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@cronistadespreocupado
Lembrança
Eram 15 horas e estava passando o jornal da tarde. Ela não estava prestando muita atenção no que transmitia pois estava ocupada terminando seu almoço. Seu costume era de comer tarde, então entre 14 e 16 horas era o seu momento de almoçar.
Acontece que quando estava se levantando, ela olhou para TV e reparou que os jornalistas estavam falando sobre um grande incêndio que estava acontecendo na cidade. Não deu muita atenção porque infelizmente isso costumava acontecer, o clima onde morava era bastante seco naquela época do ano.
Enquanto estava voltando pro trabalho, ela ficou pensando nas imagens do incêndio e agora sentia que conhecia aquele local, mas não tinha certeza se era algo da sua cabeça pois podia estar viajando.
Na sua cabeça ela lembrava da casa dos seus avós, não sabia exatamente, mas aquelas imagens lhe fizeram lembrar disto. De uma hora pra outra lembrou de todas as vezes em que correu pelo quintal, brincou de pique esconde com seus primos e até nas vezes em que ajudava a sua avó a fazer um bolo de banana, que só ela sabia fazer.
Eram lembranças muito vívidas na sua mente, só de pensar ela via cada detalhe da casa, como o muro de hera que possuía na porta, o vaso de samambaia que sua avó deixava pendurada na porta e até a cristaleira que tinha na sala com milhares de copos de tamanhos e formatos diferente.
Contudo, ela se lembrou de mais um detalhe que fez o seu dia terminar. A casa era em grande parte feita de madeira.
Subitamente ela se sentiu tão abalada que não quis acreditar no que a sua mente estava indicado à ela, então correu de volta para o escritório para abrir o G1 e descobrir com mais calma o que aconteceu.
Ao chegar no escritório e após descobrir o que realmente aconteceu, ela sentiu que um grande pedaço da sua história havia sido um sonho. Lembrar de todos os momentos de sua infância com seus avós, todas as brincadeiras e todos detalhes pareceu uma memória tão distante, que não era possível determinar o quão longe estava e se eram verdadeiras.
Tentou voltar ao trabalho, mas esse dia já tinha acabado. Era apenas questão de tempo para voltar pra sua casa e assimilar o que tinha acontecido.
O fogo tomou conta de suas memórias e apenas deixou as cinzas para serem levadas pelo vento.
O que acontece quando nos beijamos, mas nossas bocas continuam secas?
Kiki’s Plant Delivery Service~
I would order plants from her everyday until I live in a jungle.
Atalaia
Um brinde. Foi o que falaram após sentarem-se às pedras para ouvir as ondas e assistir o por do sol. Estavam em uma encosta e, depois de passar por uma escadaria, encontraram essa parte na rocha que parecia um ponto para sentinelas. O spot perfeito para vigiar o oceano.
Após esse ponto havia uma trilha mal determinada que levava a uma praia privativa, contudo o que ocorreu depois dessa pedra é assunto para outra crônica. Neste momento devemos nos atentar a essa rocha, apenas.
Parecia que estavam sentados em uma plataforma cravada na montanha, onde por todo o seu redor havia muita vegetação, algumas árvores baixas, arbustos, grama e rochas. Rochas por todos os cantos, mas apenas aquela se projetava de uma forma que possibilitava ter uma ampla visão de tudo que estava acontecendo.
Naquela paisagem o céu estava limpo, uma leve brisa refrescava o dia e o mar estava agitado, tão agitado que não era difícil ouvi-lo de onde estavam sentados. O engraçado é que sempre tinham muitos assuntos para falar, mas naquele momento ficaram em silencio para escutar a linha tênue que dividia a terra do oceano.
Eles eram pessoas muito urbanas por diversas razões, criação, estilo de vida, trabalho… fato é que não tinham essa conexão com a natureza na mesma frequência que gostariam. Infelizmente, tinham apenas em alguns momentos que a vida lhes abria uma brecha para esse desfruto.
