her eyes and words are so 𝐢𝐜𝐲 oh but she 𝒃𝒖𝒓𝒏𝒔 like rum on the 𝘧𝘪𝘳𝘦
hot and 𝐟𝐚𝐬𝐭 and angry as she can be
i walk my days on a 𝒘𝒊𝒓𝒆
❛ 𝑾𝑬𝑳𝑪𝑶𝑴𝑬 𝑻𝑶 𝑪𝑨𝑺𝑻𝑰𝑳𝑳𝑨 𝑲𝑰𝑵𝑮𝑫𝑶𝑴. ⸻ catalina bourbon tem trinta e três anos e foi o desapontamento mais elegante que a monarquia espanhola já produziu. nasceu como filha primogênita, quando todos esperavam um rei — e nunca deixaram que ela esquecesse disso. presente na althara pela segunda vez, ela tem redigido um acordo pré-nupcial para assinar com quem escolher casar-se. com a habilidade de eletrocinese, o choque que ela causa nas pessoas com sua presença, por vezes é literal. nunca foi coroada oficialmente, mas governa como se tivesse sido — afinal, não se trata de fé, mas de força. “la estrella”, como é conhecida, carrega uma constelação de pintas no pescoço e o peso de um trono que dizem não ser seu por direito. mais flexível que seus pais, finge seguir totalmente as diretrizes do magisterium, mas por baixo dos panos apoia a causa vermelha. ela acredita mais em estratégia do que em destino, e mais em silenciar ameaças do que em dialogar com elas. não quer o trono por romantismo — quer porque sabe que ninguém mais suportaria carregá-lo.
Quando a Casa Real de Bourbon anunciou que a rainha Leonor estava grávida, meses após o casamento, o povo entrou em êxtase: precisavam comemorar a vinda de um herdeiro. Desde o anúncio de sua gestação, esperava-se um príncipe. O povo ansiava por um herdeiro homem — não porque o reino precisava, mas porque queriam. Por costume, por conforto, por capricho. O nascimento de Catalina, de certa forma, foi um banho de água fria para os salões dourados da Espanha: a menina que veio ao mundo no lugar de um rei. E, desde sua primeira respiração no leito dourado do Alcázar, havia olhos demais sobre ela — como se ameaçassem, como se a avisassem de que sempre estariam a observando.
O desagrado foi silencioso, mas implacável. O parlamento suspirou, os nobres murmuraram, e os reis foram pressionados a tentar de novo. Talvez por isso tenham tido tantos filhos. Catalina cresceu sob a sombra da expectativa falhada e da esperança deslocada para os irmãos mais novos. Alfonso, o rei, reagiu com frieza e rigidez. Decidiu que a filha primogênita não teria infância. Catalina aprendeu etiqueta antes de aprender canções de ninar. Aprendeu a caminhar como uma nobre antes de correr como uma criança. Aprendeu a assinar documentos antes de desenhar. E, onde outras meninas ouviam contos de fadas, ela ouvia tratados de guerra. Acompanhava os nobres no salão do trono, nas audiências oficiais e nas execuções dos rebeldes — uma realidade rotineira num país onde vermelhos e azuis se digladiam pelo destino da monarquia. No início, as mortes a inquietavam. Depois, tornaram-se banais. Catalina aprendeu que a vida custa caro — e o trono, mais ainda.
Quando vieram os boatos sobre a ilegitimidade de sua mãe, Leonor, a corte congelou. E, com ela, o próprio reino — afinal, havia outros parentes prontos para tomar o trono. Um deles, homem. Exatamente o que a plebe e o parlamento tanto desejavam. Mas ela jamais entregaria um direito seu de mãos beijadas. Ainda que não seja legalmente a monarca oficial, ordena que toda e qualquer movimentação favorável a seu tio seja silenciada antes mesmo de eclodir. Hoje, governa os salões da Espanha como “La Estrella” — a estrela marcada em sua pele, uma constelação de pintas que os velhos do Magisterium chamam de sinal divino. Ela não acredita em sinais. Mas acredita em poder. E, se a corte insiste em tirá-la das decisões, ela os lembra, sem pestanejar: “Sou a escolhida de Deus.”
Não quer o trono porque o ama. Quer porque o trono não foi feito para mãos fracas. E, mesmo seus opositores mais ferrenhos reconhecem dois traços nela: inteligência e ambição, que queimam por trás dos olhos claros. O trono é dela — e ela cuidará do que é seu por direito, não importando os meios, lícitos ou não, que precise usar para chegar até lá.
O espelho devolvia uma coroa trincada, como se já tivesse sido usada antes. O ouro parecia opaco, as pedras, cansadas — e ainda assim repousavam sobre minha cabeça. O vestido, outrora impecável, agora se apresentava gasto, bordados desfeitos, tecido amarelado, e em alguns lugares, o que parecia recortes estratégicos e transparência calculadas eram, na verdade, pedaços comidos por traça. Talvez fosse apenas uma fantasia, mas havia algo de insuportavelmente real naquela imagem. O que acontece com quem se prepara a vida inteira para governar e descobre que pode ser esquecida antes mesmo de subir ao trono? Senti o estômago se revirar.
Mesmo quando dizia que tinha outras prioridades na Althara, os passos, teimosos, se encaminharam para a fonte, tão logo avistou a silhueta da princesa. Era comum que agisse por impulso, especialmente quando estava com raiva, e pode-se dizer que era isso que experimentava naquele momento, logo após o encerramento do leilão. Também tinha exagerado no uísque e este era um combo que não costumava funcionar. "Não imaginava que estivesse tão confortável com a ideia de ser exibida e rifada como um puro-sangue numa noite como essa, na frente de um salão lotado" ele comentou, se aproximando dela sem ser convidado, aproveitando que aquela parte do jardim estava mais ou menos deserta. Como todos, tinha acompanhado o leilão e visto o momento em que o príncipe ranudense tinha dado o lance que a arrematou, incomodado com a demonstração de interesse da parte dele, mas incapacitado de fazer qualquer coisa. Não estava na Althara para participar de demonstrações ridículas como aquela e nunca tinha sido necessário recorrer ao dinheiro para conquistar a companhia de uma mulher. "Parece ter mudado de ideia sobre seus... Valores. Seria esse o seu tipo agora? O que te compra?" praticamente cuspiu as palavras, rindo da própria piada inexistente. Outrora, Catalina tinha deixado bem clara sua rigidez quanto à casamento, mas as regras pareciam se aplicar apenas a ele - um pacto antenupcial gigantesco e minucioso simbolizando que o relacionamento deles não passava de uma transação negocial. Ao menos, ele tinha sido impedido de cometer um grave erro.
