“Dream Day Afternoon”. Ph. by Alex Cheng for Puss Puss Magazine @alexchengcn @pusspussmag 🌹💞❤️ #upanddie #pink #pusspuss #magazine #love #alexchang #photography https://www.instagram.com/p/B1s2rjaAHei/?igshid=7hb1w5azfku4
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* pretends to be surprised *
Chilling Adventures: Alex Chang
Mesmo com todos os piores cenários acontecendo em casa com meus irmãos, eu considerava que tinha crescido em um lar feliz. Meus sempre foram os melhores, o apoio sempre veio de dentro de casa, e eu tive sempre um lugar seguro pra onde ir independente de qualquer coisa. Se eu desandei na parte do caráter, foi porque eu era ruim mesmo, mas isso era outra conversa.
Quando soube que ia ser pai, eu sabia que podia e iria fazer um bom trabalho. Queria ser tão bom quanto meus pais tinham sido, e que aquele pacotinho cor-de-rosa fosse feliz e se sentisse seguro em todas as etapas da vida. Regina era nosso tudo, um bebê arco-íris, e eu tinha certeza que era pro melhor.
E ela era mesmo o melhor; conseguia fazer amigos rápido, o que queria dizer que ela era sempre gentil com todo mundo, e se virava muito bem na escola e nas aulas de dança que escolheu fazer conforme ficava mais velha. Tratava os filhos de Kyle igual gente mesmo sem eles merecerem e nunca tinha tido um comportamento arrogante quanto ao nosso estilo de vida. Ela era honesta, educada e querida, e eu não tinha reclamações.
Até ter.
— Vishous é seu namorado?
— Não, mas eu tenho certeza que somos almas irmãs melhores amigos ou algo assim.
Almas irmãs melhores amigos ou algo assim não faziam aquele escândalo depois do que devia ter sido uma sessão de estudo pra escola, por isso continuei no pé da porta, esperando uma outra explicação, a qual ela deu soltando uma risadinha.
— Nós somos amigos, e as vezes ficamos, e as vezes apoiamos o outro em outras ficadas, mas a gente não fofoca sobre isso porque é escroto, mas ainda achamos as mesmas pessoas gostosas e isso é muito legal. — Ela dizia, como se não fosse nada, ajeitando a própria cama pra dormir. — E como eu seria namorada dele, se eu pego o Thor também?
Ah, claro. O resto da família também incluía.
Que fique bem claro que minha reclamação nunca foi sobre como ela administrava a vida íntima e pessoal, mas socorro sabe, quem aguenta ver o filho dando flood em todas as fotos das pessoas que passam no seu feed como um hetero top dos anos 2020? Ela só tinha dezessete anos!
— Quantos anos tem mesmo aquele médico que trabalha com você? — Ela perguntava, os olhos brilhando e com expectativa clara, erguendo o celular no meu rosto, onde ela já tinha achado uma foto dele e até escrito sua mensagem habitual de flerte. Só esperando minha resposta pra mandar.
— Velho, velho demais pra você. Ele é fumante, tem três filhos e um deles supremacista branco.
O brilho foi só sumindo, com ela apagando a mensagen e desistindo do crush. Fiquei feliz que ela sabia que não tinha encontrado a boca e o resto do corpo no lixo.
Mas esses momentos de alívio duravam menos do que eu gostaria.
— Achei que fosse aniversário da sua amiga? — Pergunto aleatoriamente vendo minha filha sair pela casa super produzida, animada e pulando feito uma pipoquinha. — Cadê o presente dela?
E eu acho que nunca fiz, na vida, uma pergunta que tivesse me deixado tão arrependido, quando mais uma vez fui saudado com aquela risadinha, que soava como se ela estivesse dizendo papai bobinho, como fazia quando criança.
— Eu sou o melhor presente que ela vai ter essa noite.
E antes que ela me informasse que o laço estava em sua lingerie, sai da sala imediatamente tendo crise de ansiedade.
Growing Pains: Alex Chang feat. Karim Bashar Montgomery
O dia que cheguei em casa, no meu último ano do ensino médio, e disse aos meus pais que só tinha aceitado a bolsa de medicina em YALE porque eles aceitaram me dar o segundo curso como dança, foi épico e jurei que não estava fazendo isso por eles, mas sim eu mesmo: não ia conseguir fazer um pensando como seria ter feito o outro, e enquanto eu quisesse ser devotado pelas duas coisas, faria elas da melhor maneira e jeito possível.
