Tive um sonho dia desses, e sonhos eram somente o que eu tinha naqueles tempos, sonhei que em minha enfermidade, algo de forma angelical me cuidava. Foi um sonho bobo, logo aviso, desses que se fica até um pouco triste ao despertar.
É de pouco conhecimento que tive dias onde mal levantei da cama, tive dias onde meu corpo não me correspondia e me era necessário ajuda para coisas básicas. Recebi disso um pouco de cada, mas precisava de mais. Entrei no mundo dos sonhos à espera de uma visita, uma certa visita, e meu cérebro, arteiro, me concedeu por uma noite.
Abri os olhos com a calma que me acompanhava, aqueles dias onde nada se esperava de mim e eu de mim mesmo, além de uma recuperação completa. Não senti, como imediatamente sentia, o ardor febril em minha pele. E foi aí que eu percebi que aquele não era um dia comum. Uma mão por vezes macia e outras apenas quente, deliciava-se em meus cabelos e com intervalos regulares pousava em minha testa. Longos foram os segundos antes que meus olhos ajustassem à pouca luz e eu pudesse ver, pelo menos com um brilho de aura, que estava sendo cuidado.
Alegria e alívio, eram essas as grandes sensações que corriam de minha espinha até a ponta dos pés, num misto de frio e calor que nunca havia sentido antes. Sua voz era macia, calma e receptiva, preocupada somente com o meu bem estar enquanto minha cabeça repousava em seu colo, lembro-me de pensar com os olhos fechados, que poderia eu, sem nenhum arrependimento, morrer ali, certo de alcançar a paz necessária para ser feliz para onde quer que fosse.
Não me durou muito o cuidado, logo desperto sorrindo, inicialmente, e depois minha expressão cai e quebra-se no chão. Não estava sozinho, mas também não tinha a companhia que buscava, não estava descuidado, mas não tinha o cuidado que clamava, não estava saudável, mas não tinha outra doença maior do que a que chamei de saudade.