certamente
há um certo masoquismo
ao se repetir os mesmos erros
e esperar resultados
diferentes.
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certamente
há um certo masoquismo
ao se repetir os mesmos erros
e esperar resultados
diferentes.
Você é uma surpresa boa.
Daquelas que a vida entrega sem avisar, sem planejamento, mas que faz todo sentido quando chega. Apareceu no meio de um novo ciclo, como se tivesse sido colocado exatamente no momento certo, na hora em que eu mais precisava de algo que fosse leve, mas verdadeiro. E eu recebi isso de braços abertos, sem pressa, sem expectativas sufocantes, apenas deixando fluir.
É engraçado como, às vezes, as coisas que não estavam nos meus planos acabam sendo justamente o que dá mais cor aos dias. Eu me preparei para mudanças grandes: cidade nova, trabalho novo, rotina nova. Mas eu não esperava que, nesse meio, viesse também a sensação de que algumas conexões simplesmente acontecem, e que não precisamos forçar nada.
Você chegou como quem não exige espaço, mas, ainda assim, acabou conquistando um. E não foi um espaço qualquer, foi aquele lugar discreto, mas importante, onde cabem pequenas alegrias, conversas que fazem bem, silêncios que não pesam. Foi leve desde o início, e leveza é um presente quando tudo em volta parece tão exigente.
Talvez seja isso que me faça valorizar tanto: não o barulho, não as promessas exageradas, mas a forma natural como as coisas se encaixaram. Eu estava pronta para tantas mudanças externas e, de repente, percebi que as mudanças internas também estavam acontecendo, sem que eu tivesse controle, sem que eu tivesse medo.
Você se tornou parte desse ciclo sem eu precisar nomear, sem eu precisar explicar. Apenas é. E isso já basta. É como se, em meio a tantas novidades, a vida tivesse me mostrado que ainda sabe me surpreender da melhor forma: trazendo alguém que chega devagar.
E no fundo, acho que é isso que faz diferença: o inesperado que vem e, mesmo sem alarde, transforma. Porque há encontros que não pedem nada em troca, só pedem para existir. E você foi um desses. Uma surpresa boa. Uma surpresa bem-vinda.
você foi e continua sendo a coisa mais bonita que esbarrou em mim.
Ando questionando muito minha capacidade de ter força e coragem para viver um amor, talvez por não estar amando, talvez por ter virado uma covarde, talvez por estar tão perdido em mim e nos outros que não poderia, nem se quisesse, nem se fosse irresponsável assim, amar, por que eu não teria coragem de me doar como já me doei do jeito certo e não fui amado, não fui correspondido e não há nada doloroso que um amor pela metade!
E não estou pronto para me doar pela metade e receber pela metade. Eu preciso de um amor inteiro, que se doe o tanto quanto eu mesmo. Mas não sei quando estarei pronto novamente para isso. Sigo me completando comigo mesmo, porque se há uma coisa que essas quedas me ensinaram e entender que eu me basto, mas quando chegar o dia que eu me bater com alguém inteiro, que eu tiver certeza de que meu coração e meus sentimentos tiverem esquecido tudo que já sofri então conseguirei tentar novamente.
eu quero contar sobre a cidade inteira que nunca dorme, ela se levanta sonolenta e se estende por avenidas e casas e mares e pores do sol. eu quero te fazer crer numa espécie de alegria tensa. essa que se sente no âmago. é o fim? quase o fim? é o limite? a liberdade? eu quero te ensinar o mundo com cores rosas e um amarelo saliente. quero essa memória. quero agarra-la. quero gritar "fica, fica, fica". no fim, seremos história. sou eu quem digo. sou eu quem conto. sua parte fica enterrada sob sete palmos do chão. é uma história que não tem mais voz. você respira porque eu respiro. eu choro. me inundo com essas palavras. são essas verdades que me trazem aqui. eu queria que você estivesse aqui. eu quero contar sobre essa cidade que cria mãos e pés e destroem meus sonhos. eu te vejo em avenidas lotadas, em ruas estreitas, em cafés da manhã de estranhos, em jornais da década passada em bancas no centro da cidade. seu rosto está em todo lugar enquanto se esvai de mim. eu quero te fazer crer em um sol que nasce mas não arde, em ondas que se levantam mas não afogam, quero que veja céus estrelados sem o medo de que essas estrelas caiam em você e te firam, quero recordar de você enquanto te recrio com mais coragem do que seu corpo é capaz de suportar.