O Fim do "Everlasting Duo"
O duo de Blues Rock, The Black Keys, lançou por stream essa semana seu oitavo álbum de estúdio, intitulado “Turn Blue”. A banda anteriormente havia lançado dois singles, o primeiro sendo a música pop “Fever” que apesar de dividir bastante opiniões, deixa claro as propostas do duo para esse álbum. O outro single lançado foi a música que deu nome ao álbum, “Turn Blue”. Essa música mostra que a essência antiga do The Black Keys ainda está presente nesse álbum, ainda que muito fraca.
O álbum abre com a música Weight of Love, que introduz o álbum com um foco no instrumental, com combinações de solos de guitarra e um clima atmosférico criado pelos teclados do produtor Brian Burton. Antes mesmo de começar o vocal, a música mostra algo que acompanha a proposta desse álbum, que é o definitivo fim da imagem de “Duo de Blues Rock” que acompanhou o The Black Keys desde seu início. O motivo que isso se dá é o uso abusivo dos teclados, e o destaque que o baixo recebe em partes das músicas. Logo após a intro da música, o vocal clássico se revela, porém com um toque mais leve devido a melodia da música. Em seguida temos a música In Love que se mostra carregar algum resquício do álbum anterior, El Camino(2011) não se desfazendo do uso das guitarras e ainda complementando com um piano. É uma faixa um tanto quanto indiferente no álbum, assim como algumas do El Camino, porém ela cumpre bem seu papel já que antecede as duas faixas que foram de maior relevância antes do lançamento do álbum, “Turn Blue” e “Fever”. Turn Blue uma música breve e lenta que revela o restante do “antigo The Black Keys”, tem uma boa melodia e um riff marcante, porém se mostra um single fraco em comparação a singles de outros álbuns. Já “Fever” chega quebrando o clima melancólico que as três primeiras músicas haviam deixado, trazendo o lado pop da banda e o uso detalhistas de mais instrumentos, deixando o destaque pro teclado e pro baixo, mostrando novamente a proposta do som mais recheado que esse álbum carrega.
Year in Review surge com um clima já apresentado em In Love, porém com um refrão mais forte e com um backing vocal feminino que destaca a atmosfera que a música traz. Em seguida temos talvez o maior destaque desse álbum, a música Bullet in the Brain não só reúne todos os elementos instrumentais que são propostos pelo álbum, mas também os melódicos, com uma força não sentida nas músicas anteriores, e de brinde trazendo um ar nostálgico do El Camino. Depois do clima forte e impactante com o qual Bullet in the Brain nos recebe, somos levados direto para a bateria rufada de Patrick Carney em It’s Up To You Now, que é um dos destaques dessa música que apesar de ser fraca, compensa com um solo de Dan Auerbach que mostra que apesar de todas mudanças, as guitarras sempre serão um forte elemento presente na música do duo(esperamos). Waiting on Words funciona com uma linda passagem de som, que traz um clima sentimental renovado para a banda, e com guitarras que lembram a música “Never Gonna Give You Up” (coverizada pela banda no álbum “Brothers”). 10 Lovers chega com uma batida simples da bateria de Patrick Carney, e ainda retrocede o álbum ao clima inicial, com um refrão bom e que tende a melhorar durante as audições, essa música é como a última aparição dessa atmosfera que nos acompanhou durante o álbum, que se encaminha para a reta final. A penúltima música do álbum, In Our Prime, é como se o álbum nos presenteasse com essa música acompanhada do piano, que é lenta, mas forte que nos deixa na expectativa de uma “explosão” que quase não recebemos durante a audição do álbum, e após isso ainda nos presenteia com um lindo solo de guitarra, deixando evidente que essa é uma das músicas mais fortes do álbum e que compete com músicas de álbuns anteriores como “These Days”. Gotta Get Away chega como um breve bônus após o belo final que o álbum nos dá, com um clima que remete ao country essa música quebra o clima que marcou esse álbum e funciona bem na hora de finalizar de vez o oitavo álbum da banda.
Turn Blue surge como um álbum que divide o caminho que o The Black Keys traça, se mostrando não só uma experimentação, mas uma fusão de essências que vão desde o resquício do que já foi a banda, até a complementação das músicas com novos instrumentos. É um disco que surge para dividir opiniões e que reforça as pessoas que a pouco tempo se interessam pela banda, porém se desfaz dos fãs mais antigos que se interessavam pelo som de garagem que a banda fazia. É interessante pensar no que levou a banda a tomar essa atitude, já que é o Oitavo álbum da banda, eles talvez tivessem essa necessidade de experimentar e complementar suas músicas, porém cientes da consequência de deixar órfãos os fãs do Blues Rock que a banda fazia. Para as pessoas que gostaram de Turn Blue, o álbum é um prato cheio, que oferece uma audição nem um pouco enjoativa e que ainda disponibiliza a “exploração” do seu interior e de suas influências. Já para quem odiou, o mais recomendado é ir procurar novas bandas de Blues Rock, como a ainda oculta Black Pistol Fire, que faz um Blues Rock de qualidade talvez melhor e mais sujo que os primeiros álbuns do The Black Keys.