Eu tinha apoio em casa, Bea achava que eu não estava fazendo mais do que a minha obrigação usando meu cérebro e meu talento pra coisas úteis, e eu sabia o que eu queria, onde queria estar e o que queria fazer. Eu tinha certeza do meu futuro e das minhas escolhas, achava que era igual pra todo mundo.
Agora, anos depois, olhando pra um monte de crianças que tinham acabado de sair da faculdade e escolhido logo a ala de emergência do Presbyterian pra começar uma residência, entendi que não era igual pra todo mundo. Ninguém em sã consciência ia fazer uma coisa daquelas, como eu mesmo fiz no lugar deles.
— Puta merda. — Soltei assim que vi cada um deles, que se não fosse pelas idades informadas do lado de seus nomes na lista comigo, podia dizer que eram tão jovens quando Regina e Mitsune, aquela ideia de que deveriam estar em qualquer outro lugar, fazendo qualquer outra coisa. — Vocês não tem nem um lugar pra ir? Ninguém pra visitar? Uma outra graduação pra fazer? — Comecei a perguntar gesticulando com uma mão, não me incomodando com a confusão deles, achando graça inclusive quando me respondiam que não. — Então vocês tem mesmo certeza que querem ficar, não é? Bom, isso é ótimo, porque não tem mais volta quando você entra. Não pode ter mais volta quando passa por aquela porta.
Não era o mesmo discurso que eu tinha ouvido no dia que comecei, mas achei importante o fazer, porque se alguém tivesse me avisado, acredito que as coisas teriam sido muito diferentes. Ia ter corrido pro outro lado assim que alguém me dissesse que, ora, pois, ser médico não quer dizer que você vai salvar e proteger todo mundo, pra começo de conversa.
— Apenas perguntas úteis da porta pra dentro, crianças. — Anunciei, antes de abrir a porta e passar por ela, me sentindo em uma excursão de escola com todos eles atrás de mim. — Estão prestes a começar a aprender como dar as respostas úteis.
Alas de emergência sempre foram as minhas favoritas. O dia podia começar bem e parado, e quando você assustava, tinha um corredor cheio de pessoas mutiladas, queimadas, machucadas, desmembradas e meio mortas pra você absorver e cuidar sozinho. Não existia choque de realidade quanto a vida alheia melhor do que uma ala de emergência, era onde você questionava seu valor e real importância quanto ao resto. Onde a gente se perguntava se era bom o suficiente no que fazia.
— Um pré diagnóstico pode matar uma pessoa, um diagnóstico bom mas demorado pode matar uma pessoa, um diagnóstico rápido e mal feito pode ser uma pessoa. Não se formaram pra serem só médicos, se formaram pra ser as pessoas mais responsáveis e alertas que vocês conhecem. — Ia falando, passando de leito em leito, como fazia todos os dias, mas agora não sendo mais a pessoa que trabalhava ali, mas a que dirigia o prédio todo. — Porque cada passo, cada suspiro, cada momento seu, agora significa o quão capaz você é em ajudar a salvar a vida de alguém.
As portas no começo do corredor abriram com um barulho muito alto, uma fila de macas e enfermeiros se alinhando rápido. Família, acidente de carro, tantos ossos quebrados e órgãos comprometidos, só alguns casos em meio a tantos outros iguais ou piores ali.
— Alguma pergunta útil? — Anunciei com as mãos na cintura, observando aquelas crianças olhando pra todos os lados ao mesmo tempo.
— Por que o senhor não exerce mais? — Menos uma delas. Um deles, e precisei olhar seu crachá, e depois seu nome na minha lista pra me certificar de quem era. — Por que o senhor só dirige o hospital, agora?
A porra do enteado/filho mais velho do Jyn Montgomery.
— Eu disse perguntas úteis, senhor Bashar. — Respondi ao mais jovem, lhe oferecendo um sorriso enquanto negava com a cabeça. — Não acredito que descobrir o que esse lugar faz com você, vá te ajudar agora.
