carta-poesia n° 1
quando menos te esperei, chegou, como se fosse anjo, como se fosse inferno. e caí do céu ao avesso: me encontrava em um mundo descalço, derrubado, perdido. assim como perdida eu estava. e quando menos te sonhei, apareceste para destruir o pesadelo de uma existência repetitiva, fadada aos mesmos erros. e quando menos te implorei, mais tu quiseste ficar. disposto a sentir – junto à mim – aquilo que eu jamais poderia entender. e do fundo me ergui, cautelosa, por mim, mas por ti. e me curo das malícias e malezas do céu invertido em que vivi grande parte da minha vida: e procuro no teu inferno a salvação da minha alma. e eu a achei. e te achei, como promessa feita, como dívida paga.
31 de agosto de 2022.













