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@anjosgrafia
Postcards from Scotland.
Sinto que estou sempre te perdendo entre os dedos, como quem tenta segurar a água do mar na palma das mãos e não consegue. Te sinto deslizar pra longe, escorregar entre quaisquer resquícios de fuga que encontra pelo caminho, na busca incessante de voltar ao seu imenso oceano particular.
Te sinto ir, querendo voltar.
Como se no balanço das ondas, ao mesmo tempo, que me joga para longe, volta para me buscar.
E nessa dança instável das tuas idas e vindas me vejo refém da maciez da areia e de joelhos fracos que se travam na busca de encontrar algum ponto de equilíbrio para não desabar.
E eu só posso confiar em mim nessa imensidão de você. Em mim e em um joelho travado que parece querer quebrar a cada golpe certeiro teu.
Tu me desequilibra, mas eu não me afasto.
Porque a verdade é que não quero estar na beira lutando contra a tua maré, se pudesse mergulhar em ti, já estaria em alto mar faz tempo.
Se meus joelhos deixassem, não tentaria só te agarrar com a ponta dos dedos na tentativa fútil de manter um pouco do teu eu entre as minhas mãos.
Se meus joelhos deixassem até barco de papel resistiria a tempestades para que eu pudesse navegar em você.
Se meus joelhos deixassem, se renderiam ao menor golpe teu e confiaram no meu próprio corpo que sabe perfeitamente como nadar nas tuas intensidades caóticas sem se afogar.
Se meus joelhos deixassem não temeriam a frieza do tempo, porque no fundo do oceano a densidade torna a água amena. Porque mesmo que o sol não alcance a superfície e a aqueça, sempre tem uma corrente de calor no fundo que te acalenta e conforta.
O problema nunca é mergulhar em dias frios, o problema é sempre o vento lá fora quando a gente sai da água. Mas quando se trata de mergulhar em ti, quero imergir sem precisar ter que voltar pra terra.
(Ópio Plutônico)
É que eu já não sei mais escrever sem ser sobre você.
Desaprendi qualquer outra escrita desde que te conheci.
As palavras só sabem me guiar ao teu encontro.
Tudo tem teu eu escancarado nas entrelinhas.
E eu já não sei mais ser poeta sem recitar teu nome.
Tudo acaba sendo você mesmo que nem seja sobre você.
Tu é meu bloqueio criativo.
As letras expressam o quanto meu eu só sabe transbordar você.
E infelizmente, meu eu poeta não mente.
É nos versos que te trago para perto.
É nas vírgulas que te faço eterno.
Mesmo que você já nem exista mais aqui.
E a distância seja pautada pela presença ofuscada.
Te gostar se tornou silencioso.
E esse nosso silêncio anda gritando cada vez mais alto aqui dentro.
Mas não posso gritar.
Então, te escrevo.
Como se no oculto a gente pudesse conversar.
Só que na poesia o grito é mudo,
E o eco é sempre lancinante.
(Ópio Plutônico)
Eu nunca pedi para ser colocada em um pedestal. Nunca quis carregar esse peso de ser exemplo, de sempre saber o que fazer. De ser aquela que tudo entende, tudo suporta e tudo resolve. Mas, de alguma forma, me colocaram lá, e agora, mesmo sem querer, me culpo.
Me culpo por não corresponder às expectativas que nunca escolhi. Por sentir cansaço quando esperam que eu esteja firme. Por errar quando acreditam que eu deveria saber todas as respostas. Por sentir raiva, medo e tristeza, emoções tão humanas, mas que, em mim, parecem ser vistas como falhas imperdoáveis.
Mesmo sabendo que ninguém deveria viver assim, ainda luto contra a voz que me diz que talvez seja meu dever ser forte, ser estável, ser o porto seguro de todos.
Mas e se, só por um instante, eu me permitisse descer desse pedestal? Se eu aceitasse que não preciso ser tudo o tempo todo? Se eu aceitasse que não preciso ser perfeita, que minha força está em reconhecer meus limites? Talvez alguns se surpreendam, talvez outros se decepcionem, mas, acima de tudo, talvez eu finalmente me sinta livre.
— eu, poesia.
vivemos sucumbindo a nós mesmos para não enfrentarmos o peso do fim.
Eu te ofereço todas as minhas escolhas sinceras sobre o amor toda prioridade sobre o sentimento e uma vontade infinita de construir felicidade.
Maxwell Santos
Ouvi dizer que dipirona alivia a dor de um coração partido. Mas, quando me vi sem você, entendi que nenhuma cura alcança uma dor tão profunda. Foi como perder o chão, como ver o futuro se apagar. Naquele momento, percebi o quanto você é essencial pra mim, o quanto o amor verdadeiro dói, mas também transforma. Amar é lutar, mesmo nas quedas, porque algumas coisas simplesmente valem todo o esforço. E você é uma delas!
—Intensificavel
desculpa por não ter muito a oferecer.
roubaram as minhas melhores partes.
o que é a vida se não um amontado de coisas tristes também
não dói em você saber que você me quebrou de uma forma que eu nunca mais consegui ser inteira?
também é suicídio amar quem não ama a gente
céu de júpiter
Há trevas na vida e há luzes, e você é uma das luzes, a luz de todas as luzes.
- Bram Stoker, Drácula.
Eu transbordo saudade sua.