Imaterial como uma sombra. Incapaz de movimentar-me, acorrentado, algemado, preso dentro da própria mente por ninguém mais do que eu mesmo. Às vezes, tento uma libertação, mas o mundo fora daqui decepciona demais e faz com que a jaula pareça mais segura e menos perigosa. Infeliz a sensação de estar perdendo cada giro do relógio enquanto o movimento flui lá fora, mas pelo menos aqui sei que nada vai me destruir. Quem sabe um dia algo realmente bom apareça para abrir o cadeado e me levar até a claridade do sol, mas até lá, cada lampejo de luz que atravessa a redoma como um flash parece queimar mais do que iluminar. Cada movimento brusco parece um caçador se aproximando de um animal silvestre assustado, pronto para fugir ao menor sinal de ataque. Enfim, deixando as metáforas de lado, espero que alguém realmente faça a diferença a ponto de me fazer correr riscos novamente.















