IMAGINE NEUVILLETTE
Fontaine inteira podia afundar sob uma nova profecia absurda, os mares podiam subir até cobrir os telhados prateados e azulados da Corte de Fontaine e ainda assim Furina encontraria tempo para se preocupar com o que ela considerava o caso mais urgente e irritante de toda a nação.
A completa, absurda e quase ofensiva incapacidade emocional de Neuvillette e S/N de perceberem que estavam ridiculamente apaixonados um pelo outro.
E Furina estava cansada.
Profundamente cansada.
Porque ninguém poderia convencê-la de que aquilo era amizade.
Ninguém.
Muito menos Neuvillette, que claramente havia perdido qualquer traço de dignidade racional quando o assunto envolvia o adorável bibliotecário do Palais Mermonia.
S/N havia começado a trabalhar na biblioteca central do tribunal há pouco mais de um ano e rapidamente se tornou querido por todos. Era gentil de uma forma quase perigosa, sempre sorrindo com delicadeza para os funcionários, recomendando livros conforme os gostos de cada pessoa e cuidando daquele enorme espaço com devoção quase romântica.
As prateleiras brilhavam sob a luz suave que entrava pelas janelas altas do Palais Mermonia. Os livros estavam impecáveis, capas limpas com um pano macio todas as manhãs. As flores perto das janelas eram trocadas semanalmente, alguns lírios brancos ou pequenas violetas que combinavam perfeitamente com o azul hidro da nação. O próprio ambiente parecia mais acolhedor por causa dele. O ar carregava um leve cheiro de papel antigo misturado com o perfume suave de chá de camomila que S/N preparava para si mesmo enquanto organizava os tomos.
Neuvillette percebeu isso rápido demais.
Furina notou logo de cara, ela caminhava pelos corredores elegantes do Palais Mermonia, os saltos ecoando no piso de mármore polido, quando viu Neuvillette parado diante do balcão da biblioteca com um livro nas mãos.
Aquilo por si só já era suspeito.
Neuvillette não tinha tempo para leituras recreativas. Ele lia documentos, relatórios, leis antigas, acusações detalhadas. Mas romances históricos sobre nações antigas, com páginas amareladas e ilustrações delicadas de reis e rainhas perdidos no tempo? Estranho.
Mais estranho ainda foi vê-lo olhando fixamente para S/N enquanto o rapaz falava animadamente sobre a obra, os olhos brilhando de empolgação, as mãos gesticulando com leveza.
— E essa parte é maravilhosa porque mostra como o rei abriu mão do trono por amor. Ele preferiu uma vida simples ao lado da pessoa que amava do que o peso da coroa.
Neuvillette permaneceu em silêncio por alguns segundos longos. Seus olhos violeta estavam fixos demais na boca de S/N, na forma como os lábios se curvavam ao sorrir.
— Entendo.
— O senhor sequer ouviu o que eu disse, não é?
Neuvillette piscou lentamente, como se acordasse de um transe.
— Ouvi.
— Então o que eu falei?
Silêncio.
S/N começou a rir, um som leve e contagiante que encheu o espaço entre as estantes altas.
E então Neuvillette sorriu. Sorriu de verdade, um sorriso que suavizava as linhas severas de seu rosto e fazia os cabelos prateados parecerem ainda mais etéreos sob a luz.
Furina quase caiu dura no corredor, escondida atrás de uma coluna. Porque Neuvillette raramente sorria daquele jeito. Mas com S/N? Aquilo parecia natural, como se o Iudex guardasse aquele sorriso só para aqueles momentos roubados na biblioteca.
Meses depois, Furina presenciou algo ainda pior. Ou melhor. Muito melhor, dependendo do ponto de vista.
Ela havia decidido visitar discretamente uma cafeteria famosa de Fontaine, uma das que ficavam à beira do lago com mesas ao ar livre e vista para as fontes dançantes. O aroma de café fresco e doces amanteigados enchia o ar.
E lá estavam os dois, sentados próximos à janela, ombros quase se tocando.
Nenhum deles percebeu sua presença. S/N segurava uma xícara quente com as duas mãos, soprando suavemente antes de tomar um gole, enquanto falava sem parar sobre um novo livro que havia chegado na biblioteca.
— E então eu descobri que o final era trágico. O herói sacrifica tudo, mas a amada nunca chega a saber o quanto ele a amava. Fiquei com o coração apertado por dias.
Neuvillette observava cada palavra como se estivesse ouvindo a mais fascinante ópera de toda Teyvat. Sua postura era impecável, mas o olhar era suave, quase hipnotizado pela forma como S/N se animava.
— Você chorou.
S/N arregalou os olhos, a xícara parada a meio caminho da boca.
— Como você sabe?
Neuvillette levou calmamente sua própria xícara aos lábios, o vapor subindo devagar.
— Você sempre chora quando finais são trágicos. Seus olhos ficam vermelhos por horas depois, e você fica mais quieto no dia seguinte.
S/N ficou vermelho até as orelhas, mordendo o lábio inferior.
— Você percebe essas coisas?