Talvez ajudasse, sabe, a desistir, mas sabia que não devia ser o que ele queria, porque quando era eu no lugar dele, eu mesmo também não queria desistir.
Eu consegui crescer e me tornar muito bom no que eu fazia muito rápido. Sabia que os casos mais complicados eram importantes pro meu currículo, e conseguia equilibrar todos eles com os mais simples. Consegui ser o melhor médico especialista em emergência na cidade, consegui ser um dos melhores do estado. Eu tinha tudo, até ser um profissional competente não ser mais o suficiente.
— A coisa toda é que, a dor continua batendo em você e vindo de todos os lados. — Um médico mais velho me disse uma vez, quando eu ainda era um feto, e comecei a provar minhas primeiras perdas. — E uma hora você só para de sentir, porque não importa quem seja, como seja ou o tamanho do seu erro e quanto você se culpe por ele, vai continuar acontecendo e você não pode impedir.
Minha mãe me dizia que era normal, sentir muito por um caso ou outro, e que mais normal ainda viver esse pesadelo de tempos em tempos; que nem sempre as coisas iam terminar bem, e que nem sempre eu ia ser capaz de enxergar tudo por mais que eu tentasse. Ia acontecer com um idoso, uma criança, um adolescente e ia acabar colecionando vidas perdidas da mesma maneira que colecionava pacientes vivos e recuperados, mas existia esse sentimento de acúmulo, quando fui ficando cheio de tudo e não conseguia me livrar do que eu não queria.
E quando tentava não me sentir afetado no trabalho, me sentia oprimido em casa. Me ocupando com um monte de pesquisas e trabalho extra pra não ter que lidar com Bea e Regina, e com meus pais, e com meus sobrinhos pequenos, e pensar neles vivos, quando eu corria o risco de perder os parentes importantes de outras pessoas quando estivesse trabalhando. Parecia injusto, mesmo que não tivesse acontecido, e eu me sentia mal, mas acreditava que ainda podia fazer algo sobre isso.
Até eu ver essa garota queimada entrando pela ala de emergência, e eu não precisava que o enfermeiro me dissesse quem ela era, porque eu a conhecia: ela era jovem, tinha acabado de se casar com o namorado que conhecia desde sempre, vinha no hospital de tempos em tempos porque precisava. Estava grávida, e agora parecia estar a um passo muito pequeno de sequer continuar viva.
— Como conseguiu entrar em um acidente assim? — Perguntei a ela enquanto eu mesmo empurrava a maca pelo corredor, um monte de pessoas que também a conheciam olhando pra ela.
Ela não me respondeu porque tinha respirado muita fumaça enquanto queimava dentro do carro, e disseram que não precisavam de um exame pra saber que o bebê dela tinha morrido, quando colocaram ela em um respirador, e eu tive que avisar ela.
— Eu preciso te avisar, porque ninguém mais quis dizer a você. — Murmurei sentado do lado da cama dela. — Seu bebê não sobreviveu, seus órgãos estão parando de funcionar, e você vai morrer, mesmo que eu não tire o tubo de você. — Continuei, achando difícil sustentar meu olhar no dela, mas ainda o fazendo porque não queria que ela se sentisse sozinha. — Mas eu vou manter ele, pro seu marido conseguir chegar, e conseguir se despedir de você.
E mesmo que àquilo doesse nela, ela ainda tentou alcançar a minha mão como se me desse algum tipo de permissão, e foi aí que eu soube que não podia continuar.
— O hospital me mandou tirar o respirador dela antes do marido dela chegar. Disseram que pacientes terminais não podiam ter mais direitos quanto aqueles que precisamos tratar porque sabemos que vão sobreviver, então eu mesmo substituí a bomba dela e fiz o trabalho manualmente. — Contava a Karim, sentado ao seu lado na sala de dança do centro cultural do Bronx. — Fiquei bombeando todo o oxigênio pra ela por horas, o marido ficou preso em um engarrafamento por causa da neve, e não conseguia chegar mesmo sabendo da situação. Queriam que eu desistisse dela porque precisava atender outras pessoas, mas sabia que não ia conseguir me perdoar se não pudesse fazer aquilo, só aquilo, por ela e deixar ela ir em paz. Eu tinha outras vidas pra tentar salvar, mas só queria dar um pouco de alívio pra garota que tinha perdido tudo em um único dia.