O ar fresco do jardim parecia quase estranho após a opulência sufocante do salão, mas trazia conforto. Catalina segurava a taça entre as mãos, o líquido brilhando sob a luz das luminárias flutuantes. O beijo com Hakon, impulsivo e audacioso, não cessava de reverberar em sua mente — um erro de exposição que poderia manchar sua imagem. Ele havia sido destituído pela mãe, estava à própria sorte, e aliar-se ao Hesse poderia ser mal interpretado e visto. Principalmente pelos conservadores do Magisterium. E então, tudo que ela construíra, cada detalhe controlado da sua persona pública, agora ameaçava desmoronar sob o peso de uma decisão mal calculada. Mas algo em sua mente também dizia que poderia não ser tão ruim, e o cenário mudaria de acordo com suas próximas decisões. Talvez, se mostrasse apoio para Hakon e interesse em tomar a RANU, poderiam ter uma imagem forte. Suspirou, frustrada. Ela precisava de tempo para pensar. Estratégia era a única arma real que possuía ali. Então, o inesperado: passos no caminho de pedra, tão firmes quanto familiar. Cata congelou por um instante, os olhos se voltando lentamente para ele. A última pessoa que esperava ver ali, Vladan. Um choque atravessou seu corpo, misto de surpresa e incredulidade. Mas não houve espaço para sentimentalismos. A raiva queimou rápido, corrosiva. Ele ali, em meio ao teatro dos noivados, como se nada tivesse acontecido, como se não fosse esse o palco onde deveriam definir seus futuros. ❛ Se você ainda me conhece, sabe que não estou confortável com essa ideia. ❜ Estava quebrando a primeira regra universalmente estabelecida entre exes: mencionando o passado. ❛ Além disso, deve saber que eu faço isso por dever, não por vontade. Meu social media acha que pareço muito... inascessível. ❜ Deu de ombros, como se não fosse grande coisa. Mas se lembrava perfeitamente dele dizendo algo bastante similar naquele fitídico dia. Quebrou a distância entre eles após ouvir o julgo, o semblante fechando-se de imediato. ❛ E você teria o direito de saber sobre isso, porque mesmo? ❜
this is a starter for @dehvsse após ele a comprar + Don’t make me regret this !!
Ela sentia o corpo ferver por dentro sempre que via a placa de Hesse ser erguida, elevando também, seu valor. Como se ela fosse uma égua que estava sendo leiloada. Odiava aquilo, definitivamente, e requisitaria uma conversa reservada com o Sumo Sacerdote sobre a vergonha à qual era exposta. Vendida? Escolhida, invés de escolher? Pela segunda vez! Ainda assim, ela permanecia no palco, não aparentando reação diante a disputa entre Alemanha e RANU para a sua pessoa. Mathías já havia declarado, em mais de uma ocasião, seu interesse em uma aliança, e ela não julgava tão mal o segundo filho do trono alemão. Mas Hakon parecia determinado a vencer a disputa, tanto é que foi declarado o vencedor. E para a surpresa de Catalina, aquilo não era um total desprazer.
As luzes do salão ainda estavam voltadas para eles após ser requerida no palco pelo ranudense. O som abafado de conversas ressurgindo preenchia o espaço ao redor, como se o mundo estivesse apenas esperando pela próxima manchete. Cata desceu os últimos degraus ao lado dele, cada passo medido, sem pressa. Mas bastou que o comentário a alcançasse para que parasse no lugar. ❛ Fazer você se arrepender? Foi você quem me escolheu, se bem me lembro. Se vier a se arrepender, a culpa é totalmente sua! Tente assumir alguma responsabilidade, vossa graça. ❜ Estava levemente ofendida, como se seu valor pessoal fosse reduzido pelo comentário alheio. E isso a deixava arisca. Em sumo, a presença do príncipe a desestabilizava mais do que gostaria de admitir, e isso a irritava ainda mais. ❛ Mas já que tocamos no assunto: você deixou a senhora Blackthorne avisada de que talvez aquele cheque volte? Sem fundos, não é mesmo? Seria uma pena se, além de exilado, você fosse preso por fraude. ❜
A provocação, o veneno, pareciam estar sempre presentes quando na companhia dele. Mas bastou que uma câmera se aproximasse dos dois para que ela se lembrasse da conversa que havia tido com seu assistente, Matías. Precisava ser mais simpática, mais popular e ousada. Mais humana, como o vermelho havia dito. Ou perderia em números para Alejandro. Foi quando a ideia lampejou em sua mente, e por um breve segundo, Catalina se perguntou se ele entenderia o que ela faria a seguir. Se saberia que aquilo não era sobre ele. Era sobre ela. Deu um passo à frente, aproximando-se do ranudense. E mais outro. E então, ela ergueu a mão até o colarinho dele, ajeitando-o com uma delicadeza insultante. A outra mão pousou em sua nuca, fria e firme. E antes que ele dissesse qualquer coisa — antes que posicionassem melhor as câmeras —, ela ergueu-se na ponta dos pés e o beijou. Os lábios dela tocaram os dele com uma solenidade quase cerimonial, como se selasse um acordo, e o que ela desejava era que todos parassem para assistir Catalina Bourbon sentir. Ao menos, era isso que pareceria. Era isso que faria parecer.
Departamento de segurança do Magisterium — Castelo de Treatan
RESTRIÇÃO ABSOLUTA – Reprodução ou vazamento deste arquivo implicará em execução sumária por crimes contra a segurança mundial. Arquivo elaborado sob autorização direta do Chefe de Segurança.
✦ INFORMAÇÕES BÁSICAS
Nome completo: Catalina Sofía de la Vega y Bourbon
Reino de origem: Castilla
Título/Posição: Princesa herdeira.
Idade: 33 anos
Status atual: Solteira (com acordo pré-nupcial redigido)
✦ PERFIL PSICOLÓGICO
Altamente racional, disciplinada e estrategista nata, costuma operar como se estivesse sempre três movimentos à frente dos demais. Fruto de uma infância marcada pela decepção de não ter nascido homem — e pelo treinamento severo que se seguiu —, aprendeu a compensar qualquer “falha de gênero” com excelência política, emocional e militar. É fria nas relações, seletiva nas alianças e alérgica à sentimentalidade superficial. Evita demonstrações públicas de fraqueza e prefere o silêncio à exposição. Possui traumas vinculados ao abandono emocional paterno, à pressão institucional e ao peso de uma coroa prometida e depois ameaçada. Sob pressão, Catalina tende a endurecer, mas jamais vacilar; sua frieza aumenta, seus gestos se tornam mais contidos e sua crueldade mais elegante. Não tolera ser subestimada — especialmente por homens — e tem forte aversão à frivolidade e à bajulação. Sua principal fraqueza emocional é a rigidez: ela teme tanto perder o controle que, por vezes, se torna incapaz de baixar as defesas, mesmo com aliados.
✦ Análise complementar recomendada para perfis emocionalmente instáveis.
✦ PODER REGISTRADO
Habilidade: Eletrocinese — Catalina é capaz de gerar, conduzir e manipular eletricidade a partir do próprio corpo. A energia que emite pode causar desde choques leves (como um alerta) até apagões e convulsões. Ela apresenta o costume de permear o corpo com uma película de eletricidade, principalmente em público, evitando assim qualquer contato indesejado. Usa o poder com alta precisão e discrição, preferindo utilizá-lo como ferramenta estratégica e não como espetáculo. A condutividade de sua pele pode ser ativada por adrenalina, raiva ou concentração. Já utilizou em interrogatórios e contenções.
Efeitos colaterais: Enxaquecas, alterações no ritmo cardíaco, dormência muscular após uso prolongado.
Nível de controle: Alto.
✦ ESTADO EMOCIONAL OBSERVADO
Classificação atual: Hipervigilância estratégica.
Comportamento indica alerta constante e resposta defensiva diante de ameaças simbólicas (principalmente familiares).