Neuvillette não respondeu imediatamente. Apenas assentiu, um gesto quase imperceptível, mas carregado de algo mais profundo. Seus dedos longos tamborilavam de leve na mesa, como se quisesse estender a mão e tocar a de S/N, mas se contivesse.
Furina, escondida atrás de um menu gigante na mesa ao lado, bateu a própria testa contra a madeira. Claro que ele percebia. Neuvillette provavelmente sabia até quantas vezes S/N piscava por minuto, ou como ele inclinava a cabeça para o lado quando estava concentrado em catalogar um livro novo.
Mas nada superava o incidente da chuva.
Fontaine estava coberta por uma tempestade particularmente intensa naquela noite. O céu escuro rugia com trovões distantes, e a chuva caía em cortinas grossas, transformando as ruas em rios temporários.
Furina observava da sacada de seus aposentos no Palais quando viu duas figuras correndo pelas ruas iluminadas por lampiões.
S/N ria enquanto tentava proteger alguns livros preciosos dentro do casaco, o corpo curvado para frente. Neuvillette corria ao lado dele, segurando um guarda-chuva completamente inclinado para proteger apenas S/N.
É claro que Neuvillette podia acabar com a chuva em um segundo, mas perder a visão de S/N ofegante e meio molhado...
Resultado?
S/N permaneceu quase seco, os cabelos apenas levemente úmidos nas pontas.
Neuvillette ficou completamente encharcado. A camisa branca grudada no peito largo, os cabelos prateados colados ao rosto, água escorrendo pelo queixo.
Quando finalmente pararam sob uma cobertura próxima ao tribunal, S/N arregalou os olhos, ofegante.
— Você está molhado! Completamente encharcado!
Neuvillette apenas o encarou em silêncio, o peito subindo e descendo devagar.
— Os livros estão bem?
S/N piscou, ainda segurando o casaco contra o peito.
— Sim... graças a você.
— Então está tudo bem.
Ele disse aquilo com a mesma calma com que julgava casos no tribunal, como se sacrificar o próprio conforto fosse a coisa mais óbvia do mundo.
Furina soltou um grito abafado em sua sacada, mãos cobrindo a boca.
DOENTIO.
ABSURDAMENTE ROMÂNTICO.
INSUPORTÁVEL.
Depois veio o incidente da mão e aquele que quase fez Furina invadir a biblioteca e trancar os dois em uma sala até se beijarem.
S/N estava em uma escada alta de madeira, esticando o braço para alcançar um livro raro na prateleira mais alta da seção de arquivos antigos. Seus dedos roçavam a lombada quando perdeu o equilíbrio. A escada balançou perigosamente.
Neuvillette apareceu como um raio, movendo-se com uma velocidade que traía sua natureza dracônica. Segurou a cintura de S/N antes da queda, puxando-o contra o peito largo.
S/N caiu direto em seus braços.
Os rostos ficaram próximos demais. Respirações misturadas. Olhares presos. O cheiro de chuva que sempre acompanhava Neuvillette misturava-se ao perfume suave de papel e flores que vinha de S/N.
Silêncio.
Silêncio longo demais, carregado de tensão doce.
Furina, escondida entre as estantes próximas, apertava as mãos uma contra a outra.
— BEIJA LOGO! — sussurrou para si mesma, quase vibrando de expectativa.
Mas não.
Os dois apenas ficaram vermelhos. Muito vermelhos. As bochechas de S/N queimavam, e Neuvillette desviou o olhar primeiro, embora suas mãos demorassem um segundo a mais do que o necessário na cintura do bibliotecário.
— Cuidado... — murmurou Neuvillette, voz baixa e rouca.
— Obrigado... eu... eu sou desastrado às vezes.
Eles se afastaram em pânico, ambos fingindo que nada havia acontecido, mas o ar entre as prateleiras ficou mais quente por minutos.
Patéticos.
Então aconteceu a noite definitiva. Aquela que fez Furina perder completamente a paciência.
Ela precisou retornar tarde ao Palais Mermonia para buscar documentos esquecidos. Esperava corredores vazios e silêncio absoluto.
Mas encontrou Neuvillette saindo da biblioteca com S/N nos braços.
Furina congelou atrás de uma pilastra ornamentada.
S/N havia adormecido sobre uma pilha de livros recém-organizados. O rosto pressionado contra páginas abertas, a bochecha amassada de forma adorável, óculos tortos no nariz. A marca das folhas impressa levemente na pele. Um fiozinho de baba escorrendo discretamente do canto da boca entreaberta. Os cabelos bagunçados caíam sobre a testa, e ele soltava ronquinhos baixinhos e fofos, completamente alheio ao mundo.
E ainda assim parecia a criatura mais adorável do universo.
Neuvillette o segurava com tanto cuidado que parecia carregar algo sagrado. Um braço por baixo dos joelhos, o outro sustentando as costas. Cada passo era lento, preciso, quase reverente, como se temesse que qualquer movimento brusco pudesse acordar o bibliotecário.
— O que está acontecendo? — Furina sussurrou para si mesma, saindo da sombra.
