Quase todos os dias sinto que podia ser melhor na minha relação com Deus. Podia falar-Lhe mais e escutá-Lo mais. Podia estar mais certo do caminho que sei que é o certo. No entanto, prefiro, tantas vezes, falar comigo mesmo e escutar aquilo que os meus egoísmos murmuram.
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O mundo é como uma floresta cheia de belezas e ameaças. Importa saber distinguir o bom do mau, e agir em favor do maior bem, com firmeza. Ora, isto é muito fácil de dizer e escrever, mas de uma dureza enorme de conseguir concretizar no dia a dia. Como se preferisse deixar-me ir.
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O meu amanhã será o resultado do que me aconteceu hoje e da minha reação a isso. Se não faço nada, se me deixo ir, então o meu amanhã será o lugar exato para onde o hoje me leva. Escolher não escolher é uma opção... irresponsável.
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Confiar em Deus não é deixarmo-nos ir. Porque Deus confia em cada um de nós ao ponto de nos ter criado livres, garantindo dessa forma que quando nos aproximamos d’Ele é por nossa vontade e não por mero acaso. Este mundo tende a afastar-nos de Deus, como se estivesse inclinado de forma ligeira e quem nada faz acaba por se afastar.
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Mas eu ando cansado e preocupado com tantas coisas que são poucas as forças e o tempo que me restam para me dedicar ao que pode ser adiado... trato das minhas urgências e o importante fica sempre para amanhã. O pior é que eu acredito mesmo que amanhã conseguirei pôr tudo em dia, tudo! O amanhã é sempre o dia em que tudo se resolverá! Esta ideia descansa-me, mas não me compromete, porque amanhã também poderei adiar...
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Sinto uma falta profunda de paz. Ou uma falta de paz profunda. Sinto-me longe de casa, sei qual é o caminho, mas parece que algo em mim me impede de ir... Arranjo desculpas e adio.
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Por vezes, farto de assim ser, decido-me a um gesto corajoso e dou os primeiros passos. É bom, tão bom que, de forma incompreensível, decido parar e usufruir. Não ando mais e em pouco tempo volto ao mesmo, sendo que me tranquiliza a ideia de que eu consigo, se quiser e quando quiser. Ora, isso não é verdade. Eu apenas sou capaz de dar uns passos, mas não de ir sem voltar para trás.
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Como posso acreditar no que não vejo? Como posso estar certo do que espero? Com fé e humildade. A confiança que nasce da fé é mais forte do que a força. É a força da vida. A verdade da nossa condição humana é que não somos senhores do mundo, nem sequer de nós mesmos. A realidade parece passar muito bem sem nós, pelo que a ideia de que somos o centro do mundo é uma idiotice completa.
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A fé exige que trabalhemos na criação e construção de caminhos para o céu. Para nós mesmos e para os outros. Precisamos de viver de acordo com o que acreditamos, sob pena de perdermos a nossa identidade... e a nossa felicidade.
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O que quer Deus de mim? Que eu seja feliz. E eu,o que quero de mim? Ser feliz. Então porque passo o tempo à espera que isso me aconteça sem que eu tenha de fazer coisa alguma?
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A minha vida deve ser o meu templo. O lugar onde me dedico àquilo em que acredito. Onde me empenho em cumprir o que Deus me pede e que não é mais do que aquilo de bom que também eu quero.
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O meu coração deve ser uma capela sem paredes nem teto. Onde o vento, o sol e a chuva de cada um dos dias têm sempre lugar, onde também há espaço para a necessidade e a aflição, bem como para o contentamento e a abundância.
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Este coração eleva-se e encontra-se com os outros corações que também buscam o céu.
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E o que é a oração se não uma forma de nos confiarmos ao amor, de reconhecermos a verdade do que somos e de querermos partilhar as tristezas e as alegrias?