✦ PERFIL COMPORTAMENTAL EM CRISE
Catalina assume a liderança com naturalidade em situações de risco, não hesitando em delegar ou eliminar obstáculos. Nunca colapsou publicamente, mesmo sob pressão extrema. Seu comportamento em crise tende ao gelo: racionalidade máxima, discurso cortante, desapego emocional. Pode tornar-se ofensiva se desacreditada ou desafiada. Usará sua habilidade mágica se necessário, por isso deve ser observada.
✦ PADRÕES DE INTERAÇÃO SOCIAL
Costuma se aproximar de figuras inteligentes, leais e estrategicamente úteis, independente de classe social. Seu social media pessoal, por exemplo, é um vermelho plebeu escolhido ainda na infância. Raramente forma laços afetivos espontâneos. Tem relações genuinamente afetuosas com as irmãs mais novas, Villavencia e Maria Soledad, e um vínculo profundo com a irmã Martina. Rivaliza veladamente com o irmão mais novo, Alejandro, que considera frívolo e manipulável pelo pai. Evita pessoas barulhentas, tolas ou demasiadamente otimistas.
✦ PERFIL POLÍTICO-RELIGIOSO
Catalina apresenta fé pública na doutrina azul, mas há fortes indícios de que apenas simula essa devoção. Não nega a fé, mas a instrumentaliza. Usa do posto de La Estrella para instaurar respeito e temor nos mais religiosos. Apoia, de forma velada, a causa vermelha. Já financiou discretamente abrigos, operações de resgate e estratégias de infiltração para minorias vermelhas. É vista com desconfiança por setores mais ortodoxos do Magisterium, mas ainda não há provas diretas de heresia ou traição formal.
✦ RISCO DIPLOMÁTICO
Classificação: Alto
Catalina pode envolver-se em escândalos silenciosos, alianças não autorizadas e ações não sancionadas pelo Magisterium. Sua postura crítica e autonomia política são constantes fontes de tensão. Apesar disso, evita exposições públicas graves — suas transgressões são bem-calculadas.
✦ RELAÇÕES ESTRATÉGICAS
Sarp Karadag (@karvdag) — príncipe herdeiro de Anatólia — possível rival, mas não exatamente um inimigo. Conquistou a posição devido as opiniões do pai da princesa que insiste em um casamento.
Alejandro Bourbon (@alealejandrc) — príncipe mais novo de Castilla — relação de atrito devido a separação de apoio realizada pelo pai.
Franz von Halstatt (@franzalbrecht) — príncipe herdeiro da Áustria — aliança forte, amigos de infância.
✦ INDICADORES DE AMEAÇA
“A coroa deve ser do Alejandro.”
“Sorria mais, Catalina.”
Referências à infância e à rejeição do pai.
Citações públicas de sua frieza, infertilidade ou insensibilidade emocional.
Para uso interno da segurança em protocolos de contenção.
✦ INFORMAÇÕES SENSÍVEIS
Possível financiamento de grupos vermelhos — em investigação.
✦ BOATOS
Catalina morreu aos 12 anos de idade e foi substituída por um robô.
Redigiu um contrato pré-nupcial, onde permite que seu futuro marido tenha concubinas.
Mantém encontros secretos com nobres casados.
✦ OBSERVAÇÕES ADICIONAIS
Catalina não quer a coroa por vaidade, mas por convicção. Sabe que o trono é seu por ordem de nascimento e que a instabilidade de Castilla não sobreviveria a um monarca frágil ou simpático demais. Seu desempenho acadêmico e diplomático é exemplar. Avaliações anteriores apontam inteligência superior, autocontrole e ausência de impulsividade — mas risco de radicalização se ameaçada politicamente.
▌ASSINATURA: T.N.S.
Chefe de Segurança do Castelo de Treatan
Após análise, favor encaminhar ao setor de vigilância mágica e comportamental.
Catalina não tinha o hábito de perder tempo com frivolidades — e, para ela, as redes sociais ocupavam exatamente esse lugar. Um teatro moderno, onde todos gritavam para serem ouvidos e ninguém dizia nada que prestasse. Ainda assim, mantinha suas contas ativas. Não por vaidade — ou pelo menos, não mais —, mas porque compreendia a importância de ser vista. Existir como figura pública significava moldar o que diziam a seu respeito antes que o fizessem por conta própria. E para isso, confiava apenas em uma pessoa: Matías. Vermelho, plebeu, uma cabeça fervilhante de sarcasmo e senso estético — fora escolhido por Catalina quando ainda tinham idade para brincar de espiões pelos corredores do palácio. Ele a acompanhava desde antes de saber escrever “reputação”, e justamente por isso, parecia ser o único que compreendia o peso da dela.
"Precisamos conversar." Ele disse, ao entrar na sala reservada para reuniões. Catalina não ergueu os olhos do tablet. Apenas levantou um dedo, pedindo silêncio, enquanto terminava de ler a recém publicada notícia sobre ela. Imaginava que pudesse ser sobre aquilo. Cinco segundos depois, deslizou a tela e finalmente ergueu o rosto. Os olhos verdes estavam impassíveis.
❛ Fale. ❜ Autorizou, como quem concede um privilégio. Matías hesitou. Era raro vê-lo hesitar. "A percepção pública… não está boa." Ele com certeza preferia morrer a usar a palavra “cancelada”. "Você está sendo chamada de antissocial. Fria. Antipática. Tem quem diga que você parece se sentir superior aos outros." O vermelho dizia tudo isso olhando para o celular invés dela, como se estivesse lendo um resumo mal preparado.
Catalina não respondeu de imediato. Deixou o silêncio se estender por tempo suficiente para que ele se envergonhasse do que dissera. Ela não precisava perguntar de onde vinham os comentários — sabia perfeitamente. As câmeras da Althara eram impiedosas com os que preferiam o silêncio à bajulação. E enquanto isso, Alejandro, com seu sorriso idiota e tiradas vazias, era ovacionado nas redes sociais como se tivesse nascido para o trono.
❛ E...? ❜ Perguntou, por fim, com voz baixa, como se a própria questão fosse entediante demais para justificar todo aquele alarde. Matías pigarreou. "Seu pai acha que o Alejandro é mais…" Ele procurava uma palavra que não fosse carismático. "Popular. Algumas casas nobres estão considerando que talvez ele represente uma imagem mais leve de Castilla. Uma que inspire menos… medo."
Catalina inclinou levemente a cabeça, os olhos fixos nos de Matías como se analisasse uma equação particularmente estúpida. Era quase engraçado, se não fosse ofensivo. Passara três décadas sendo acusada de não sorrir. De não se apaixonar. De não vacilar. De não ser homem. E agora, parecia que ser firme demais era o novo defeito. Popularidade, pensou com desprezo. Como se a coroa fosse um prêmio de simpatia.
" Talvez, só talvez… " Matías arriscou, com cuidado. "Se você fosse um pouco mais acessível. Mais… humana. Um sorriso aqui, um elogio ali… Ou até um beijo! Seria bom vê-la sofrendo por algum nobre, Majestade." Foi quando aconteceu. Sem mudar de expressão, Catalina estendeu um dos dedos — e uma faísca azulada percorreu o espaço entre ambos, rápida, precisa, certeira. O choque não foi forte o suficiente para feri-lo seriamente, mas bastou para que Matías pulasse com um grito abafado, antes de cair no chão. O cheiro de estática preencheu o ambiente.
