Há um momento em que o corpo esquece que está vivo e mesmo assim pulsa.
Ali encontro, entre a carne fria e o arrepio tardio, o que ainda permanece quando você partiu.
Seus olhos lentos e cansados me observam,
devolvo o olhar como quem busca salvação em um cemitério de promessas.
E dessa doença que se chama amor,
que ensina o coração a morrer devagar.
Fomos aprendizes da queda e os amantes do que se desfaz.
O tempo sangrava quando sua boca tocava a minha,
entregando um sabor de eternidade estragada junto a um cheiro agridoce de um fim inevitável.
Tento acreditar na ideia que te inventei num sonho febril,
tenho certeza que nasci da tua ausência.
Os ossos que te abraçaram, agora vivem em completo esquecimento.
As luzes piscam em uma dança sinuosa e o mundo gira lento.
Os reflexos se multiplicam e vou morrendo a cada recordar.
o amor, no fim, acaba sendo um ritual.
Não há abrigo ou moradas, só uma cova.
Há beleza no apodrecer junto e um desconforto na ternura de se decompor por alguém.
São almas cansadas, mãos frias e sombras cinzas que se confundem no vento.
Uma dança macabra de ossos ao chão,
uma noite de corações dilacerados e estilhaços de lembranças.
Disseram uma vez que o amor e morte eram a mesma coisa, mas mesmo com os alertas, resolvi provar.
A morte é o beijo que não termina,
o amor é o túmulo do descanso eterno.
E entre o último suspiro e o primeiro esquecimento,
e um sentimento dentro do peito.