Cambios
Inter[cambio] = cambio interior
Estou na Espanha há 5 meses fazendo intercâmbio e, até aqui, pensava não ter aprendido tanto assim. Talvez por já ter morado fora por muito tempo antes, ter conhecido muita gente e por já ter morado só, já tinha concluído que essa experiência não tinha me acrescentado quase nada, além das viagens e história de lugares que conheci e um pouco do idioma castellano. Mas há uma coisa que é inevitável: aprender mais sobre si. Tendo morado nos Estados Unidos, havia me tornado uma pessoa bem reservada, meio individualista. E isso me deu um belo tapa na cara aqui, porque eu percebi que demorei demais pra deixar pessoas novas entrarem na minha vida, como eu sempre demoro. Numa experiência de intercâmbio isso não ajuda em nada, principalmente quando o lugar é frio. Só agora é que tô tendo (me dando) a oportunidade de interagir mais, só que daqui a pouco é cada um pro seu lado denovo. Também percebi como há gente generosa nesse mundo! Conheci austríacos que me acolheram sem nem me conhecer, me hospedaram e me trataram super bem... Isso me deu muita esperança em relação à humanidade; como ainda podemos confiar nas pessoas.
No Brasil isso é um pouco difícil, colocar um estranho na sua casa assim. Conheci uns argentinos que disseram que na região deles, hospitalidade é sinômimo de dar tudo o que você tem e não tem pra pessoa, principalmente a sua cama pra dormir. Os espanhóis, quando recebem visitas em casa, pagam tudo pra eles! No Brasil é meio que socialmente aceitável deixar a visita pagar umas coisas, a própria pessoa se sente na obrigação de pagar como uma espécie de ato de gratidão. Eu ainda me sinto mal se alguém me oferece algo e eu não pago, ou se saio pra comer e pagam pra mim. A coletividade aqui é muito importante.. Recentemente entrei pra uma rede-social chamada "couchsurfing", que é simplesmente genial. Viajantes recebem viajantes (desconhecidos) em casa grátis e alguns ainda os levam pra conhecer a cidade. COMO eu queria que isso desse certo no Brasil.. Quem sabe um dia, depois de tantos intercambistas levarem essa cultura pro Brasil, possamos começar a confiar nas pessoas cegamente.
PROST!














