Sabe quando lhe arde o peito?
E já não sabes se de paixão ou confusão
Não sei se por medo de perder a mim ou a você
Em meu interior sinto o seu receio
Mas constantemente finjo que não creio
Que estou apenas a imaginar
Ou a sabotar mais uma chance de amar
Mas eu sinto em meu peito
E chega a ser desrespeito
Como eu ignoro aquilo que pressinto
Tão espontaneamente me deixo de escanteio
Eu que sinto em todas instâncias e meios
Fico me negando a acreditar
Plantar, regar, crescer e colher
Claro, seria incrível se fosse com você
Mas, as vezes, tão rasteiro e irreconhecível
Sinto que vive em dualidade
Vive em eterna saudade de um ciclo que não soube encerrar
Criaste vícios e barreiras emocionais
Sentimentos que não parecem racionais
Que sobressaem mesmo quando tu se negas a aceitar
Eu desejo "a gente" mais que tudo
Por isso ainda me recuso abrir mão de ti sem lutar
Nesse cenário, sempre estou disposta a te ajudar
Contudo, você é o protagonista que precisa batalhar
Claro, se o "nós" te incentiva a melhorar
E não sei se é por mim ou por você
Por abrir mão de mim cada vez que tento te entender
Por sentir que tu não me escolhes todo dia ao amanhecer
Pois ainda sente algo que não compreende
E assim, parece que não entende
Se deseja ou não ficar e plantar
Se sou a única dupla com quem deseja regar
Se quer realmente se entender e crescer
E comigo compartilhar o colher
Me arde o peito pelos industrializados que me faz tomar
Na espera do tempo certo da fruta fresca colher
E você determina se será sempre por você.