Lendo sobre falácias eu pensei em algo interessante (derivativo, porém interessante):
A maioria das pessoas que são a favor da liberação do posse/porte de armas usa o argumento do "quem não quiser não compra", e estão certíssimos, com ou sem a liberação do porte, muita gente já possui armamento.
Mas isso me leva a pensar, no caso da liberação do uso/posse de drogas, não se pode parafrasear o mesmo argumento? "Quem não quiser não usa".
Já um caso mais polêmico, o aborto, a (suposta) opinião geral do pessoal "pró-vida" é de que caso seja liberado, vai ser uma festa de todo mundo abortando, mas é fato, a incidência do aborto é sensível ao seu status legal, em países onde o prodecimento é legalizado (ou descriminalizado), a quantidade de pessoas que realizam esse procedimento cai, puf, diminui, é tudo questão de amparo legal.
Mas tem a questão moral também, geralmente, pessoas contra o procedimento são religiosas (não que religião seja algo ruim), e a parte ruim disso é que a maioria das mesmas julgam qualquer coisa fora do texto sagrado deles como imoral, indigno e reprovável, como se a existência da moral no ser humano fosse condicionada a um segmento religioso específico (como se a moral fosse absoluta também).
Permito-me usar um tu quoque aqui, granda maioria dos que pregam a moral absoluta religiosa ignora as partes da mesma que não lhe convém.
"Mas é imoral dar fim a um ser que sequer chegou ao mundo", daí eu pergunto, é moral deixar crianças de rua ao relento, sobrevivendo de esmola, enquanto o Estado pouco se movimenta para promover assistência as mesmas?
É moral deixar uma criança nascer e jogá-la para o primeiro abrigo que encontrar para que talvez (denota baixa probabilidade de acontecer), e é um talvez com sorte, encontre uma família que a adote e a trate bem (coisa que não acontece muito não).
No caso de adoção também nem sempre é culpa da família (muito menos das crianças obviamente), mas sim do Estado, dos trâmites legais, da burocracia, que torna o processo moroso e lento (redundância para ênfase).
Talvez devamos repensar certas atitudes, afinal, no nosso país, os absolutistas morais geralmente são relativistas no que lhe convém, e os relativistas geralmente tem mais noção moral do que os outros.