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Patologia para Jung
A psicologia analítica foi fundada por Carl G. Jung (1875 – 1961), e é uma grande conquista científica, que engloba as descobertas importantes sobre o inconsciente, e também a visão sobre o normal e o patológico. Ao estudar o patológico na dimensão da psique, Carl G. Jung conclui que a psicopatologia é uma variante do desenvolvimento normal do arquétipo, segundo Jung, as enfermidades são distúrbios de processos normais, e nunca uma entidade por si dotados de uma psicologia autônoma. Ou seja, patológico para Jung é sinônimo de exagerado, o adoecimento psíquico é um processo normal, que já existe normalmente no psiquismo, não é algo externo, e sim um processo normal exagerado. A psicopatologia é vista muito mais como um desequilíbrio a ser transformado do que um mal propriamente dito.
‘’ O objetivo deles [doentes mentais] é manifestamente criar um sistema, cujas fórmulas lhes permitam assimilação de fenômenos psíquicos desconhecidos, ou seja, lhes possibilitem ordenar o seu próprio mundo. Esse ordenamento é, de início, meramente subjetivo, embora seja necessariamente um estágio de transição enquanto vai se adaptando sua personalidade ao mundo. No entanto, o doente permanece neste estágio e vê o mundo com sua compreensão subjetiva e por isso é considerado doente. Ele não consegue se libertar do subjetivismo, não encontrando nenhum elo de ligação com o pensamento objetivo, ou seja, com a sociedade. O doente, contudo, não alcança uma compreensão real de si mesmo, enquanto sua compreensão é apenas subjetiva. Uma compreensão apenas subjetiva não é de modo algum uma compreensão verdadeira e definitiva.’’ (JUNG, 1990, pg. 171). No ponto de vista de Jung, o doente mental é apenas um indivíduo que não consegue se adaptar ao mundo. O processo começa com o desejo de algo, e buscando realizar esse desejo a pessoa se perde nas possibilidades, e acaba por não concretizar o seu desejo inicial. Isso desencadeia sintomas que têm uma ligação simbólica com o desejo inicial, e essa ligação é apresentada como um pacto entre o inconsciente e o consciente. Os mesmos funcionam de forma compensatória, o consciente e o inconsciente tentam se equilibrar, se um dos lados falta, o outro deverá compensar.
O indivíduo mentalmente desequilibrado tenta lutar contra o seu próprio inconsciente, e o resultado dessa batalha é um estado de excitação que tem como consequência uma grande desarmonia entre o consciente e o inconsciente. Por fim, o inconsciente começa a se sobrepor violentamente à consciência, o que culmina em humores e pensamentos confusos e incompreensíveis, e também alucinações que nitidamente mostram o conflito interno do indivíduo.
Entrando no desenvolvimento da personalidade, Jung diz que pode haver uma predisposição psíquica que leve ao conflito e, como consequência, à doença mental.
Como é sabido, o ego se desenvolve e se fortalece em relações e ambientes que promovam o mesmo. Por outro lado, a falta de estrutura das relações e do ambiente pode levar a uma má formação do Ego, e por consequência um Ego passível aos conflitos com o Inconsciente.
‘’O que leva à doença é somente a impossibilidade de a pessoa se libertar de um conflito avassalador. No momento em que o indivíduo percebe que sozinho não pode resolver suas dificuldades e ninguém pode ajudá-lo é que ele entra em pânico e se vê tomado por um caos de emoções e pensamentos estranhos. O papel desempenhado pelo Ego neste processo é o de trazer à luz da consciência as falhas do processo, reconhecendo ainda as possibilidades de resolução. Seria este processo, realizado pelo Ego, que promoveria a “cura” no sentido de retornar ao equilíbrio que encaminhará o indivíduo em seu processo de individuação.’’ (JUNG, 1990, pg. 204).
‘’Ter consciência de organizar algo vincula-se diretamente à necessidade de relação verdadeira entre consciente e inconsciente. Em outras palavras, entre Ego (Eu) e Self (Si-mesmo)’’. Nesse ponto de vista, é possível perceber que a doença não é vista como um mal, mas sim uma possibilidade da pessoa repensar e se transformar.
‘’Nas depressões transformativas, a libido é atraída por algum conteúdo psíquico que precisa tornar-se consciente, de forma a apressar o processo de individuação.’’ (1992, pg. 137).
Nesse sentido, Jung não considerava a depressão um processo patológico simplista, mas sim como algo de extrema importância para que o indivíduo tomasse consciência.
Defesa e Personalidade Patológica
Podemos categorizar a gravidade das defesas conforme a ligação da Sombra com a Consciência em quatro níveis: defesa neurótica, psicopática, borderline e psicótica.
Na defesa neurótica, a Sombra é expressa majoritariamente de modo inconsciente, mas conforme há confrontos, se torna mais consciente. As inconveniências existenciais da sua ação defensiva são comumente relatadas pelos indivíduos que sofrem seus efeitos e dificilmente são constatadas no princípio por quem as pratica. A culpa que é formada possibilita o confronto com a Sombra em nível alterável.