Observava Regina dando aulas pras crianças que não conseguiam atravessar a cidade pra ter aulas no nosso estúdio, pensando que podia ser ela no lugar daquela garota que tinha morrido fazia tanto tempo, pensando que podia ser qualquer pessoa que eu conhecia, e queria que alguém fizesse aquilo por ela. Por todos eles.
— Fui diagnóstico com Burnout depois desse dia, dizem que eu já estava meio depressivo antes, mas eu não tenho certeza. — Comentei com o mais jovem, encolhendo os ombros e o observando sentado ao meu lado, muito atento. — Me perguntaram se eu me sentia apto a continuar atendendo e eu disse que não. Não porque eu não queria, mas sim porque eu não sabia se ia suportar mais.
— Então o senhor decidiu que era melhor assistir de longe e gerenciar tudo. — Karim concluiu mais pra si, enquanto eu acenava com a cabeça, em um sim silencioso. — Porque não queria estar mais lá.
— Ainda amo o que faço, amo o que eu fazia. — Confessei soltando um riso sem muito humor, porque sabia que existia milhares de pessoas em situações muito maiores. — Mas não quero mais ser responsável, não acredito que eu seja o melhor. Não sou o que as pessoas precisam de verdade enquanto eu me sentir assim.
Mas eu não sentia mais coisa alguma, então uma coisa sempre ia acabar conectando a outra.
Feliz dia da visibilidade bissexual pra mim e todas as minhas almas na MadCity! Eu claramente não coloquei todos os rostos aqui, mas sim os mais frequentes (e fáceis de administrar material, ne meus amores) e que mais me fazem refletir sobre a importância de ser, aceitar e amar você mesmo, porque muito antes de procurar amor e atenção e coisas boas em outras pessoas, precisamos procurar e achar essas coisas em nós mesmos.
Amar você, entender você, confortar você, confiar em você e cuidar de você é maior e mais necessário do que todas as outras coisas, porque só você sabe do quanto precisa e do que realmente merece e não tem nada a ver com as outras pessoas. Sair do armário não foi fácil pra maioria de vocês (meus personagens), acho que não vai ser pra mim também quando isso acontecer, mas tenho em mente que preciso focar em mim e na minha própria liberdade e felicidade mais do que qualquer coisa, do mesmo jeito que tento encontrar meios entre vocês (meus personagens) quando chegam nesse ponto em suas vidas. Saibam que eu amo todos, mesmo com todos os contratos furados, as conversas tortas e os planejamentos ruins, porque vocês são partes minhas e carregam um pouco da minha essência sem que as vezes eu mesma perceba. Um dia vou ter tanto orgulho de mim mesma quanto tenho de vocês e isso é fato.
Para as minhas companheiras, amigas e canceladoras favoritas, também quero que saibam que amo vocês e me importo com vocês e que me apoio em vocês tanto quanto quero que vocês se apoiem em mim quando for preciso. Feliz nosso auge, feliz tudo o que a gente é e não tem medo de sentir!
With: @garotadoinverno @hhcorporation @deathvalleychars
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2026, NY. “No, you don’t.”
Sinto em te informar, mas está tentando bajular a pessoa errada.
E de que outro jeito ela vai deixar eu sair daqui?
Se não tiver uma evacuação na cidade por uma epidemia zumbi, eu acho que não. Ela não se comove com pedidos de casamento planejados, Alex.
E nem com qualquer outra coisa, e nem com tudo o que eu estava fazendo pra ganhar o mínimo de pontos e só ganhar algumas horas longe do Lower e poder fazer… O que eu deveria ter feito fazia muito tempo, mas Nola Jackson ainda queria a minha morte, ou derrota total, no mínimo. E eu não podia me sentir menos frustrado; ela não era só a enfermeira mais confiável e competente e incrível daquele hospital, mas “mãe” e “chefe” o suficiente pra arrancar nossas almas e nos dar lições e principalmente nos barrar com qualquer pressão psicológica ou a simples “não, porque eu não quero”.