Por isso ficaram em silencio. Em silencio, descalços, sentados naquela rocha e olhando para o infinito que estava à frente. Um infinito que os fazia esquecer das suas lutas, ansiedades, paixões inalcançáveis, gozos de um dia e lagrimas de outros.
Estavam no meio de um arco de montanhas, onde olhando-se tanto para a direita, quanto para a esquerda, paredes de pedra se levantavam onde em sua base as ondas lentamente lapidavam a rocha. Toda aquela energia convergida para o ponto em que estavam sentados.
Nada precisava ser dito, qualquer assunto foi deixado para depois. Estar com os pés descalços na terra, assistindo a beleza da natureza é a única maneira de repor todas as energias que a realidade tirou deles.
Ficar em silencio perante a natureza é ter a consciência que existe algo maior que nós, algo que merece ser contemplado e admirado. É como entrar em uma igreja, mesquita, ou qualquer outro templo, onde , automaticamente, ao se dar o primeiro passo, o tom de voz é baixado para um sussurro, tal como quando contamos um segredo para quem está ao nosso lado.
Assim estavam, sentados perante a natureza, que demonstrava toda sua força na forma de sua beleza, uma beleza infinita que leva qualquer espectador a uma pura catarse que nunca se recuperará.
Todos os anos sentam-se nessa mesma pedra para demonstrar seu respeito. Por isso são Atalaias. Embora seu posto seja distante da suas casas ficam sempre atentos a qualquer sinal de sua chegada. Aguardando atentamente até que ela é avistada, para então se entregarem as ondas e provarem que fazem parte de algo muito maior do aquilo que lhes é prometido.
-cronistadespreocupado
A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida.
É demasiado estranho. Vivemos em um mundo onde é inevitável conhecer novas pessoas a todo momento, ainda mais com nossas famosas redes sociais que dispensam maiores introduções, e, mesmo assim existem pessoas que passam pelas nossas vidas como a areia que seguramos em nossas mãos.
Há pessoas que conhecemos na faculdade, trabalho, em shows (que por sinal são excelentes locais de se conhecer pessoas completamente diferentes e nunca mais vê-las na vida), em fim, as opções são infinitas. O intrigante é como cada ser humano pode influenciar na vida de alguém sem a sua escolha.
Uma breve conversa sobre a história de vida de alguém pode trazer consequências incontroláveis. Pensamos que temos problemas grandes, mas na realidade sempre outra pessoa possui problemas muito maiores e reclamando muito menos que nós.
Isso é muito fascinante e algumas vezes até assustador, ainda mais quando esses estranhos que acabaram de se conhecer tornam-se amantes. Nesse momento duas pessoas passam a se conhecer de uma forma que ninguém mais terá o privilégio, não digo de forma carnal, mas sim mental.
Corpos são inevitavelmente muito parecidos uns com os outros, mas o que ocorre nos lugares mais profundos de uma mente, isso sim é único. Quando alguém aceita que os muros que protegem a sua mente sejam ultrapassados, trata-se de uma escolha de pura confiança o que pode ser benéfico ou prejudicial. Tanto para o anfitrião, quando para o hóspede.
Acredito que nessa altura do texto, você, caro leitor, deva estar se perguntando o porquê do Cronista usar como título uma frase que não é dele. Talvez seja pedantismo, ou até preguiça, fique à vontade, fato é que em algumas ocasiões precisamos requisitar os ensinamentos daqueles que estão no panteão de certos assuntos. E, em matéria de amor, ninguém melhor do que Vinícius de Moraes.
Mas voltando ao assunto, deixar que alguém conheça você em sua essência e também conhecer outra pessoa em sua essência, ou seja, seus medos, suas aflições, traumas e a suas alegrias, orgulhos e memórias, que trazem não só saudade, mas também conforto, isso muda o interlocutor (ou deveria mudar né?). No momento que conseguimos sentir todos os sentimentos vividos pelo outro é como se parte dela tivesse ficado com você. Afinal, nós somos feitos das nossas memórias, boas e ruins.
