Sabe aquela sensação de que seu celular te ouve? então, a gente precisa conversar!
alerta de spoiler: não é paranoia! é capitalismo de vigilância, e tem muito mais drama de onde isso veio!
Para, respira! antes de continuar rolando, me dá trinta segundos, porque o que eu tenho pra te contar é exatamente o que tá prendendo sua atenção aqui!
Vamos começar pela escola, porque esse é o primeiro problema de sempre. Desde 1922 (sim, 1922), algum inventor promete que a nova tecnologia da vez vai revolucionar a educação. Foi o cinema, foi o rádio, foi a tv, foi o computador, foi a internet... e toda vez aparece alguém dizendo que a escola vai acabar, que os professores vão ser substituídos, que o futuro chegou e blá blá blá!
Apesar das previsões de mudanças radicais com a tecnologia, como aponta Buckingham (2010), a escola segue firme e muitas práticas continuam quase as mesmas, o que mostra que a transformação acontece, mas de forma bem mais lenta do que se imaginava.
Pois bem, a escola não acabou, mas tem um problema sério: fora dela, você usa a internet de várias formas, dentro dela, você abre o word e pesquisa no google com filtro de conteúdo ativado. É um abismo, e não é culpa sua, é estrutural!
O que ninguém te ensinou na aula de informática é que saber usar a internet não é o mesmo que entender a internet, existe uma diferença enorme entre clicar e pensar criticamente sobre o que você está clicando! E isso tem nome acadêmico bonito: letramento midiático.
Traduzindo, é saber perguntar "quem fez isso? por quê? quem lucra com isso?"
A cibercultura (esse nome chique pra cultura que acontece mediada pelas redes digitais) tem uma lógica de remix constante. Nada é original, tudo é reapropriado, recombinado, redistribuído... seu meme favorito tem fundamento teórico, pode acreditar! e isso era bonito quando significava que qualquer pessoa podia criar e publicar sem precisar de uma emissora de tv ou uma editora.
A internet que a gente usa hoje não apareceu do nada: ela foi pensada por pessoas que acreditavam na liberdade, na inovação e na criatividade, como explica Lemos (2019). Por isso, ela não é só uma tecnologia, virou a maior forma de comunicação que já existiu, mudando como a gente se conecta, aprende e compartilha o que sabe.
era tão bonito que a gente nem percebeu quando virou outra coisa.
Porque aí chegou o plot twist que ninguém queria: cinco empresas — Google, Apple, Facebook (Meta), Amazon e Microsoft, o famoso GAFAM (sigla em inglês para as cinco maiores empresas de tecnologia do mundo: Google, Apple, Facebook/Meta, Amazon e Microsoft) — foram aos poucos tomando conta de quase toda a infraestrutura da internet, e elas não são neutras, elas decidem o que você vê, o que você sente, e até quanto tempo você fica grudado na tela.
Tem três palavras que você precisa guardar: plataformização (essas empresas controlam tudo), dataficação (sua vida inteira virou dado que é vendido) e performatividade algorítmica (um código invisível decide o que aparece no seu feed, e ele foi programado pra te manter com raiva, com medo, ou com vontade de comprar algo).
sei bem como é...
Sabe aquela propaganda de tênis que apareceu logo depois que você comentou sobre tênis com uma amiga? não é coincidência, é dataficação. E sabe o que é mais perturbador? a gente sabe disso tudo, e continua usando!
Porque as plataformas são projetadas pra ser irresistíveis. O problema não é falta de força de vontade, é que do outro lado tem times inteiros de engenheiros cujo trabalho é te fazer ficar só mais cinco minutinhos.
E Lemos (2019) nos ajuda a entender o quanto estamos dependentes dessas tecnologias, e faz a gente se perguntar: até que ponto temos controle no mundo digital? E o que fazer com isso?
A resposta é chata, mas é real: pensar e questionar! Perguntar de quem é essa plataforma, o que ela quer de mim, quais informações ela coleta, por que esse conteúdo específico está aparecendo pra mim agora... não pra virar paranoico, mas pra ser um usuário consciente em vez de um produto.
Porque no fundo, a maior fofoca da era digital é essa: quando o produto é de graça, o produto é você!
E quem sou eu? essa segredo eu não conto pra ninguém! Vocês sabem que me adoram... xoxo ;*