Neuvillette olhou para o rapaz dormindo em seus braços. Seu olhar suavizou instantaneamente, os olhos violeta ganhando um brilho quente e raro.
— Ele caiu no sono enquanto organizava novos arquivos. Trabalhou até tarde demais.
— E você está carregando ele até em casa?
— Sim.
— Por quê?
Neuvillette pareceu genuinamente confuso com a pergunta, como se a resposta fosse óbvia para qualquer um.
— Porque ele está cansado. Não quis acordá-lo.
S/N se mexeu levemente durante o sono e agarrou a gravata de Neuvillette com os dedos, puxando-a contra o peito como se fosse um cobertor.
O Iudex literalmente parou de respirar por um segundo. Seu corpo inteiro ficou imóvel. Furina viu claramente: a expressão dele derreter, o olhar impossível de esconder, a forma como ele ajustou S/N nos braços com ainda mais delicadeza e, quase involuntariamente, inclinou a cabeça para beijar o topo dos cabelos bagunçados do bibliotecário.
Um beijo leve, quase um roçar de lábios, cheio de uma ternura que Neuvillette nunca demonstrava em público.
Furina ficou em silêncio por longos segundos, o coração batendo forte.
Depois respirou fundo, saindo completamente da sombra.
— Neuvillette.
Ele ergueu os olhos, ainda com S/N seguro no colo.
— Sim?
— Você ama esse homem.
Neuvillette ficou imóvel, o corpo tenso como se uma acusação grave tivesse sido feita no tribunal.
— Não diga absurdos. Somos amigos. Ele é uma companhia agradável, nada mais.
Furina sorriu como uma predadora que finalmente encurralara a presa.
— Amigos? Você carrega ele no colo pela cidade inteira, deixa a chuva te encharcar só para proteger uns livros, fica olhando para a boca dele enquanto ele fala de finais trágicos, e agora beija a cabeça dele enquanto dorme? Neuvillette, por favor. Até as fontes de Fontaine sabem que você está apaixonado.
O Iudex tentou manter a compostura, mas um leve rubor subiu pelo pescoço pálido.
— Furina... isso é inapropriado. S/N merece respeito, não especulações.
— Especulações? Eu vi tudo! As risadas na biblioteca, os cafés onde vocês terminam as frases um do outro, os toques acidentais que fazem os dois corarem como adolescentes. E agora isso? — Ela apontou para S/N, que continuava dormindo pacificamente, babando na gravata do Iudex. — Seu coração derrete quando ele faz isso. Eu vi.
Neuvillette ficou quieto. Seus olhos voltaram para o rosto amassado de S/N, e algo dentro dele pareceu ceder um pouco.
Furina se aproximou, voz mais suave mas ainda firme.
— Você sabe que Wriothesley comentou casualmente que pretendia convidar S/N para um encontro? Algo sobre tomar chá nas fortalezas ou sei lá.
O ar no corredor ficou pesado instantaneamente. Uma aura azulada, fria e opressora, começou a emanar de Neuvillette. Seus olhos estreitaram, expressão sombria e perigosa, como as águas profundas prestes a transbordar.
— Wriothesley... não vai chegar perto dele.
A voz saiu baixa, quase um rosnado.
Furina sorriu, vitoriosa.
— Viu? Apaixonado! Completamente, ridiculamente apaixonado!
Neuvillette piscou. A aura diminuiu. O rubor voltou com força.
— Não acredito...
— Agora a ficha caiu, não caiu?
O Iudex olhou novamente para S/N em seus braços. O bibliotecário murmurou algo incoerente no sono e se aninhou mais contra o peito largo.
Neuvillette suspirou, longo e profundo.
— ...Eu sou um idiota.
— Sim, você é. Mas um idiota apaixonado. E S/N também é. Vocês dois são os maiores idiotas românticos de Fontaine. Agora, vamos planejar a melhor confissão de todos os tempos. Ele merece o mundo, e você vai dar a ele.
O plano começou duas depois no escritório privado de Furina no Palais Mermonia.
A ex-Arconte andava de um lado para o outro como uma atriz no palco principal de uma ópera lotada, as saias rodopiando dramaticamente a cada giro. As luzes suaves das lâmpadas hydro refletiam em seus cabelos brancos e azuis, dando-lhe um ar ainda mais teatral.
— Muito bem! — ela declarou, batendo palmas com força exagerada. — Agora iremos planejar a confissão mais romântica, mais épica, mais digna de ser recontada por séculos na história de Fontaine! Algo que fará as águas do lago dançarem de emoção e os melusines chorarem de felicidade!
Neuvillette, sentado de forma impecável no sofá ornamentado com detalhes em ouro e azul, cruzava as pernas com elegância, mas seu rosto carregava a expressão de alguém prestes a enfrentar uma execução pública. Os dedos longos apertavam levemente a borda da xícara de água importada de Qiaoying, como se o líquido pudesse lhe dar forças.
— Isso é realmente necessário, Furina? Eu poderia simplesmente falar com ele de forma direta. Uma conversa sincera...