Por mais que haja tentativa, se aquela pessoa significou algo, ela muda a nossa percepção de mundo. Sempre há uma pequena gota d’água que ela contribui para encher o que geralmente é chamado de “experiencia de vida”, mas que também pode ser a sua essência. O que gera um certo desconforto é saber que essa pessoa que contribuiu (positivamente) para a nossa essência pode desaparecer e nunca mais fazer parte da nossa vida.
Como alguém que acrescentou tanto pode não estar mais presente, como um livro que foi doado e nunca mais será visto pelo seu ultimo leitor? Já dizia Vinicius, “a vida não é de brincadeira, amigo”. Por isso, o importante é ler essa história com muita atenção para que quando chegue ao ao final, ela possa ser guardada em um lugar especial. E que fique claro, não retorne esperando encontrar um epílogo.
O Parque
I – O Parque
O dia estava lindo. Havia muito sol, a temperatura estava agradável para sair na rua e não tinha nenhuma nuvem no céu, um céu de brigadeiro, literalmente. Geralmente, naquela época do ano, fazia muito frio na cidade, só que estranhamente para aquela época, o tempo estava estranhamente bom, o que fez várias pessoas irem ao parque. Inclusive Amanda, que estava em casa e precisava sair para distrair seus pensamentos.
Ela chegou ao parque 9 de maio durante a manhã e estava sentada no gramado desde então, perdeu a noção das horas vendo crianças brincando, outras pessoas caminhando, lendo, brincando com seu cachorro e ela estava ali também. Só que sentada, apenas observando tudo ao seu redor.
Nunca tinha reparado na beleza daquele lugar até este momento. Era um parque relativamente grande, uma volta completa caminhando demorava em média duas horas se a calçada principal fosse seguida, mas esse tempo poderia aumentar muito mais se fossem usadas as pequenas trilhas em seu interior.
Com grandes gramados, dois lagos e muitas árvores, era um lugar de paz em meio a cidade que morava. Servia como uma fuga de todos os furacões que aconteciam do lado de fora. Por isso que Amanda sempre ia pra lá quando algo não estava certo.
Depois de muitas horas sentada, ela voltou pra realidade e reparou que sentia uma fome de quem estava em jejum há uma semana. Por isso se levantou para comer algo na lanchonete do seu silva, mesmo ficando do outro lado do parque e tendo outras opções mais próximas.
Para não demorar tanto, decidiu andar pelos gramados para cortar caminho e não perder a conexão com a terra em seus pés. Sentia que quando estava descalça no gramado a terra absorvia uma parcela de seu sofrimento enquanto ela absorvia as energias da natureza. Isto também acontecia quando estava na praia, esses lugares possuem um poder de cura e limpeza mental que apenas quem experimentou sabe descrever.
Acontece que enquanto caminhava, ela chamava atenção de quem passasse. Não era algo intencional, Amanda chamava a atenção naturalmente. Não era muito alta, também não era baixa, mas com lindas pernas e um cabelo longo, castanho e levemente encaracolado, dificilmente passava despercebida. Mas não era só isso, o seu andar e a sua postura, juntos com a confiança que transmitia em seu olhar, ela ficava irresistível para qualquer pessoa.
Por isso estava acostumada em ser observada, sentia sempre que era olhada por alguém quando passava. No início era um pouco incomodo, mas aprendeu a levar numa boa e que, de certa forma, era algo bom para ela. Até porque ser notado é excelente, em certos casos.
Enquanto caminhava tentou ouvir tudo que estava seu redor, o barulho dos seus pés em atrito com a grama, as folhas farfalhando com o vento e uma mistura de pessoas falando, passarinhos cantando e cachorros latindo. No entanto nada disso desviou o caminho que seus pensamentos tomavam.
II – As Flores
Via as flores de um arbusto quando sentiu vontade de chorar. Da mesma forma de quando acordou, Amanda se lembrou dela, sua namorada. Na realidade, sua ex-namorada. Tudo era tão recente que ainda não tinha se acostumado com o fato dela não a ter mais ao seu lado.
