De como a Igreja Católica vem sendo transviada desde dentro - parte 4
O cumprimento das profecias de Nossa Senhora de La Salette
Por Cláudio Tsuyoshi Suenaga
A fim de alertar a humanidade para os terríveis acontecimentos que adviriam a partir da segunda metade do século XIX com as pesadas investidas do demônio e seus asseclas para corroer a Igreja Católica desde dentro e erradicar Deus das almas dos homens através das linhas mestras do liberalismo e do comunismo, em La Salette Nossa Senhora antecipou-se a Lourdes e Fátima e deu a conhecer as suas primeiras profecias de cunho apocalíptico, as quais vêm se cumprindo de maneira insofismável e assustadora a indicar a culminação da crescente violência temporal em uma escatológica batalha final entre o Bem e o Mal. Pode-se afirmar que é em La Salette que começa a ser escrita, por antecipação e profeticamente, a trágica história do século XX e deste já mais do que trágico início de século XXI.
Os escolhidos para transmiti-las foram a menina Françoise Mélanie Calvat e Pierre Maximin Giraud, dois pobres pastorinhos de La Salette, encravado nas montanhas alpinas a 1.800 metros de altitude e a 70 quilômetros de Grenoble, no povoado de Les Ablandins, capital do departamento de Isère, sudoeste da França.
Na manhã de sábado, 19 de setembro de 1846, os partorinhos viram uma bola luminosa que se entreabriu e deixou transparecer uma outra luz ainda mais intensa e que se movia. De dentro dela saiu uma “senhora resplandecente”, como que sob um “diadema refulgente” ou “vestida de sol, e que lhes transmitiu diversas profecias ou segredos, os quais foram proibidas de serem divugadas.
Em 9 de maio de 1923, a edição completa do Segredo, em brochura, com imprimátur de Dom Zola, bispo de Lecce, datado de 15 de novembro de 1879, foi inscrito no Index de livros proibidos.
A interdição à difusão pública dos Segredos de La Salette remanesceria até hoje não fosse pelo padre francês Michel Corteville, que no dia 2 de outubro de 1999, quando realizava pesquisas para sua tese de doutorado cujo tema não era outro senão as aparições em La Salette, encontrou nos Arquivos do Vaticano o dossiê completo com os documentos oficiais de La Salette encaminhados a Pio IX (1792-1878, eleito em 1846) e à Santa Sé em diversas datas. Intitulada La “Grande Nouvelle” des Bergers de La Salette,[11] a tese de mais de mil páginas, defendida com sucesso na Faculdade de Teologia Angelicum, da Ordem Dominicana em Roma, foi em seguida resumida por Corteville – que na tarefa contou com a ajuda do padre e teólogo francês René Laurentin (1917-2017), versado em marionologia – e publicada sob o título Découverte du Secret de La Salette (Descoberta do Segredo de La Salette).[12]
Nas profecias, Nossa Senhora começa alertando para a infiltração de liberais, maçons e satanistas na alta hierarquia eclesiástica. A profecia também poderia referir-se às perseguições que o comunismo iria deflagrar contra a Igreja no século XX atacando-a por todos os lados e infiltrando elementos para corroê-la e destruí-la desde dentro.
Sacerdote satanista em cena de Rosemary’s Baby (O Bebê de Rosemary), filme de 1968 dirigido por Roman Polanski.
Chega a ser estupefaciente a maneira como a Virgem prevê os estragos que seriam causados por sacerdotes homossexuais e pedófilos, essas “pessoas dadas ao pecado, […] aos prazeres da carne…” O papa João Paulo II é referido como “O Santo Padre que sofrerá muito”, em decorrência de atentados contra sua vida, tal como se vê na revelação do Terceiro Segredo de Fátima. A Virgem o protegerá, porém certifica que nem ele, nem o seu sucessor, o papa Bento XVI – “que não reinará por muito tempo” – “verão o triunfo da Igreja de Deus”.
O que mais assusta em La Salette, é que o aviso de Nossa Senhora de que Lúcifer seria solto do Inferno em 1864 por causa dos pecados do clero e iria corromper até almas consagradas a Deus. No contexto da mensagem de La Salette – aprovada pelo Vaticano –, Lúcifer, assim como no Livro de Jó, age com o consentimento de Deus. O Livro de Jó ensina que em certas ocasiões até Lúcifer trabalha para Deus – vide que o querubim caído testa Jó com o consentimento de Deus. O ano de 1864, citado por Nossa Senhora num contexto de “multiplicação de maus livros sobre a terra” e de “pregação de um evangelho contrário ao de Jesus Cristo negando a existência do Céu e do Inferno”, foi o da fundação da Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT), ou I Internacional Comunista, bem como o do lançamento do livro O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec (1804-1869), que pregava exatamente as mesmas abominações e relatava os mesmos “prodígios” contra os quais Nossa Senhora alertou.
Esses “prodígios extraordinários” que os demônios e os espíritos maus iriam realizar transladando as pessoas “de um lugar a outro”, poderiam referir-se igualmente aos OVNIs ou discos voadores que a partir da segunda metade do século XX passariam a “brindar” certos contatados com breves passeios por nossa atmosfera – e em casos excepcionais, até mesmo a planetas próximos, como Marte – e a sequestrar ou abduzir outros tantos, submetendo-os a experiências dolorosas e traumatizantes e os devolvendo repletos de ferimentos, mutilações e traumas quase sempre em locais bem distantes (centenas de quilômetros) de onde os haviam originalmente retirados.
