Tem amores que chegam como quem vem de mansinho pela estrada de barro: primeiro a poeira levanta, depois o coração reconhece o passo e quando se dá conta… já está tomado, inteiro, sem volta. O seu amor foi assim, um silêncio que virou canto, um canto que virou reza e uma reza que se ajeitou dentro do meu peito com a naturalidade de quem sempre teve casa ali. Eu olho para você e vejo um pedaço bom do mundo, desses que fazem a alma descansar. Você tem uns olhos de café que aquecem o dia mais frio e ao mesmo tempo de jabuticaba, tão profundos que se eu mergulhar, talvez nem queira voltar para superfície. Tem gosto de fruta madura na beira da estrada, daquele doce que a gente conhece no cheiro antes mesmo de provar. E quando sorri, ah, quando sorri, parece que o sol resolve ficar mais um pouco só para assistir. Você é minha manguinha, fresca e macia, dessas que adoçam até pensamento ruim. Minha fruta de jambo, rosada e cheirosa, que deixa o coração da gente meio tonto, meio besta, meio feliz demais. E é por isso que às vezes eu paro, respiro fundo e agradeço ao destino e às forças maiores, por ter cruzado meu caminho com o seu. Porque você, minha flor, é doce como chuva de jambo que cai de repente no calor mais duro de novembro. Daquelas chuvas que a gente não espera, mas quando vem, muda tudo. Deixa o chão cheirando a vida, deixa o corpo refrescado, deixa o mundo mais bonito do que estava antes. E eu, que já tinha passado por umas secas bravas, aprendi a ser terra boa para receber você. Linda. Linda como o vento em uma terra seca, quando passa balançando as folhas, contando segredos antigos que só quem vive por aqui entende. Tem a beleza de um entardecer na caatinga, quando o sol toca no chão e tudo fica dourado, mansinho, como se o tempo respirasse mais devagar. Tem aquela força mansa que só o sertão conhece, firme sem ser dura, encantada sem ser exagerada. E eu amo assim, do jeito de quem aprendeu a sentir com o corpo inteiro. Amo como quem vê na sua chegada a promessa de um inverno bom, como quem sente no cheiro da terra que vai dar flor, como quem espera, mas nem precisa esperar, porque você sempre chega do jeito certo, mesmo quando chega de repente. Você me leva para dentro de mim mesmo e me devolve melhor. Me desamarra, me ajeita, me acalma, me acende. E não tem canto de mundo onde eu queira estar que não tenha o seu nome escondido no vento. Porque você é casa, água fresca, sombra de umbuzeiro em um dia abafado de calor. É a paz depois da trovoada, é o riso que nasce sem esforço só de te olhar. Minha chanana, minha alegria pequena e imensa ao mesmo tempo. Se o amor fosse um pedaço de chão, o nosso seria fértil, largo e cheio de flor. E eu, sempre eu, caminhando ao seu lado agradecido, besta de feliz e com aquele brilho nos olhos de quem sabe que encontrou o que muitos passam a vida inteira procurando, o amor. E eu encontrei você. Doce, linda, viva, do jeitinho que só você sabe ser.
— Diego em Girassóis de Vênus. Quebraram.









