agressivas que já ouvi.
*Ajude a espalhar essa mensagem e a importância deste movimento. Divulgue, troque ideias e apóie. O punk não está morto e sim transicionando.*