Roberta era seu nome. Ela era linda, mas de uma forma diferente de Amanda. Sua beleza se traduz em sua delicadeza. Tinha um metro e sessenta de altura, um cabelo loiro que poderia ser confundido com os cabelos de Freya e seus olhos verdes que hipnotizavam qualquer pessoa que os olhasse.
Se conheceram a mais ou menos 2 anos e depois de 3 meses ficando, perceberam que havia algo a mais, muito além do sexo que as atraia. A sua presença trazia tranquilidade e paz e sempre que precisava, sabia que podia contar com ela.
Quando conversava com alguém, Roberta fazia sua companhia sentir que era a pessoa mais importante do mundo, pois a forma que demonstrava interesse e curiosidade no que a outra pessoa falava, era como se não estivesse mais nada acontecendo ao redor da conversa.
Foi assim que Amanda se sentiu quando conversou a primeira vez com ela. Ela se sentiu a pessoa mais importante do mundo e que mais nada importava. O pior foi que não aconteceu apenas na primeira conversa, mas sempre que conversavam. Sempre que estavam juntas ela se sentia a única coisa que importava em sua vida.
Certamente é algo apaixonante, pois se sentir especial dessa forma desarma qualquer defesa para não se apaixonar. Entretanto, esse era o jeito de Roberta, ela era naturalmente encantadora. Ouvi-la falar sobre seus livros, seu trabalho e seus passatempos era incrível, havia uma energia que atraia quem quer que chegasse perto.
Amanda foi capturada por essa teia e não sobrou nenhuma defesa que a fizesse se soltar. Por isso quando viu as flores se lembrou de Roberta, que era uma espécie flor, de tão linda, tão delicada e que atraia todos para perto de si.
Inclusive, costumavam ficar juntas no parque 9 de maio. Levavam uma garrafa de vinho, alguns queijos fatiados e muita conversa, o que tinham sempre de sobra. Caminhavam sobre a grama como se não houvesse problemas, tudo era deixado de lado para que apenas o tempo que estivessem juntas fosse importante.
Com todas aquelas memórias que tinha em sua mente, Amanda segurou suas lágrimas. Não queria ser vista como uma mulher frágil, mas era bem difícil lembrar disso e não ter a mente desestabilizada. Foi tudo muito recente e de uma hora pra outra acabou. Como tudo na vida, inclusive as flores, que com toda sua beleza não duram até o fim da primavera.
III – A ponte
Estava sem rumo. Se esqueceu para onde ia e perdeu a fome. Aquelas flores acabaram com o seu dia, se pensava em se distrair, agora estava pior do que chegou. Perdeu a vontade de seguir caminhando, mas não podia parar pois assim não chegaria em lugar nenhum.
Era engraçado porque todos os lugares que olhava ela via algum casal, fosse conversando, se beijando ou até namorando. Tudo que seus olhos percebiam eram dois amantes curtindo as suas companhias.
Seu passo ficou mais devagar, seu olhar menos confiante, sentiu que não estava sendo reparada por ninguém. Isso a fez se sentir ainda pior, pois era algo que levantava a sua confiança. Mas nada, nada a fazia se sentir melhor.
O sol já estava começando a se por, então as sombras das arvores ficaram um pouco mais acentuadas e o frio acompanhava essa mudança. Por isso desistiu de tentar comer algo e foi para casa, mudando o caminho que fazia. Se a lanchonete ficava no lado Norte do parque, ela precisou virar à direita e seguir para a entrada Leste, pois era o caminho mais curto para sua casa.
Acontece que entre o meio do parque e a saída Leste, havia um lago. Muito lindo, com vitórias-régias, carpas e uma pequena ilha em um de seus lados que servia como casa para os patos que ali viviam. E, por esse mesmo lago, passava uma ponte que cortava o caminho para aqueles que queriam uma rota mais rápido e admirar o lago por outro ponto de vista.
Geralmente sempre estava cheio de pessoas, crianças jogando comida para a felicidade dos peixes e dos patos, que, inevitavelmente, travavam uma guerra por cada pedaço de pão. Amigos conversando, outros batendo fotos para o instagram e alguns apenas admirando a vista.
