Olá estranho, eu não sei o que estou fazendo aqui, na verdade eu sei, só não sei se ainda consigo me expressar do modo como eu fazia antes, mas hoje depois de tanto tempo eu voltei naquele circulo vicioso que sempre me leva a você. De vez em quando entro aqui, nesse lugar que foi tão importante para nós...acho que uma parte de mim, lá no fundo, espera um dia entrar e ter uma mensagem, um sinal, alguma coisa que seja. Eu me nego a acreditar que tudo era uma mentira, que não era real, que o sentimento, tudo, não passou de nada. Por que eu ainda me pego relembrando, ainda tenho sonhos com você, ou do que criei de você? O primeiro amor é tão superestimado assim? Eu ainda te vejo nas pequenas coisas e eu sei lá porque estou escrevendo essa carta, algo que nunca irá ler, mas eu precisava escrever, acho que é porque hoje passei em frente a um hotel, um que a gente costumava dizer que quando finalmente nos encontrássemos, ficaria hospedado. Mas por que depois de tanto tempo? Será que você ainda lembra? Será que foi só eu? O meu primeiro amor foi um amor inventado? Por que aquela vez que te encontrei na faculdade você disse que não era você? Eu sabia que era, aquele olhar, aquela sensação...Eu nunca mais consegui me abrir de novo, sentir aquilo de novo, e é bizarro, não sinto ódio, nem dor, é só um espaço vazio que ficou na minha vida, algo que não consigo explicar. Eu costumava acreditar em encontros de almas, ainda acredito na verdade, mas hoje costumo dizer que minha alma gêmea ou não renasceu ou simplesmente passou e não vai ter outra. Eu só queria, não sei, ao menos saber se o sentimento foi real, porque sabe, eu perdoo, eu aceito, eu só não entendo os espaços em branco. Talvez eu tenha me apaixonado pela farsa, pela mentira, pelo o que inventei de você, não tenho magoas, eu só ainda não consegui me desfazer do urso de pelúcia rosa, do cachorro de toquinha de natal, e sempre volto vez ou outra para as lembranças, as boas lembranças. O amor da sua vida, muitas vezes pode não ser o amor para a sua vida, e com muita terapia, acho que hoje começo a entender isso, só ainda paira aquela nuvenzinha com perguntas e interrogações que nunca serão respondidas. Então eu prefiro guardar as coisas boas, me iludir, talvez, que pelo menos para mim tudo foi real, e que você sempre será o primeiro, o primeiro amor, real ou não, se foi o que inventei de você, inventei de nós, não sei, mas a parte do sentimento, dos meus sentimentos foram reais, tão reais que ainda escuto o murmuro da sua voz, e aquele sorriso, aquele que você tanto falava, aquele desapareceu, se apagou, claro que ainda tenho outros sorrisos, outras risadas, mas aquele seu sorriso, ele se foi.