Furina parou lentamente no meio do passo, virando o rosto na direção dele com um movimento exagerado de cabeça.
Sorriu de um jeito perigosamente teatral, olhos semicerrados em pura malícia.
— Você quer mesmo arriscar confessar seu amor como se estivesse anunciando uma mudança na legislação hidráulica de Fontaine? “Eu, Iudex Neuvillette, declaro por meio desta que meus sentimentos por S/N são profundos e baseados em evidências coletadas”?
Silêncio absoluto.
Neuvillette imaginou a cena por um segundo e baixou o olhar para a xícara, claramente horrorizado.
— ...Não.
— Ótimo! Então fiquei quieto e deixe a especialista em drama romântico assumir o controle absoluto.
Ela bateu palmas duas vezes, o som ecoando como um comando real.
— Primeiro, precisamos entender do que S/N gosta. Detalhes, Neuvillette. Eu quero tudo, cada pequeno hábito fofo que faz seu coração dracônico derreter.
Neuvillette piscou, surpreso com a própria facilidade em responder. Sua voz grave saiu calma, mas carregada de uma ternura quase palpável.
— Eu sei do que ele gosta.
Furina arqueou a sobrancelha perfeitamente desenhada, inclinando-se para frente com curiosidade exagerada, mãos no queixo.
— Ah? Prove, grandão aquático. Me impressione.
E então começou. Neuvillette falou por vinte minutos inteiros sem parar, como se estivesse recitando um veredito importante, mas cada palavra revelava o quanto ele observava S/N com devoção silenciosa.
— S/N gosta de chá de flores adocicado nas manhãs frias, especialmente com um toque generoso de mel de abelhas de Sumeru. Prefere cafés pequenos e silenciosos ao invés de restaurantes luxuosos, onde o barulho das conversas o distrai dos livros que ele sempre leva escondidos na bolsa. Gosta de livros de romance trágico, apesar de sempre reclamar dos finais com um suspiro longo e depois secar os olhos discretamente com a manga da camisa. Adora caminhar perto das águas de Fontaine ao entardecer, quando as luzes da cidade se refletem no lago como estrelas caídas do céu. Acha lírios azuis mais bonitos do que rosas, porque eles florescem mesmo em águas profundas e calmas. Tem o hábito de prender o cabelo com uma fita simples quando está organizando livros altos demais na escada da biblioteca. Dorme facilmente quando lê por muito tempo após o almoço, a cabeça caindo devagar sobre os braços cruzados, com um ronquinho baixinho. Morde o interior da bochecha quando está nervoso, um tique quase imperceptível que faz sua boca se franzir de leve. E sempre sorri torto quando está genuinamente feliz, o canto esquerdo da boca sobe primeiro, como se o sorriso tivesse vergonha de se revelar por completo.
Furina ficou completamente em silêncio durante todo o monólogo. Lentamente, apoiou o rosto nas mãos, cotovelos na mesa ornamentada, olhos arregalados em puro espanto cômico.
— Isso é assustador.
Neuvillette ficou vermelho até as orelhas, o rubor subindo pelo pescoço pálido como uma maré inevitável. Ele pigarreou, tentando manter a compostura.
— Eu apenas... observo. É útil para compreender as pessoas ao meu redor.
— Observa? Você catalogou ele como se fosse um tomo raro da seção proibida! — Furina levantou-se de um salto, apontando o dedo dramaticamente.
— Furina...
— SILÊNCIO! O plano está se formando na minha mente genial. Isso vai ser épico!
Nos dias seguintes, Furina transformou funcionários do Palais Mermonia em participantes involuntários de uma gigantesca conspiração romântica. Melusines foram recrutadas discretamente para arranjar lírios azuis frescos sem chamar atenção. Servidores da Maison Gardiennage receberam ordens vagas de “preparar o terraço principal para um evento de importância judicial confidencial”. A biblioteca seria fechada mais cedo sob o pretexto de “manutenção urgente de prateleiras antigas que ameaçavam desabar”.
Furina comandava tudo como uma diretora de teatro obcecada por perfeição, correndo de um lado para o outro com uma prancheta nas mãos e um megafone improvisado feito de concha hydro.
No primeiro dia de preparação, ela arrastou Neuvillette para sua sala novamente, fechando a porta com um estrondo teatral.
— Certo! Vamos ensaiar a confissão. Diga algo romântico. Algo que faça o coração dele derreter como gelo sob o sol quente de Sumeru. Vá!
Neuvillette pigarreou, postura rígida como no tribunal.
— Eu amo você.
Furina fez uma careta exagerada, levando a mão ao peito como se tivesse sido atingida por uma flecha envenenada.
— Horrível! Parece que você está lendo a sentença de um caso menor de roubo de pão! Mais emoção! Mais paixão! Tente de novo, com sentimento!
Neuvillette fechou os olhos por um segundo, buscando palavras que não soassem como um veredicto.
— Eu o amo profundamente.
— Parece um testamento final antes de uma execução! Mais suave, mais poético. Pense nas águas que você controla — profundas, calmas, mas capazes de mover montanhas quando necessário.