No entanto, pelo avançar da hora, os animais já estava se preparando para dormir e não tinham muitas pessoas ao redor da água. Por isso ela passou pela ponte e parou. Como se não tivesse pensado, se encostou na mureta e ficou olhando para o movimento das aguas, o reflexo que elas faziam com o pouco de luz do sol que ainda restava, até que viu sua silhueta quando olhou para baixo.
Sem se dar conta, reparou que chorava e suas lagrimas movimentavam as águas abaixo dela. As ondas criadas eram menores do que o peso de cada gota que caia de seus olhos. Mas isso não a deixava mais tranquila, muito pelo contrário, queria que fossem lagrimas leves e que rapidamente pudessem ser enxugadas.
Quando notou que estava sozinha na ponte ,ficou mais tranquila, não queria ser vista com a guarda baixada e em uma situação que estivesse tão vulnerável. Ela não gostava de ser vista sofrendo, não fazia parte de sua personalidade.
Assim, depois de subir o nível da água do lago e ficar mais tranquila, seguiu seu caminho até o outro lado e a saída do parque. Caminhou lentamente, tentando abstrair tudo que sentiu naquele dia. E, chegando ao final da ponte, sentiu um calafrio como se uma grande pedra tivesse caído atrás de si.
Parou e olhou para trás. Não havia nada, a ponte estava vazia e só ela estava ali. Foi então que sentiu que seria a ultima vez que passava naquela ponte. Depois daquele ponto, tudo iria mudar e não haveria nenhuma ligação com o outro lado.
O seu relacionamento com Roberta era como aquela ponte, que ligava o singular mundo de duas amantes. Era ali que tudo acontecia, onde a vida ganhava cor, os risos eram fáceis e as lagrimas leves. Entretanto, com tudo acabado, aquela ponte era fechada para nunca mais ser ultrapassada, deixando suas marcas em dois corações que um dia foram conectados.
- cronistadespreocupado
Líquido
Vida. Tudo nela é líquido. Mesmo com tantas coisas firmes ao nosso redor, não podemos esquecer que tudo que tem vida é líquido. Nem mesmo a forma mais rígida pode fugir desta condição.
Isso não é por acaso, tudo que tem vida é mutável, sendo impossível algo permanecer no mesmo estado para sempre. Pode parecer complexo, mas é mais simples do que parece.
Vejamos uma pedra, conseguimos sentir toda sua aspereza, seu peso e tamanho. Dá pra jogar ela bem longe, até onde não podemos conseguir mais vê-la. A princípio é imutável e sempre será daquela forma, e se alguém conseguir muda-la ela já não será a mesma pedra, mas outra completamente diferente da anterior.
E um gás? Talvez o gás menos ainda. Não é possível vê-lo e muito menos senti-lo. Mesmo existindo e conseguindo se adaptar a qualquer espaço e situação, ele ainda não representa a vida. Ela não pode ser nem muito rígida nem muito maleável.
Por isso temos o líquido. Não é por acaso que ele está entre os dois anteriores, consegue juntar a sensibilidade do toque com a sua capacidade de se ajustar a várias condições. Se você colocar um pouco de água em uma peneira, ela vai se dividir para se juntar novamente, o que não acontece com uma pedra ou com o gás. Enquanto o primeiro não sairá do lugar, o último seguirá na sua imensidão invisível.
E falando em líquido, o que pode representa-lo melhor do que a água. Elemento este que é essencial a vida na Terra, que esta em 70% no nosso corpo e na superfície do nosso planeta. Muitas coisas poderiam ser ditas sobre este assunto, como a água dos mares e oceanos, dos rios e lagos e até da chuva. Mas existe outra água que geralmente passa despercebida.
Essa água não é fruto de uma mera reação química, mas sim de uma reação emocional. Ela deixa de ser uma condição física para ser algo psicológico. Surge quando estamos extremamente felizes ou extremamente tristes, sendo a mesma consequência para os dois extremos.
Sim, eu falo sobre lágrimas.