Discerne-se em duas passagens um viés de alerta ecológico ao mencionar situações tais como: “A natureza clama por vingança contra os homens…”, e “As estações mudarão…”
A Virgem de La Salette nos projeta, por fim, em altíssima definição, o filme apocalíptico que estamos vivenciando plenamente com a instauração da Nova Ordem Mundial, o próprio Reino do Anticristo. A Europa em particular, varrida nos últimos séculos pela Revolução Protestante liberal, pela Revolução Francesa maçônica, pelas duas guerras mundiais e ultimamente pela péssima administração da União Europeia, vive hoje sob o temor e pânico de atentados terroristas islâmicos orquestrados pelo próprio Ocidente, sem contar a imigração descontrolada, o descalabro das drogas, da libertinagem e da violência urbana gerados pelo liberalismo. O nível de escravidão do europeu de hoje pode ser equiparado ao dos tempos do estalinismo com seus gulags. À época da união da cristandade católica, antes do século XVI, ao menos os governantes defendiam seu povo legitimamente de seitas e terroristas bárbaros, livrando a Europa e o mundo da tirania e dos traidores, mas hoje proteger seu povo e sua família do agressor é considerado politicamente incorreto graças à propaganda da mídia liberal.
A história completa das aparições da Virgem de La Salette, bem como de dezenas de outras desde o início do cristianismo até o século XX, estão reunidas em meu livro inédito A Mãe de Todos os Povos: Aparições, Mensagens, Milagres e Profecias da Virgem Co-Redentora e Medianeira de Todas as Graças.
A disseminação do mal por toda parte, dominando a tudo e a todos, é a realidade no qual nos encontramos mergulhados neste início de século XXI. Afinal, o mundo de hoje, mais do que nunca, não é daqueles que praticam o mal em micro ou macro escala? E não estamos vendo acontecer, todos os dias, todas as horas, bem diante de nós, todas essas cenas de horror descritas por Nossa Senhora?
Os que combatem o mal de frente e não ficam meramente na defensiva, sempre foram e continuam sendo muito poucos, e estes por vezes são até combatidos por aqueles que só ficam na defensiva, e que se não combatem o mal, seja por fraqueza, covardia ou até por interesses mesquinhos em obter desses que praticam o mal alguma vantagem, o que os tornam tão piores quanto, combatem os que combatem o mal. A maioria prefere mesmo praticar o mal, já que aí se junta à maioria, e as pessoas, na dúvida, optam por seguir o rebanho. Entre o bem e o mal, a opção preferida é quase sempre o mal, que traz de imediato e até a médio e longo prazos, em se referindo a esta vida e a esta época de injustiças, todo tipo de benefícios, já que seus adeptos, além de não serem combatidos, considerando serem cada vez em menor número os que ainda insistem em continuar combatendo o mal, contam com os préstimos, a proteção e os favores de Satanás.
Ora, cinco séculos de modernidade com o seu primado da “razão iluminada”, reforçados pelo laicismo, pelo cientificismo, pelo positivismo e pelo materialismo que vieram em seu bojo, acabaram por fazer com que a maioria passasse a duvidar da existência de Satanás e das demais potências divinas e espirituais, colocando o homem no centro de tudo, substituindo o teocentrismo pelo antropocentrismo, atribuindo, pois, aos homens e somente aos homens, a causa, as consequências e toda a obra que se ergueu neste mundo. Não haveria nem mesmo, portanto, vida após a morte, Céu, Purgatório ou Inferno, quanto mais um Juízo Final. E o que temos e vemos hoje é exatamente isto, ou seja, a valorização excessiva desta vida, a busca incessante da “reconciliação com o mundo” – conforme orientou o infame Concílio Vaticano II, em contraposição ao próprio Cristo que concitou para que voltássemos as costas para este mundo dominado por Satanás, pois Seu Reino “não é deste mundo” –, a prevalência do imediatismo e do hedonismo, afinal, não haveria nada mais além desta vida, e só o que nos restaria seria aproveitá-la ao máximo.
Até mesmo certas correntes “cristãs” e seitas evangélicas cismáticas e heréticas adotaram essa filosofia do “vale tudo” pelo aqui e agora, esbaldando-se no engodo, pregando que o que vale são as “bênçãos” proporcionadas pela riqueza imediata, que o que vale é gozar esta vida, não importando se para isso tenham que flertar e compactuar com os poderes terrenos, estabelecendo acordos espúrios com comunistas e todo tipo de bandidos e obliterando e distorcendo os ensinamentos do próprio Cristo, comercializando dentro do templo de Deus, vendendo falsos milagres, ultrajando, enfim, de todas as maneiras, como só o demônio faria, os nomes de Deus e de Cristo.
[11] Corteville, Michel. La “Grande Nouvelle” des Bergers de La Salette, vol.I, L’Apparition et les Secrets. Pars Dissertatio ad Lauream Facultatis S. Theologiae apud Pontificiam Universitatem S. Thomae de Urbe, Roma, 2000; Téqui, Paris, 2001.
[12] Laurentin, René & Corteville, Michel. Découverte du Secret de la Salette, Paris, Fayard, 2002.
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