Neuvillette tentou novamente, voz um pouco mais baixa.
— Minha existência tornou-se mais leve desde sua chegada. Você trouxe cor para dias que eu julgava cinzentos como águas paradas.
Furina levou a mão ao peito dramaticamente, olhos marejados de forma teatral, fingindo secar uma lágrima.
— Melhor... continue! Adicione algo pessoal. Fale dos livros, dos cafés, daquela vez que você o carregou no colo pela cidade inteira como um príncipe adormecido.
Neuvillette corou novamente, mas obedeceu, voz grave ganhando um tom mais suave.
— Quando vejo você dormindo entre os livros, com a bochecha amassada contra as páginas e um fiozinho de baba escapando... meu peito se aquece de uma forma que nenhuma sentença jamais conseguiu explicar. Eu quero proteger esses momentos. Quero ser a razão dos seus sorrisos todos os dias.
— Talvez sem a parte da baba, mas está ótimo.
Furina aplaudiu devagar, com reverência fingida, mas os olhos brilhavam de satisfação.
— Perfeito! Agora repita dez vezes sem gaguejar. E pratique o olhar. Aquele olhar suave que você faz quando ele ri baixinho na biblioteca. Não o olhar de juiz imparcial! O olhar de homem completamente apaixonado, como se o mundo inteiro coubesse no sorriso dele.
Os ensaios duraram horas. Neuvillette, acostumado a discursos longos e solenes no tribunal, tropeçava nas palavras quando tentava torná-las pessoais e emotivas. Em um momento, ele disse com seriedade excessiva:
— Segundo as evidências coletadas ao longo de nossos encontros casuais na biblioteca e cafés...
Furina caiu na gargalhada, rolando dramaticamente no sofá enquanto batia os pés.
— Não! Nada de “evidências”! Tente: “Seus sorrisos são como as primeiras gotas de chuva após uma seca longa no deserto de Sumeru.”
Neuvillette repetiu, hesitante no começo. Furina corrigia cada pausa, cada tom, batendo o pé no chão com impaciência cômica quando ele voltava ao modo “Iudex imparcial”.
Dois dias depois...
— Furina, isso está tomando tempo demais. E se ele não...
— Silêncio! Ele vai amar. Agora, repita a parte sobre o livro dos dragões antigos. E sorria no final! Um sorriso de verdade.
Neuvillette obedeceu, repetindo o discurso com mais fluidez a cada tentativa. Furina batia palmas ou fingia desmaiar de emoção a cada acerto, transformando os ensaios em uma mistura hilária de tensão romântica e comédia pura.
No quarto dia, a conspiração atingiu o ápice. A biblioteca foi fechada mais cedo com um cartaz educado. Flores foram posicionadas com precisão milimétrica. Os músicos ensaiaram baixinho em um canto escondido. Furina ajustava cada detalhe como uma perfeccionista obcecada.
— Perfeito! Isso vai ser lendário. Fontaine vai falar disso por gerações!
Neuvillette, segurando um buquê de lírios azuis frescos, parecia mais nervoso do que antes de qualquer julgamento importante. Suas mãos tremiam levemente ao ajustar a gravata.
— E se ele chorar de tristeza, Furina? E se eu o assustar?
— Então você o consola como o namorado fofo que vai ser! Agora vá se arrumar. O sol está se pondo.
No dia marcado, S/N recebeu um bilhete elegante entregue por um melusine tímido, pedindo sua presença no terraço principal do Palais ao anoitecer. Ele subiu as escadas confuso, ajustando os óculos no nariz.
E parou completamente ao abrir as portas duplas.
Velas flutuantes iluminavam o local com um brilho dourado suave. Lírios azuis decoravam o ambiente em arranjos elegantes, perfumando o ar com delicadeza. A vista noturna de Fontaine brilhava abaixo deles, o lago refletindo as luzes da cidade como um mar de estrelas. Músicos tocavam baixinho ao fundo uma melodia suave de águas correntes.
E no centro de tudo estava Neuvillette.
Impecável no terno formal, cabelos prateados soltos caindo como cascata, nervoso de uma forma que só Furina conseguia notar.
Segurando um buquê de lírios azuis.
S/N arregalou os olhos, coração disparando.
— Neuv...?
O discurso tinha fugido completamente de sua mente. Neuvillette respirou fundo, o peito largo subindo devagar.
Furina observava escondida atrás de uma enorme estátua ornamentada com binóculos de ópera, mordendo o lábio de ansiedade.
— Vai, grandão aquático... não me decepcione agora — ela sussurrou, vibrando de expectativa.
Neuvillette caminhou lentamente até S/N. As mãos tremiam de forma quase imperceptível ao segurar as flores.
Era agora...
— Eu passei muito tempo sem compreender meus próprios sentimentos.
S/N permaneceu imóvel, olhos fixos nele.
— Sua presença tornou meus dias mais leves... mais felizes. Eu procuro você em todos os lugares sem perceber. Espero por nossas conversas na biblioteca. Guardo cada sorriso seu comigo como um tesouro raro.
