Eu já morri várias vezes nesta vida
Mas ainda sigo com os olhos abertos e o coração pulsando
Eu já morri várias vezes
Mas ainda sinto dor
Ainda sinto o frio do vazio
Já morri, e provavelmente, ainda morrerei mais vezes
Eu morri, mas a alma sangra, grita desesperada por SOCORRO
A vida é uma só, mas e a morte?
Eu posso morrer hoje, morrer amanhã e ainda assim você poderá me encontrar vagando por ruas solitárias
Eu morri. E você? Você percebeu?
Não, não se preocupe, eu não morri, mas algo morreu aqui dentro há mais de uma semana
O sorriso morreu, a felicidade também, o amor, a vivacidade, o azul morreu
Morri, mas ainda posso ouvir, ouço palavras vazias, palavras que ferem, magoam
Estou morta, mas ainda posso ver, vejo pessoas gritando silenciosamente por SOCORRO. Vejo a juventude morrendo.
Ainda sinto o cheiro das almas doentes, o cheiro dos corpos sem vida andando vagarosamente, perdidas, buscando uma direção
Eu morri, e me pergunto se fui a única
Não, não fui, soube que o brilho nos olhos também morreu
Não se pode mais sentir o bater de asas das borboletas no estômago, pois elas também se foram
Eu já morri várias vezes
Morri ontem
Morri hoje
Morrerei um pouco amanhã
Morri em casa, na rua, no trabalho, na faculdade
Morri sozinha. Acompanhada com meus pais, com alguns amigos, com o cara que eu amava
Morri gritando
Morri chorando
Morri sorrindo
Morri por dentro
Por fora
Morri pra vida
Morri.
— Por Mara Reis











