Cada versão de mim estava fazendo o melhor que podia com o que sabia naquele momento.
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Cada versão de mim estava fazendo o melhor que podia com o que sabia naquele momento.
crescer é perceber que o mundo não para mesmo quando a gente quer parar.
Amo o jeito que você me olha em meio à multidão, fico fraca quando você sorri pra mim.
— ei, bipolar.
tem dias que estar triste é o que me faz acordar para vida.
cansei de me acomodar em sentimentos tão superficiais.
Ainda é você Posso mentir para qualquer pessoa. Posso sorrir quando me perguntam se já passou. Posso dizer que estou bem, que a vida seguiu, que aprendi a viver sem você. Posso inventar mil histórias para convencer quem olha de fora de que o seu nome já não pesa dentro de mim. Posso até tentar mentir para mim. Posso repetir que foi o melhor, que o tempo cura tudo, que existem outras pessoas, outros caminhos, outros amores. Posso encher meus dias de compromissos, minhas noites de distrações e meu silêncio de justificativas. Mas o coração... O coração não aprende por argumento. Ele não esquece porque você decidiu esquecer. Não deixa de amar porque seria mais fácil. Não apaga uma história só porque ela terminou. E é aí que todas as minhas mentiras desmoronam. Porque basta um cheiro parecido com o seu, uma música qualquer, uma lembrança atravessando uma tarde comum, e tudo em mim volta para o mesmo lugar. Como se você ainda morasse aqui, ocupando espaços que ninguém vê, mas que eu sinto em cada detalhe. A pior parte de amar alguém não é admitir esse amor para o mundo. É admitir para si mesmo que ele continua existindo, mesmo quando você faz de tudo para arrancá-lo do peito. Porque eu posso enganar qualquer pessoa. Posso fingir que não espero uma mensagem que nunca chega. Posso dizer que não sinto falta do seu abraço, da sua voz, da paz que existia quando você estava perto. Posso até convencer os outros de que virei a página. Mas nunca vou conseguir fazer meu coração acreditar que deixou de te amar. Porque algumas pessoas vão embora da nossa vida... E, ainda assim, permanecem vivendo dentro da gente.
Hoje é o único dia que preciso vencer. Amanhã ainda não me pertence. Minha coragem basta para este instante; a de amanhã nascerá com o próprio amanhã.
Eu não te desejo só por perto…
Eu te desejo no silêncio dos meus dias calmos,
na pressa dos meus pensamentos,
nos espaços onde só o teu nome faz sentido.
Te desejo com alma, com calma,
como quem encontra casa no coração de alguém.
ochromakopia
Eu detesto cookie de Negresco. E não é ódio elaborado, é uma implicância chata. Pra mim tem gosto de coisa que não deu certo.
Mas teve um dia, um dia específico, em que eu mordi aquilo no meio de uma larica e fez sentido.
Foi a melhor coisa que eu já experimentei na vida, uma experiência quase espiritual que me fez acreditar, por alguns minutos, que eu tinha descoberto o segredo da felicidade em um pacote de três reais.
E o problema mora aí, em achar que o milagre mora no objeto, e não no estado de espírito.
Eu passei os dias seguintes comprando o mesmo cookie, só que sóbria, na tentativa ridícula de sentir aquele estalo de novo, mas a única coisa que eu sentia era o gosto de papelão com açúcar que ele sempre teve.
Minha melhor amiga ouviu meu drama e riu. Disse que faz a mesma coisa. Não com cookies, com bananas. Depois de um dia em que comeu como se fosse a melhor coisa do mundo, por causa de alguns tragos. Agora continua tentando, como se fosse questão de insistência, não de contexto.
O que fez a gente pensar não foi o cookie. Nem a banana. Foi perceber que fazemos isso com tudo.
Voltamos em lugares onde fomos felizes, telefonamos para pessoas que já não têm nada a dizer e tentamos repetir diálogos que um dia foram brilhantes, esperando que o gosto seja o mesmo.
É uma forma de masoquismo esse hábito de perseguir o que já passou, uma insistência em achar que se a gente repetir o gesto da mesmíssima forma, o sentimento é obrigado a aparecer. Só que a vida não é assim.
E o que foi bom naquele dia não foi o cookie, foi a falta de compromisso com a realidade.
A gente gasta uma energia absurda tentando plastificar o momento, querendo que ele vire regra, quando a graça era justamente ele ser único.
No fim, a gente continua engolindo o que já não tem o mesmo gosto, com o estômago pesado de expectativa, só porque ainda não aprendeu a aceitar que certas coisas só acontecem uma vez.