Ela se levantou com elegância, alisando a saia do conjunto escuro que usava. Cruzou a sala com a mesma calma de sempre, parando apenas na porta. ❛ Há um plebeu desacordado na sala de reuniões dois ❜ Disse, sem olhar para trás. ❛ Providenciem um enfermeiro. ❜ E então foi embora, como se nada tivesse acontecido. Mas com uma ideia atraente em mente. Beijaria Hakon de Hesse antes do pôr-do-sol.
Fechou a porta da cabine assim que entrou no confessionário. Passou as mãos nos pulsos ainda inchados, perguntando-se em silêncio quanto tempo levariam para voltar ao normal; Caden não gostava de cicatrizes e não pretendia ostenta-las — e naquele caso, era quase como um simbolo da sua propria humilhação. Espantou os pensamentos ao voltar os olhos na direção da porta que se abria, anunciando chegada de algum nobre penitente. Ou melhor, voltou-se apenas para o som — já que o padre não podia ver a figura alheia, nem o contrário. — Sem pecado concebida — ditou, iniciando o clássico começo de qualquer confissão, esperando agora que o outro desse continuidade.
A madeira da capela era escura, antiga, e rangia sob os pés como se protestasse contra a presença de qualquer coisa jovem demais, viva demais. Catalina caminhava devagar, com as mãos enluvadas entrelaçadas à frente do corpo, como se o gesto — disciplinado, contido — bastasse para conter também o que fervilhava por dentro. Tinha fugido da ala de eventos com a desculpa esfarrapada de que iria se confessar, quando, na verdade, apenas desejava silêncio. Ou talvez não o silêncio em si, mas a ausência de perguntas, de rostos voltados, de holofotes. Os vitrais derramavam luz colorida sobre o chão de mármore, e por um instante, ela pensou que seria bela aquela imagem, se não fosse tão conveniente. Em vez de ajoelhar diante do altar, caminhou direto para o confessionário — sabia que ali não havia câmeras. E que, dentro daquela pequena cabine forrada de madeira e sombras, podia existir como era de fato: uma mulher com mais pecados do que tempo para listá-los, e nenhuma disposição para remorso. Entrou e fechou a porta com cuidado, não fazendo ideia de quem estava do outro lado — e não se importava. Padres, nobres ou juízes, todos acabavam reduzidos à mesma irrelevância quando ela decidia falar. Porém, ao ouvir a voz que dava início ao ritual, por um instante, hesitou. ❛ Em nome dos Sete Santos, abençoe-me padre, pois pequei. ❜ Respondeu, com a mesma entonação automática de quem aprendeu aquilo antes mesmo de saber o que significava. Então, recostou-se levemente na madeira, permitindo que sua cabeça encostasse na parede dividida por grades. ❛ Na verdade, estou aqui padre, para fugir um pouco do circo. Não desejo me confessar. ❜ Não era como se ele pudesse arrancar dela uma confissão à força, de toda forma.
OOC INFO: abaixo você irá encontrar algumas conexões e ideias de inters que eu gostaria de desenvolver com a Catalina. Lembrando que estou aberta a qualquer tipo de plot, então caso tenha alguma ideia diferente ou queira mudar algo em algum item da lista, é só me chamar para conversarmos. Estarei atualizando essa lista sempre que tiver uma ideia nova. Podemos sempre discutir mais detalhes se você preferir, da mesma forma que podemos também só fechar o plot e colocar os personagens para interagir para ver na prática como a dinâmica acontece.
#001 — o irmão que não tive (ou talvez tivesse) — É uma das poucas pessoas com quem Catalina se permite baixar a guarda. Alguém que ela vê como sangue, mesmo que não sejam da mesma linhagem. Compartilham confidências, olhares silenciosos e uma fidelidade mútua que nasceu no caos da corte. Pode ser um aliado, escudeiro, conselheiro ou apenas alguém que a conhece por inteiro — inclusive suas falhas.
📍fechado para @agatacomeu
#002 — o espelho distorcido — Cresceram próximas, partilharam educação, banquetes, tramas e talvez até sonhos. Mas em algum ponto da história, algo quebrou entre elas. Agora caminham como sombras uma da outra: civilidade nos jantares, veneno nos bastidores. A rivalidade pode ser sutil ou declarada, mas Catalina ainda carrega a mágoa do rompimento.
📍fechado para @czirina
#003 — dançamos com o destino, lembra? — Talvez tenha sido um amor de juventude, uma promessa feita sob estrelas estrangeiras, ou apenas uma troca de olhares intensa demais para ser esquecida. O reencontro entre os dois é delicado.
📍 fechado para @strvgar
#004— o cúmplice que sabe demais — Testemunhou um momento de fraqueza ou participou de um plano com Catalina que não deveria ver a luz do dia. Desde então, os dois estão ligados por segredos, olhares e uma tensão constante. Um sabe do que o outro é capaz, e esse fio tênue os mantém próximos... ou prestes a se destruírem.
📍fechado para @sonotsoren
#005 — o moralista miserável — Catalina vive de artimanhas, mas essa pessoa acredita em honra, código, virtude. Detesta tudo o que ela representa e nunca perde a chance de deixar isso claro. Pode ser um guerreiro, um membro do clero, ou alguém que já se feriu por confiar demais. A tensão é constante: ele a chama de víbora, ela responde com sarcasmo. E, secretamente, talvez se respeitem. Um pouco.
📍fechado para @karvdag
#006 — O casamento arranjado que deu terrivelmente errado — Foram unidos por títulos, poder ou conveniência, sem que participassem da Althara ou em outra temporada dela. No começo, Catalina odiava a ideia. Talvez ainda odeie. O noivado pode ter sido desmanchado por diversos motivos, que devemos combinar.
📍 fechado para
#007 — “Você não é meu tipo. E mesmo assim, aqui estamos” — Ele é rude, bruto, sem classe. Ela, refinada, cortante, meticulosa. Deveriam se repelir — e tentam, arduamente. Mas há algo no jeito como ele fala o que pensa, sem jogos, que tira Catalina do eixo. Eles discutem. E discutem. Até que alguém puxa o outro pela gola. 📍 fechado para @dehvsse
#008 — “Estamos fingindo... certo?” — Apesar das câmeras o tempo todo, eles combinaram se unir para testar a popularidade com o povo, uma união estratégica. Catalina e ele posam como casal perfeito. Mas nos bastidores, dividem olhares longos demais. Ela nega. Ele jura que não sente nada. Será que possuem a aprovação do público, e de suas Casas?
📍fechado - em andamento.
#009 — “Meu pai morreu servindo sua família. Eu morro sorrindo para ela.” — Ele era só um garoto quando o pai — um general leal à Coroa — foi enviado numa missão suicida por ordem do trono. Morreu por decisões tomadas bem acima, talvez até por membros da própria família de Catalina. Hoje, ele ocupa uma posição próxima: conselheiro, comandante, talvez até guarda pessoal de Catalina.
📍 aberto
#010 — brincadeira do destino — É sutil a forma como a equipe dos dois os força a encontros, sempre levando um diretamente ao outro. Se conhecem desde a adolescência, tendo estudado juntos, e embora Cata nunca o tenha considerado, começa a ser atrativo agora. Os dois são prático e, enquanto ela quer uma aliança para fortalecer sua posição em Castilla, ele busca ajuda para unificar as Alemanhas. Parecem ótimo juntos.