Os olhos de S/N começaram a tremer, um brilho úmido aparecendo.
Neuvillette continuou, cada vez mais vulnerável, voz grave ganhando rachaduras emocionais.
— Quando você está triste, eu sinto dor como se as águas dentro de mim estivessem agitadas. Quando sorri, meu dia melhora instantaneamente. E quando imaginei outra pessoa ocupando seu coração... percebi que não suportaria isso. Nem por um segundo.
A respiração de S/N falhou, peito subindo rápido.
Neuvillette deu o último passo, parando bem perto.
— Eu amo você, S/N.
Silêncio.
S/N apenas encarou Neuvillette.
Sem falar nada.
Sem se mover.
E então...
Uma lágrima caiu pela bochecha.
Depois outra.
E outra.
E outra.
Em segundos, S/N estava chorando descontroladamente. Soluçando. Respirando errado, ombros tremendo.
Neuvillette congelou completamente. Seu rosto perdeu toda a cor, olhos violeta arregalados de puro pânico.
— Eu...
S/N continuava chorando, tentando limpar o rosto com as mãos trêmulas.
Neuvillette entrou em pânico genuíno, voz falhando.
— Eu sinto muito. Eu fui egoísta.
Mais lágrimas de S/N.
— Eu não queria assustá-lo.
S/N balançava a cabeça desesperadamente, mas as palavras não saíam.
— Se meus sentimentos o deixaram desconfortável...
A voz de Neuvillette começou a falhar de verdade, algo extremamente raro para o Iudex.
— Eu jamais desejaria causar medo em você. Nunca.
Aquilo fez S/N arregalar os olhos molhados.
— N-Neuv..
— Esqueça tudo que eu disse. Se quiser que eu me afaste, eu o farei. Imediatamente.
S/N agarrou o rosto dele com ambas as mãos, dedos tremendo contra a pele pálida.
E o beijou.
Desesperado.
Molhado por lágrimas quentes.
Neuvillette simplesmente parou de funcionar. Os olhos completamente arregalados, corpo rígido por um segundo eterno.
S/N se afastou apenas o suficiente para respirar, ainda chorando, ainda tremendo.
— Seu idiota...
Neuvillette piscou lentamente, voz rouca.
— ...o quê?
S/N riu entre lágrimas, um som molhado e aliviado.
— Eu estou chorando porque esperei por isso há tanto tempo que achei que nunca aconteceria. Achei que era só amizade para você.
O cérebro de Neuvillette claramente demorou alguns segundos para processar a informação.
— Você...?
— Eu sou apaixonado por você há muito tempo.
Neuvillette parecia completamente quebrado emocionalmente, alívio inundando seu olhar.
— Há quanto tempo?
S/N limpou o rosto com a manga, sorrindo torto apesar das lágrimas.
— Desde a primeira vez que você voltou à biblioteca só porque eu disse casualmente que gostava daquele livro raro sobre dragões antigos.
Neuvillette ficou em silêncio, olhos suavizando.
— Você lembrou disso?
S/N quase gritou, voz embargada mas cheia de alegria.
— VOCÊ APARECEU NO DIA SEGUINTE COM UMA EDIÇÃO ORIGINAL! Como eu poderia esquecer?
Furina, escondida atrás da estátua, apertou o binóculo contra o peito e sussurrou vitoriosa:
— FINALMENTE!
Neuvillette começou a rir. Uma risada genuína, rara e completamente apaixonada, ecoando suave no terraço.
Então puxou S/N para seus braços com cuidado firme.
Dessa vez o beijo foi lento.
Profundo.
Cheio de alívio.
Cheio de amor reprimido por tempo demais, línguas se tocando com ternura exploratória.
Quando se separaram, S/N encostou a testa na dele, olhos ainda úmidos mas brilhando de felicidade.
— Não demore tanto para me beijar da próxima vez, Neuv.
Neuvillette sorriu suavemente, um sorriso verdadeiro que iluminava todo o rosto, ajustando uma mecha de cabelo de S/N com os dedos.
— Pretendo beijá-lo com bastante frequência daqui em diante. Todos os dias, se você permitir.
Atrás da estátua, Furina limpava lágrimas dramáticas com um lenço, fungando alto.
— Eu sou uma gênia romântica. Fontaine deveria me agradecer oficialmente com uma estátua e uma ópera inteira dedicada a mim!
O terraço ficou em silêncio confortável, apenas a melodia suave dos músicos e o som distante das águas de Fontaine ao fundo. Neuvillette puxou S/N para mais perto, abraçando-o com força protetora, enquanto o bibliotecário se aninhava contra o peito dele, ainda rindo baixinho entre soluços residuais.
A confissão épica que Furina tanto planejou havia funcionado mesmo que com lágrimas, pânico, beijos molhados e todo o drama romântico que Fontaine merecia.
E os dois idiotas apaixonados finalmente pararam de ser idiotas.
Furina nunca imaginou que precisaria cobrir o Iudex de Fontaine em “férias emergenciais” apenas porque o homem havia finalmente arrumado um namorado.
