Sou memória, feita de remendos.
Camadas sobre camadas de história,
partes que se colam, se desfazem, se refazem
sempre incompletas, sempre vivas.
Sigo buscando a luz.
Mesmo quando as sombras se agarram
à pele mais exposta da minha alma,
não desisto.
Porque há fé no passo que insiste,
mesmo sem chão.
Aprendi com o silêncio da natureza,
com o canto dos pássaros e a humildade do chão,
que até a dor carrega sua beleza
não por ser bela em si,
mas por nos empurrar ao encontro de quem somos
quando deixamos de ser quem já não cabe.
Transformar-se dói.
Mas não sentir, isso sim, é a maior perda.
A dor é passagem;
o vazio, um abismo.
São Francisco me sussurra:
despoja-te do excesso,
ama o que é pequeno,
encontra Deus no simples.
E assim, sigo.
Remendando, sim
mas inteira no que verdadeiramente importa.
.
.
14/09 [2025]✝️










