The burden of my house has followed me across the country — Theodore & Camille
Sua mãe estava no hospital, e não importava o que havia lido na carta, não importava se era a caligrafia de sua mãe, sabia que as palavras eram falsas. De acordo com o papel, os remédios, os antidepressivos, que ela tomava haviam a deixado confusa, e ela precisou ficar em observação. Mas não era isso. Ela sempre protegia seu pai, não importava o tamanho da burrada que ele havia cometido, e Theodore sabia que agora não era diferente. A certeza de que sua mãe apanhara e ele não estava lá para impedir havia se estabelecido no fundo de seu estômago, preenchendo sua mente de uma forma insuportável, quase o impedindo de pensar propriamente.
Estava passando seu fim de semana em Hogsmead do jeito que normalmente passava. Bebendo. Mas dessa vez, era para valer. Queria beber até esquecer seu nome, seu pai e o que ele fazia. Queria beber até esquecer a maldita carta, até esquecer que tinha problemas em casa. Queria beber até esquecer que tinha apenas 16 anos e seu fígado provavelmente já não tinha salvação, que ele próprio não tinha salvação. Talvez arranjasse briga com o primeiro adulto que tivesse alguma semelhança física com o pai, para fingir que estava socando a cara do infeliz, como se aquilo fosse proteger a mãe, ou tirá-la do hospital. Podia até ouvir as desculpas esfarrapadas que ela usou, algo como “cai da escada” ou algo do tipo. Aquilo fazia seu estômago vazio se revirar, e ele quase vomitou.
Sentia tanto orgulho de seu pai antes. Sonhava em igualar-se a ele, ser um veterano da guerra. O homem era seu herói, e agora ele não conseguia sentir nada mais que desprezo e ódio. Ainda assim, não podia parar de imitá-lo. Se perguntou se algum dia teria um filho que o odiaria e o idolatrava da mesma forma doentia que ele fazia com o pai.
Ela estava brava. Muito completa impreterivelmente brava. Sabia muitíssimo bem que a melhor namorada que Theodore Fawcett já conseguiu colocar as mãos na vida possuía malte dourado e corpo em graciosas curvas. A dita cuja atendia pelo nome de "garrafa de firewhiskey", inseparável companheira do rapaz repleto de mechas douradas e estúpidos olhos azuis que serviam para entregá-lo uma quantidade de fãs completamente dispensável para um menino cheio de problemas como o gryffindor. Curiosamente, se o colega tinha herdado alguma das caracteríticas do brasão dourado e carmin, podia apontar a teimosia sendo a primeira delas. Disparado. Teimoso e burro ao ponto de estar esvaziando repetidas doses, uma atrás da outra. Se despindo do líquido, da lógica e da angústia.
A última da trinca de suposições estava elencada numa teoria pessoal da Smethwyck, crente nos motivos para ele se comportar de maneira adulta aos dezesseis anos. Adulto apenas na capacidade alcoolica, visto que o cérebro parecia severamente prejudicado por alguma pancada muito grave. Deveriam mandar o fígado dele para uma recuperação, salvá-lo com um feitiço ou uma daquelas rezadeiras que conhecera nno Camboja. Possível que Fawcett esquecesse metade das suas dores caso viajasse tanto quanto ela, mas no momento tal pensamento se fez impossível. Era um dos raros dias onde a jovem andava por aí desacompanhada, o observando desde umas duas horas atrás - e Merlin sabia lá como o menor conseguia suas bebidas. Fácil dos encrenqueiros locais terem percebido o mesmo, já que quando ele abandonou o estabelecimento foi seguido por um trio bastante suspeito. Camille jogou o moletom por cima das suas mechas e após jogar os galeões de pagamento na própria mesa, saiu em disparada. O aperto em seu peito dizia que outro estava em sérios problemas.
Foi quando sua visão prejudicada pela neve caindo percebeu o grupo ao longe, um deles com a garrafa nas mãos enquanto o outro empurrava um bêbado Theodoro para lá e para cá - dos braços de um para o outro. Suficiente para que ela afundasse os pés pequenos no montante de neve correndo em direção dele, removendo a varinha num gesto ágil. Apenas se pronunciou depois de absolutamente não pensar direito. “Expelliarmus!”Onde diabos (Merlin, Godric e todas outras referências que tinha) estava com a cabeça ao atacar um desconhecido dessa forma assombrou sua mente por dois segundos. Mas só isso mesmo, uma vez que moveu a varinha impedindo os demais de retrucarem. "Both of you, do not dare to touch your pockets." Claro que não exalava lá grande ameaça, mas eram somente três arruaceiros. Poderia muito bem dar um jeito neles por si mesma. "Release him and go away. You can drag this bottle with you, just don’t dare to hurt my friend again!"
As risadas dos garotos em seus prováveis dezenove anos fizeram-na cerrar o punho e murmurar um feitiço levemente explosivo na garrafa presa nas mãos de um deles. O barulho dos vidros ecoando e o grito de um deles foi suficiente para Camille correr em direção a Theodore, agora solto por um deles. Ela se aproximou pela lateral, o agarrando pela cintura com uma intimidade que não possuíam. Bom, não era hora de pensar nisso. "You’re three are so fucked if Dumbledore knows that you’re frightening the poor guy. Now, i suggest you to get out." Com isso, ela escutou a promessa de retorno vinda do mais velho componente daquele trio esquisito. Quando eles se afastaram o suficiente, ela reagiu no mesmo instante, colocando-se na frente de Theodore e levando ambas as mãos miúdas, delicadas e mornas para o rosto do maior. O arranjo permitiu manter a face do rapaz firme, queria encará-lo de frente e ter alguma noção sobre o quão fodido e alcoolizado ele estava. "Theo? Fawcett? Man, what have you done to yourself…"






