O que o outro pensa de você, cabe a ele.
Como você deixa isso te afetar, cabe a você.
abismoadois
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O que o outro pensa de você, cabe a ele.
Como você deixa isso te afetar, cabe a você.
abismoadois
Já sentiu saudade de você mesmo?
ás vezes me pego pensando em como viver é insano. essa oscilação de humor acaba comigo. de dia, sou uma grande onça selvagem e destemida. a noite, sou a presa dessa mesma onça: um animal indefeso lutando para sobreviver. uma hora me sinto um fracasso em todas as áreas, na outra hora, lembro que só de chegar aqui, eu ja venci. a fase dos 20 e poucos anos acaba com a gente.
Que meu amor seja seu abrigo quando tiver um dia ruim, seu refúgio quando quiser fugir do mundo, seu conforto quando precisar de colo e espelho para que se ame o tanto quanto eu te amo. Quero poder fazer com que você se sinta acolhido pelo amor através de mim.
Não adianta, em algum momento de silêncio a tua ausência faz barulho aqui. Mesmo quando eu tento calar, a saudade grita teu nome.
D.
Eu ainda tô lidando
Mas sinceramente
Não tá dando
Já está me judiando
Isso tá acabando com a minha mente
Não tô aguentando...
Até quando?
Te cheiro como se pudesse te aspirar para dentro de mim.
Existe um intervalo de tempo, alguns segundos, talvez, entre o barulho da chave girando na porta e o momento em que o seu rosto, finalmente, descansa. Como se tudo caísse de uma vez. O dia inteiro sustentando as bochechas, os olhos atentos, uma coluna que não relaxa enquanto tem gente por perto.
Mas aí a porta fecha e não tem ninguém. Você tropeça no tapete e solta um palavrão para ninguém. Coça onde não pode.
O sutiã sai por dentro da manga, o botão da calça desabotoa.
Tem uma liberdade meio esquisita em ser feio.
É o que Clarice chamaria de "estado de graça" se ela estivesse de pijama velho e comendo algo direto da panela. Não é sobre ser livre; é sobre ser bicho. É olhar para a própria mão e estranhar que ela te pertença. É o corpo que não precisa convencer o mundo de que está produtivo, ou pronto, ou interessante.
Sozinho, você é um rascunho borrado. Você ensaia uma conversa que não vai acontecer, faz uma careta no espelho que beira a demência, fica alguns segundos olhando como se tivesse passado do ponto e, às vezes, dá um pulinho ridículo no meio da cozinha sem nenhum motivo.
Não precisa ter motivo.
É quase patológico. É uma coreografia meio torta, de manias que ninguém vê, de ombros caídos e de olhares que se perdem no reflexo do micro-ondas por mais tempo do que deveriam.
A gente só é a gente quando se permite o desperdício. Seja de tempo, de postura, ou de sentido. E justamente nesse desleixo de não ter ninguém para nos avaliar que a alma se espreguiça.