Essa é certamente a materialização do que representa a vida. Todos os motivos que valem a pena viver são justificados pelas lagrimas. É a forma natural e involuntária do nosso corpo demonstrar o que sente. Afinal, sempre que ocorre algum grande trauma, as lagrimas servem para purificar todos os nossos pensamentos nos deixando mais leves.
Por isso, não tenha medo de chorar, suas lagrimas são a prova que você esta vivo. O que você sente e é diferente de tudo que existe no mundo. Nunca se esqueça de sorrir, sonhar, amar e chorar, pois no dia que esses sentimentos acabarem, a vida não será mais liquida.
-cronistadespreocupado
Mulheres
Um dia desses perguntaram ao Cronista, “por que são sempre mulheres?”. Quem fez essa pergunta foi de uma amiga de longa data que sempre que possível acompanha seus textos. Para ser mais claro, a pergunta veio por causa do post “Você sente falta de algo?”.
Realmente, ele nunca tinha parado pra pensar nisso, mas depois de olhar tudo que já escreveu antes, notou a grande maioria sempre envolvia mulheres. Confesso que para o Cronista isso foi algo bastante involuntário e que essa pergunta o fez refletir sobre as reais razões desse padrão involuntário.
Mas afinal, o que inspira o Cronista a escrever sobre mulheres, seus sentimentos, seus medos e seus desejos?
Afinal ele é homem, então provavelmente escreve bastante besteira sobre elas, mas o que ele transforma em palavras são todos os detalhes de uma mulher que passam despercebidos durante a vida, e que geralmente não temos noção de como são fascinantes.
Seria uma covardia com a humanidade fazer o homem e mulher apenas diferentes fisicamente. Mas a natureza, ou seja lá o que o você acredite, nos deu o privilegio de que sim, as diferenças vai além da parte física, a qual também é importante, que fique bem claro.
Começa pelo fato das mulheres serem muito mais sensíveis que os homens. Não sensíveis no sentido de chorar mais, por exemplo, mas por notarem que há algo com o menor sinal que lhe aparece. Como assim? Parece que apenas observando o comportamento de uma pessoa elas notam que tem alguma coisa acontecendo ali, boa ou ruim.
Outra coisa muito interessante (valiosa) é que a mulher é o único ser que poderia largar um apartamento de um milhão de reais, bolsas, sapatos e roupas de grife por um amor incondicional de outra pessoa. Realmente existem sempre exceções, mas eu acredito nisso e é por essa razão de que as mulheres devem ser sempre amadas.
Quando alguém ama uma mulher de verdade e deixa isso claro pra ela, mais com atitudes do que com palavras, ela pode se sentir a pessoa mais valiosa do mundo. A sua beleza aumentará, ela atrairá outras pessoas para perto dela, dentre muitas outras coisas que são consequência disso.
Além disso, com certeza não existe nada mais complexo do que a mente de uma mulher. É inacreditável imaginar que elas sempre tentam dizer algo pela forma oposta. Ou então, se elas possuem algum interesse em alguma pessoa raramente deixam isso claro. Muitas vezes os sinais são sutis, e cabe aos bons detalhistas em reparar aos menores indícios.
Acredito que o Cronista poderia escrever uma um livro sobre esse assunto, mas esse não é seu objetivo. É muito difícil explicar quais as razoes do Cronista ser ta apaixonado pelas mulheres, talvez seja algo que exista como ser falado ou escrito, mas se formos pensar de forma inversa…
Afinal, o que seria das nossas vidas se não existissem Julieta Capuleto, Alice, Iracema, Helena, Gabriela… e por fim, a mais apaixonante e incompreendida: Capitu Santiago. O que seriam das nossas vidas sem elas, qual graça, beleza e mistérios teriam?
P.S. Não vejam o Cronista como uma pessoa machista, mas sim alguém apaixonado pela complexidade feminina e apenas enxerga as mulheres pelo seu ponto de vista masculino.
Esponja
Ja estava pronto para dormir quando algo não o deixava relaxar. Sentiu que aquele pensamento consumiria todos os seus neurônios, até que seu sono viesse quando o sol tocasse em seu rosto.