Então eu me encontrava preso em outro plantão da minha residência, sem uma escalação sequer e nem nada pra fazer, mas ela queria porque queria me manter por perto e me ver agonizar enquanto fazia coisas pra ela e tentava agradá-la ao máximo, porque eu tinha planos de colocar um anel de noivado no dedo de Beatrice Dempsey a mais tempo do que gostaria de dizer e meu empecilho poderia ser qualquer um, desde desastres naturais quanto abdução alienígena em massa, mas se baseava em uma enfermeira que me odiava, por motivos que eu não conseguia entender.
Não deveria ter beijado a afilhada dela.
Eu não fiz isso!
E nem ter separado ela do namorado.
Eu não fiz isso!
E sobre a briga e todas as baixarias que você disse…
Okay, talvez eu tenha um dedo nisso, mas eu até pedi desculpas pro Kevin, se ele não aceitou e não esqueceu, o que a droga do pedido de casamento tem a ver? Eu só preciso de algumas horas pra oficializar de vez que pertenço a uma só garota e que estou disposto a salvar completamente a vida dela de tudo de ruim que o mundo continua jogando nas costas dela, sem ela ter feito absolutamente nada pra merecer isso e… Por que a Jackson precisa ser tão má? - Naquela altura do jogo, eu estava começando a ter um chilique, com direito a vários gestos com as mãos e minha voz começando a falhar como uma criança prestes a chorar, eu tenho certeza que se fosse o outro Alex, eu provavelmente já teria vencido aquela batalha com um monte de afrontas e ameaças meio infantis, mas que seriam suficiente pra fazer ela recuar ou no mínimo ser vencida pela exaustão. Mas então eu continuava meio desesperado e meio traumatizado e meio com raiva e com a droga do anel perdido no meu carro porque aquela mulher se negava a deixar eu…
Quatro horas.
A figura menor e emburrada da enfermeira mais velha surgiu entre mim e Liz, que ela também fazia questão de pegar no pé por ter quebrado-o-coração-de-kaden-ninguém-liga, e ela tinha um dedo apontado pro meu rosto e uma prancheta presa no outro braço. Se eu não tivesse um pingo de esperança que aquilo fosse a minha liberdade, eu juro que teria feito xixi e implorado pra ela não me matar.
Quatro horas pra resolver sabe se lá Deus a loucura que vai fazer ou não, mas nada mais do que isso, porque quero você de volta ou vai ser o primeiro ortopedista da história sem pernas e sem noiva.
Se o universo não quiser, absolutamente nada vai acontecer. Muito menos ao seu favor. Muito menos se for sobre a sua vida e muito menos se for a única coisa que você quer acima de tudo e qualquer coisa. Eu deveria saber que, uma vez amaldiçoado por Eleanor Chang, sempre com um pé meio na lama e com grandes chances de nada acabar dando certo pra você. Mesmo assim, eu tinha tentado, muito mesmo, fazer aquilo dar certo.
Eu tinha ligado pra uma floricultura e pedido pra que entregassem flores pra Bea onde quer que ela estivesse, e parecia o primeiro aviso perfeito, até eu descobrir que o entregador tinha se acidentado em alguma rua e ninguém nem sabia se ele estava bem ou não, só que as flores não iam chegar a lugar algum; e nada sobre o vestido que eu tinha comprado; nada sobre os outros presentes que eu tinha escolhido por meses; nada sobre nem a Bea sabendo do que estava acontecendo, porque o universo queria a minha derrota e que eu, provavelmente, morresse afogado no fim das contas.
Eu tinha terminado no corredor do Lower encharcado e sentindo a minha vida escorrendo pra fora do meu corpo, mas tinha me esforçado pra ser pontual e ter chegado pós quatro horas de prazo, que só tinham servido pra eu ver meus planos falharem miseravelmente. Aquele anel ainda ia ficar perdido no meu bolso por algum tempo até o dia que eu tomasse mais coragem e tivesse um escudo pra enfrentar todos os possíveis empecilhos pra fazer aquilo do jeito certo - e do jeito que a Bea merecia.
Ela disse não ou você foi atropelado por um ônibus?
Não acho que conseguiria nem a última parte, obrigado por todas as vibes positivas pra dar certo.
