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não sei mais de onde tirei esse texto.
o papel estava dentro do livro "o cru e o cozido".
não sei e o tempo rói... escrever de um fôlego só ao ponto às vezes de terminar antes de ter começado provoca uma pequena angústia de terminar cedo demais. de se destruir por impaciência. angústia ligada ao eclipse do outro ao mesmo tempo que do conteúdo referencial. efeito de eletrocução. efeito de recuo como o de uma arma. instantâneo de uma coisa em via de desaparecimento. pois tudo sobre o que escrevemos está em vias de desaparecer. é a única necessidade de escrever além da própria obra, daquilo que sobra. impaciência milenar na escrita. dizer as coisas muito rapidamente de forma a não ocupar a linha, na espera de um telefonema excepcional, se livrar do que temos a dizer, não há mais tempo para explicar, para convencer. não há tempo para a previsão unicamente para a antecipação, a precedência do pensamento, que não tem outra finalidade que de precipitar as coisas e o que ele procura nunca é a prova, ele procura a evidência, implodir a evidência ao custo da verdade, ao desprezo da realidade. nada de escrúpulos com a realidade, temos de aproveitá-la criminalmente até que apareçam palavras para dizê-lo. tudo isso bem que sem fundamentos é de uma evidência flagrante. naturalmente se há efeitos de pensamento há também efeitos de compensação. para cada experiência de pensamento há milhares de compensações. quem achar o quem o outro a outridade diga quem é depressa antes que se desfaça a intenção da procura.