📍 aberto
𝒇𝒂𝒎𝒊𝒍𝒚
#Martina é a irmã com idade mais próxima, a pessoa com quem ela cresceu junto. Catalina tampava os ouvidos dela quando o pai começava a amaldiçoá-las apenas por serem... mulheres. É a quem Cata reserva suas confidências, alguém em quem ela acredita cegamente no julgamento. É sua melhor amiga. @drymartina
#Villavencia e Catalina mantém uma relação feita de uma cumplicidade rara. Há afeto genuíno, sem afetação, com uma convivência quase instintiva: ambas se entendem nos gestos não ditos, nos olhares trocados durante eventos, e no modo como Villa repousa a cabeça no colo de Catalina sem que nenhuma peça do mundo precise se mover para isso parecer estranho. @semprevencia
#Maria Soledad, é a irmã mais nova, e Catalina se mostra mais vigilante, como se soubesse que a caçula ainda está aprendendo a andar. Ela teme pela hiper exposição e pela tendência irresponsável, que muitas vezes lhe causa dores de cabeça quando precisa limpar a bagunça. Ela é protetora, mas suave; cobra, mas com doçura. @solbourbon
#Alejandro veio dez anos depois dela, e fora mimado desde o berço. Catalina é impaciente com suas birras, crítica com sua formação, e vigilante com cada bajulador que o rodeava, mas jamais cruel. Apesar de sentir mágoa, não era dele, e sim de seus pais, e acabava que não o culpava por existir, apenas por ser a prova viva de que seu pai sempre quis outro alguém no lugar onde ela aprendeu a respirar. E se havia afeto, havia também a dolorosa certeza de que, um dia, teriam que se enfrentar — não como irmãos, mas como peças distintas de um jogo que nunca foi deles. @alealejandrc
Ela tinha oito anos. Talvez nove. Não lembra da data, mas se recorda da fita azul amarrada com força demais no alto da cabeça, puxando os fios com tanta violência que ela mal piscava. Tinha sido um pedido do pai. Ele dissera que ela deveria parecer “apresentável” naquele dia — e havia algo na forma como dissera que a palavra soava menos como elogio e mais como instrução. Era um passeio, ele garantiu. Um momento especial entre pai e filha. Catalina acreditou, porque aos oito anos a mentira ainda tem gosto de verdade.
O caminho foi feito em silêncio, e ele lia. Relatórios, listas de nomes, sentenças. Substituía palavras com a caneta, riscava parágrafos inteiros, murmurava datas, referências a interrogatórios, siglas que ela não compreendia ainda. De vez em quando, comentava banalidades: o atraso do trem na capital, o Ministro da Segurança sendo um estorvo, a previsão de chuva para o fim da tarde. Catalina não respondeu nada — aprendeu cedo que os comentários do pai não exigiam respostas, apenas presença. Sua função era estar lá. E ela estava.
A praça estava tomada. Homens com trajes militares, engravatados da corte, senhores velhos com medalhas demais para o tamanho do peito. Padres em silêncio. Um médico de expressão entediada. Pelotão alinhado. Um palanque no centro, com o estandarte real hasteado ao fundo, e duas cadeiras: uma para o pai, e uma para ela. Mas o que mais ficou foi o cheiro: ácido, metálico, adocicado de um jeito errado. Era como carne esquecida na gaveta da cozinha, como a ferrugem do portão da casa de verão. O ar era denso, e mesmo aos oito anos Catalina entendeu que aquilo não era um desfile. Havia gente demais olhando para o nada. Gente demais esperando que algo acabasse.
O pai a conduziu até a frente, como se estivessem indo assistir a uma peça. Apertou-lhe o ombro e disse, com a mesma voz com que abençoava um documento: “Todo soberano deve conhecer o preço da ordem.” Não parecia nervoso. Nem severo. Apenas prático, como se falasse da poda de um jardim ou da ementa de um jantar. Catalina assentiu, mesmo sem entender. Era treinada para assentir. Sempre assentir.
Somente depois que eles se sentaram, os condenados apareceram. Seis ao todo. Três homens, duas mulheres, um menino. O menino foi o único que a olhou de volta. Tinha as mãos atadas nas costas, os pulsos machucados, o olhar vazio. Mas não desviou. Quando passaram por ela, seus olhos escuros se prenderam aos dela com uma tranquilidade que a incomodou profundamente. Era como se dissesse: “Você vai ver.” Não com voz, mas com a forma como mantinha o queixo erguido. Ela não entendeu aquilo, e odiou não entender. Porque até então, ela era sempre a que observava — nunca a que era observada.
Quando o primeiro disparo ecoou, Catalina tremeu. O segundo fez sua boca se abrir sem som. O terceiro arrancou-lhe um soluço. Quando os corpos caíram, como sacos de areia, ela chorava. Não gritou. Não falou. Apenas deixou que os olhos vazassem a água que ela sequer sabia que tinha acumulado. Seu queixo tremia. As mãos apertavam as laterais do vestido. O laço azul do cabelo já estava frouxo, quase caindo.
Foi então que o pai se abaixou. Segurou-lhe o rosto com uma das mãos — dedos duros, pele fria, unhas bem cortadas, cheiro de couro. Não havia raiva em sua voz. Nem decepção. Apenas constatação. “É por isso que eu queria um filho homem.” Disse isso como quem entrega um veredito. Catalina ficou em silêncio. A vergonha era um bicho novo, mas já sabia que não podia espantar aquele animal com lágrimas. Assentiu com a cabeça, uma vez, e depois outra. Nunca mais voltou a chorar em público. E talvez nem em particular. Porque aprendeu que chorar era um som — e tudo que tem som pode ser ouvido. E tudo que é ouvido pode ser esmagado.
Naquela noite, não jantou. Não pediu histórias para dormir. Não falou. Ficou acordada de olhos abertos por horas, ouvindo os tiros reverberarem em sua cabeça. Não era o som que mais doía — era o silêncio depois. O silêncio do mundo que não parou. A vida seguiu. O pai não a abraçou. A ama não perguntou nada. Ela ignorou Martina lhe perguntando para onde haviam ido. No dia seguinte, teve aula de gramática e equitação, como se nada tivesse acontecido. E nada aconteceu, de fato — a não ser dentro dela.
Hoje, Catalina assina sentenças com mãos firmes. Lê relatórios semelhantes àqueles que o pai lia na carruagem, substitui palavras, corta nomes, distribui punições. Às vezes, alguém a observa assinar e pergunta como ela consegue. Ela sorri. Diz que é parte do ofício. Mas não conta sobre o garoto. Não menciona os olhos dele, nem o som do impacto quando caiu de joelhos. Ele virou estatística. Número. Uma vírgula numa página. Como deve ser.
Ela aprendeu. Como boa aluna. Como filha obediente.
Havia algum tempo que não tocava num cigarro; nunca fora grande adepta, afinal. Contudo, o dia a dia em Althara a forçava a buscar por meios de aliviar a a tensão — e por isso a princesa de Andorra não se lembrava do ultimo dia que não havia recorrido ao álcool, ou a nicotina. Os dedos trabalhavam em tentar fazer o isqueiro acender, o cigarro já aos lábios, quando percebeu que não estava sozinha no recinto — nunca estava. Sorriu sem humor para o outro, soltando a fumaça com um sopro delicado, e oferecendo um para x mais novx companheirx. “ Aceita?”