As defesas inconscientes conseguem se manifestar em todas as dimensões simbólicas, acabando por causar inúmeros sintomas, e muito sofrimento.
A personalidade se manifesta dividida, e a habilidade criativa da mesma é comprometida, por conta da carga energética e da relevância dos complexos fixados e símbolos.A eficácia da personalidade é garantida pelas funções estruturantes normais, contudo, também pelas funções estruturantes fixadas, que mesmo estando defensivas, como a defesa compulsivo-repetitiva, podem direcionar-se para o trabalho.
A fixação que provoca a defesa psicopática está ligada aos casos de abuso, falta de limites e abandono. Essa defesa é frequente em crianças de rua, ou naquelas que têm os pais ausentes ou que superprotegem e mimam demais.
Nesta defesa, as fixações da polaridade Ego-Outro da Sombra compreendem um grau acentuado tanto a função estruturante volitiva quanto a da ética. O que discerne a defesa psicopática da neurótica é o propósito. A defesa psicopática configura-se pela ação dolorosa e intencional da Sombra. Há defesas psicopáticas de cunho perverso, alguns exemplos são: as de distúrbios alimentares e as de drogadição.
A defesa psicopática consolida a função ética com a função volitiva, o sofrimento ativo e a culpa imprescindíveis para confrontar a Sombra ficam aparados, complicando a produção da fixação.
É frequente que a volição defensiva seja dirigida sub-repticiamente contra o confronto da Sombra, invalidando a terapia. Nesses casos, o paciente fará terapia para avançar atuando sua defesa e dissimulando seu propósito de cunho doentio.
Quando o terapeuta tem empatia com as fixações dos pacientes, percebemos que é uma falsa impressão achar que na psicopatia não há ética, pois existe, deformada pela fixação, e até mesmo recomendando a prática da perversão e violência, mas existe.
As personalidades com a defesa borderline são comumente criativas e inventam condutas bizarras para atuar a Sombra sem ‘’psicotizar’’.
A medicação antipsicótica diminui o receio da invasão psicótica, o que propicia a composição de problemas graves, que quando não agrupados da defesa psicopática, ficam mais acessíveis para serem elaborados.
O prognóstico da psicoterapia desta defesa, parece é pior do que o da psicopática, mas na realidade, pode ser melhor, quando o envolvimento defensivo ético não controla a função volitiva.
Na defesa psicótica, a polaridade Ego-Outro da Sombra irrompe e domina em maior ou menor grau as funções estruturantes normais.
Quando aguda, a conduta básica para confrontar esta defesa é a psicofarmacológica, mas uma atitude acolhedora, com intensa empatia, pode, mesmo no surto psicótico, ser decisiva para a aceitação do tratamento pelo paciente.
A sua forma crônica ocorre geralmente na esquizofrenia, e aqui a empatia simbólica é insubstituível para tentar compreender o mundo individual extraordinário construído pelo paciente e buscar mantê-lo humanizado e minimamente medicado para evitar a impregnação medicamentosa exagerada.
O emprego de técnicas expressivas como parte da terapia ocupacional simbólica possui valor inestimável para continuar a elaboração simbólica do processo de individuação, mesmo que seja dentro de um universo paralelo.
Referências bibliográficas
https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/psicologia/processos-psicopatologicos/54052 07/10
http://www.psicologiaanalitica.com/algumas-notas-sobre-a-psicopatologia-na-tica-junguiana/ 07/10
https://medium.com/@glealbombarda/psicologia-anal%C3%ADtica-uma-introdu%C3%A7%C3%A3o-aos-princ%C3%ADpios-de-c-g-jung-f43c61d066be 07/10
https://www.pucsp.br/pos/cesima/schenberg/alunos/conradobraga/jung/texto.htm 07/10
https://www.guiaestudo.com.br/carl-jung 08/10
https://www.ijba.com.br/single-post/2017/04/26/PSICOPATOLOGIA-JUNGUIANA 08/10
http://www.carlosbyington.com.br/site/wp-content/themes/drcarlosbyington/PDF/pt/psicopatologia_simbolica_junguiana.pdf 08/10
http://sbpa.org.br/portal/psicopatologia-simbolica-junguiana/ 08/10
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MEXICO: TRANSFORMATIONAL EDUCATION? "Education in times of crisis"MEXICO:
¿EDUCACIÓN TRANSFORMACIONAL? “Educación en tiempos de crisis” NIDIA SÁNCHEZ Periodista, Editorialista, Columnista, Directora de La Agencia Mundial de Prensa México Prensa Especializada “Education in Times of Crisis: Pandemic, War and Uncertainty”, is a book with different authors dedicated to education, in which the debate around the progressive versus traditional is presented; What we should…
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