No silêncio manso de um domingo à noite,
quando o mundo desacelera sem pedir licença,
eu me encontro — não por acaso,
mas por escolha.
A luz amarela dança nas paredes,
e o tempo, esse velho apressado,
resolve sentar também,
como quem aceita um convite inesperado.
Abro uma cerveja, devagar,
escuto o suspiro leve da espuma,
como se ela soubesse
que hoje não há pressa alguma.
O primeiro gole não é sede,
é presença.
É um brinde silencioso
à minha própria companhia.
Não há vozes,
não há distrações urgentes,
apenas o som sutil de existir
inteiro, aqui, agora.
E descubro, sem alarde,
que há beleza nesse encontro despretensioso
em rir sozinho de um pensamento bobo,
em lembrar sem saudade,
em simplesmente estar.
Domingo à noite já não pesa,
já não anuncia o fim de nada.
Ele se torna abrigo,
um intervalo gentil na correria inventada.
E entre um gole e outro,
quase sem perceber,
eu me torno alguém
com quem gosto de ser.
— Jefferson Araújo (cogitador)















