Reflito, especialmente depois de acordar seis vezes em uma única noite.
É triste ter que aguentar uma dor, especialmente quando você não pode fazer nada em relação a isso, porque essa situação é uma mistura de defeitos genéticos com erros do passado.
Estar acostumada a sentir dor todos os dias e não poder me medicar não significa que eu não sinta nada. Eu só estou um pouco acostumada.
Hoje, quase não me aguentei em pé. Foi dor de cabeça, essa cólica insuportável... As inflamações no útero e nas trompas pioram muito no período menstrual. Isso fez minha coluna doer, minhas pernas pareciam pesar uma tonelada e meus pés formigavam. Eu quase não conseguia tirá-los do chão.
E, apesar disso tudo, de toda essa dor, as duas vezes em que quis chorar, e a vez em que chorei, não foram diretamente por ela. Foi por um toque não solicitado nas costas. Era um carinho, algum tipo de conforto, mas, em meio a toda aquela dor, para mim, esse carinho foi semelhante a agulhadas. Isso quase me fez chorar.
Outra coisa é que, quando você está sentindo muita dor, sua mente começa a ir um pouco longe... e pensamentos como “por que eu insisto em viver?” aparecem.
Todas as vezes que isso acontece, penso que dias melhores virão, que vai passar, e que um dia vou superar isso. Mas aí, eu durmo... e no outro dia, isso se mostra uma péssima ideia.
A vida está semelhante a assistir a um filme sem pagar pela versão Premium: com um ou dois anúncios no meio. O filme é o sofrimento da vida, e os anúncios são os pequenos momentos de felicidade pelo caminho.
A felicidade, para mim, é assim, surge momentaneamente como um oásis no deserto para um viajante perdido nessa imensidão do nada... só para, logo em seguida, perceber que aquilo não passou de uma ilusão criada para lhe dar esperanças.
E é justamente a esperança de dias melhores que me traz esse sofrimento eterno.
Escrevo isso chorando, depois de acordar pela sexta vez. Não estou conseguindo dormir em paz com essa dor. Mas o motivo do choro foi ter batido o dedo enquanto voltava para a cama, depois de acender a luz, porque a escuridão me sufocava com os “e se” na minha cabeça.
Em meio à dor que já estava sentindo, com o nariz entupido e a cabeça explodindo de tanta pressão causada por esse choro e sofrimento, reflito novamente: qualquer coisa me afunda... porque não fui ensinada a nadar.
E, para um copo cheio, qualquer gota transborda.
- Minnie Lima
@minniepensamentos


