Catalina não demonstrou surpresa ao encontrar a andorrana ali. Na verdade, parte dela já havia se acostumado a sentir o cheiro de nicotina antes mesmo de avistar Ágata, ainda que as duas não fossem exatamente próximas. Ela se aproximou com passos calmos, como quem não se deixava perturbar nem por fumaça nem por memórias constrangedoras das colunas de fofoca internacionais. Seu olhar deslizou até o cigarro estendido e então de volta para o rosto da prima, com aquele meio-sorriso que raramente chegava aos olhos. ❛ Ah, Ágata… sempre generosa. ❜ Recusou com elegância, erguendo uma das mãos num gesto leve. ❛ Mas você sabe que eu prefiro vícios mais… silenciosos. ❜ Se posicionou ao lado da Ortiz, mas manteve certa distância, como se até o ar carregado de fumaça fosse algo a ser controlado. E era, uma vez que não desejava seu cabelo ou roupas fedendo a nicotina. Possivelmente barata. ❛ Andorra tem sido gentil com você, ultimamente? ❜ Perguntou com naturalidade, sem tirar os olhos do horizonte, mas com um tom que dizia mais do que a pergunta. ❛ Ou essa sua companhia constante com tabaco é um reflexo das finanças do seu reino? ❜ Não havia julgamento explícito, só um lembrete de que Catalina sempre sabia mais do que deixava transparecer. A alusão era clara: ela conhecia os rumores, os escândalos e as dificuldades. Mas, diferente de muitos, ela não tinha interesse em rebaixar a prima em público. Catalina queria observá-la. Saber o quanto ainda restava de utilidade naquela peça solta do tabuleiro. ❛ Ainda assim, recomendo que vá devagar. Althara exige fôlego… e ainda temos muitos dias até o próximo escândalo circular nos salões. ❜
sentada sob a sombra de uma trepadeira ornamental que fazia cócegas no pescoço , ela cutucava uma fatia de brioche amanteigado com a pontinha da faca . ‘ me sinto como uma joia de exposição numa vitrine do centro da cidade . ’ disse , sem nem olhar para catalina ao começar . ‘ por que ninguém achou uma dinâmica em que não envolvesse pessoas caçando umas às outras como se fossem prêmio de caça ? ’ ergueu os olhos e finalmente mirou a irmã com um sorriso preguiçoso . esperava que catalina se sentisse da mesma forma . fez uma pausa , os olhos varrendo a floresta ao longe . corações e caçadores estavam separados por árvores , como se isso fosse suficiente para manter os nervos em paz . ‘ pobre villa e sol ... estão enfiadas naquela floresta agora . espero que saibam desviar de galhos , pelo menos . ’
Catalina deixou a taça de cristal repousar sobre a mesa sem tocá-la, como se qualquer gole pudesse exigir dela mais esforço do que estava disposta a oferecer naquele momento. A sombra da trepadeira era um alívio raro naquele dia sufocante — não só pelo sol, mas pela atmosfera ridiculamente performática da Caçada. ❛ Eu compartilho da sensação. ❜ Concordou antes de apoiar os cotovelos nos joelhos e passar as mãos pelo rosto, desmanchando momentaneamente a postura impecável de princesa. Com Martina, ela não precisava da máscara. Nunca precisou. ❛ E o pior ❜ continuou, virando o rosto para olhar a irmã ❛ é que eu nem sei o que seria pior: ser o prêmio ou o caçador. Nenhuma dessas posições me parece digna. Eu devia ter inventado uma enxaqueca e me escondido em alguma ala do castelo até tudo isso passar. ❜ Catalina pegou um pedaço do brioche que Martina empurrava com desdém e deu uma mordida preguiçosa, quase como provocação. ❛ Villa e Sol deviam estar dançando em algum salão iluminado, não se arranhando em galhos atrás de pretendentes. Eu juro que se alguém recusá-las... ❜ Fez uma pausa e sorriu de canto. ❛ Aposto que Villa chutou alguma raiz com toda a força já nos primeiros passos. E Sol… deve estar mais preocupada em acabar com um arranhão no rosto do que em encontrar algum medalhão. ❜ Ela se encostou no ombro da irmã, em um gesto raro e afetuoso, e murmurou com uma sinceridade que não cabia nos banquetes: ❛ Me recorde quais as vantagens da Althara? Antes que eu acabe engolindo minha própria língua. ❜ E fechou os olhos por um segundo, como quem permite a si mesma respirar, só porque estava ao lado da única pessoa que entendia exatamente o que ela sentia — sem que ela precisasse dizer muito.
catalina estava ao lado do pequeno jardim vertical improvisado no salão envidraçado onde o brunch acontecia . laurent a viu antes que ela o notasse . estava do outro lado da mesa de pães artesanais , trocando acenos diplomáticos com um dos príncipes que tinha hálito de peixe . mas ao notar a silhueta elegante de catalina , desviou naturalmente o percurso . caminhou com passos lentos , como quem apenas perambulava , um copo de suco em mãos e uma cara de cachorro abandonado . ‘ precisava mesmo de uma mente racional esta manhã . já me disseram que você é a mais sensata da família . mais do que sua irmã , com certeza . ’ não havia sarcasmo explícito , mas também não era um elogio gratuito . ‘ digo isso com a maior das considerações , é claro . ela tem outros talentos … eu acho . ’ fez uma pequena pausa , estudando a reação de catalina antes de continuar , com o tom cuidadosamente inocente . ‘ pensei que poderia me ajudar nessa . ’
O pajem falava com entusiasmo quase religioso sobre os atributos de seu príncipe: habilidades com falcoaria, talento para recitar poemas épicos e, segundo ele, um sorriso capaz de curar febres. Catalina escutava com uma paciência treinada e um sorriso polido, mas sua mente já havia escapado da conversa três elogios atrás. Por isso, quando avistou Laurent se aproximando com aquele ar casualmente estudado, não hesitou. ❛ Peço licença, monsenhor. ❜ Disse ao pajem, com a doçura exata para parecer cortês e a firmeza suficiente para encerrar a conversa. ❛ O príncipe de Velraisse requer uma palavra, e seria imprudente ignorar um herdeiro com exército próprio. ❜ Só depois que se afastou alguns passos — e que o pajem se curvou e partiu — Catalina permitiu-se um sussurro seco, quase uma prece: ❛ Que os Sete sejam louvados… e que ele continue longe de mim pelo resto da manhã. ❜ Voltou-se então para Laurent, avaliando sua expressão com a elegância de quem já estava de volta ao jogo. Quando ele falou, Catalina escutou com atenção, mas não cedeu à provocação fácil. Fez questão de manter o tom leve, embora o olhar fosse afiado. ❛ Por favor, alteza, não tente me elogiar diminuindo minhas irmãs. ❜ O aviso era sutil, acompanhado de um ligeiro menear da cabeça. Sabia que não devia levar para o lado pessoal, ou iniciaria uma grande discussão com o Lefevre. Uma que certamente não era bem vinda naquele momento. Por isso, respirou suavemente antes de concordar. ❛ Villavencia tem muitos talentos, sim. E estou aqui para garantir que nenhum deles seja desperdiçado com alianças erradas. Ela merece alguém que compreenda o valor dela. ❜ Deu um meio sorriso, e com um gesto mínimo gesticulou para que se sentasse junto dela. ❛ Vá em frente. Diga o que precisa. ❜
O entendimento mútuo entre as duas foi fácil como telepatia, apenas um olhar. Sempre foi assim, na verdade. Quando souberam que precisavam esconder os medalhões, logo estava ao lado de Catalina com aquele ar de quem estavam prestes a fazer algo muito bem intencional. Não demorou mais que dois minutos dentro da floresta para que quebrassem o silêncio, afinal, meio que já sabiam o que era pretendido. "— Onde vai esconder? Tem que ser em um lugar que a pessoa tenha que lutar por ti, é o mínimo." Escaneou o local, como se procurasse algo que seria digno da herdeira. "— Esconder em galhos é interessante, mas facilmente pode ser alcançado por alguém mais atlético. Enterrar em raízes vai ser meu go to, a pessoa precisaria cavar e teria que ter bastante força. Agora, se quiser que ninguém te encontre...." Parou pra pensar. "— Bem, vamos ter que pensar o que as pessoas definitivamente não querem fazer."