— Ele disse o quê?! — ela gritou para o espelho do seu camarim privado, os olhos arregalados de puro ultraje dramático. — Férias? Neuvillette? O homem que trabalha até enquanto dorme? Por causa de um bibliotecário fofo?!
Mas era verdade. Depois da confissão épica no terraço, Neuvillette havia entrado no modo “namorado apaixonado” com uma intensidade que assustava até a ex-Arconte. Ele simplesmente declarou, com aquela voz grave e calma, que tiraria alguns dias para “acompanhar assuntos pessoais urgentes”. Assuntos pessoais que envolviam S/N sorrindo torto, mãos dadas pelas ruas de Fontaine e beijos roubados em cada esquina.
Enquanto isso, Furina ficava enterrada em pilhas de documentos, assinando papéis com a assinatura falsificada de Neuvillette (que ela praticara por horas) e resmungando para os melusines:
— Se ele não voltar logo, vou declarar que o Dragão da Água foi engolido por uma profecia romântica!
Mas Neuvillette não tinha a menor intenção de voltar tão cedo.
Os primeiros dias do namoro foram puro açúcar. Eles caminhavam de mãos dadas pelas ruas calçadas de Fontaine, ignorando os olhares curiosos dos cidadãos. S/N corava toda vez que Neuvillette se inclinava para beijar sua testa em público, mas não se afastava. Pelo contrário, apertava os dedos do namorado com mais força.
— As pessoas vão comentar... — murmurou S/N uma tarde, enquanto tomavam café em uma mesinha escondida.
— Que comentem — respondeu Neuvillette, voz baixa e possessiva, roçando o polegar na palma da mão dele. — Você é meu agora.
S/N derreteu na cadeira, sorrindo torto como sempre.
O dia do teatro foi um dos mais perigosos.
Neuvillette havia reservado um camarote privado no ópera mais prestigiada de Fontaine, uma peça romântica sobre um amor proibido entre um cavaleiro e uma donzela das águas. A cortina mal havia subido quando S/N, sentado ao lado dele, inclinou-se e roubou um beijo rápido.
Neuvillette retribuiu. E não parou.
Os beijos ficaram mais longos, mais profundos. Línguas se tocando devagar enquanto os atores declamavam no palco. S/N subiu no colo de Neuvillette sem pedir permissão, pernas abertas ao redor da cintura larga do mais velho. O camarote era alto e afastado, longe dos olhares do público, mas ainda assim arriscado.
— Neuv... — gemeu S/N baixinho contra a boca dele, quadris se mexendo de leve.
Neuvillette segurou a cintura fina com mãos firmes, o pau já duro pressionando contra a bunda de S/N através das roupas.
— Você está me testando, meu amor... — rosnou baixo, mordendo o lábio inferior de S/N. — Se continuar assim, eu vou te foder aqui mesmo, no meio da peça.
S/N sorriu safado, olhos brilhando.
— E eu não reclamaria...
Os beijos ficaram famintos. Neuvillette apertava a bunda de S/N, esfregando-o contra o próprio pau enquanto a peça seguia no palco. Gemidinhos manhoso escapavam da boca de S/N, abafados pelos beijos. Neuvillette estava a um fio de perder completamente o controle, já imaginava virando S/N de bruços no assento do camarote e metendo fundo nele ali mesmo.
Mas a peça acabou. As luzes se acenderam. Eles foram obrigados a se separar, ambos ofegantes, rostos corados e roupas amarrotadas. S/N desceu do colo com as pernas tremendo, ajustando discretamente a ereção na calça.
— Vamos embora... — sussurrou Neuvillette, voz rouca. — Agora.
Outro dia, passeando pela cidade ao entardecer, Neuvillette simplesmente não aguentou mais.
Fazia apenas quinze minutos que haviam saído de casa e ele já sentia falta da boca de S/N. A dependência era ridícula. Ele parou no meio da rua, puxou S/N pelo pulso e o arrastou para um beco estreito entre duas construções antigas.
— Neuv, o que...
Não deu tempo de terminar. Neuvillette o prensou contra a parede fria, boca faminta colando na dele em um beijo desesperado. As mãos grandes seguravam o rosto de S/N enquanto a língua invadia, explorando fundo, quase esmagando o corpo menor contra os tijolos.
S/N soltou gemidinhos manhoso no beijo, mãos agarrando a camisa de Neuvillette.
— Hmm... Neuv...
O Iudex perdeu a razão. Virou S/N de costas com facilidade, peito do bibliotecário pressionado contra a parede. A bundinha redonda encaixou perfeitamente contra o pau duro que latejava dentro da calça.
— Eu quero você... — rosnou Neuvillette no ouvido dele, beijando e mordendo o pescoço exposto. — Quero tanto te foder agora...
Ele esfregava o pau contra a bunda de S/N em movimentos lentos e provocantes, mãos descendo para apertar os quadris. S/N gemia baixinho, manhoso, empinando levemente para trás.
— Então me fode... por favor...
Neuvillette mordeu o ombro dele, deixando uma marca vermelha.