A Nola tentou pentear o meu cabelo, antes de jogar um cobertor perdido e aleatório que estava com ela sob os meus ombros, parando só pra checar o relógio no pulso dela e me oferecer um sorriso pequeno, do tipo estranho, mas não estranho psicopata e assassino como ela costumava me dar.
Mais meia hora… Suficiente?
Eu nem conseguia acreditar nas palavras dela, por mais que o tempo nem fosse lá suficiente, mas só o fato de ela ter sorrido como uma pessoa normal e ter me dado algum crédito já era algum motivo pra se comemorar.
Me deixei levar pra porta do Lower outra vez, observando a chuva ainda assustadoramente pesada, o peso e o cansaço dominando o meu corpo e as memórias horríveis e frustrantes do dia invadindo a minha cabeça enquanto eu não ouvia a voz dela do outro lado do telefone. Do momento que eu saí do Lower correndo, antes que a Nola resolvesse mudar de ideia e me condenar mais uma vez, até ali, prestes a entrar no resto do meu plantão sem ter cumprido minha única missão do dia e que precisava ser perfeita, então…
Ah, oi! Como você vai? Isso pode ser bom, não é? Estou prestes a me fundir com o chão ou tentar me afogar em alguma das privadas, é sério, foi um dia péssimo e estou com mais raiva porque eu só estava tentando fazer ele ser o melhor dia de todos… Sabe, estou com o seu anel na mão agora, ele é prateado, e tem um monte de diamantes ornando ele e uma pedra de esmeralda muito delicada no meio… Nunca sei qual é a cor dos seus olhos de verdade, mas me sinto em paz quando eles parecem verdes, então eu e a dona da joalheria achamos válido. E precisei cancelar uma reserva no restaurante do Plaza e no Plaza e calar a boca dos meus pais sobre “parabéns” e essas coisas, porque meu carro quebrou e quase foi arrastado pela chuva comigo dentro e se eu não tivesse que provar pra umas vinte pessoas que eu estava bem, teriam me internado e me deixado em algum hospital, e ai só pioraria as coisas ainda mais e eu já estava atrasado mesmo e sem sorte alguma, como os vinte caras que precisavam te entregar coisas hoje, mas por algum motivo sumiram em algum portal ou bateram em algum carro, com um par de brincos da Chanel, e um par de sapatos Lanboutins e com vestidos exclusivos da Izzy e mais um monte de coisas que eu tinha certeza que te fariam sorrir e diriam indiretamente por mim o quão feliz e grato eu sou por ter você e como amo você e como eu gostaria de dar o mundo, e principalmente o meu, a você. Beatrice Dempsey, eu sinto muito por ter sido um namorado tão desligado e as vezes não presente, por as vezes não ser o suficiente e por ter falhado no único dia que eu deveria ter acertado em tudo e obrigado o universo a colaborar comigo. Você é a melhor coisa que já me aconteceu e é a minha âncora e o motivo pelo qual eu persisto em me achar e me encontrar e ser um ser humano bom por você e para você, você é tão forte e corajosa e dura na queda e responsável e maravilhosa e extraordinária, que merecia um pedido de casamento num restaurante bonito, com palavras doces e treinadas e com luzes e flores e as melhores sensações e o mais bonito e significativo dos anéis, e eu tentei fazer todas essas coisas, mas agora estou aqui, preso em outro plantão de doze horas, tendo que te dizer todas essas coisas pelo celular e não deixo de pensar que, bom, você merece mais, mas eu ainda preciso saber e preciso perguntar, depois de todo esse discurso… Se gostaria de se casar comigo, e me deixaria ser seu completamente e eternamente como quero que seja minha, e se tenho permissão pra sonhar em ter filhos com você e cachorros bonitinhos e uma vida tranquila e colorida, no melhor estilo Disney, onde nada de ruim possa nos alcançar e nada de ruim possa tomar conta de nós dois outra vez. Eu só preciso saber, se você quer se casar comigo…? Em uma resposta um pouco rápida, eu ainda tenho cinco minutos, mas não quero ser atropelado por uma maca com rodinhas outra vez.
Up on a #Tuesday #SOLAS #ZOUK #Mafia #DJ #life #AlexChang #DjPower (at Solas Bar NYC)