É claro que também não gostaria de ser uma caçadora. Vaguear pela floresta à caça de um símbolo sentimental, cercada de ilusões e frases místicas? Não, obrigada. Não era esse o tipo de caça que lhe interessava. Mas ser coração… havia algo pior nisso. O papel da espera. A aparência de entrega. E, mais ainda, a possibilidade de que alguém achasse que a tinha “reclamado”. Como se Catalina não fosse a arquiteta do próprio destino. Pensou, por um breve segundo, que deveria ter se ausentado do evento. Dado uma desculpa de saúde, uma dor de barriga — qualquer coisa. Mas talvez aquilo também fosse parte do ofício. Jogar o jogo, mesmo quando ele parecia ridículo. ❛ Eu não quero que ninguém precise lutar por mim. ❜ Ponderou por um momento antes de responder a Lefevre. ❛ Só quero que saibam que, se chegarem até mim, foi porque eu deixei. ❜ Dera levemente de ombros, como se aquilo não fosse nada demais. Não estava em busca de um amor romântico, como o idealizado por muitos ali. Ela só queria um sorriso bonito, bom para retratos. Um sobrenome que não atrapalhasse. E um homem que soubesse se sentar, calado, quando o assunto fosse sério. ❛ Preciso esconder onde ninguém encontre. ❜ Avançava para dentro da floresta pensativa, quando uma ideia lhe preencheu a mente. ❛ Acha que alguém teria a coragem de mergulhar, para pegar um medalhão? ❜ Se havia visto bem em seu mapa, o lago não estava muito longe delas.
@vaicatalatinha disse "Why waste your energy on them?"
Havia aprendido a fazer origami pelo tanto que Mikhail havia lhe enchido a paciência sobre eles, ao ponto de que havia memorizado como fazer os mais variados tipos de bichinhos com aquela arte. Não via o melhor amigo em lugar algum, mas imaginava que ele gostaria de achar um monte de origamis quando encontrasse aquela mesa em questão, então estava há cerca de uns dez minutos apenas fazendo origamis de raposas. Tanto, que quase não ouviu a fala de Catalina tamanha sua concentração no trabalho manual, ponderou por alguns segundos antes de responder. ❝Mantém as mãos e a mente ocupadas... Você sabe fazer?❞
Catalina já estava farta do som de risadinhas abafadas e teorias absurdas sussurradas como segredos de Estado. As garotas ao redor falavam com o mesmo fervor de quem apostava jóias em um tabuleiro de guerra — só que, ali, a moeda era o afeto de algum nobre encantador o suficiente para encontrá-las na floresta. Tinha seus usos, claro. Ela sabia bem disso. Mas, sinceramente… havia limites. Por isso, aproximou-se da mesa onde Stefan estava, levando consigo um cálice intacto e uma expressão de quem precisava urgentemente ser poupada de mais um monólogo sobre “destinos cruzados”. Não esperava a invasão de raposas de papel — o que, no mínimo, era peculiar o suficiente para reter sua atenção. Observou-o dobrar mais uma com a precisão de quem estava habituado, como um pequeno ritual de concentração, até que ele notou sua presença. ❛ Não. Mas dizem que sou boa em desfazer coisas que os outros montam com tanto cuidado. ❜ Comentou em tom humorado, ainda que Alejandro não pudesse confirmar que ela apenas brincava — inúmeras foram as vezes que desfizera as brincadeiras dele, por puro prazer. Puxou uma cadeira para se sentar, mesmo sem ser convidada, afastando-se ligeiramente da mesa para que não tomasse espaço e arruinasse a obra dele. ❛ Nos últimos dez minutos, cheguei a conclusão de que cometi um grande erro ao não ter te beijado, como se fosse a última vez, naquela barraca de circo. ❜ Levou o cálice aos lábios, sem beber, relembrando o breve momento dos dois na noite de circo. ❛ Porque, sinceramente, devo estar amaldiçoada. Que outra coisa explica ter que ouvir mais meia hora de histórias sobre como o amor verdadeiro pode ser encontrado entre folhas úmidas e galhos tortos? ❜
𝐩𝐫𝐨𝐦𝐩𝐭: um Coração seduz meu Caçador para distrai-lo da busca
'come to me'
Era esperado um alto desempenho da parte do príncipe, uma demonstração de que ele era, sim, filho de Zircon de Hesse, o Lobo do Norte, mesmo que não fosse filho de Kestrel. Uma demonstração pública de legitimidade, diante de todos, viria bem a calhar naquele momento, mesmo em se tratando de um jogo inofensivo. Era por isso que Albert estava se mostrando tão concentrado, dando sintomas de competitividade que se via quando ele queria muito alguma coisa. Não poderia ser tão difícil encontrar medalhões, certo? Ele já havia passado por provações muito piores. Depois de caminhar por pelo menos um quarto de hora, ele finalmente encontrou uma clareira. Por mais que aquele parecesse um lugar óbvio demais para esconder um medalhão, o fato de dar de cara com Catalina, um dos Corações, provava que ele estava seguindo uma pista certa. A fala da princesa, contudo, fez despertar desconfiança, com Hak semicerrando os olhos. "Para onde, exatamente?" não sabia se ela estava lhe oferecendo ajuda ou se estava imaginando coisas.