— Não aqui. Não em um beco sujo. Você merece mais que isso.
Com um esforço sobre-humano, ele se afastou, pegou a mão de S/N e praticamente o arrastou até o apartamento particular que mantinha perto do Palais — um lugar discreto, luxuoso e silencioso.
Assim que a porta se fechou, Neuvillette o puxou para um beijo novamente, dessa vez sem restrições. As mãos grandes desceram pelas costas de S/N, apertando a bunda enquanto as línguas se enroscavam molhadas.
S/N sorriu contra a boca dele, provocante.
— Você está tão desesperado hoje... — murmurou, voz manhosa. — Quer que eu cuide de você?
Neuvillette rosnou baixo, olhos violeta escurecidos de tesão.
— De joelhos. Agora. Você foi um garoto muito mau me provocando o dia inteiro.
S/N obedeceu com um sorrisinho safado, ajoelhando-se no tapete macio da sala. Abriu a calça de Neuvillette com dedos ágeis e puxou o pau grosso e longo para fora. Era grande, pesado, a cabeça rosada já brilhando de pré-gozo.
— Tão grande... — sussurrou S/N, lambendo os lábios.
Ele começou devagar, beijando a base, subindo com a língua plana até a cabeça. Depois abriu a boca e engoliu o máximo que conseguia, chupando com vontade. O boquete era molhado, barulhento, saliva escorrendo pelo pau, sons obscenos enchendo a sala. S/N chupava fundo, garganta relaxando, olhos lacrimejando enquanto olhava para cima.
Neuvillette gemeu grave, mão grande segurando os cabelos de S/N.
— Porra... você chupa tão bem... tão gostoso... — murmurou, genuinamente surpreso. — Eu não esperava que fosse tão safado, meu pequeno...
S/N sorriu ao redor do pau, acelerando o ritmo, chupando com mais força, língua girando na cabeça sensível. Neuvillette jogou a cabeça para trás, quadris se mexendo devagar para foder a boca quente.
— Isso... Que delícia amor...
Depois de minutos deliciosos, Neuvillette puxou S/N para cima, beijando-o com fome enquanto o carregava até o sofá. Não se deu ao trabalho de ir até o quarto. Jogou o namorado de quatro no estofado macio, tirando as roupas restantes com urgência.
— Fica assim pra mim — ordenou, voz dominante.
S/N empinou a bunda, olhando por cima do ombro com olhos manhoso.
Neuvillette se ajoelhou atrás dele, separou as nádegas e atacou o cuzinho apertado com a língua primeiro, lambendo, chupando, penetrando com a ponta enquanto os dedos espalhavam lubrificante. S/N gemeu alto, corpo tremendo.
— Neuv... ahh...
Dois dedos entraram devagar, depois três, abrindo e curvando até acertar a próstata. S/N choramingava, empinando mais.
Quando Neuvillette finalmente posicionou o pau na entrada, empurrou devagar. O cuzinho apertado resistiu no começo.
— Tão grande... — reclamou S/N, voz manhosa. — Neuv, você é enorme...
Aquilo deixou Neuvillette completamente maluco de tesão. Ele segurou os quadris com força e meteu até o fundo em uma estocada lenta mas firme, enterrando-se completamente.
— Toma tudo... — rosnou. — Esse cuzinho é meu agora.
E então ele fodeu.
Forte. Profundo. Sem pressa de acabar. Estocadas ritmadas que faziam o sofá ranger, o pau grosso acertando a próstata a cada vez. S/N gemia alto, manhoso, unhas cravadas no estofado.
— Neuv... ahh... mais forte...
Neuvillette obedeceu, aumentando o ritmo, uma mão puxando os cabelos de S/N para trás enquanto a outra apertava a cintura. Ele fodeu S/N a noite toda — mudando de posição, colocando-o de lado, depois de frente para ver o rosto dele se desfazer de prazer.
S/N gozou pela primeira vez sem tocar no pau, corpo convulsionando ao redor do pau grosso. Neuvillette não parou. Continuou metendo, fazendo ele gozar uma segunda vez, depois uma terceira, até o bibliotecário estar uma bagunça tremendo e choramingando.
Só então Neuvillette se permitiu gozar, enchendo o cuzinho apertado com porra quente e grossa enquanto rosnava o nome de S/N.
Eles ficaram ali, ofegantes, Neuvillette ainda dentro dele, beijando as costas suadas com carinho.
— Eu te amo... — murmurou S/N, voz rouca.
Neuvillette sorriu contra a pele dele, abraçando-o por trás.
— Eu também te amo. E vamos fazer isso todas as noites.
Enquanto isso, no Palais Mermonia, Furina olhava para a pilha de documentos com ódio puro.
— Quando esses dois voltarem, vou obrigá-los a assistir a uma ópera inteira sem se beijarem nem uma vez. É o mínimo que merecem!
Mas no apartamento discreto, Neuvillette já puxava S/N para mais um beijo lento, mãos descendo novamente pela cintura fina.
As “férias emergenciais” ainda durariam mais alguns dias.