Perdeu as contas de quantas vezes mudou de posição na cama, até que não viu outra alternativa se não desabafar com as palavras. Pegou seu notebook e começou a escrever.
Era incrível, cada frase criada o deixava mais leve e tranquilo, parecia que estava tirando todo o peso da sua cabeça como um navio sendo descarregado no porto. A viagem foi longa, mas de contêiner em contêiner ele vai ficando mais leve.
A cada palavra sentia que a vida era muito mais do que se passava em seus olhos, mas sim tudo aquilo que estava ao seu redor. Não apenas o que conseguia ver, havia também o que todos os outros olhos viam e sentiam.
Algumas de suas histórias eram vistas como ficção, outras como desabafo e até como realidade. O que gerava certo conforto em quem lia em alguns casos. No entanto, na realidade, ele só escrevia para se sentir melhor.
Não eram palavras direcionadas a alguma pessoa como se fossem projeteis indo em direção ao alvo, mas sim idéias que vieram de experiencias reais misturadas com a imaginação de qualquer artista. Era como se recebesse uma gota d'água e transformasse em uma tempestade.
Só que infelizmente esquecem que artistas são como esponjas. Elas absorvem tudo que está ao seu redor para depois soltar tudo aquilo que foi absorvido. A síntese pode ser uma musica, uma pintura ou uma história, mas ela deve ser feita para que o artista não se afogue em suas inspirações.
Silêncio
Talvez esse seja um dos melhores estados para estar, em silêncio. É o momento que conseguimos ouvir tudo que esta ao nosso redor, como os sons da natureza, nossa respiração e nosso coração.
A concentração depende de silêncio, mas isso não é por acaso. Para se chegar nos lugares mais profundos de nossas mentes nenhuma informação pode ser processada. Nada, absolutamente nada.
Quando queremos nos limpar de pensamento ruins, ficamos quietos e respiramos. O único som que é permitido é do ar saindo e entrando do nosso corpo. Esse é um dos sons mais calmantes que temos.
No entanto, muito silêncio pode nos deixar loucos, até porque nem todos conseguem limpar a mente dessa forma. Durante muitos momentos a enchemos de coisas apenas para nos distrair sobre o que realmente nos aflige.
Só que além de nos deixar loucos, o silêncio também pode nos cansar. As vezes só queremos ouvir uma palavra, uma conversa ou uma musica. Mas quando isso não acontece, nos sentimos mal, vazios e muito cansados.
oi! ♥ meu nome é joão pedro peixoto e tenho um sonho de viver da escrita. esse sonho começou bem cedo, em meados de 2009, quando comecei a escrever aqui no tumblr, sem muitas pretensões. hoje, posto todas as minhas autorias no instagram e seria muuuuita felicidade para mim saber que as pessoas que me seguem no tumblr (onde comecei) também me apoiassem por lá – e quem sabe ajudem no meu primeiro livro ♥. por isso, peço, do fundo do meu coração, dá uma força para mim lá: segue, curte e comenta. se precisar conversar, minha dm está sempre aberta também, amo ajudar da maneira que eu puder. user: jaopedropeixoto (clica) exemplos de posts:
(quem puder reblogar pra ajudar na divulgação, também agradeço demaissss ♥)
Soneto da dúvida
Não sei o que aconteceu para você se afastar Quero sua companhia para poder conversar De um dia pro outro não recebi suas mensagens Espero suas palavras com a sua malandragem
Não sei o que fazer para ter você comigo Fico preocupado onde está o seu abrigo Parece que foi ontem que o filme que nós vimos Não posso esquecer a última vez que nós sorrimos
Não posso insistir apenas na minha vontade O seu sumiço só me deixa ansioso Agora eu não sei o que pode ser verdade
Preciso conversar saber o que se passa Não sei o que fazer nessa maldita quarentena Mas hoje eu sei de como gosto de toda sua palavra
“O mais difícil em ter te perdido, é saber que você me tinha tão fácil.”
— Pedro Pinheiro.