Respeitar também é mover
Se você não pediu, o que posso te entregar? Se não me convidou, como posso chegar? Contornos também são fronteiras. O risco de invasão acontece quando a comunicação não se firma. Movimento é inerente às naturezas diversas. A beleza da Vida está justamente na singularidade de cada existência. O que você deseja, me importa, me move, me inspira, me transforma.
A palavra Respeito vem do latim respectus, e etimologicamente trata-se de re-specere, em que specere significa olhar, e o prefixo re remete a um retorno, um novamente, um outra vez. Respeitar é “olhar de novo”, “olhar outra vez” e, nesse ato, compreender e valorizar o que não é você.
Penso que, quando admiramos sem declarar, aprisionamos o outro na estreiteza de nossa própria retina. Magia é ponte: lançar fios no horizonte, criar conexões entre grandezas. É magnífico deixar-se conhecer, expandir universos com intenção, ampliar potências lançando raios de prazer, feitos de cuidado e proteção, deixando claro que sabemos da fagulha vivaz que pulsa e alimenta nossa aventura pela consciência vertida em sentimentos, sensações, emoções que alguém desperta em nós.
Quando digo que é preciso treinar o olhar para ler o mundo, também afirmo a necessidade de decodificar, transubstanciar, reinventar o modo como enxergamos outros seres e histórias. Alteridade é alimento para o Amor, algo que cultivamos quando não estamos sós. Todos os dias o chão se renova, o coração aprende, as realidades mudam. A graça é essa.
Exu abre lentes de infinitas possibilidades que também residem no que não é você. Não importa quanto tempo passe, é preciso abrir-se às surpreendentes maravilhas de quem caminha ao seu lado. Todo dia, uma supernova acende na pele de alguém. Repare. Observe com desejo. Afirme o que quer. Tenha coragem de sair do lugar. É assim que escapamos da monotonia maquinal a que querem nos condenar. .xxx.
















