Era vertigem no copo e no prato Era deslumbramento nos olhos Era mentira que escapava da boca Era o temor em seus passos minguados O coro dos canalhas O gozo quente dos mecenas O discurso furtivo dos covardes A culpa e o pecado da ganância Andei de pressa, furtivo Fugindo de tuas aparições Entre os rostos comuns na multidão Se contar o moinho líquido que vinha pelo ar Bebi de venenos fugazes Não morri ainda Confiei e amei Morro lentamente de desgosto Agudo romance Perfura o peito Cansando o resto do corpo Ferindo repetidas vezes o orgulho A poesia é a história do muro O avesso de um verso belo Caído na sarjeta de tão bêbado Reforço a persona melancólica Que teus filhos frutos das árvores Os encarará com a verdade? Contará belas mentiras? Ou partirá com a roupa do corpo no meio da noite? Nem o tal do tango Estaria tão amargurado Nem a tal da revolta Estaria tão odiosa quanto eu A cobiça já tens teus nome, vejo-no ao dia da desforra Levem-no a chuva de moedas da descrença pública Tripudiem no corpo deste traidor Inventam mil chacotas mesmo que exageradas...
Ode a Sampaoli, Pierrot Ruivo