Se alguém reparasse em suas orelhas quando retornasse ao brunch, notaria a ausência dos brincos que usava de manhã — nada na Althara era de graça, e ela preferia lidar com essas questões pessoalmente. Com a desculpa de uma ligeira indisposição, que a faria ir até a enfermaria e retornar, por tempo o suficiente para desaparecer por uma hora sem levantar suspeitas, ela afastou-se das conversas e teorias sobre quem encontraria o medalhão de quem. E os brincos serviram de pagamento para o guarda vermelho que a acompanhara, para que se mantivesse em silêncio sobre o real destino da castelhana. Alguns diriam que era paranoia, outros, estratégia. Mas Catalina só não tinha a santa paciência de esperar que encontrassem seu medalhão, e sendo sincera, estava entrando na floresta para ela própria o resgatar e, infelizmente, encerrar aquela dinâmica sozinha. O problema, no entanto, é que a florestava mudava. A trilha que havia entrado horas antes já não a levava para o mesmo lugar e, depois de alguns minutos andando e tentando esconder-se sempre que ouvia alguma voz — afinal, enquanto coração, não deveria estar ali — ela, aceitou que estava perdida. Já havia entrado bastante na mata, e encontrado uma clareira, quando ouviu o estalo sútil de galhos se partindo. Por um instante, não se moveu, ciente de que não deveria ser encontrada ali. Mas não tardou em girar no próprio eixo, um sorriso tênue curvando os lábios ao reconhecer o ranudense. O convite, com fala mansa e acompanhado de um sorriso enviesado, foi calculado, e ela precisou passar por cima da vontade de simplesmente dizer que aquilo parecia, novamente, uma perseguição — dessa vez, ela não deveria estar ali, além do quê, imaginava já ter entendido como o Hesse funcionava. ❛ Você não acha curioso, que entre tantos caçadores, seja justamente você a me encontrar aqui? ❜ Seus dedos tocaram levemente uma árvore ao lado, traçando distraidamente a casca. A voz era baixa, suave, e ela ignorara a pergunta dele de forma proposital. ❛ O que pretende fazer? ❜ O questionamento veio enquanto dava um passo em sua direção. ❛ Você pode apenas voltar ao jogo, e fingir que não me viu... ❜ Sugeriu, se aproximando mais um pouco, devagar, contornando-o como quem reconhece uma ameaça, mas resolve brincar com ela mesmo assim. As mãos ocultas atrás das costas, os olhos presos nos dele. ❛ Ou aceitar um prêmio muito melhor. ❜ Ela virou o rosto com falsa inocência, como quem não dissera nada de mais. Mas a ideia já havia sido implantada em sua mente alguns dias antes, e duvidava que fosse ter um momento melhor para discutir os detalhes com ele do que ali. Longe das câmeras.
Catalina pode até manter o perfil low profile — mas na Althara, basta ela aparecer para virar tendência. Para a HUNT HEART, ela surgiu com um conjunto full black, que combinava perfeitamente com o boné discreto e os air force recém-lançados da Nike. O traje preto, composto por um tecido mais resistente e , também, detalhes em couro, deixa a cintura marcada com um conjunto de três cintos. Alguns diriam que a vestimenta é ideal para treinos de equitação, outros, para o combate. E talvez seja essa a mensagem que ela deseja passar, enquanto aproveita o brunch. O cabelo, em um rabo de cavalo perfeitamente alinhado, apenas colabora para deixar seu rosto em evidência: o semblante sempre passivo, atento, sem demonstrar desgosto, ou gosto, por nada. O look simples, tem um efeito é imediato, e esperado pela marca que a patrocina: esgotado em minutos.
Seu medalhão, arremessado dentro do Espelho de Treatan, apenas por acreditar que nenhum caçador seria louco o suficiente para entrar ali, revela um traço de sua personalidade: escorpião. Quando aberto, é a constelação que cintila em tom dourado, sobre o ouro do medalhão. As estrelas sempre a representando. Por ter apenas o arremessado no lago, seu retorno para o brunch foi rápido, assumindo assim um banco que a fizesse ficar de frente para a clareira, visualizando perfeitamente aqueles que retornavam com os medalhões. Inclusive @karvdag , que retornou encharcado, para seu completo desespero.
martina estava sentada sozinha no banco de pedra , com o corpo meio largado , as costas curvadas de propósito como um pequeno ato de rebeldia silenciosa contra anos sendo forçada a se sentar como se tivesse uma vara enfiada pela espinha . as mãos brincavam com uma pétala arrancada do chão como se fosse a coisa mais interessante do seu dia . ela havia escapado para o jardim assim que a última entrevista terminou , com as luvas fora das mãos e a maquiagem ainda fazendo o milagre de disfarçar o cansaço . ou quase . havia se saído bem , considerando as perguntas desnecessárias e o tom meloso dos apresentadores . um deles chegou a dizer , com um sorriso plastificado , que ela era a imagem da “ resiliência feminina ” . ela quase respondeu com um palavrão . as entrevistas sempre , sempre , davam um jeito de escorregar o nome de george no meio — como se ele tivesse virado uma extensão indissociável de sua identidade . “ vossa alteza ainda sonha com o amor ? ” , “ alguma chance de um novo noivado ? ” ela odiava cada minuto daquilo . até que sentiu a sombra de alguém se projetando sobre o chão em frente . reconheceu os passos antes de erguer o olhar . e , de repente , a cabeça de catalina repousava em seu colo . ‘ uau . o trono desabou ou você só resolveu lembrar que tem coração ? ’ não disse com crueldade . era o tipo de sarcasmo que só se usava com quem se ama há tempo demais para manter todas as barreiras de pé . seus dedos se moveram sozinhos até os fios soltos de catalina , brincando com um deles , como se estivesse distraída . ‘ é , bom … você sabe como é . anos ouvindo homens me explicarem o que eu mesma disse , alguma coisa eu tinha que aprender , né ? ’ e por mais que a resposta fosse afiada , o tom era leve . uma tentativa desajeitada de desviar da emoção real — de como , por dentro , ouvir aquilo da irmã fazia uma parte antiga dela amolecer . ‘ mas obrigada , eu tive uma boa professora . você está se saindo bem , cata . ’
Soltou um riso abafado, quase sem abrir os lábios, como quem não quer gastar nem a energia para rir de verdade — e, ao mesmo tempo, como quem entende exatamente o que Martina quis dizer. ❛ O trono não desabou… ainda. ❜ Respondeu, com a voz arrastada pelo cansaço, mas deixando que o sorriso se escondesse ali, no fim da frase. Aprendera nos últimos dias que preferia enfrentar o julgamento de uma centena de vermelhos do que encontrar um marido bom o suficiente para estar ao seu lado — alguns eram hostis demais, outros arrogantes, outros só queriam casar-se com uma rainha, também tinham os vaidosos e os usurpadores. Fechou os olhos de novo, relaxando ainda mais sob o toque distraído da irmã, como se, de todas as decisões estratégicas que tomara naquele dia, essa — de simplesmente se jogar ali — fosse a única absolutamente certa. ❛ E eu prefiro ter um cérebro, você sabe. ❜ Acrescentou, num tom seco e debochado, só para manter o teatro que, com ela, sempre acabava desmanchando. Catalina respirou fundo, absorvendo o cheiro das flores, da grama, e da maquiagem misturada ao suor — das duas. ❛ Sabe… eu preciso logo de um consorte. ❜ Disse, de repente, sem olhar, mas com uma honestidade que soava sóbria demais para aquele cenário quase bucólico. Deixou a frase no ar, brincando com o tecido da saia de Martina com a ponta dos dedos, como quem desfaz um nó invisível. ❛ E acho que você deveria me ajudar, já que é minha primeira irmã. ❜ Virou um pouco a cabeça, abrindo um dos olhos para fitar ela com aquele meio sorriso torto, onde cabiam exaustão, carinho e uma ironia que parecia cravada no sangue das duas. ❛ Quem você acha que seria uma boa opção? ❜ Questionou, com uma curiosidade genuína, antes de arfar uma risada curta. E então fechou o olho outra vez, aproveitando-se do afago da irmã, enquanto sondava as opiniões dela.